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Selando feridas em árvores - Português

Arzivenko30/10/2009 15:14
Selando feridas em árvores - Português
Selando feridas em árvores - Português

Este eu escrevi para o bonsainut em Janeiro de 2009

Alguém poderia pensar que a questão sobre selar ferimentos é algo que poderia ser simplesmente resolvida apenas escutando um profissional que poda árvores como modo de vida, ou um cientista que faz pesquisa com práticas horticulturais. Porém não é assim tão simples. Existem disputas sobre este assunto nos clubes de jardinagem. Existem disputas sobre este assunto nos jornais locais quando árvores são podadas em um parque. No bonsai é praticamente uma guerra santa. Como pode ser possível que uma questão que não deveria deixar dúvida alguma devido sua simplicidade causa tanto alvoroço?

A maior razão, ao meu ver, é que a maioria das pessoas, em geral, não tem ou praticamente não tem idéia alguma sobre o funcionamento de uma planta, mas tem uma idéia geral sobre o funcionamento do corpo humano. Eles sabem que se uma pessoa tem um ferimento grande que não é tratado, isto não é muito saudável. Eles sabem que se deve evitar apodrecer por dentro quando se é um mamífero. Se eu disser que qualquer tratamento iria piorar a situação, e que a ferida deveria ser deixada aberta, me chamariam de doido ou ignorante, e estariam corretos. E o mesmo deveria ser verdade com as árvores, e a terra é chata. Selantes foram e continuam sendo uma idéia baseada neste desentendimento. Então veio Dr. Shigo e revolucionou o mundo da horticultura. Sua pesquisa descobriu algo chamado compartimentalização. De uma maneira doida, ele nos diz que as plantas não apodrecem de dentro para fora, elas formam compartimentos com barreiras químicas e físicas. Estes compartimentos começam no centro de um tronco e ocorrem em diversos anéis até a parte de fora. Enquanto o compartimento de dentro irá apodrecer algum dia, a podridão não irá continuar até o próximo compartimento facilmente. Ela até vai, eventualmente, mas a parte de fora da árvore irá crescer e formar um novos compartimentos. Mesmo se um compartimento interno apodrecer ainda existirá outro mais externo onde a parte vive da planta continuará crescendo. Este processo normalmente é tão lento que a árvore irá crescer para longe da parte podre por anos ou mesmo séculos. Praticamente todas coníferas velha na natureza possuem partes podres em seu interior. Mas graças à compartimentalização, elas não morrem.

Dr. Shigo descobriu que humanos que "ajudam" as árvores, mais ou menos profissionalmente, cometem dois erros:
1) Fazem cortes planos, perpendiculares ao tronco, e desta forma fazem ferimentos grandes que passam por diversos compartimentos. Portanto, criam um grande perigo, onde compartimentos saudáveis passam a ser facilmente invadidos por todo tipo de organismos, fungos, e eventualmente apodreção.
2) Selantes de ferimento são aplicados convencionalmente com o objetivo de prevenir o apodrecimento das partes internas das plantas. Ele descobriu que ocorre justamente o oposto como conseqüência. Em primeiro lugar, na natureza não existe maneira de prevenir que algum tipo de fungo ou bactéria entre em um ferimento novo. Se algum paisagista pensa que pode prevenir isto, ele está simplesmente enganado. Se você sela o ferimento, irá criar um ambiente ideal para estes organismos trabalharem. Eles necessitam de calor e umidade, o que pode ser conseguido de maneira bem mais eficiente selando um ferimento do que não o fazendo. Então Dr. Shigo revolucionou a horticultura ao postular que selantes de ferimento são superfulos, e podem ainda ser perigosos.
Dr. Shigo é considerado um eterno separados de águas na ciência da horticultura, devido suas descobertas. Um estudante de horticultura que nunca ouviu falar dele é um ignorante. Uma pessoa que pensa que pode combater décadas de estudos científicos das mentes mais brilhantes do mundo com apenas o senso comum é bobo ignorante. Um paisagista que diz não saber sobre Dr. Shigo, e não consegue pronunciar compartimentalização é na melhor das hipóteses uma pessoa simples, ou então um charlatão.

