Fórum — Atelier do Bonsaiarquivo estático

Jabuticabeira recuperada, exemplo para os iniciantes

12
nickyfury28/12/2010 19:26
Jabuticabeira recuperada, exemplo para os iniciantes
As jabuticabeiras que mostro a seguir foram coletadas há um ano, numa fazenda no interior do estado de Goiás. Na oportunidade, eu e o pessoal do Clube de Bonsai de Brasilia efetuamos a retirada de varias plantas. Desde então, vinha apenas mantendo a rega diária, sendo que depois de dois ou tres meses de coletadas foi que passei a adubar. No inicio da primavera deste ano, procedi a uma desfolha completa, bem como a retirada de alguns galhos, mantendo outros tantos como garantia. Eis as plantas então, nessa fase, peladas das folhas:









Na primeira planta é perceptível que o lado que ficou mais exposto ao sol emitiu forte brotação, enquanto que o lado contrário não. Por isso, virei a planta, para favorecer novas brotações no lado mais sensível. Com a desfolha, chuvas e adubo, as plantas retornaram com vigor suas brotações:





Detalhe do tronco na base, comparando com uma lata da preferida:



A outra planta eu preferi eliminar a brotação na parte baixa do tronco, priorizando apenas as brotações na parte superior:









Detalhe do tronco na base, bem como do shari natural:





Gostaria de salientar que, ao escrever que as plantas são um exemplo para iniciantes, se prende ao fato de que, desde sua coleta, elas estiveram sempre expostas ao sol pleno, não tendo em nenhum momento ficado em local sombreado. Com a exposição solar, mais rega e, depois, a adubação, as plantas retornaram com brotação vigorosa, saudável ao ponto de permitir uma desfolha completa, corte de galhos excedentes, sem com isso perder o vigor e a força para voltarem novamente a produzirem novos galhos e densa folhagem.

Quero crer que um dos maiores erros cometidos por todos que se aventuram a coletar jabuticabeira seja justamente o fato de tentarem fazer sua recuperação em local sombreado ou similar. Com isso, ainda que ocorra brotação nova, ela é falha ou fraca, não se mantendo pelo período de tempo necessário para sua manutenção e trabalho por parte do cultivador.

Julgo oportuno então frisar, mostrando com esses dois exemplares, a forma correta de proceder após a coleta: sempre expor a planta, desde o primeiro dia do envase, seja em que recipiente for, a sol pleno. 😄 O resultado é esse que ora apresento a voces para apreciação e opiniões. 😄
Marcos Castilho01/01/2011 11:25
Concordo com você Nick digo também por experiência própria.
Darci01/01/2011 21:29
Sou iniciante nessa arte e achei muito legal as suas explicaçoes sobre o tratamento dessa jabuticaba e fiquei com dúvidas.Qdo acontece a brotaçao inicial após o transplante vc desfolha e corta as pontas dos novos galhos ou deixa eles se desnvolverem normalmente para ter resultado de copa densa?Nao sei se fui claro.
Mcdonald04/01/2011 00:31
Pessoal... apostei na dica do nick e deu certo...
fiz um transplante e aproveitei para podar e aramar. Coloquei-a direto no sol e em menos de 30 dias a planta está repléta de folhas... muitas mesmo.
Assino embaixo...
abração
Flavio Francisco05/01/2011 14:18
Então de onde vem esta crença de que devemos proteger dos ventos fortes e do sol durante 30 dias, após um transplante ou yamadori? É um mito? Vc recomenda expor ao sol mesmo após lavar as raízes da jabuticabeira?
Palonde Teixeira06/01/2011 16:45
Òtima dica, agora minha dúvida é a respeito da adubação após o yamadori, quando e qual devo utilizar???
Vinícius Fernandes06/01/2011 17:35
Mas isso de expor a sol pleno serve para todas as árvores ou isso é só pras jabuticabeiras?vlw
nickyfury07/01/2011 15:28
bonsai
Bem, vamos às duvidas:

Darci, após o primeiro envase, na sequencia da retirada da planta, esta dá inicio a uma nova brotação, que ocorre em quase todo o tronco. Deixamos essa brotação ficar bem vigorosa, não mexendo nela durante todo o primeiro ano de cultivo. Após esse tempo todo, em que a planta recebe rega diária sem encharcamento e adubação organica após 45 dias do envase inicial, é que iremos então realizar a primeira desfolha.

Essa desfolha é total: retiramos todas as folhas de todos os galhos que nasceram durante o primeiro ano. Com a planta nua, sem folhas, selecionamos então os galhos mais bem posicionados, cortando fora os que não irão ser aproveitados no futuro da planta. Por que fazer isso? Por que simplesmente muitos galhos brotam num mesmo ponto do tronco.

Ora, não preciso de dois ou tres galhos brotando num mesmo ponto, não é? então corto fora o excedente, mantendo apenas o que eu escolher. Isso depende de cada cultivador, pois apenas ele é que irá definir isso, tendo o desenho do futuro da planta planejada por ele antecipadamente.

Agora vem a melhor parte: selecionados os galhos, vc deve então reduzir seu comprimento, cortando um pouco. Por que? Para favorecer brotações laterais nesses galhos, é claro. Um galho deve ser formado tendo em mente uma imagem bem simples: a palma da sua mão, aberta, com os dedos separados. Isso se chama planificação, e ela permite estabelecer que, sendo esse primeiro galho o que chamamos de galho primario, os demais galhos surgidos nele recebem o nome de galho secundário, terciário e ramificação fina, que irão ser formados a partir do primeiro.

Cortando ele, reduzindo seu comprimento, permitimos então à planta emitir as brotações necessárias para formar a ramificação lateral do galho primário, ok? Como sei que uma imagem vale mais que mil palavras, eis então, resumidamente, o que escrevi:



Formada a estrutura acima, a sequencia é o refinamento, isto é, a estruturação de ramificação fina. Veja o que se consegue então, com aramação e poda:



Flavio Francisco: Cada caso é um caso. Após um reenvase ou transplante, que é algo totalmente diferente de uma envase de uma planta coletada (yamadori), dependenderá da espécie de que se está tratando a adoção de critérios de proteção, como resguardar a planta do calor solar intenso ou protege-la de ventos fortes. 😲

Uma planta reenvasada, obviamente, teve sua estrutura de raízes alterada de alguma forma, ou sofreu troca de substrato ou ambas as coisas ao mesmo tempo. Com isso, a planta deixa de ter a mesma estabilidade que as raizes antigas proporcionavam a ela, devendo mesmo ser amarrada com arame em seu novo recipiente. 🙄

Espécies mais resistentes, como ficus, celtis, piracanta, acer tridente (burgerianum), podem e devem ser expostas desde logo ao sol pleno, isto é, tão logo o cultivador tenha terminado a intervenção acima descrita. Não há nenhum problema nisso, com relação a essas espécies. Outras, porém, pedem maior cautela, como caliandra seloi, caliandra brevipes, azalea, rododendro, etc. 🙄

A saude da planta, a quantidade de raizes capilares, tudo isso é fator preponderante para a exposição ou não da planta ao sol pleno, tão logo sejam realizadas nela determinadas intervenções. A espécie, claro, deve ser priorizada sobre todo e qualquer critério, a meu ver. 😲

Por outro lado, material obtido via yamadori, irá depender um pouco da espécie. Mas, no geral, todas as plantas podem ficar expostas diretamente ao sol forte, para sua recuperação. Tenho feito isso com inumeras espécies, sempre com identico sucesso como essas jabu: ficus, celtis, ulmus, piracanta, resedá, pitangueira, aceroleira, pitecolobium, pinheiro, junipero, roseira, acer tridente, etc. 😄

A jabu, depois de retirada do solo, sofre uma primeira poda radical em suas raízes, visando reduzir seu comprimento, volume, etc. As capilares são mantidas, claro. Para que a planta tenha uma boa recuperação e chance de sucesso, eu costumo deixar as raizes imersas em solução contendo hormonio enraizante, até chegar o momento de acondicionar a planta em seu novo recipiente de cultivo. Em seguida, a planta irá então para local ensolarado, onde receba luz e calor solar o dia inteiro, sem restrição nenhuma.

Agora, quanto a lavar as raízes, pode e deve ser feito. Elimina-se objetos cortantes presentes no interior das raizes, que podem tanto causar dano as raizes capilares quanto aos dedos do cultivador. Ficam ocultos em meio a sujidade e volume de terra em volta das raizes, sendo apenas vistas após lavarmos as raizes em agua corrente. Não só esse tipo de material causa dano, mas igualmente pedras e lascas de pedras. A terra do torrão original, tambem, pode estar muito compactada, argila endurecida, o que irá dificultar o aporte inclusive de adubo, depois do envase inicial. Então, o melhor, na minha humilde opinião, é lavar bem o raizame, depositando ele, depois de devidamente reduzido seu volume, cortando fora as raizes mais grossas, em recipiente contendo a solução descrita. 😄

Agora, não se expõe ao sol as raizes lavadas, ok? Após lavar, deposite em solução contendo hormonio enraizante até o envase. Só depois de devidamente envasada a planta, com o substrato devidamente encharcado (pode ser até na mesma solução), é que iremos finalmente colocar a planta ao sol. Elas estarão protegidas pelo substrato umido, onde poderão se recuperar bem das intervenções sofridas. 😄

Palonde Teixeira: A adubação após o yamadori deverá ser realizada em até 45 dias. Isso significa marcar no calendário o dia exato em que a planta foi retirada e envasada adequadamente. Após 45 dias, inicia-se a adubação, sendo que nesse primeiro aporte de adubo devemos ser regrados, pois a planta ainda está numa fase muito inicial, sobrevivendo exclusivamente à custa de suas reservas de energia. 😲

Para uma planta do tamanho dessa jabu maior que apresentei, eu usei adubar depois de dois meses, sendo que coloquei o equivalente a dois copos americanos cheios de adubo, distribuindo essa quantidade em quatro pontos distintos do vaso, proximos da borda, distante do tronco. 😄

Como adubo inicial, optei pela velha dobradinha torta de mamona+farinha de osso, sendo que ao preparar a massa acrescentei adubo liquido (FOSWAY) diluindo em 20 litros de agua o equivalente a meia xicara. Com isso, a pasta do adubo fica mais rica em micro e macro nutrientes, fornecendo para a planta um material de mais qualidade para sua recuperação. Repeti o processo a cada 45 ou 60 dias, sem mudar a fórmula, mas aos poucos aumentando a quantidade fornecida. 😄

A quantidade de adubo irá depender da espécie e do tamanho da planta, claro. Plantas pequenas, pedem quantidade menores. Plantas maiores, quantidades extras. Uma serissa coletada, com um tronco da grossura de uma garrafinha plastica de agua mineral, por exemplo, pode receber uma quantidade equivalente a meio copo americano contendo adubo organico, sem nenhum problema. 😄

A quantidade de adubo requerida depende, basicamente, do volume de raízes capilares disponivel no interior do substrato. Plantas grandes, com um bom volume, pedem quantidades grandes. Plantas grandes, com pouco volume, quantidade menor, e assim sucessivamente, dependendo é claro, da espécie. Sempre considere primeiro a espécie, depois o tamanho da planta, mas principalmente o volume de raízes capilares que a planta dispõe. 😄

Vinicius Fernandes, acredito ter respondido sua questão dentro da resposta aos demais colegas. A espécie é que irá dizer se é adequada a uma exposição solar desde o primeiro momento ou não. O local de cultivo tambem é um fator preponderante, a meu ver. Afinal, no sul, em algumas regiões, temos frio e ventos cortantes no verão tambem, bem como no outono e primavera, quando deveria ter apenas sol. No sertão do cariri nordestino, na seca braba que faz por lá, certamente o sol é bem mais quente que no sul ou mesmo aqui, no planalto central. Então, isso deve ser considerado pelo cultivador, ok? Só assim é que ele irá ter sucesso em seu empreendimento. 😄

E, por ultimo, mas não menos importante: lembrar que cada estado do país, cada região, tem um tipo de nativa especifica, endemica. Ao cuidar de fazer um yamadori com ela, observe onde ela está crescendo, o tipo de solo em que se desenvolveu, o clima da area, a umidade reinante. São fatores isolados, mas que no conjunto, poderão fornecer ao cultivador subsidios para lidar melhor com a espécie coletada, visando formar um bonsai adequado com ela. 😄
Tiago R07/01/2011 21:09
Nicky, minha jabuticabeira contém raízes grossas. Ainda contém boa parte da pivotante.

Em agosto fará um ano desde o yamadori, e pensei se já posso, além da poda e desfolha, diminuir essas raízes grossas.

