Kappenberg, a desvantagem de se trabalhar com material retirado do solo é que nem sempre temos um recipiente adequado para acomodá-lo inicialmente. No caso, eu precisaria de um que fosse mais profundo e mais alto, vez que estou tentando um estilo inusitado para essa espécie. Como não dispunha de nada parecido, tive que me arranjar com esse vaso de cimento. Então, infelizmente, não pude posicionar a planta de forma correta sem causar prejuízo ao sistema radicular (muito importante, pois que fundamenta todo o laboroso trabalho de recuperação dela).
Assim, considerando esse aspecto, a unica saída viável foi posicionar a planta com o tronco apoiado na borda. Mas isso não irá atrapalhar quanto ao estilo proposto. Quanto a ser uma "judiaria" retirar uma planta dessas do solo, devo lembrar a voce que essa é uma das formas mais antigas de se obter bonsai de qualidade. O Yamadori é quase que uma tradição dentro de outra, pois as primeiras plantas visando o bonsai, ainda na antiga China de onde os japoneses o copiaram originalmente, sempre se valeu desse recurso.
Não há, portanto, que se falar em "judiaria". Nós enterramos as sementes para germinar novas plantas, cortamos parte de um galho para estaquear, ou retiramos parte da casca e lenho, para um alporque. Todas são técnicas que usamos para obter os nossos bonsai e todas são válidas, desde que cuidemos de preservar a natureza, não almejando retirar mais do que formos capazes de cuidar e de zelar. E, sempre que possível, em alguns casos, é até recomendável germinar algumas sementes antes, para replantar onde porventura retirarmos uma planta. Assim, a geração futura poderá, por sua vez, aproveitar para fazerem yamadori tambem, né?
Leandro, seu gaúchão folgado, há quanto tempo!!! É sempre oportuno ter uma opinião como a sua numa planta minha, agradeço. Em relação a essa parte que sugere ser cortada, eu trabalhei nela recentemente, retirando toda a casca, pois pretendo sim reduzir mas intento um shari extenso nela, incluso com um sabamiki, de maneira a harmonizar o conjunto, deixando a planta, ao final, com um aspecto mais interessante, pois que ficará bem impactante, visualmente falando.
De qualquer forma, está anotada a sua sugestão. É sempre ótimo termos várias opiniões sobre a melhor maneira de se trabalhar uma planta, pois permite termos opções viáveis na hora do "vamos ver".
Marcio, lamento muito saber que teve prejuízo em sua tentativa, mas sugiro que o nobre colega persista sempre, não desista. É de praxe termos erros e alguns acertos no trajejo. Até agora eu tenho tido sorte com essa e outras que obtive no mesmo local e data. Oxalá consiga manter e terminar o meu projeto com elas sem perdas.
Weverton, considerando a intervenção que fiz nessa planta, que relatei ao meu nobre amigo Leandro "gauchão", eis algumas imagens atualizadas (nov-2012):
Vista superior dos dois galhos que irão servir de base (primários) para a formação da estruturação aerea da jabu kengai:
Esses galhos receberam aramação inicial, mas falta ainda reduzir seu comprimento e melhorar as ramificações secundárias, terciárias e as finas, que com o corte irão ser construídas a partir das novas bifurcações que virão.
Vista do tronco superior, após eu ter retirado a casca que o recobre, bem como podado toda e qualquer brotação nele existente. Como disse, pretendo escavar essa parte, criando uma reentrância escavada, que chamamos em bonsai de Sabamiki:
Na imagem abaixo é possível ver o ponto de saída dos dois galhos primários principais. Até penso em remover o galho primário a esquerda, mas com isso ficaria uma área muito vazia no espaço ora ocupado por ele, e não posso me pautar por esperança de que o galho principal da direita vá lançar novas brotações nesse ponto, para "fechar" a copa, então melhor mantê-lo onde está, por enquanto:
Outra visão do tronco superior sem a casca que o recobria. Usei uma escova de aço, acoplada a uma furadeira para retirar o material, sem causar danos sérios. Atualmente essa parte está bem seca, graças ao calor que tem feito aqui:
Uma visão lateral:
A mesma visão, aproximada. Talvez uma possível frente. A escavação a ser realizada será iniciada de baixo para cima, dessa parte que desponta no tronco superior para a parte interna, em direção a base da planta. Isso deixará o tronco totalmente aberto, como se fosse uma mão em concha:
Como tudo o mais, esse trabalho será realizado apenas no inverno do próximo ano. Sugestões, opiniões,projeções e críticas são sempre muito bem vindas, então sintam-se à vontade. 🙄