Mas o mundo não mudou tanto. A vertente mais aceita na prática horticultural segue o Dr. Shigo, mas muitas não o fazem. Bem, é fato que alguns vão contra porque leva anos antes de aparecerem os resultados, e eles podem fazer dinheiro ignorando Dr. Shigo. Como assim? Bem, corte um grande galho em um parque público e não trate ele com algo, você verá diversas pessoas pulando sobre você. Eles "sabem" que você está fazendo algo errado. As pessoas pedem para que você trate suas árvores no jardim, e você deixa grandes buracos abertos. Eles irão pensar que você não sabe o que está fazendo. Então existem diversos charlatões que colocam selantes em grandes feridas para fazer dinheiro e para fazer as pessoas se calarem. Estes charlatões sabem que eles não deveriam fazer isto, mas é bom para eles, e não muito ruim para as árvores, pelo menos não imediatamente. E existem ainda, aqueles que não vêem necessidade de continuar seu aprendizado além do básico. Eles continuam fazendo as coisas como eram feitas trinta ano atrás. O problema é que as pessoas preferem ouvi-los do que ouvir a ciência.

Mas o que tudo isto tem a ver com bonsai?
Bem, nós criamos grandes ferimentos nas árvores o tempo todo. Não seriam as descobertas do Dr. Shigo aplicáveis? Minha opinião é que elas certamente são.

Deixando a ciência de lado, agora na prática, o que eu pessoalmente faço após décadas de estudo?

Eu sei que estou ponto em risco os compartimento se eu fizer cortes como normalmente são feitos em um bonsai; ou seja, perto do tronco e ainda com um alicate côncavo que é ainda pior, como Bill V. demonstrou. Ainda assim, decido fazer isto pois sei que não irei matar a árvore. Isto irá criar compartimentos podres, mas NÃO IRÁ MATAR a árvore. Árvores podem ser todas esburacadas e ainda assim ter uma vida bastante longa. Árvores grandes, na natureza, podem ficar em perigo ao perderem estabilidade. Com bonsai, isto não é um problema. Quando faço grandes cortes eu usualmente tenho cuidado de não fazer cortes regulares, como normalmente são recomendados os cortes no bonsai. Existirão calos e em se tratando de um corte grande, sempre existirá um buraco. Com cortes pequenos, existirá sempre uma cicatriz. Eu trato de fazer com que o buraco ou a cicatriz pareçam naturais, ou seja, nunca redondos como se fossem cortados com um alicate. Eu faço escarificações intencionais em toda a borda do ferimento.

Em se tratando de selantes, existe uma grande diferença entre coníferas e não-coníferas. As coníferas em geral não irão apodrecer facilmente pois já possuem os melhores mecanismos de proteção, tais como resina. Decíduas irão apodrecer muito facilmente, mas eu sei de buracos que irão apodrecer muito mais quando "protegidos". Bem, para a surpresa de muitos eu geralmente quero que o buraco de minhas árvores apodreça. Eu quero buracos grandes e naturais em minhas árvores. Então eu poderia utilizar selantes para fazer com que eles apodreçam. Mas como sei que selantes são superfulos, eu não os uso, em geral.

Eu uso selantes quando faço cortes que eu vejo um perigo de ressecarem muito rapidamente. Acontece em ácer algumas vezes. Alguns galhos eu quebro acidentalmente, e quando penso que podem ter uma chance de se curar eu coloco algum selante no ferimento para prevenir a desidratação. Eu uso um selante que irá desaparecer por si mesmo depois de alguns meses, e que é inexpensivo e pouco visível: Gordura para Ordenhar! Tem uma agropecuária perto da minha casa e eu compro esta gordura por quase nada. (sim, é uma gordura que se usa nas mão para ordenhar as tetas das vacas). É praticamente invisível, age como a Vaselina, age por cerca de um ano e certamente não é venenosa.
E eu escondo ferimentos recentes colocando alguma camuflagem neles.

O que eu digo para aqueles que insistem em selar todo tipo de ferimento nos bonsai? Bem, vá em frente se isto te faz sentir bem, mas lembre que isto faz mais bem a VOCÊ do que a árvore propriamente dita. E não acredite em quem diz que ao usar o selante você será uma pessoa melhor.

Amem.

