Bem, vamos às duvidas:
Darci, após o primeiro envase, na sequencia da retirada da planta, esta dá inicio a uma nova brotação, que ocorre em quase todo o tronco. Deixamos essa brotação ficar bem vigorosa, não mexendo nela durante todo o primeiro ano de cultivo. Após esse tempo todo, em que a planta recebe rega diária sem encharcamento e adubação organica após 45 dias do envase inicial, é que iremos então realizar a primeira desfolha.
Essa desfolha é total: retiramos todas as folhas de todos os galhos que nasceram durante o primeiro ano. Com a planta nua, sem folhas, selecionamos então os galhos mais bem posicionados, cortando fora os que não irão ser aproveitados no futuro da planta. Por que fazer isso? Por que simplesmente muitos galhos brotam num mesmo ponto do tronco.
Ora, não preciso de dois ou tres galhos brotando num mesmo ponto, não é? então corto fora o excedente, mantendo apenas o que eu escolher. Isso depende de cada cultivador, pois apenas ele é que irá definir isso, tendo o desenho do futuro da planta planejada por ele antecipadamente.
Agora vem a melhor parte: selecionados os galhos, vc deve então reduzir seu comprimento, cortando um pouco. Por que? Para favorecer brotações laterais nesses galhos, é claro. Um galho deve ser formado tendo em mente uma imagem bem simples: a palma da sua mão, aberta, com os dedos separados. Isso se chama planificação, e ela permite estabelecer que, sendo esse primeiro galho o que chamamos de galho primario, os demais galhos surgidos nele recebem o nome de galho secundário, terciário e ramificação fina, que irão ser formados a partir do primeiro.
Cortando ele, reduzindo seu comprimento, permitimos então à planta emitir as brotações necessárias para formar a ramificação lateral do galho primário, ok? Como sei que uma imagem vale mais que mil palavras, eis então, resumidamente, o que escrevi:
Formada a estrutura acima, a sequencia é o refinamento, isto é, a estruturação de ramificação fina. Veja o que se consegue então, com aramação e poda:
Flavio Francisco: Cada caso é um caso. Após um reenvase ou transplante, que é algo totalmente diferente de uma envase de uma planta coletada (yamadori), dependenderá da espécie de que se está tratando a adoção de critérios de proteção, como resguardar a planta do calor solar intenso ou protege-la de ventos fortes. 😲
Uma planta reenvasada, obviamente, teve sua estrutura de raízes alterada de alguma forma, ou sofreu troca de substrato ou ambas as coisas ao mesmo tempo. Com isso, a planta deixa de ter a mesma estabilidade que as raizes antigas proporcionavam a ela, devendo mesmo ser amarrada com arame em seu novo recipiente. 🙄
Espécies mais resistentes, como ficus, celtis, piracanta, acer tridente (burgerianum), podem e devem ser expostas desde logo ao sol pleno, isto é, tão logo o cultivador tenha terminado a intervenção acima descrita. Não há nenhum problema nisso, com relação a essas espécies. Outras, porém, pedem maior cautela, como caliandra seloi, caliandra brevipes, azalea, rododendro, etc. 🙄
A saude da planta, a quantidade de raizes capilares, tudo isso é fator preponderante para a exposição ou não da planta ao sol pleno, tão logo sejam realizadas nela determinadas intervenções. A espécie, claro, deve ser priorizada sobre todo e qualquer critério, a meu ver. 😲
Por outro lado, material obtido via yamadori, irá depender um pouco da espécie. Mas, no geral, todas as plantas podem ficar expostas diretamente ao sol forte, para sua recuperação. Tenho feito isso com inumeras espécies, sempre com identico sucesso como essas jabu: ficus, celtis, ulmus, piracanta, resedá, pitangueira, aceroleira, pitecolobium, pinheiro, junipero, roseira, acer tridente, etc. 😄
A jabu, depois de retirada do solo, sofre uma primeira poda radical em suas raízes, visando reduzir seu comprimento, volume, etc. As capilares são mantidas, claro. Para que a planta tenha uma boa recuperação e chance de sucesso, eu costumo deixar as raizes imersas em solução contendo hormonio enraizante, até chegar o momento de acondicionar a planta em seu novo recipiente de cultivo. Em seguida, a planta irá então para local ensolarado, onde receba luz e calor solar o dia inteiro, sem restrição nenhuma.
