Nikkei, vc escreveu certo. A idéia, a principio, é essa mesma. O que acontece é que o Mc está desenvolvendo os troncos, os dois troncos, com bastante movimento, muita sinuosidade, sem se preocupar, por agora, em formar um bonsai. No meu entender, ele está fazendo um projeto para o futuro. O caminho é esse mesmo, pois os dois troncos podem melhorar bastante, e os galhos poderão ser obtidos oportunamente, sendo que os atuais, se não forem aproveitados, podem ser descartados sem nenhum problema.
Um grande entrave no bonsai, que comumentemente vemos aqui no forum, é o grau de dificuldade que os iniciantes encontram para entender um principio simples: a partir de um material fraco, podemos obter um material de qualidade superior. Só que isso, infelizmente, nem sempre pode ser obtido no momento, tendo o cultivador que esperar as vezes alguns anos, antes de ter o resultado. E detalhe: esse resultado não é a finalização, mas apenas um material com que irá, então, iniciar o trabalho de estruturação de seu futuro bonsai.
As coniferas, como o junipero procumbens do Mac, bem como outros juniperos, muitas vezes são apresentados com troncos retos, ou no máximo com pouco ou nenhum movimento sinuoso, o que acaba atrapalhando uma estilização que poderia resultar melhor, caso houvesse essa sinuosidade na planta. Então, para melhorar isso, eu costumo apresentar modelos da net, que sirvam de referencia, de parametro para esse tipo de trabalho. Os japoneses, claro, são sempre os mais dispostos a isso.
No evento Bonsai 2011, do Atelier, observei que o bonsaista Francisco, dono de um viveiro imenso nos arredores de BH, levou para comercializar tres juniperos comunis, que ele mesmo aramou há alguns anos, plantou no chão, e esperou engrossarem. Agora, suas plantas têm a qualidade técnica que cito acima, valendo por isso, segundo ele, uma "dinheirama". Detalhe: só tem tronco e galho sinuoso inicial. Não são bonsai. Quem comprar, aliás, irá penar um pouco para formar bonsai com as ramas, que precisam se desenvolver bastante, ou então, fazer como o Tramujas: enxertar outra variedade, como o shimpaku ou o itoigawa, para, daqui a uns tres ou quatro anos, ter finalmente um material adequado para estilizar.
Vejam as imagens desses J.comunis:
Plantas como essas, em que ainda falta formatar uma estruturação, principalmente se for a partir de enxerto de outra variedade, não poderiam jamais ser comercializadas dentro do preço pedido pelo bonsaista Francisco. Apenas a titulo comparativo, o bonsaista Carlos Tramujas vende o mesmo material, isto é, J.comunis, porem os troncos são sempre retos, mas com enxerto de J. chines, ou shimpaku, o que acaba prevalecendo em relação a essas plantas do Francisco, incluso o Tramujas vende por um preço bem mais em conta.
O ponto discutido aqui não é o preço das plantas do Francisco (proibitivo para maioria de nós), nem das plantas do Tramujas. Mas, sim, a sinuosidade realizada nas plantas do Francisco, quando ainda eram simples mudas de galhos finos, obtidos via alporquia ou estaquia, não sei dizer. Graças a essa forma de cultivo inicial, hoje ele dispõe de um material de qualidade altamente superior, mesmo em relação a outras plantas da mesma variedade, ainda que enxertadas.
Por isso, aceito bem a argumentação do Mac, no sentido de dar movimento sinuoso aos dois troncos de sua planta. Se porventura ele irá trabalhar ambos na formação de um bonsai, ou apenas um, aceitando algo dentro da linha proposta pelo Nikkei, certamente terá, em mãos, um material de qualidade superior com que formar algo mais técnico, mesmo que seja um shohin ou um mame, não importa. O que interessa, isso sim, é que ele está no caminho certo. E não há pressa em percorrer esse caminho, mas apenas a certeza de que está fazendo da maneira correta.
Um adendo esclarecedor: conheci o Francisco em 2003, na reinauguração da area do bonsaista Rock Junior, Terra Bonsai, em Nova Lima/MG. Na oportunidade, ele levou para o local diversas plantas tamanho familia, nenhuma parecida com esses J.comunis de agora....
Isso significa que ele teve aconselhamento para investir nesse sentido, aprimorando o material que cultivava em seu mega viveiro. Conselhos tanto do Rock Junior, quanto do bonsaista Fernando Magalhaes, da Bonsai Morro Velho, de BH/MG. Sábios conselhos, aliás, que ele soube muitissimo bem avaliar e executar, como vemos agora em seus trabalhos. Isso nos leva a dizer que um bom conselho vale ouro, em se tratando de bonsai, inclusive. 😉