Walter Pall
Traduzido para o Português por João Pedro Arzivenko Gesing
SEKI - Elio Luis Secchi30/10/2009 16:44
Arzivenko, confesso que fiquei impressionado com a matéria. Primeiro porque vem em sentido contrário de praticamente tudo o que se vê por aqui no fórum e mesmo em outros meios. Segundo porque de certa forma por puro instinto, ou observação, sei lá, sempre pratiquei algo parecido ao que o texto sugere. Mesmo após ser convencido por vários meios, especialmente citações de colegas foristas, a usar uma pasta selante, uso vaselina com graxa de sapato, é só. Algo parecido com o que o Walter sugere.

abraço
marco_avelar01/11/2009 02:24
Embora as informações sobre a contaminação das plantas seja relavente, não podemos nos esquecer de que no Brasil o clima é bem diferente do clima da Alemanha. Aqui a falta de uma pasta selante pode levar a planta a uma desidratação fatal, já que o calor "acelera" o organismo das plantas (não sei se essa é a forma correta de explicar). Já vi plantas que após serem podadas "jorraram" água e, se não fosse a pasta selante, teriam morrido em poucos dias.
Arzivenko01/11/2009 09:44
Marco, e será que as plantas tropicais não estão adaptadas a seu clima?
marco_avelar01/11/2009 18:24
Arzivenko com certeza sim! A minha preocupação é em relação a desidratação; não discuto a questão da contaminação, pois, não tenho conhecimento para isso. Só saliento a necessidade de uma pasta selante para conter a perda de umidade e seiva. Algumas plantas, como o fícus e a piracanta, têm a seiva excessivamente liquida e em dias de variação de calor essa seiva pode "vazar" pelo corte. Recentemente estilizei uma piracanta e, por ter passado mais de 1 ano sem saber qual seria o seu destino, fiz uma poda drástica, por pura ansiedade, fora de época. O resultado é que o tronco ficou literalmente encharcado com a "água" que vazava pelo corte. Eu tive muito trabalho para estancar o corte, tive que usar o calor de um ferro de solda, indiretamente, para secar a pasta selante que por causa do excesso de seiva que saia do corte não secava!!! O resultado é que acabei perdendo um galho que estava mais próximo do corte, ele desidratou e secou! A minha preocupação é apenas essa. Acho que aqui em SP nós temos uma das últimas fronteiras de frio nesse país; acho que o frio vai até o sul de Minas, no máximo. E por isso em algumas regiões do país o uso de pasta selante é fundamental, para que algumas plantas não desidratem até secar e também para cortes em invernos mais quentes, que são bem comuns.
Marly 200901/11/2009 19:57
Re: Selando feridas em árvores - Português
Gente,
Que matéria informatíva e concordo com o Sr.Walter em número e grau.
E tenho feito pesquisa nesse sentido, e pra não ir muito longe, não existia essa pasta selante, e ainda assim nenhum exemplar morreu ao longo de sua história.
Vamos repensar os "interesses" e vamos valorizar a pesquisa empírica.

E origada Dr. Shigo por essa contribuição maravilhosa ao mundo Bonsai.
SEKI - Elio Luis Secchi01/11/2009 22:29
Marco, permita-me discordar quanto ao "choro" da planta possa vir a desidratar a ponto de morrer. Em período vegetativo a circulação da seiva é enorme. Mesmo assim a continuação da saída da seiva não dura muito tempo, cessando ao natural. A poda das pareiras, por exemplo, é feita exatamente no momento em que começa a circulação maior de seiva visando a brotação. E a pareira "chora" muito no momento da poda, as vezes por vários dias. Nem por isso algum galho ou pé morre. Em seu experimento, onde um galho secou, pode ter sido o próprio calor do ferro o responsável. Outra situação é quando se tira um galho grosso, causando uma ferida de grande tamanho e, na mesma linha, pouco acima tiver um galho mais fino, ele pode vir a secar por ter sido interrompido o seu "canal" de alimentação. Não raramente a casca acaba secando, um pouco acima de cortes de maior porte, mas isso também varia muito de espécie para espécie. Se tiver um galho por aí, seca também.

Abraço
marco_avelar01/11/2009 23:19
Elio esse galho que secou não sofreu com o calor do ferro de solda, pois, eu o protegi com a mão enquanto secava a pasta e não senti nenhum calor no local. O galho também não se encontra em posição superior ao corte.

Eu gostaria de entender, então, qual é a finalidade da pasta cicatrizante?
Essa piracanta a que eu me refiro, comprei do Mestre Hidaka, e estava com pasta cicatrizante em todos os cortes!

Outra coisa que eu gostaria de entender é porque é recomendado fazer podas drásticas apenas nos dias mais frios do inverno e nunca no verão?

Sempre ouvi dizer que a planta sofre se for podada no verão. A poda deve ser no inverno quando o fluxo de seiva está em seu nível mais baixo!!!