Se sim, como fazer para não causar choque nas raízes capilares? Creio que uma serra elétrica né. Um serrote causaria muito stress.
Flavio Francisco08/01/2011 22:43
nickyfury,
Obrigado pelas informações. Sou um grande admirador de jabuticabeiras.
Tenho notado um grande número desta espécie aqui no fórum e muita procura por informações. Em pouco tempo teremos ótimos exemplares que estão sendo construídos com as dicas colhidas aqui!

nickyfury, tenho minhas jabus no sol das 13 às 18 horas, sol forte, e nesta varanda dá umas rajadas de vento de vez em quando.
As plantas estão neste local há pouco mais de 1 mês, mas tem chovido toda tarde.
Algumas delas estão com as folhas queimadas nas pontas e a cada dia este queimado meio avermelhado está crescendo nas laterais indo para o centro das folhas. A brotação está fraca. Começa a sair o broto, mas muitos estão secando nas pontas.
Tenho regado 1 vez ao dia e feito adubação com TM + FO (2 colheres de sopa a cada 15 dias) num vaso de 32cm.
Queria saber se este é um sinal de sol e ventos fortes.
Na sua opinião, devo pagar pra ver e deixar as plantas neste local, ou mudar de lugar.
nickyfury09/01/2011 07:56
bonsai
Flavio Francisco, veja só:

A jabuticabeira é uma nativa que cresce em campo aberto, recebendo sol, chuva, vento. Geralmente, quando cultivada sob area frondosa, isto é, embaixo da copa de outras jabu maiores, ela tende a atrasar seu crescimento, o que acaba sendo prejudicial para um bom desenvolvimento.

Por isso, quando cutlivada como bonsai, é recomendado que seu cultivo seja a pleno sol, o dia inteiro, e não umas poucas horas. Plantas recuperadas, inclusive, via yamadori, precisam do sol para voltar a emitir brotações e ter uma vida vegetativa saudável.

Aqui em Brasilia, durante boa parte do ano, temos sol forte, um clima seco, com baixa umidade do ar. Considere isso, pois prevalece entre todos os cultivadores do DF, que tem jabu entre suas plantas preferidas para bonsai, que nós optamos por expor essas nativas a sol pleno, o ano todo, todos os dias, sem exceção. As minhas jabu coletadas sobrevivem crescendo vigorosamente nessa situação, sem nenhum problema. Dois amigos que coletaram plantas na mesma area e época que eu, porém, optaram por cultivar em local sombreado, inicialmente, isto é, pelos tres primeiros meses.

As plantas deles, em relação às minhas, atrasaram o desenvolvimento, ficando prejudicadas. Uma, inclusive, veio a secar galhos e perder parte do tronco onde estavam esses galhos.

Então a dica valiosa que tenho sobre o cultivo, com sucesso, de jabu retirada é: sol pleno o dia inteiro. Isso implica que a planta receba, juntamente com isso, chuva e vento forte. Ora, é óbvio que para resistir aos ventos e a chuva fortes a planta deva estar bem fixada no recipiente em que foi plantada, seja um vaso, bacia ou escorredor, com arame, para evitar que, ao ser sacudida, suas raízes se desprendam, comprometendo toda a planta.

A rega é diária, preferencialmente no final da tarde. A adubação deve ser iniciada pelo segundo mes após a coleta da planta, e repetida a cada 45 dias. Não é a cada 15 dias, como vc diz estar fazendo não. Em intervalo de tempo tão curto, o excesso de adubação favorece a queima das folhas e até mesmo a morte da planta.

O excesso de adubação não irá fazer a planta ter respostas mais rápidas. Ela não irá crescer ou brotar mais por causa disso. Pelo contrário. Temos que ter paciência em relação às plantas, pois seu cultivo implica em que os anos de uma arvora não são contados dentro dos anos humanos. É bem como a idade de um cachorro: dizem que, para cada ano de vida humana, o cachorro vive 7 anos. Logo, um animal que tenha 12 anso humanos terá então 84 anos!!!

O mesmo vale para as plantas, só que, as vezes, o ano delas pode ser menor, ter entre 10 a 11 meses dos nossos, ou maior, tendo 15 a 30 do nosso. Isso quer dizer que, ao tentar acelerar esse processo com a aplicação de mais adubo que o ideal, estaremos condenando nossa planta à morte, pois ela não será capaz de processar tanto material organico assim, em tão pouco tempo entre um aporte e outro. As raízes capilares, que são as principais vias condutoras de nutrientes para todo o restante da planta, sofrerão um colapso. Se elas morrem, a planta responde como? secando as folhas, os galhos, o tronco, e por fim, vem a morte da planta.

Quanto a pagar para ver, vc ja esta fazendo isso: está pagando para matar suas plantas. Primeiro, por excesso de adubação (periodo reduzido entre um aporte e outro de adubo). Segundo, expondo ao sol apenas parte do dia, quando deveria estar favorecendo isso o dia inteiro. Lembre-se: são, antes de mais nada, arvores. Não são vegetais, como alface ou brocolis, que precisam de proteção e sombra para ficarem grandes, bonitos e saudáveis.

