Lorencini, a primeira foto mostra a melhor frente, na minha humilde opinião. Isso por que o tronco se mostra reto e sem marcas, como percebemos na terceira foto. Com isso, temos que o caminho a seguir deverá priorizar a formação estrutural mais adequada, além de uma melhoria no nebari, tornando este o mais radial possível.
A qualidade da parte aerea, somada com o nebari radial, irá resultar numa planta estilo Hokidachi bem estruturada e harmonica, um bonsai de qualidade técnica superior. Para conseguir isso, porém, será imprescindivel fazer algumas alterações. 😲
Nós, ocidentais, traduzimos o nome do estilo Hokidachi erroneamente por estilo "vassoura". Os japoneses o nomeiam estilo "escova". Ocorre que no Japão, antigamente, as escovas tinham um formato arredondado e alto, em determinadas regiões e em outras, um formato redondo mais longo. Assim, esse estilo evoluiu bastante desde aquela remota época, ganhando outros formatos, ligeiramente diferentes entre si, mas sempre conservando a forma da escova original japonesa. 🙄
O principio fundamental ao estilo, comum a todas as variações dentro dele, é que é necessário haver um nebari radial sobre a superficie do solo, um tronco com uma ligeira mas perceptivel conicidade (basse mais larga que o cimo do tronco) e uma formação estrutural ramificada. Ao observarmos um hokidachi pensamos que chegar ao nível educacional de um é facil, mas isso, como tudo mais em bonsai, é um engano. É preciso estabelecer galhos primários, secundários e terciários. Após a formação desses galhos, é que iremos então iniciar a formação dos galhos finos, ou ramificação fina, existente nas extremidades dos galhos.
Parece simples, por que a maioria confunde o estilo Hokidachi com uma topiaria qualquer, tipo buxinho em forma de "bolinha", muito comum nos jardins. Mas é apenas uma aparencia enganadoramente errada, que nos leva a pensar dessa forma. Ao nos determos em profundidade, analisando detidamente uma planta desnuda, iremos perceber as nuances que claramente a distinguem de uma topiaria qualquer, mostrando além da qualidade, a perícia técnica do cultivador em lograr exito em sua formação e manutenção, pois não adianta nada chegar até o topo, fincar a bandeira e deixar para lá. 🙄
Como se pode ver na imagem abaixo, o estilo mais clássico, considerando os pontos que enumerei, é este:
As vezes parece que estamos "chovendo no molhado" ao frisar esses aspectos, considerando o estágio atual de sua planta em comparação com o modelo adequado de um hokidachi técnico. Mas é preciso fazer esses comentários, para que o cultivador possa, a partir deles, estabelecer parametros para trabalhar corretamente e, ao fim de alguns anos de cultivo, ter como retorno um bom material, um bonsai de qualidade e não uma mera topiaria. 😄
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Veja na imagem abaixo, outra variante desse estilo clássico:
O estilo "vassoura" clássico, com outra variante, em que é possível analisar bem os galhos primários, que dão sustentabilidade a todo o arcabouço da armação estrutural necessária para a densificação foliar:
Na imagem escura abaixo, vc pode analisar bem a disposição mais adequada dos galhos primários, secundários e terciários, sobre os quais irá ser desenvolvidos os galhos da ramificação fina:
Na imagem abaixo, vc pode ver bem o desenvolvimento desde as ramas iniciais:
A continuidade nesse caminho leva à conclusão:
O bonsaista/forista Marcelo Duprat, soube reunir com maestria todos os pontos que enumero acima, para compor um desenho que, se o cultivador tentar reproduzir em sua planta, chegará praticamente à perfeição desse estilo:
Outro bom desenho, simples mas dinâmico, com a finalização próxima:
Na variante mostrada abaixo, o tronco é menor, mais baixo e grosso, mas a copa apresenta a estruturação ideal:
Essa outra variação parte de um material arrecadado na natureza, tipo um yamadori:
Repare nesse tachiagari, a força do tronco, com o apoio igualmente forte do nebari radial:
Em relação à sua planta, temos que partir de um ponto determinado, para forçar a emissão de novas brotações que venham a somar, melhorando o aspecto e permitindo a construção de um aporte aereo mais adequado, ao mesmo tempo que harmonico em todo ele. Sugiro, então, cortar em alguns pontos, reduzindo a massa atual, muito desconexa, para que, mais à frente, as brotações virem com força e permitirem a correção necessária. Veja nas linhas vermelhas onde cortar:
Lembrando que os cortes indicados são um mero arremate, e que vc deverá ficar atento no sentido das novas brotações. Os galho do ulmus costumam crescer alongando-se bastante. É preciso então reduzir seu comprimento, cuidando de formar novas ramas dentro deles. Se deixados longos, eles não irão subdividir-se em ramas, mas ao cortar, mantemos então dois ou tres pares de folhas, de maneira que na axila das folhas venham a ocorrer brotações. Essas brotações é que irão formar a estrutura de galhos correta.
Mas, mesmo que para isso concorra a correta poda e manutenção, é preciso ainda ficar atento, pois muitas vezes nascem mais de dois galhinhos num mesmo ponto. Então, a solução é sempre cortar mais curto que o planejado, para que possamos construir a estrutura do galho bem no inicio dele, de forma planejada e continua. Veja no desenho abaixo, a melhor condução:
A imagem acima trata da formação dos galhos primários, secundários e tercíários. A imagem abaixo, mostra a ramificação fina, a ser construída tendo os galhos da imagem superior já definidos e prontos:
Outro fator importante é estabelecer um movimento levemente sinuoso nos galhos, ainda que o tronco seja reto. Galhos muito retos, como vemos na sua planta, atentam contra o estilo, tornando-o uma arvore monotona, sem atrativos visuais, quando desnuda de suas folhas. Por isso, observe na imagem abaixo como formar um galho corretamente:
Por ultimo, mas não menos importante: a planta, ainda que tenha uma estrutura aerea aparentemente arredondada, deve contar, em essencia, uma triangulação. Isso implica que a formação de seus galhos deve obedecer a uma linha de trabalho que venha do centro para fora e de cima para baixo:
A tradução disso é que ao construírmos a estrutura aerea, obedecemos a um antigo principio chinês, que os japoneses adotaram na sua escola clássica: a triangulação permite manter uma estrutura com uma aparência mais sólida. Caberá, com o preenchimento gradual dos galhos com as folhas, que ao ficarem densas, isto é, todos os galhos preenchendo todos os espaços, redundará num trabalho visualmente perfeito, onde a estética prevalecerá, sem perder o principal, que é a qualidade técnica. Nada de topiaria, então. 😉