Eu confesso que estou com dificuldade de assimilar esse conceito de que a planta não desidrata. Já vi plantas que os galhos que foram quebrados nas pontas secaram.

Eu não consigo entender como esse conceito pode estar totalmente errado 😮ops: .

Essa piracanta a que eu me refiro "vazou" por 1 hora e a quantidade de liquido que saiu, proporcionalmente ao tamanho da planta, era enorme, tanto que não deixava a pasta selante secar. Agora ela está brotando novamente e vai muito bem de saúde!

Eu não estou dizendo que toda a planta que for podada vai morrer, mas no bonsai, geralmente, as podas drásticas são relativamente grandes em comparação com o tamanho da planta e, sinceramente, tenho a impressão de que isso não faz muito bem a planta 🙄 .

Eu gostaria muito de entender isso, até porque é um trabalho e um custo a menos deixar de usar pasta selante. Só lembrando que em SP a temperatura chega a, no mínimo 8ºC, nos invernos mais rigorosos, é bem mais quente que ai no RS.

No próprio texto o Walter Pall diz que usa selante em cortes que podem "ressecar rapidamente".

PS.
Eu não sei em que contexto esse texto do Walter Pall foi escrito, mas analisando apenas as palavras escritas aqui eu cito algo em particular:

"E não acredite em quem diz que ao usar o selante você será uma pessoa melhor."

Julgar a qualidade de um ser humano com esse critério 😲 acho que faltou um pouco de "moderação", no mínimo.
SEKI - Elio Luis Secchi06/11/2009 10:16
Marco, falar no específico de uma planta se pode cometer erros de julgamento, como eu cometi em ralação a sua, imaginando casos que de fato acontecem como citei e que, como você diz, não foi o seu caso. Ótimo, está esclarecido. Também concordo com o amigo de que além das diferenças climáticas daqui para a Alemanha, mesmo no Brasil temos climas absolutamente distintos e boa parte das dicas de cultivo para um, não servem para outro. Então está absolutamente certo você dizer que este conceito não está totalmente errado.
Reitero no entanto de que não há nenhuma indicação, prova, ou evidência de que a perda de seiva de uma poda possa causar danos significativos a planta ou mesmo sua morte. Se isso ocorrer, com certeza outros fatores foram determinantes.

abraço
marco_avelar07/11/2009 19:34
Elio como eu não sou nenhum especialista em botânica acabei julgando que essa desidratação poderia acontecer. Quando comecei a aprender, e isso acontece em qualquer área do conhecimento, sempre ouvi o que se deveria fazer e muito pouco sobre os motivos, principalmente, a parte mais aprofundada sobre a fisiologia das plantas, talvez eu tenha interpretado mal os motivos do uso da pasta selante.

É exatamente por essas razões que eu gosto tanto de debater e discutir, é impossível aprender com consistência sem longos debates!!!

Obrigado e um Abraço!
Angela Fernandes08/11/2009 13:42
Olá Arzivenko !!!!!!!!
Belo texto.
Mas............dúvidas sempre aparecerão.
Quanto a utilização da pasta cicatrizante, sempre fiz uso e nunca me arrepndi.
Creio que a utilização ou não pode estar ligada ao clima.
Seria interessante fazermos experiências, claro que, tomando os devidos cuidados para não perdermos plantas especiais.
luisrochas22/11/2009 19:15
selantes
Achei a materia muito interessante, eu utilizo apenas pasta de dentes, aquela branquinha mais comun mesmo, ela é um otimo cicatrizante e sai em alguns dias, o corte seca naturalmente e ainda evita a saida da seiva nos primeiros dias de sicatrização. espero que tenha sido util a informação.
afonso Fengler28/11/2009 11:58
Quanto a seiva estar cirulando com mais abundância, eu já houvi falar que seria em virtude das fases da lua, eu não sei até que ponto isso é ou não.
Elio29/11/2009 11:00
Minha modesta opinião!
Não sou nenhum expert no assunto, assim, sigo aqueles que considero competentes no assunto, entre os quais John Naka, Kimura, Kobayashi, Tramujas, Hidaka-san e outros.
Todos, sem exceção, usam selantes porque SABEM que precisa.
E, pela lógica, se vc selar, vc não está condicionando a umidade abaixo do selante, pela simples razão de que vc sela justamente para não entrar umidade.
Na analogia do corpo humano, citado pelo Walter Pall, alguem experimente, após uma ferida profunda, NÃO passar nada!!!
Usam-se selantes, sim!
Pomadas, cicatrizantes (usamos em bonsai, também, pessoal....!!!), antibióticos, antiinflamatórios........com indicação médica!