Arvores!!! Se voce sair à rua, verá inumeras delas, crescendo fortes, saudáveis, vigorosas, à pleno sol, chuva, vento, etc. Ora, não é por estarem em bacia, escorredor ou vaso que irão deixar de serem arvores. Então, trate-as como são: deixe-as pegarem mais sol pleno, mais vento, mais chuva. Cuide de adubar apenas o suficiente para nutrir a planta. O minimo é sempre o mais recomendável, e aumente o tempo entre uma adubação e outra. 😄
Darci09/01/2011 22:05
Caro Nicky,
Sua explicaçao sobre as minhas duvidas ficaram muito claras sobre como proceder com a minha planta. Obrigado,
Filipe Henrique09/01/2011 22:20
alem de me amarrar nas aulas do nick, apreveito pra melhorar meu vocabulario!
hehehe
vlw brother!
to só anotando!

abraços
Tiago R11/01/2011 01:08
Nicky, minha jabuticabeira contém raízes grossas. Ainda contém boa parte da pivotante.

Em agosto fará um ano desde o yamadori, e pensei se já posso, além da poda e desfolha, diminuir essas raízes grossas.

Se sim, como fazer para não causar choque nas raízes capilares? Creio que uma serra elétrica né. Um serrote causaria muito stress.
Flavio Francisco12/01/2011 11:19
Acho que exagerei mesmo na adubação. Além da Torta de Mamona e Farinha de Osso (4-14-8 ) que espalhei por cima do substrato, reguei duas semanas depois com um adubo líquido, também 4-14-8.
As folhas com manchas vermelhas estão caindo. Uma parte inteira da planta está sem folhas. Os brotos secaram. Depois que li as informações do Nicky, suspendi a adubação e reguei bastante para tentar tirar um pouco do excesso do adubo. Também troquei as pedrinhas que ficavam por cima do substrato para tirar o adubo.
Achei que estas manchas fossem por causa do vento forte e do sol. Agora os brotos estão firmes novamente. Vamos ver. Vou manter neste local.

Nicky, eu achava que o vento quase que constante aqui prejudicaria o crescimento de novos brotos. Principalmente na ocasião de uma desfolha completa.
Outra preocupação sobre o sol é que ele aquece demais os vasos. Ficam quentes, mesmo sendo de cerâmica.
nickyfury13/01/2011 19:23
bonsai
O aquecimento dos vasos ceramicos pelo sol é natural e as raízes da planta, desde que ela esteja saudável, não são prejudicadas com isso. Importante ressaltar que há que existir uma boa rega e ventilação na parte inferior do vaso/recipiente, vez que o oxigenio circula por ali, penetrando por baixo e oxigenando as raízes inferiores. 😄

Quanto ao vento forte, se a planta foi recem envasada, é de praxe fazer uma amarração com arame, para sustentar a planta até que suas raizes estejam devidamente acomodadas no novo substrato. Então, se isso foi feito, não há nenhuma razão para preocupações com ventos, chuvas fortes, etc. 😄

Adubação tem que ser regular, não intensa. Adubamos periódicamente, não em espaço de tempo reduzido. É preciso dar tempo para que as raízes da planta absorvam os nutrientes aportados na planta, antes de proceder a uma nova adubação. O período varia de espécie para especie, então, no geral, aconselha-se efetuar o aporte de adubo a cada 45 dias. mas pode ser mais tempo, tambem, entre um aporte e outro, como 60 dias. Ou adubar apenas no outono e primavera, suspendendo a adubação no verão e no inverno. 😄

O importante é que a planta seja adubada ao menos uma vez ao ano. Isso é que conta. Sem exageros, portanto. 😄
Flavio Francisco13/04/2011 14:25
"Calor no interior do vaso de bonsai

Havia um post no IBC onde Andy Walsh é um colaborador freqüente, então foi perguntado se luz direta do sol brilhando em vasos pretos de plástico para treinamento poderia aquecer a ponto de danificar as raízes. De maneira típica, ele respondeu com uma resposta mais completa e bem pesquisada.
Árvores no chão
As altas temperaturas podem danificar seriamente as raízes das plantas mantidas em vasos.
Como todos sabem, as raízes das árvores na natureza normalmente experimentam uma certa quantidade de variação de temperatura. No chão as raízes de alimentação das árvores tendem a habitar alguns centímetros mais seguros em sua profundidade quanto aos efeitos do calor da luz direta do sol e do ar quente da superfície, e quanto mais profundo, mais esse perigo fica anulado.


