O trabalho de formação em grupo de arvores, denominado estilo Yose ue, ou bonsai estilo floresta, requer algo que os técnicos chamam de "perspectiva". A técnica consiste basicamente em dispor um numero "x" de plantas, geralmente um minimo de tres arvores até quantas quiser usar o cultivador/artista. 😄
As arvores devem obedecer a um principio bem definido de distribuição sobre o recipiente a ser utilizado, que tanto pode ser um vaso quanto uma laje de pedra, ou similar a ambos. Assim, temos uma primeira planta, maior que as demais, denominada árvore mãe primária. Ela deverá ficar destacada das outras, lembrando que seu ponto de fixação obedecerá, ao final, ao ápice da triangulação a ser executado com a colocação das demais arvores. 😄
Podemos colocar várias plantas, então, dispostas em dois, tres, cinco ou sete grupos distintos. O mais comum é dois grupos, sendo que em cada um deles haverá um numero impar de arvores ocupando espaços pré definidos. Haverá, porém, apenas uma arvore-mãe ou primária, sendo as demais contadas então a partir dela: secundária, terciária e as demais com numeração comum. 😄
As arvores deverão ser dispostas ainda de tal forma que um tronco de uma não fique na frente do de outra, de maneira que todas as arvores, ao final do trabalho, possam ser visualizadas dessa forma clara, independentemente do lado em que estiver o observador. Para orientar melhor, podemos dividir o vaso ou bandeja em quatro partes, traçando a giz duas retas que se cruzam ao centro. 😄
A primeira arvore então deverá ocupar um ponto um pouco à direita do centro, ligeiramente acima da linha horizontal, ou seja, no quadrante lateral superior direito, considerando que há, a partir do desenho, quatro quadrantes visiveis no fundo da bandeja. Veja um desenho esquematizando um trabalho de formação estilo floresta, que realizei com caliandras, há algum tempo atrás:
Na imagem abaixo, um bosque de acer palmatum, repare na distribuição das arvores, divididas em dois grupos distintos. A arvore principal, mais alta, ocupa a posição que indico na descrição acima:
Na foto abaixo, um close da imagem acima, percebe-se que as arvores não ficam umas na frente das outras, mas sim bem destacadas.
O bosque bonsai, além da perspectiva, requer profundidade visual. Isso pode ser conseguido com a correta distribuição das arvores, bem como com o uso de arvores de tamanhos distintos, colocando-se as menores em pontos mais distanciados que as maiores, afim de garantir um resultado otimizado, quando o observador olhar para o bosque.
O trabalho finalizado será, a partir desse momento, tratado sempre como se fosse uma planta unica, e não um grupo de arvores. É possivel então aramar galhos, realizar podas de manutenção e conservação, objetivando harmonizar o conjunto formado pelas plantas, sempre relevando o aspecto da triangulação e profundidade. Se por ventura uma planta seca e morre, por vezes ela é mantida nessa condição, preservando-se dessa maneira a caracteristica natural do crescimento em grupo que visualizamos na natureza. 😄
Esse ponto da arvore seca, aliás, retrata bem um dos mais magnificos trabalhos de bosque bonsai, executado pelo grande mestre John Naka, que deu o nome a ele de Goshin:
Importa frisar ainda que, sob determinados aspectos do trabalho, podemos acrescentar algumas pedras ao bosque bonsai, mas sempre lembrando que o minimo delas é o correto, de forma a que pareçam algo natural na composição final:
Embora não seja uma regra rigida, nem esteja escrito isso em nenhum lugar, geralmente utilizamos na formação do grupo arvores que tenham semelhanças na grossura do tronco, bem como em sua altura aproximada, não distanciando muito uma coisa da outra. Veja alguns exemplos, além dos mostrados acima:
Finalizando, vale destacar ainda que, ainda que não seja uma regra clássica, tambem prioriza-se nesse tipo de trabalho a formação grupal com apenas uma espécie de arvore, embora alguns artistas possam eventualmente, mesclar espécies diferentes ou ligeiramente idênticas, ainda que não o sejam. Tipo misturar, por exemplo, variedades diferentes de junipero ou de pinheiro.
Ainda ressalto que podemos formar um bosque a partir de plantas que tenham sido cultivadas como bonsai individualmente. Ou, então, plantas que foram cultivadas em determinado estilo, como por exemplo literati. Pegamos então vários bonsai estilo literati e formamos com eles um bosque bonsai:
Bonsai que individualmente foram estilizados como fukinagashi, ou varridos pelo vento, formam então um bosque nesse estilo:
Há composições que buscam um diferenciamento, distanciando-se dos modelos tradicionais de formação grupal:
Outros trabalham com plantas baixas e bandejas enormes, para enfatizar a profundidade e a perspectiva visual, como se visualizassemos uma floresta ao longe, distante:
Grupos grandes, com arvores grandes e um numero elevado de plantas, pede vasos ou bandejas maiores, contando ainda com a ajuda de terceiros, para arranjar de maneira adequada, as arvores dentro do espaço, de forma a resultar em algo como isso:
Por fim, mas não menos importante, podemos formar um bosque a partir de mudas jovens, de maneira a adequa-las desde o inicio dentro da linha de marcação e trabalho grupal:
Bem, espero que minhas informações não cansem por demais e facilitem o trabalho futuro de alguns colegas. 😄