Motta, concordo plenamente com o Ricardo sobre a qualidade dos trabalhos nacionais em bonsai. O nível técnico tem aprimorado bastante, em todos os estados brasileiros, com o pessoal se esmerando cada vez mais em melhorar, de uma maneira geral, o material trabalhado.
O "detalhe" a que ele fez referencia, na verdade, faz toda a diferença, claro. Mas é uma questão cultural: primeiro, a mentalidade de se fazer um bonsai de qualidade é aprimorada e adquirida pelo bonsaista de uma maneira geral. Em seguida, conforme ele evolui na arte, vai somando outros conhecimentos, que acaba por incorporar à arte, como a ultilização de plantas de acento, como o Kusamono; de expor a planta num vaso impecavelmente limpo, se possível bem conservado e em harmonia total com o trabalho inserido dentro dele; com um Suiseki, que é outra arte, dentro do universo da arte bonsai; etc.
Até chegar nesse ponto, obviamente, o bonsaista que expõe ou participa de concurso com suas plantas, sejam eles virtuais, como esses de que temos notícia o bonsaista Marcelo Martins, ou presenciais, acaba por descobrir que precisa ir um pouco mais longe, na apresentação de seu trabalho, agregando além dos objetos acima, um que sustente o vaso, como pranchas de madeira ou mesinhas.
A estante mostrada nas imagens do site do Internet Bonsai Club, é um recurso antigo, muito usado no Japão e na Europa, mas menos nos Estados Unidos e América do Sul. Mas nada que não possamos estar incorporando às nossas apresentações. Ela serve, basicamente, para compor uma apresentação com plantas que possuem algo em comum, ou que se complementam, de alguma maneira, ainda que para nós, ocidentais, isso pareça não ter relevância nenhuma e ser algo que se fez ao acaso.
Como a arte bonsai, nada é ao acaso. Morten Albek, em sua página na internet,
http://www.shohin-europe.com/STARTPAGE/index.html explica detalhadamente o uso de estanteria e a correta disposição numa mostra com plantas do nível shohin bonsai.
No meu entendimento, é preciso que estejamos cada vez mais atentos a isso, e que nas futuras exposições que participarmos ou que ajudarmos a realizar-se, cobremos de nós mesmos e dos demais expositores, esse perfil, pois somente fazendo é que poderemos realmente aprender a lidar com isso, de maneira a termos, então, condições de ombrear em mais esse aspecto da nossa arte. Fazer bonsai é fácil, eu sempre digo isso. Fazer bonsai com qualidade e saber mostrar isso com técnica é que é o dificil, mas não impossível.