É óbvio que algumas das raízes das árvores pode sentir temperaturas bastante elevadas na natureza, no entanto, numa floresta ou um maciço de árvores com pouca incidência de sol no chão, as raízes tem temperaturas mais amenas e mais constantes. Isso provavelmente é verdadeiro para as áreas mais arborizadas, como meu quintal também. (Eu tenho certeza que todos nós estamos cientes de quanto o solo está mais frio, quando sentados à sombra de uma árvore).
Árvores em vasos
No mundo da cultura em vasos, a situação é um pouco diferente, grandes variações de temperatura como descrito acima, podem ser muito mais exagerada. Na maioria dos casos, as raízes são apenas na superfície interna dos vasos e podem ser rapidamente e facilmente afetadas pela luz solar direta e temperaturas do ar.

Em mamê bonsai (mini) o cuidado te que ser triplicado
Como geralmente os bonsai são arrumados em prateleiras e não são arranjados de perto proporcionando uma cobertura contínua de vegetação sombreadas para os recipientes, como é o caso de viveiros que normalmente arranjam plantas em canteiros para maximizar o espaço, bonsai por outro lado, são normalmente demasiadamente espaçados para garantir que todos os ramos obtenham sol e ventilação, portanto, as raízes das árvores cultivadas como bonsai normalmente terão as temperaturas mais altas.

Junípero em vaso provisório, vendido em viveiros
Embora seja geralmente aceito no trâmite do treinamento que as altas temperaturas são responsáveis pelo pobre crescimento, há pouca documentação sobre os efeitos específicos de altas temperaturas. São citados alguns estudos americanos, mas não vem a calhar colocar nesta postagem, quem quiser ter certeza pode acessar o link original deste artigo de consulta clicando AQUI.
O sombreamento dos vasos
Há também algumas informações sobre os efeitos do sombreamento do vaso no crescimento radicular. Foi realizado um estudo onde os recipientes foram sombreados em vários níveise quatro espécies lenhosas foram utilizadas, as raízes foram examinadas, contadas e classificadas, antes do estudo e após 6, 12 e 18 dias. O estudo descobriu que quanto maior a % de exposição maior o dano à raiz, e que a maior parte dos danos ocorreu durante os primeiros seis dias.
Os Juniperos foram os mais afetados perderam 88% de suas raízes após os primeiros 6 dias, o Hollys estavam em 72%, do Pinheiros austríaco 48% e os Mugos em 40% após seis dias. O autor não indicou qual a % de exposição esses números vieram. (Whitcomb, Carl E. George WA Mahoney 1984. “Efeitos da temperatura em recipientes no crescimento da raiz da planta” Oklahoma Agri. Exp. Sta. Res. Rept. P-855 :46-49). Whitcomb mostra algumas fotos gritante dos efeitos sobre as raízes desse tipo de exposição. Nas laterais dos recipientes expostos não existem raízes nenhuma, do lado da sombra, há uma abundância de raízes.

Meu amigo Joel de Laguna em sua estufa recém-feita
Segundo Whitcomb, este estudo mostra que o estresse térmico nas raízes das plantas em recipientes é um problema sério. A rápida perda de raízes após a exposição se correlaciona com o estresse da planta abrupta freqüentemente observada quando as plantas adaptadas no vaso são espaçadas durante o verão. Raízes mortas pelo calor são locais privilegiados para a entrada de organismos de doença pela morte e podridão radicular, altas temperaturas podem ser um fator importante no fornecimento de uma entrada fácil para doenças nas raizes.
Cores dos vasos
Existem alguns estudos sobre a substituição de plástico preto com plástico branco, mas enquanto os contentores brancos reduzem a temperatura do solo, o polietileno branco torna-se frágil em exposição aos raios UV e desmorona.
Danos causados pelo calor
Eu tenho pensado sobre esta questão muitas vezes e tenho notado que algumas árvores que eu tenho na minha bancada parecem definhar sob o sol quente de verão, onde os da mesma espécie que tenho amontoados no chão “parece” mais saudável. Eu sempre suspeitei que os danos do calor do verão pode ter sido responsável pela perda de algumas plantas importantes, principalmente juníperos, após o reenvase da primavera.