Agora, quanto a lavar as raízes, pode e deve ser feito. Elimina-se objetos cortantes presentes no interior das raizes, que podem tanto causar dano as raizes capilares quanto aos dedos do cultivador. Ficam ocultos em meio a sujidade e volume de terra em volta das raizes, sendo apenas vistas após lavarmos as raizes em agua corrente. Não só esse tipo de material causa dano, mas igualmente pedras e lascas de pedras. A terra do torrão original, tambem, pode estar muito compactada, argila endurecida, o que irá dificultar o aporte inclusive de adubo, depois do envase inicial. Então, o melhor, na minha humilde opinião, é lavar bem o raizame, depositando ele, depois de devidamente reduzido seu volume, cortando fora as raizes mais grossas, em recipiente contendo a solução descrita. 😄
Agora, não se expõe ao sol as raizes lavadas, ok? Após lavar, deposite em solução contendo hormonio enraizante até o envase. Só depois de devidamente envasada a planta, com o substrato devidamente encharcado (pode ser até na mesma solução), é que iremos finalmente colocar a planta ao sol. Elas estarão protegidas pelo substrato umido, onde poderão se recuperar bem das intervenções sofridas. 😄
Palonde Teixeira: A adubação após o yamadori deverá ser realizada em até 45 dias. Isso significa marcar no calendário o dia exato em que a planta foi retirada e envasada adequadamente. Após 45 dias, inicia-se a adubação, sendo que nesse primeiro aporte de adubo devemos ser regrados, pois a planta ainda está numa fase muito inicial, sobrevivendo exclusivamente à custa de suas reservas de energia. 😲
Para uma planta do tamanho dessa jabu maior que apresentei, eu usei adubar depois de dois meses, sendo que coloquei o equivalente a dois copos americanos cheios de adubo, distribuindo essa quantidade em quatro pontos distintos do vaso, proximos da borda, distante do tronco. 😄
Como adubo inicial, optei pela velha dobradinha torta de mamona+farinha de osso, sendo que ao preparar a massa acrescentei adubo liquido (FOSWAY) diluindo em 20 litros de agua o equivalente a meia xicara. Com isso, a pasta do adubo fica mais rica em micro e macro nutrientes, fornecendo para a planta um material de mais qualidade para sua recuperação. Repeti o processo a cada 45 ou 60 dias, sem mudar a fórmula, mas aos poucos aumentando a quantidade fornecida. 😄
A quantidade de adubo irá depender da espécie e do tamanho da planta, claro. Plantas pequenas, pedem quantidade menores. Plantas maiores, quantidades extras. Uma serissa coletada, com um tronco da grossura de uma garrafinha plastica de agua mineral, por exemplo, pode receber uma quantidade equivalente a meio copo americano contendo adubo organico, sem nenhum problema. 😄
A quantidade de adubo requerida depende, basicamente, do volume de raízes capilares disponivel no interior do substrato. Plantas grandes, com um bom volume, pedem quantidades grandes. Plantas grandes, com pouco volume, quantidade menor, e assim sucessivamente, dependendo é claro, da espécie. Sempre considere primeiro a espécie, depois o tamanho da planta, mas principalmente o volume de raízes capilares que a planta dispõe. 😄
Vinicius Fernandes, acredito ter respondido sua questão dentro da resposta aos demais colegas. A espécie é que irá dizer se é adequada a uma exposição solar desde o primeiro momento ou não. O local de cultivo tambem é um fator preponderante, a meu ver. Afinal, no sul, em algumas regiões, temos frio e ventos cortantes no verão tambem, bem como no outono e primavera, quando deveria ter apenas sol. No sertão do cariri nordestino, na seca braba que faz por lá, certamente o sol é bem mais quente que no sul ou mesmo aqui, no planalto central. Então, isso deve ser considerado pelo cultivador, ok? Só assim é que ele irá ter sucesso em seu empreendimento. 😄
E, por ultimo, mas não menos importante: lembrar que cada estado do país, cada região, tem um tipo de nativa especifica, endemica. Ao cuidar de fazer um yamadori com ela, observe onde ela está crescendo, o tipo de solo em que se desenvolveu, o clima da area, a umidade reinante. São fatores isolados, mas que no conjunto, poderão fornecer ao cultivador subsidios para lidar melhor com a espécie coletada, visando formar um bonsai adequado com ela. 😄