Com o perdão dos nobres colegas, é necessário um esclarecimento: Kukemono é um termo inexistente no idioma japones. O correto é KAKEMONO. Trata-se de uma arte gráfica, que pode ser uma pintura ou algo escrito no idioma japones (kanji, hiragana ou katakana, os tres idiomas usados por eles).
Antigamente, o Kakemono figurava como uma espécie de quadro, utilizado num tipo de quarto aberto, que os japoneses chamavam de Tokonoma. Tornou-se comum, a partir do período histórico japones chamado era Edo, usar no tokonoma uma composição que reunia, além do kakemono, um bonsai e uma planta de acento, ou mesmo um suiseki (arte de apresentar uma pedra de rio).
Na teoria do triangularidade cósmica (Deus-homem-terra), os três elementos do Tokonoma devem formar um triângulo escaleno em que o vértice deve corresponder ao kakemono e representa Deus, o vértice central deve coincidir com o bonsai e representa o homem e para o canto inferior coincide com a planta de acento e representa a terra.
Para os japoneses daquele período antigo, o espaço onde a mente pode repousar e observar as belezas naturais que nos são dadas por Deus – tokonoma – deve transmitir a paz como se observássemos um jardim, uma paisagem em miniatura.
Quando colocamos um bonsai no tokonoma ou trazemos flores de nosso jardim para dentro da nossa casa, é um momento em que podemos olhar com introspecção e nos afastarmos dos problemas dos dias modernos.
Existem três diagramações básicas dos elementos do tokonoma quando o bonsaista quer expor a sua árvore. A maior diferença está na na triangulação usando o kakemono:
SHIN:
1-O kakemono é centralizado no tokonoma e sua base deve estar mínimo à 40 cm da linha do chão do tokonoma.
2-O kakemono deve ter um tamanho proporcional ao tamanho do tokonoma.
3-No Japão são usadas as coníferas, mas outras árvores de folhas compactas podem ser utilizadas.
4-O bonsai deve ter um tamanho que possibilite uma boa triangulação assimétrica em relação ao kakemono e o kusanomo.
5-São usados kakemonos tradicionais com sutras , provérbios e pensamentos de grandes mestres.
6-Os estilos mais aconselhados são os clássicos, principalmente o Chokan
7-A base de sustentação do bonsai deve ser de madeira de lei entalhada a mão.
GYO:
1-O kakemono pode estar deslocado à esquerda ou à direita para permitir a triângulação com os estilos não clássicos.
2-O kakemono deve ter um tamanho proporcional ao tamanho do tokonoma.
3-Podem seu usadas árvores de todas as espécies, evitando os bonsais de folhas muito grandes.
4-A base de sustentação do bonsai deve ser de madeira ou pedra, transmitindo elegância ao conjunto.
5-Podem ser usados, além dos tradicionais papiros com caligrafia japonesa, kakemonos com paisagens representando o local onde o bonsai estaria na natureza. Podem também serem utilizados Suiboku Ga ,pinturas monocromáticas japonesas).
OBS: Podem ser utilizados os estilos não clássicos, com exceção do literati ou bunjing.
SO:
1-O kakemono pode ser triangulado mais livremente em relação aos outros elementos do tokonoma.
2-O kakemono deve ter um tamanho proporcional ao tamanho do tokonoma.
3-Podem seu usadas árvores de todas as espécies.
4-A base de sustentação do bonsai deve ser de madeira ou pedra, transmitindo elegância ao conjunto.
5-Podem seu usados todos os tipos de representação artística no kakemono.
6-Podem ser usados todos os estilos de bonsai e suiseki.
Em relação ao Kokedama, não é um tipo de bonsai, mas sim uma técnica de cultivo, em que se usam dois materiais: argila molhada e musgo, formando uma massa em formato ligeiramente arredondado. Podemos então usar esse composto como se fosse um substrato, dispensando o uso de vaso para conter o substrato. Na sequencia, pode ser plantado na massa argilosa plantas pequenas, tipo mini bonsai retirados dos recipientes normais em que são cultivados, ou seja mini vasos (e não panelas, como traduzido erroneamente), bem como gramineas e arbustos rasteiros (shitakusa e kusamono).
A apresentação do kokedama pode ser feita juntamente com um kakemono e um bonsai, obedecendo à triangulação acima explicada. Ou então, individualmente, como ocorre hoje com apresentações européias de kusamono.
Outra explicação conflitante, que merece esclarecimento, é o fato de escrever que o kokedama se trata de um tipo de bonsai dos "pobres". Os "pobres" no Japão Feudal jamais poderiam cultivar o que quer que fosse diferente do tradicional cultivo agricola, voltado basicamente para o plantio de arroz, legumes e hortaliças. Eles não tinham, como hoje, a liberdade de se expressar artisticamente com trabalhos desse tipo.
A arte japonesa, seja na forma de bonsai, kusamono, kokedama, kakemono, shitakusa, bem como outras tradicionais da cultura niponica, sempre foi praticada pela nobreza feudal, inicialmente, e por ela mantida e difundida. Nada de pobre ou classe inferior fazendo qualquer dessas atividades, sob risco de morte por decapitação, que era a forma que os senhores feudais japoneses tinham de controle absoluto, naquele período conturbado da história japonesa.
O site
http://espacobonsai.blogspot.com/2011/02/kokedama-muito-prazer.html
apontado pelo nobre colega como fonte de referencia do material postado em nosso forum, usou do recurso de traduzir através do google tradutor. É um ótimo recurso, para o ingles, frances, e alguns outros idiomas ocidentais, mas péssimo quando se trata de idiomas orientais, particularmente o chines tradicional e o japones.
A tradução fica truncada, sem sentido nenhum, se o utilizador não dominar, pelo menos um pouco, o idioma traduzido. O dominio do idioma é imprescíndivel para se corrigir, de forma coerente, a sequencia de frases e palavras usadas num texto qualquer. Podemos ver isso pelo uso da palavra "panela", traduzida erroneamente para significar vaso de bonsai; A grafia romanizada de termos japoneses nem sempre deixam tão claro a forma correta de sua pronúncia/tradução, implicando muitas vezes no uso de termos equivocados, como foi o caso.
Podemos ver como isso funciona, ao pesquisarmos a tradução para vaso de bonsai, que em escrita romanizada (letras ocidentais) é escrito como "hatchi" (leia Ráti), e é um termo específico para traduzir vaso para bonsai e mais nada. Outro tipo de vaso qualquer, como um vaso para se colocar flores é chamado "kabin".
No entanto, ao se traduzir um texto escrito nos caracteres ideográficos japoneses, a tradução não encontra a resposta correta, grafando então, erroneamente, a palavra "panela" para traduzir o termo hatchi, que por ser específico demais, não proporciona nenhum parametro explicativo na tradução. Com isso, ao lermos o texto que o nobre colega copiou do site acima, ficamos sem entender o que está escrito, pois não há coerencia nem nominal nem verbal na tradução.
Se por acaso alguem tiver interesse em aprender um pouco do idioma japones, principalmente para conseguir esclarecimentos sobre a cultura japonesa como um todo, não apenas referente a bonsai, pode obter valiosas informações no site abaixo:
http://www.aprendendojapones.com/2009/01/15/pronuncia-japonesa/