Podridão radicular geralmente ocorre no verão e é sempre culpa de má drenagem e rega excessiva, gostaria de saber quanto a morte da raiz pelo superaquecimento também podem contribuir para o fenômeno da podridão radicular de verão. (É quase irônico que é recomendado colocar Bonsai afetado pela podridão de raiz na sombra após o tratamento – parte da cura?) Mesmo algumas das ocorrências de inverno da podridão da raiz pode ter tido sua origem no calor do verão.
E, finalmente,
Eu acho que é justo dizer que altas temperaturas do verão e a colocação de bonsai em pleno sol durante todo o período de crescimento provavelmente tem algum efeito negativo sobre as raízes de um bonsai, principalmente em países com clima quente, como o nosso. Precauções ao meio-dia, como sombreamento e irrigação para resfriar os recipientes podem ser o melhor para um bonsai."

Artigo de fonte de pesquisa:
Andy Walsh
Traduzido, adaptado e comentado:
Fabiano Costa
carlos claro13/04/2011 20:57

valeu nicky
nickyfury14/04/2011 11:12
bonsai
Essa discussão a respeito das raízes sofrerem com o calor do verão é bem semelhante à que os leigos costumam dizer sobre a condução dos galhos por arame: uma "verdadeira tortura" por parte do cultivador. Quero crer que se a planta for abandonada ao Deus-dará, para que Ele, em sua infinita sabedora prova a todas as necessidades da planta, certamente suas raízes sofrerão menos danos pela ação do calor climático em excesso.

Mas, considerando que promovemos uma rega e uma adubação sistemática, em que todos os vasos, sem exceção, são virados ou mudados de posição a cada 15 dias (não importa o tamanho do viveiro, essa regra deve ser prevalente), a umidade no interior do substrato, onde estão em crescimento e desenvolvimento as raízes capilares, de alimentação, não sofrem tanto assim, quanto suas congeneres no solo.

Cultivo em solo e cultivo em vaso, é sempre diferente. Não há como comparar um e outro. Sempre haverá algum prejuízo para as raízes de uma planta quando esta for cultivada em vaso, seja ele plástico, ceramico, resina, laje de pedra, pedra, cimento, etc. Os riscos, aliás, são inerentes ao cultivo. As plantas que perdi, ao longo dos anos em que venho realizado cultivo, o foram em razão de desleixo ou falta de cuidado, seja no aporte de adubos e outros nutrientes, seja no de rega adequada, geralmente o mais comum.

Contudo, se tivermos atenção e procedermos ao cuidado necessário ao manuseio e manutenção corretos, com o aporte de suplemente hidrico, as raízes certamente sofrerão menos, pois é sabido que a humidade no interior do substrato se mantém, mesmo com o sol a pino e em toda a sua plenitude de calor. Pode pegar qualquer vaso, ao acaso, e retirar a planta, observando detidamente suas raízes: verá que há umidade nelas, necessária à sua sobrevivência e compensação.

Aporte hidrico correto, "virar" ou mudar a posição dos vasos periodicamente, para que a planta receba luz e calor de maneira adequada e homogenea, são os cuidados necessários e bastantes, para que suas raízes não "sofram" com um possível estresse hídrico, a meu ver.

Os mini bonsai devem ser cultivados sob cuidados mais rigorosos, bem como os shohin, recebendo desde logo uma cobertura, seja com sombrite ou similar, para que a partir das 11 horas da manhã, no máximo, sejam devidamente protegidos do calor da tarde que se avizinha. Outrossim, devem os mini vasos repousar sobre solo arenoso, contido em bacias plasticas, ou sobre grama sintética, que receba umidade por micro aspersão, de maneira a que haja uma umidade constante ao longo do período mais quente do dia.

Isso é o que convém a um cultivo nesses padrões de cultivo. Mini e shohin, cuidados dessa forma, certamente terão preservados sua essencia e natureza de maneira adequada, evitando que suas frágeis e minimas raízes sofram com um estresse liquido, por excesso de calor e baixa umidade. Afinal, como ocupam espaços minimos e doses reduzidas de substrato de cultivo, esse material seca muito rapidamente, implicando isso em perdas de material. Qualquer descuido pode ser fatal para esse tipo de cultivar.
Máikal14/04/2011 16:37
acho que cometi o erro comentado nesse tópico
Coletei uma jabuticabeira em janeiro, conseguir coletar com torrão que é de uma terra bem argilosa. Ela brotou bem mas logo depois começou a amarelar as pontas das folhas. Ela estava incialmente em um lugar com pouca luz direta, mas quando as folhas começaram a amarelar eu coloquei ela num lugar que pega luz das 7 da manhã até as 2 da tarde e as folhas continuaram a amarelar. Com uns 60 dias de coleta eu coloquei adubo osmocote. Lembrando que moro em Salvador e começou as chuvas diárias e por isso não estou irrigando a planta.
Olhem como ela está hoje, o que eu posso fazer?


