Anderson, apesar de ficar satisfeito com sua acolhida às minhas sugestões, gostaria de lembrar ao nobre colega que não sou mestre em nada, muito menos ainda em bonsai. Como voce, sou um mero aprendiz, que teve a sorte de ter começado antes e aprendido um pouco mais em razão disso. 😲
Por isso, data vênia, peço encarecidamente ao nobre colega que não se refira a mim como mestre, professor. Não sou nada disso. Sou, como voce, alguem que gosta de fazer bonsai, gosta de aprender como fazer bonsai cada vez melhor. Apenas isso. Prefiro ser tratado pelo nobre colega como um amigo disposto a ajudar outro amigo. Apenas isso, ok? Nada de títulos para mim, obrigado.
Bem, isso posto, voltemos à sua planta:
Examinando-a pelos quatro lados, acredito que a frente mais bem proposta seria a mostrada pela primeira foto. Claro que a planta sendo sua, e voce podendo analisa-la melhor que eu, ao vivo e a cores, talvez se sinta inclinado a discordar. Há pontos interessantes na escolha que fiz, mas isso não é tão importante quanto a vontade do cultivador, sempre realço isso. 🙄
O tronco apresenta um bom movimento e com alguns cortes vc poderá proporcionar para a planta um aumento na conicidade (base larga que se estreita até o ápice), além de uma adequação melhor. Apesar da sugestão do hokidachi, eu prefiro trabalhar visando um moyogi, principalmente por que o tronco, da metade para cima, apresenta um movimento que é contrário ao estilo hokidachi.
Nessa espécie é de praxe não reiniciar o tronco apenas para formar um determinado estilo, como ocorre com um ulmus por exemplo, que responde com forte brotação, quando reduzimos o tronco visando estilizar um hokidachi. Na pitangueira, qualquer corte radical no tronco implica necessariamente em uma possível perda da planta inteira. Melhor então descartar isso.
Um moyogi, por outro lado, pede uma planta que apresente um tronco com algum movimento. Não precisa ser um movimento inicial, isto é, que esteja ocorrendo no primeiro terço do tronco. Pode ser um movimento construido a partir do meio do tronco para cima. Além do mais, para fazer um bonsai ficar bonito, devemos ressaltar a necessidade de manter o minimo de galhos necessários, cortando desde já o excedente, que, além de não servirem para nada ainda podem criar obstaculos visuais. 🙄
Sou péssimo em projeções, pois desenho muitissimo mal. Melhor para isso é o Alexandre, sempre ótimo em seus trabalhos visionários aqui em nosso forum. Mas, apenas a titulo de esclarecimento orientador quanto ao que cortar e o que manter, posso salientar que o mais importante, de momento, é reduzir o comprimento da maioria dos galhos, deixando-os mais curtos.
Por que encurtar os galhos? Principalmente para favorecer novas brotações, sejam elas secundarias, terciarias e a partir delas, ramificações finas. Com isso, abrimos espaço planejado e planificado, vez que um galho qualquer fica muito mais bonito quando devidamente ramificado, isto é, em formato que lembra uma mão com os dedos abertos, afastados. Nesse ponto, teremos então uma densificação, que nada mais é que a quantidade maior de folhagem no galho.
Visualize então uma planta que tenha galhos ramificados e densa folhagem, mais próximas do tronco. Terá em mãos um lindo espécime, um bonsai primoroso, altamente técnico, sem duvida nenhuma. Para consegui-lo, porém, é preciso, desde já, reduzir o comprimento dos galhos. Como fazer isso? Bem, para começar, e considerando que vc resolva deixar de lado o hokidachi e priorizar o moyogi (que não precisa ser o classico japones, mas algo mais natural, vez que se trata de uma nativa), sugiro cortar onde marquei com linha vermelha:
Lembre-se apenas de aplicar uma boa pasta cicatrizante sobre os cortes. A aramação que voce fez, lamento dizer, não tem nenhuma serventia. melhor retirar. Bem, boa sorte com a planta e não esqueça de postar novamente, para acompanharmos a evolução. 😉