Mais duas considerações:

1. Quando ele cita, no início, que uma poda perpendicular ao tronco deixa maior área de corte, discordo. Poda em diagonal é que deixa maior área. Alguém duvida?

2. Como ser humano, acho muito agressivo os comentários que ele faz em relação à outras pessoas, bonsaístas, etc.
Para ele, todo mundo está errado.
Acho que para vc expor uma matéria, um pensamento, uma tese, NÃO precisa denegrir ninguém!

Não estou discordando de ninguém do fórum, já que considero todos como amigos, estou discordando do Walter Pall.

Um abraço
Arzivenko01/12/2009 16:21
Elio, acho tua participação muito pertinente.. sobre teu comentário, não vou discutir a indelicadeza do WP, pois ele é germânico, e culturalmente eles são assim, duros, enquanto nós, brasileiros, somos ofendidos e não aceitamos críticas. apenas um ponto quanto a fisiologia:

"Na analogia do corpo humano, citado pelo Walter Pall, alguem experimente, após uma ferida profunda, NÃO passar nada!!!"

Justamente, Planta e seres Humanos pertencem a REINOS diferentes, toda a fisiologia é diferente, e se em humanos estancamos sangramentos, costuramos, damos pontos, isso não se aplica exatamente com plantas!

Na fisiologia humana temos células sanguíneas circulando na corrente, hemáceas, linfócitos, gases, água, nutrientes, uma vez feridos, estamos perdendo um tecido vivo.

Na fisiologia dos vegetais, o que circula em vasos é a água, nutrientes minerais (xilema), compostos orgânicos sintetizados (floema), e nenhum tipo de célula viva, aliás! os próprios tecidos de condução são tecidos mortos ! sim ! celulas mortas, perdem seu conteúdo, e suas paredes celulares compostas por celulose permanecem, atuando como dutos (canudinhos) para o transporte de seiva.

Se cortarmos a parte aérea, a seiva que sai dos cortes é apenas água e minerais, já que os compostos orgânicos são produzidos nas folhas, os quais deixam de descer naquele ponto (pois não existem mais folhas), portanto, o "sangramento" é a simples perda de água, e não de um tecido vivo, como no caso dos humanos, se formos fazer a analogia, o que fazemos quando temos desidratação? metemos um tampão por onde está saindo? ou tomamos mais líquido?

Como falei, os tecidos de condução, ou "câmbio" do vegetal, é composto por células mortas, mas então, por que elas não apodrecem?

Porque estão isoladas das intempéries, dentro de outros tecidos vivos da planta, uma vez que são expostos, por corte ou lesão mecânica (também pela poda), estes tecidos mortos passam a sofrer ação de fungos, bactérias, oxidação e intemperismo.

O que fazer? isolar novamente? Bom, aconselho fazer isso se você utilizou lâmina desinfetada (pode flambar com álcool 3x), dentro de uma câmara isolada com depurador de ar e grande controle para não ter qualquer tipo de contaminação durante a intervenção.

Pergunto, algum bonsaista trabalha nestas condições? cultura de tecidos se faz assim, agora, se você (aposto que todos aqui) trabalham sem estas condições, então o isolamento do corte não adianta de nada, a contaminação ocorre de qualquer forma, e o apodrecimento acontece de qualquer maneira.

Como foi citado no texto, os vegetais possuem o princípio da compartimentalização, é o mecanismo natural de defesa no caso de cortes, uma vez que a planta perde um ramo, o acúmulo de compostos nas gemas axilares é responsável pelo isolamento mecânico do corte, enquanto que interiormente os vasos que sofrem embolia por acúmulo de ar (o que acontece quando existe um ferimento) começam a acumular minerais, e acabam por compartimentalizar internamente o duto rompido.
Renan Campara Braido01/12/2009 18:02
Bom,

Não tenho bagagem teorica pra falar sobre isso, então vou contar o que vejo lá em casa....

Em uma mesma azalea (e isso já aconteceu 1000 vezes) um corte sem seldor e um com selador: O que eu usei o selador fecha mais rápido, SEMPRE.

Não sei se é coincidência, ou lei da atração mas que funciona funciona....

Eu não sou sistematico com isso, tenho pasta cicatrizante japonesa, mas não uso em tudo que é corte não.... Mas até hoje ( uso a 5 anos) eu NUNCA tive problemas....