nickyfury14/04/2011 18:01
bonsai
Maikal, a melhor época para coletar jabu é no inverno. Vc retirou em pleno verão. Portanto, o resultado que hoje vê em sua planta é a consequência direta desse trabalho fora da época correta de coleta. Além disso, vc diz ter mantido a planta em local com pouca luz direta, quando o correto é exposição solar desde o primeiro dia, o dia inteiro e não apenas uma parcela dele. 😲

Transcorridos 60 dias, e sem que a planta apresentasse melhora, vc inicia a adubação com osmocote, que apesar de ser um adubo de liberação lenta, é quimico, o que depõe contra as chances que a planta, porventura, ainda tivesse de recuperação.

Lamento dizer isso, mas as brotações que vc ora vê, são oriundas das reservas que a planta tinha, e que aos poucos foram solapadas pela maneira incorreta desse cultivo após a retirada, bem como pela própria retirada da planta num período em que tal não deveria ter sido feito. Não há o que fazer agora. Com chuva ou sol, sua planta está num ponto sem volta, em que as chances de recuperação são minimas.

Sugiro, então, retirar todo o osmocote que ainda esteja no solo, colocar a planta fora da area em que recebe chuva, só irrigando quando observar que o solo começa a secar abaixo do nível superficial, e não adubar em hipotese alguma.

Essas dicas não significam que sua planta irá se recuperar, lamento dizer. Mas, ao menos, pode ser que ao fazer isso, ela possa ter uma leve chance de conseguir emitir novas brotações. Repare que as que ela tem são estacionárias: brotaram folhas em razão do estresse da retirada, como forma de reação da planta, e não por estar ela emitindo nova brotação. Esse tipo de reação tardia, não se mantém, e geralmente culmina em uma queda gradativa. A queima pode ser em razão da adubação prematura, que está asfixiando ainda mais as raízes, bem como o excesso de agua, por causa das chuvas.

A pressa e a impaciência são duas armas que usamos contra nós mesmos, sendo que a grande vítima delas são nossas plantas.
Djalmo14/04/2011 21:25
nickyfury, muito bom este tópico, mas como moro no sul e estamos chegando na época das geadas trago uma duvida, não tenho estufa mas tenho espaço no pátio e minhas plantas ficam próximas ao muro, pensei em fazer uma cobertura de plástico tipo lona de estufa, mas isto me tiraria os benefícios das chuvas, então pensei em sombrite, será que funciona para segurar a geada??? Ou tem que ser de plástico mesmo???
Atenciosamente.
nickyfury15/04/2011 06:58
bonsai
Djalmo, melhor usar plástico duro ou telhas transparentes, do tipo compridas e finas, que é ainda mais resistente que o plástico. Lembrando que as plantas devem ficar sob esse tipo de abrigo apenas enquanto durar o período da geada, voltando à exposição solar tão logo vença essa etapa climática adversa. O sombrite pode até reter pedrisco tipo granizo, mas o frio acaba prejudicando de alguma forma. Prevenir é melhor que remediar.

Claro que esse recurso não é extensivo a todas as espécies, pois algumas são nativas do sul e estão mais que afeitas às interações climáticas adversas, então podem permanecer sob o céu, caia o que cair. Mas resguarde as que não se enquadram nesse aspecto.
Tiago R15/04/2011 11:39
Nicky, e no sudeste, mais especificamente em Minas Gerais?


Minha casa fica num local mais baixo... A névoa cobre todo o bairro, fazendo uma cobertura, e a temperatura pela madrugada fica em torno de 0 graus (medido com termômetro do carro) em alguns dias.



Há motivo para preocupação?
nickyfury15/04/2011 18:02
bonsai
Tiago, não há nada com que se preocupar, afinal em MG é comum vermos nativas vicejando no campo, após sofrerem reveses climáticos bem mais frios, sem nenhum problema. No sul, por outro lado, em algumas cidades chega a nevar, ultrapassando em muito o seu citado "zero grau". Por isso, recomendo o cultivo, em Minas, como em outros regiões de clima menos rigoroso que no sul, de maneira sistematizada, com exposição solar o dia inteiro, ou sob chuvas torrenciais. Afinal, depois da tempestade, é sabido há séculos, sempre virá a bonança!!! 😄
12