Considero muito pertinente a colocação do nobre colega Vinicius. É deveras importante esclarecer tal dúvida, pois é algo que a todos os cultivadores, em dado momento, acomete. 😄
Ao somarmos as explicações dos bonsaistas Antonio Castro e Elio Luis, temos uma certa razoabilidade. Importante sim discernir entre uma colocação e outra, ainda que, como bem cita Elio Luis, haja uma complementação entre ambas. 😄
Ao termos informação sobre a idade do tronco, e há inumeras maneiras de precisar isso, e termos conhecimento do trabalho levado a efeito nele, seja na complementação estrutural com o aporte de novos galhos via enxertia, ou de raízes pelo mesmo metodo, ou qualquer outra intervenção levada a efeito, somaremos tudo isso ao que temos, para ter, ao final, uma data mais precisa sobre a idade da planta em questão. 😄
Num tronco qualquer, um corte em forma de anel, permite estabelecer, sem dúvida nenhuma, a sua idade. Mas permite, igualmente, obter informações bem mais diversas e importantes, sobre o solo onde cresceu, sobre a sazonidade das chuvas e sol, dentre outras informações preciosas:
Estes tênues anéis visíveis na madeira dourada do cedro (Cedrela fissillis) recém-cortado, na fotografia acima, conservam muitas informações relevantes do ambiente onde a árvore está inserida, sendo como um CD com uma enorme gama de dados.
Esses anéis chamam-se anéis de crescimento, e os desta espécie tropical são de grande utilidade para a ciência, por representarem cada um a estação de crescimento da planta durante um ano, regulado geralmente pela disponibilidade de água, que representa uma sazonalidade, isto é, alternância entre uma estação anual seca e uma chuvosa, diferentemente dos locais frios, onde a temperatura é que determina o crescimento.
Ainda existe a idéia de que as árvores dos trópicos não tem os anéis anuais, mas pesquisas científicas rigorosas usando de tratamento matemáticos comprovaram a anualidade de algumas espécies tropicais, dentre elas, o cedro.
Com a interpretação destas informações é possível saber a idade, taxa de crescimento, e o clima durante a vida de uma árvore ou de um grupo delas, e essa ciência chama-se Dendrocronologia. Em tempos de preocupação mundial com as mudanças climáticas, os anéis de crescimento vem nos ajudando a verificar como estas alterações estão ocorrendo, mostrando dados de temperatura e pluviosidade durante sua vida, fazendo o mesmo papel que as amostras de gelo estudadas na Antártica, com a diferença de que as árvores apresentam antiguidade menor que o gelo usualmente.
Antigamente, usava-se cortar um anel no tronco para poder analisar a idade de uma arvore qualquer. Hoje, ecologia e preservação em alta, enfia-se uma agulha oca, feita especialmente para essa finalidade, no tronco de uma arvore e obtém-se a mesma informação, sem causar nenhum tipo de dano ao espécime. 😄
Ora, mas o que tudo isso tem a ver com a idade de um bonsai? Bem, sabendo a idade que tem um tronco, somada com o tempo de cultivo e as interferencias que a planta sofreu, seja em acréscimos ou retiradas, teremos então as duas idades distintas mas igualmente fundamentais: a idade real e a idade de cultivo daquela determinada planta como bonsai. 😄
Então chegamos ao alporque: ora, como estabelecer a idade de um alporque? Bem, usaremos a mesma técnica: colheremos material do tronco ou galho usando a tal agulha especial, e mediremos sua idade. Depois, a idade do cultivo do alporque. Sabemos, por exemplo, que certos alporques são longevos, isto é, podem durar até mais de um ano para serem retirados. Caso da jabuticabeira. Essa ano, ou mais, então, irá entrar no computo da idade de cultivo e formação do bonsai? ou na idade da planta?
A meu ver, irá fazer parte da idade da planta-mãe. Apenas após o galho sofrer a intervenção do corte, que irá separá-lo, é que teremos então o inicio do cultivo, passando desse momento em diante a contar a idade do bonsai obtido via alporque. 😄
A muda obtida via estaquia idem. Computa-se a idade do segmento de madeira a ser cortado e estaqueado, usando-se a mesma ferramenta (agulha oca), e em seguida contamos o tempo de permanencia até a emissão das raízes. Ao somarmos esse tempo ao tempo de cultivo, teremos a idade do bonsai. 😄
Parece ficção cientifica isso. Mas para sermos precisos, temos que ser meticulosos. Fazer a correta verificação e medição me parece a melhor solução para dirimir, de vez, a dúvida sobre a real idade do bonsai. 😄
A planta obtida por yamadori: conta-se a idade da arvore pelo metodo técnico da agulha oca, soma-se o tempo de cultivo necessário para recuperar a planta. Em seguida à sua recuperação, vem então o cultivo propriamente dito, em que ocorrerão as intervenções que se fizerem necessárias, seja por enxertia de ramos ou de raízes. As transformações ao longo dos anos, empreendidas pelo cultivador inicial serão devidamente computadas até o próximo cultivador. Se houver correção por parte do primeiro, certamente ele irá fornecer ao próximo cultivador todos os dados de que dispõe para dirimir dúvidas acerca do espécime que se está obtendo e, assim, permitir que a arvore tenha, de fato, um registro exato de suas duas idades: a real e a de cultivo. 😄
Um link interessante, mostra fotos de algumas cerejeiras japonesas (sakura), com idades variando entre 1.500 a 300 anos, tombadas pelo governo daquele país como patrimonio histórico, retrata bem o quanto é importante definir, com precisão, a idade de uma arvore:
http://www.nippobrasil.com.br/dekassegui/456.shtml
Outro detalhe: o ano de crescimento de uma árvore não equivale a 12 meses, e sim ao período (variável) em que ela cresceu durante aquele ano. Por exemplo, há centenas de anos, em uma época de grandes chuvas, uma árvore que atualmente cresce durante 8 meses do ano poderia ter crescido por 11 meses. Os fatores que determinam isso dependem da espécie da árvore e do clima. Entre eles estão a temperatura, as chuvas e o oxigênio (falta de).