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Mário A. G. Leal
     
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TÉCNICA KAMISAKE

por Orlando Figueiredo de Moraes
São Pedro da Aldeia–RJ

A Técnica Kamikase é baseada em uma forma especial de poda drástica - por isso o nome Kamikase - com a finalidade de estimular a brotação de galhos em espécies que, quando sofrem adaptações pelo processo “pré-bonsai”, tornam-se difíceis de emitir galhos.
Os testes foram realizados no final do inverno e início da primavera – época de clima ameno e que caracteriza a transição metabólica da planta: estado de hibernação para o princípio ativo. O exemplar escolhido foi o flamboyant, uma árvore frondosa, muito visada pelos bonsaístas, e que possui a característica exposta acima. A técnica consiste no seguinte procedimento:

1 – PODA DRÁSTICA

1.1 – Primeira etapa (corte transversal) Escolha um exemplar pronto para sofrer a poda drástica. Ele deve possuir um tamanho e uma grossura de tronco ideais – no tocante a esse aspecto, tenha em consideração uma planta bem desenvolvida.

Tenham como referência, as medidas da planta de exemplo em questão: comprimento do tronco já com a poda transversal = 36cm; diâmetro do tronco (grossura) = 3cm. A projeção do plano mostrado na figura abaixo indica o corte transversal.
1.2 – Segunda etapa (cortes longitudinais) Essa segunda etapa drástica, que é uma forma especial de cortes e trações, caracterizou a denominação da técnica: “kamikase”.
Na figura ao lado os tracejados indicam os cortes longitudinais que deverão ser feitos. Eles não precisam ter necessariamente o mesmo desenho da ilustração.
Trata-se, portanto, de uma questão subjetiva, de gosto e de estilo. Os cortes são realizados obedecendo à sua idealização e referem-se ao posicionamento de possíveis brotações.
Como referência, as medidas das secções longitudinais da planta do exemplo possuíam: as maiores = 26cm; as menores (formando bifurcações - um “Y”) = 10 e 13cm cada uma.

2 – TRACIONAMENTO

Nesta etapa, o tracionamento consiste em imitar galhos com as “fatias” do tronco partido. A intenção aqui não é tornar cada parte dessas em um galho propriamente dito, e obviamente que isso não aconteceria. Na verdade, esses “falsos galhos” servem como uma estrutura que vão conduzir os futuros galhos. Ali eles crescerão em diferentes pontos, em diferentes níveis e ângulos, ora opostos entre si, ora oblíquos, quando numa daquelas bifurcações. O intuito é o de criar, com o surgimento das brotações, a mesma sensação de divergência dos galhos (ramificações) que observamos nas árvores. 
Observe que cada parte cortada do tronco foi tracionada formando curvas
3 - HIDRATAÇÃO
Torna-se imprescindível o controle diário de hidratação da planta - sobretudo a casca.  Haja vista que a mesma está mais vulnerável ao ressecamento.
É importante ressaltar que todo o procedimento deverá ser realizado em meia-sombra (iluminação indireta) até a brotação. 
Perceber-se-á ao longo da evolução, o surgimento de alguns brotos, e também o secamento natural nas extremidades dos falsos galhos.
Em uma dada fase do processo não se precisa mais dos tracionadores, pois os falsos galhos já estarão rijos.
A imagem ao lado retrata a brotação.