Acho que não é porque não existia antes e não "fazia falta" hoje seria inútil... Vejam as ferramentas... As grandes obras de bonsai foram iniciadas antes delas....

*Minha opinião.... 😄 😉

Um abraço,

Renan
Elio01/12/2009 19:35
Renan. eu também uso há mais de 5 anos em corte superiores ao diâmetro de um cigarro. Aprendi assim!
NUNCA tive problemas de apodrecimento.
Continuo fazendo podas perpendicular ao tronco (exceto quando quero dirigir uma nova brotação) pois tenho certeza de que a área é menor, e não maior, como erroneamente o Walter Pall cita.

Como eu disse, estou discordando do Walter Pall, não dos meus amigos aqui do Brasil.

abraço
Markus Von Kossel07/12/2009 22:50
Achei o texto pertinente. Nào sei se concordo com ele, mas precisamos ter em mente os interesses.
Faço um paralelo com os suplementos alimentares. Boa parte deles são desnecessários e muitas vezes até deletérios, mas sempre vendidos como fundamentais e importantes na saúde.
Uso a pasta cicatrizante, mas algo simples, não gasto 50 reais em uma bisnaguinha.

Abraços
Charles29/01/2010 15:51
Oi pessoal....

Vi agora esta matéria e achei muito interessante a abordagem do Walter para justificar o não uso da pasta selante... 😉
Ainda assim, continuo achando muito dificil em alguns temas ligados a bonsai, afirmarmos de forma taxativa o que é certo ou errado... mais ainda considerando a infindade de variedades de plantas e espécies, climas, e demais particularidades, o que tende a criar também uma grande quantidade de exceções ligados a um mesmo procedimento... 🙄 .. ou seja, o uso de pasta selante em diferentes plantas, em diferentes regiões, em diferentes climas e estações de ano, certamente provocará efeitos distintos... 🙄

Na matéria do Walter eu diria que 2 pontos principais me chamram a atenção:...
1- o estudo do Dr.Shigo sobre a compartimetalização das plantas, fazendo que um mecanismo delas isolem uma área prejudicada afete as demais, protegendo a planta com um todo.... 🙄
2- a própria característica dos trabalhos e estilos predominantes do Walter, definidos como "naturalisticos".... 🙄

Somando esses 2 pontos, e considerando que o apodrecimento natural dos locais podados e, portanto, com madeira exposta, são pontos valorizados pelo Walter nos seus trabalhos, me parece natural que ele prefira não usar pasta selante, que evitaria em parte este apodrecimento, seja pela proteção da madeira morta, seja pela estímulo à cicatrização...
Apoiado pelo estudo do Dr. Shigo que ele tanto valorizou no seu texto, ele deve ter se sentido mais seguro em não usar a proteção oferecida pela pasta... 🙄

Falando por mim, embora eu defenda o uso da pasta, não consigo atribuir a perda de uma única planta sequer minha, por não usar pasta... ou seja, acho que que não perderíamos plantas por isso...

Por outro lado, posso afirmar que na imensa maioria das plantas em que uso a pasta, consigo notar uma cicatrização mais rápida... (coisa indesejável para Walter).... 🙄

O efeito negativo da pasta, como afirmou o Walter, provocando o feito contrário ao manter o local podado úmido e propício para contaminações e apodrecimentos, jamais consegui notar que tivesse ocorrido em minhas plantas....

Acho válida a abordagem do Walter mas, acima de tudo penso que a opinão que ele emitiu é de grande valia para o estilo naturalista dele, onde a pasta evitaria o apodrecimento que ele tanto valoriza, a~lém de estimular as cicatrizações que tornariam menos visíveis as podas, coisa que ele tanto evita!.... 😉

Pessoalmente encaro aquela matéria como algo a se considerar, dependendo da expectativa do bonsaísta em relação ao trabalho que está fazendo...

Por fim, considero Walter competente, experiente, sério e de tal reconhecimento, que me impediriam de dizer que ele não razão nesse ponto. Apenas penso que esta colocação devesse ter sido feito de forma mais relativa e não tão geral e absoluta!.... 😉

Continuarei usando minhas pastas mas, não deixarei de refletir sobre a matéria dele, caso eu deseje um efeito mais aos estilos dele... com mais segurança de as plantas não morrerão pela ausência da pasta.... 😉 😂

Abraços,
Charles