Na minha humilde opinião, não há muito o que fazer nessa planta. Escolha um vaso adequado, de preferencia oval, e na próxima primavera faça o envase, cuidando apenas de baixar mais as raizes, firmando-as com varedas de bambu, de forma a proporcionar um nebari radial mais baixo, isto é, mais na horizontal.
Em relação aos galhos, importante selecionar alguns bem posicionados e eliminar outros, para que brotações proporcionais possam ocorrer no interior da planta, preenchendo os espaços internos da maneira correta. Um galho, para estar devidamente preenchido, deve ser ramificado. Isso significa que o galho deve, visualmente falando, se assemelhar a palma de uma mão aberta, com os dedos afastados. Parece dificil intuir algo assim, e mais ainda conseguir tal coisa, mas o estilo Hokidachi trabalha justamente nesse sentido, então mãos à obra.
Veja nos modelos abaixo a formação dos galhos primários, que são os mais grossos. Na sequencia, e a partir desses galhos, vêm os galhos secundários, terciários e por fim, a ramificação fina. A estrutura da planta deve obedecer a essa regra, para que fique natural e não parecendo apenas uma topiaria (tipo aqueles buxinhos vendidos em lojas para jardins):
Ao virar sua planta de cabeça para baixo e analisar detidamente os galhos, eles devem apresentar essa ramificação, do contrário o estilo não está definido, nem tampouco perfeito. Há então um longo caminho a percorrer, mas como tudo mais em bonsai, é importante dar o primeiro passo para atingir o melhor objetivo ao final:
Infelizmente o buxus é uma espécie que não aceita desfolha total, de maneira que não se pode conseguir uma boa visualização de sua estrutura de galhos, como ocorre em outras espécies quando fazemos a desfolha, como os ulmus, por exemplo. Então, nesse caso, é preciso cortar alguns galhos no interior do emarado de galhos da copa fechada, para abrir claros que permitam analisar a estrutura com maior chance de ver e descobrir qual o melhor caminho a seguir em sua condução:
Os galhos a serem cortados não deverão ser qualquer um. É preciso certo critério de escolha e seleção, pois determinados posições ocupadas por determinados galhos podem ser dificeis de serem repostas, dada a dificuldade que essa espécie tem para brotar em locais definidos. As brotações irão ocrrer no interior, claro, pois uma vez realizada a abertura necessária, iremos estar contribuindo para o acesso de luz e calor necessários à recuperação da planta da capacidade de emitir novas brotações.
Por vezes, será preciso ainda reduzir o comprimento dos galhos primários e secundários, com vistas a favorecer brotações em suas extremidades. Com elas, teremos maiores chances de aproximarmos a densificação do tronco, "fechando" mais a copa da planta, ao mesmo tempo que proporcionamos a requerida ramificação dos galhos.