Muitos brotos vingam e crescem, outros perdem a força, secam e morrem. Acontece também com alguns galhos (é inevitável).
4 – REFINAMENTO / ESTILIZAÇÃO / ESTÉTICA
Uma vez vingados todos os possíveis galhos dessa feitura, chega o momento de trabalhar a estilização do bonsai. Em princípio far-se-á o refinamento da planta, que consiste na eliminação de toda sua parte morta e/ou até galhos vivos que estão fora de sua concepção estética.
Observe nesta figura um exemplo de refinamento. Aqui, foram eliminados alguns “falsos galhos” ou parte deles:
É certo que no processo de regeneração dos cortes ocasione cicatrizes - inconveniente esse que é inevitável, e também, fato de severas críticas tidas por bonsaístas. Naturalmente essas cicatrizes levariam muito tempo para sumirem, não existindo, portanto, outra solução que não seja a intervenção do artista. 4.1 – Apontando uma solução para as cicatrizes Sempre haverá no Mundo pessoas de idéias e opiniões diferentes – esse contraste é a causa principal dos conflitos que fazem os Homens buscarem as soluções para suas questões. A solução que encontrei até agora, e que de uma maneira geral ameniza bastante o impacto provocado pelas cicatrizes é o efeito realizado por um número ainda maior de cicatrizes. Como assim? Trata-se da aplicação de uma outra técnica (ENVELHECIMENTO). Essa técnica visa o surgimento de nervuras que vão se assemelhar àquelas cascas grossas de árvores antigas. Procedimento:
1 – Com uma lâmina cortante (estilete, por exemplo), realiza-se diversas incisões “intradermes”, “quase superficiais” (parecidas com arranhões) em sentido longitudinal (como se fossem veias entrelaçadas) em toda a extensão do tronco (desde o nebari) e galhos (deve-se ter o cuidado de não aplicar na parte mais jovem - extremidades - por que é muito vulnerável). Essa etapa deve ser realizada em meados da primavera, estação a qual a planta inicia seu metabolismo ativo:

2 - Após a realização das incisões é o momento de aguardar o surgimento das nervuras, que é o crescimento do tecido vegetal nas incisões (regeneração). Durante o período dessa cicatrização é possível notar a mudança na coloração de sua casca. Observe a figura ao lado.

Resultado: O que ocorre com a aplicação desta técnica é o engrossamento do tronco e galhos devido ao crescimento do tecido naqueles arranhões – são as nervuras, que dão impressão de casca grossa e antiga, e ainda, a mudança na coloração da mesma. O aspecto final é o de envelhecimento da planta.

Veja a figura ao lado.
Em se tratando literalmente da palavra “estética”, sobretudo em manifestação artística, é indispensável à consciência que, para trabalhá-la, o artista dependerá de tempo, dedicação, afinidade, e em síntese, de paciência, como todos sabem. Em outras palavras, a “estética” do bonsai dependerá de suas mãos, de sua criatividade e antes de tudo, de sua vontade. Então, se você quer, vá em frente, e mãos à obra!
5 – ALGUMAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
Não foram observados na experiência detalhes como: 
  • o posicionamento das gemas quando na feitura dos cortes longitudinais;
  • a utilização de substância hidratante como o soro glicosado;
  • a utilização de hormônios de crescimento.
5.1 - Dicas Atente para as considerações acima. Talvez, fazendo uso desses recursos, o resultado possa ser ainda mais satisfatório. Por exemplo, preservando-se mais gemas, maiores serão as chances de brotações (estude bem o tronco e o posicionamento das gemas antes de realizar os cortes longitudinais); o soro glicosado¹ ajuda na hidratação e recuperação da planta (pulverize a solução glicosada em toda a extensão do tronco, sempre ao entardecer – a concentração indicada é a 2,5%); e o hormônio enraizador² ajuda na brotação (pulverize também esta solução, em toda extensão do tronco, uma vez por semana).


Técnicas, texto e ilustrações de Orlando Figueiredo de Moraes.
E-mail: orfig2003@yahoo.com.br São Pedro da Aldeia – RJ, 11 de março de 2005. ¹ e ² - consulte material informativo a respeito.
AUTORIZAÇÃO
----- Original Message -----
From: Orlando Figueiredo
To: bonsai@convex.com.br
Sent: Monday, May 02, 2005 11:51 PM
Subject: Re: Matéria para o site Amigo Mário, Já adequei minha postagem e a transformei numa matéria, como você me solicitou. Ela seguirá na próxima correspondência.
Autorizo, através deste e-mail, a exibição da matéria em seu site. Sem mais, Orlando Figueiredo de Moraes






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