Essa ficha da serissa, lamento dizer, está bem desatualizada, a meu ver. Eu cultivo essa espécie em meu viveiro nos ultimos 10 anos e pude perceber que a planta suporta bem um cultivo a pleno sol (aqui no cerrado do planalto central a umidade é baixa e seca, na maior parte do ano, e o calor sufocante no período da tarde). Não se deve descuidar da rega, mas é preciso apenas uma rega diária, ao final da tarde, dispensando-se essa dificuldade de estar borrifando a planta. 😲
O tempo de permanencia no interior pode ser de até uma semana, ou mais até, desde que se adote alguns cuidados, como providenciar rega criteriosa, evitando encharcamento do solo. O solo deve ser o mais drenante possível, para que isso seja mais facilmente ajustado. A adubação deverá ser preferencialmente organica, mas aceita bem osmocote, por exemplo, desde que em alternancia com outro adubo, organico.
Evitemos o excesso na adubação, mas se o solo for bem drenante como é o mais conveniente para seu cutlvio, sugiro que haja um aporte regular, isto é, a períodos de 45 dias, inclusive no inverno. Não é preciso esperar pelo término da floração, pois ela é continua, o ano inteiro.
A melhor época para transplantar é no inverno, na primavera, no outono e no verão, desde que a planta esteja saudável. No processo de transplante, podemos eliminar até 80% de suas raízes, sejam elas grossas ou finas (capilares), desde que reduzamos igualmente, na mesma medida, sua parte aerea.
Eliminar brotações nas raizes, na base do tronco, nas axilas dos galhos é praxe e deve ser exercitada continuamente, pois essa espécie é vigorosa nesse aspecto. O mesmo vale para a forma dos galhos e da estrutura aerea como um todo. É necessário estar atento a podar constantemente, sob o risco de perder a forma compacta de sua densificação.
Essas podas continuas são chamadas de podas de manutenção, devendo ser realizadas sempre, isto é, quase toda semana, se quiser manter a densidade dos galhos estabelecida e uniforme. Nesse sentido, podamos ainda os "cálices" onde se alojam as diminutas flores, tão logo elas caiam, bem como os "botões" que não abriram, por uma razão ou outra. Com o tempo, esses pontos secam, enfeiando a planta, e se tornando mais dificeis, pela quantidade excessiva, de serem então retirados.
Reprodução: podemos estaquear qualquer galho, de qualquer grossura, bem como partes do tronco e das raízes, para gerar novas plantas. Isso funciona melhor na primavera, mas funciona no resto do ano tambem, em menores porcentagens porém.
Aramação: na medida do possível, evite. Melhor formar a estrutura aerea na base da poda de condução e formação, que usar arame. Primeiro, por que a planta entra em dormência com o arame, dificultando sua formação, vez que emite poucas brotações novas, além de frageis. Além disso, o arame tem a tendencia de contrair as fibras, inibindo novas brotações tanto nos galhos quanto no tronco. Apenas em ultimo caso, ou para moldar estilos complexos, como kengai, é justo aramar a serissa, mas sempre considerando esse aspecto negativo.
As melhores plantas podem ser obtidas pela estaquia de suas raízes, vez que proporcionam um material de altissima qualidade, com lindos movimentos sinuosos, dificeis de serem reproduzidos via aramação. Troncos grossos podem ser aramados e dobrados, mas à custa de determinadas técnicas, como ruptura (quebra) e retirada de material da parte que se queira dobrar. A planta aceita bem o uso desse tipo de intervenção, mas deve-se ficar atento a fazer apenas no final do inverno.
Bem, as informações acima obtive através da experiencia de cultivo com a espécie, a qual aprecio muitissimo. A titulo de exemplo, vejam dois mini bonsai formados a partir de estacas de raiz:
Outro trabalho, um bosque de serissas:
Outra variação de estilo, Ishi tsuki, ou seja, raiz sobre rocha:
Esse trabalho evidencia bem o que escrevi sobre a poda de manutenção constante, para manter a densificação corretamente estabelecida, evitando perder a forma:
Com esse tipo de trabalho constante, o perfil estrutural dos galhos é mantido, sem permitir que ramas se alonguem, subtraindo a beleza da densidade das folhas nos galhos:
As raízes devem ser constantemente visualizadas, em busca de brotações incipientes, como as que são mostradas nessa imagem. Ainda numa fase bem inicial, devem ser cortadas antes que fiquem com quatro ou seis pares de folhas:
Outra serissa, que futuramente será convertida num penjing, ainda numa fase bem inicial, de formação estrutural dos galhos. Como salientei, isso é mais fácil de ser conseguido apenas com podas, sem usar arame:
