Xará, vc fala do Glauco andar sumido do forum, mas vc tambem não aparece há tempos por aqui. Por isso, aproveito o ensejo para aplaudir a ambos por esse retorno ao nosso convivio. Espero poder ver ao menos um de voces ou a ambos no Atelier do Dom Mario, em maio próximo. 😄
Xará, em relação a sua cali, vc está no caminho certo sem dúvida nenhuma. À medida que os anos passam, nossa coluna vai tomando conta do resto do corpo e ditando as regras. Quanto antes começarmos a reduzir o tamanho das plantas para lidar com essas regras, melhor. O grande exemplo disso é o nosso mestre mor: Hidaka, há séculos, vem apresentando nos eventos de que participa apenas os shohin menores e os mames que faz. 😂 😂
Essa espécie é muito atrativa para a maioria dos bonsaistas. Todos queremos ter ao menos uma em nosso viveiro. Apesar de que a espécie apresenta determinadas caracteristicas que a tornam dificultosa quanto à manutenção, como o crescimento e alongamento vigoroso de suas brotações, necessitando de um constante acompanhamento com podas sucessivas visando manter sua estruturação aerea, sob o risco de perder a forma muito rapidamente, se assim não agirmos.
Apesar disso, como bem salientou o nobre amigo Glauco, a espécie possui um ótimo lenho, o que permite um trabalho sistemático e vigoroso no quesito madeira morta. Como o cerne é bem fibroso, retira-lo com um alicate jin é fácil e possibilita a formação de uma estrutura mais natural, com inumeras possibilidades de retorno, ou de objetivo variado. Certamente, como bem esclareu o Glauco, sua planta irá precisar desse tipo de intervenção na area morta, para que fique com um aspecto melhor, destacando que com isso haverá uma harmonização no conjunto madeira viva e planta.
Em relação às brotações, sugiro que vc priorize ao menos a manutenção de dois desses galhos, suficientes para a construção de uma estrutura aerea no estilo moyogi. Um galho apical, com que formar a copa e um primeiro galho, em sentido contrário ao do apical. Talvez até mesmo deixar um terceiro galho, para o fundo, complete o quadro. Para conter a "sangria" na emissão de novas brotações no mesmo ponto, experimente "queimar" a area de saída, usando algo quente, como um ferro de soldar, por exemplo. Isso irá inibir a emissão de novas brotações dentro de um mesmo ponto, facilitando seu trabalho dentro do que sugeri.
Em relação ao jin, faça cortes na ponta dele, em linhas que se cruzem, de maneira a que, puxando cada fatia (a melhor comparação disso é um bolo, cortado em várias fatias finas), vc consiga puxar as fibras gradativamente, "descamando" a madeira seca, sempre no sentido de cima para baixo, de forma a reduzir o volume, a altura e a profundidade do jin, terminando com um trabalho interessante. Outra possibilidade, porém, é trabalhar o jin com uma fresa (makita ou dremel), de forma a moldar o jin com perfurações e reentrancias. 😄
Como sempre, o melhor parametro de trabalho visando a construção de madeira morta está nas mostras dos juniperos, de longe a grande espécie explorada nesse tipo de recurso técnico e que nos dá os melhores exemplos e modelos para seguir:
Veja nas imagens da pagina abaixo, como fazer um jin partindo de um ponto como o da sua planta:
http://sidiao.myweb.hinet.net/class-T-J03e-1.htm
E para não ficarmos apenas em juniperos, veja o jin no canto inferior direito da foto abaixo:
Outra ótima página, mostrando como fazer um jin de primeirissima qualidade, que é o que a sua planta está pedindo:
http://sidiao.myweb.hinet.net/class-T-J01e-1.htm
Exemplos, agora, vc tem de sobra. Mãos à obra, garoto. Larga essa Pirassununga de lado, que pinga nunca fez bem a ninguem e vamos trabalhar..... 😂