O problema com algumas plantas do meu amigo bonsaista/forista Paulo Ventura é justamente o fato de que ele não costuma usar arame quando forma novas mudas. Se o fizesse, o Caio estaria com um material mais interessante com que trabalhar agora. 🙁 🙁
Bem, Caio, veja só: essa serissa está plantada numa garrafa pet. A finalidade disso é usá-la para compor um trabalho no estilo Neagari ou Ishi tsuki (para saber que estilos são esses, pesquise). Esses dois estilos se adequam em função de que as raízes dessa serissa estão alongadas, graças a essa opção de cultivo.
Por outro lado, quem está na frente da tela do monitor, apreciando essa foto da sua planta, não sabe disso como eu sei, pois tenho conhecimento de causa, vez que sei a procedencia da planta. Todavia, considerando o desconhecimento dos demais colegas foristas, é que fica a colocação pela opção de aramar o tronco para dar a ele um movimento mais sinuoso, considerando o nebari aparente que se visualiza na imagem. Se o vaso usado para o plantio fosse de altura média, as dicas estariam corretas.
Mas como se trata de um recipiente comprido, em que as raízes alongaram-se bastante, então curvar ou não o tronco é questão de somenos importância, vez que o tipo de replantio implicaria no uso de técnicas diferentes, que infelizmente sei que vc ainda não domina. A sugestão do estilo Neagari ou Ishitsuki não requer a curva no tronco sugerida pelos demais.
Mas, por outro lado, se a sua opção de trabalho para essa planta partir do principio da eliminação no comprimento das raizes, aproveitando o nebari aparente que se visualiza na imagem, então há que se curvar um pouco o tronco para favorecer outra opção de estilo, que seria no caso um moyogi ou similar. Para isso, porém, não há ainda necessidade de se usar arame no tronco.
Por que não? Por que vc pode simplesmente efetuar alguns cortes de galhos e na raiz e replantar com o tronco ligeiramente inclinado para a esquerda, estabelecendo com o primeiro galho uma estrutura aerea mais adequada, que será usado então para formar toda a planta. Com a inclinação, o movimento passa a figurar no nascedouro desse galho a ser usado, adquirindo esse tronco outro recurso visual, bem como uma maior conicidade, coisa que atualmente não tem e que tambem faz falta no futuro dela, como bonsai.
Veja, então, minhas sugestões de cortes e formatação:
Por outro lado, se preferir fazer o mais certo, que seria usar as raízes longas, o tronco deverá ser reduzido um cm acima do segundo galho, e não precisará de curvas no estilo Neagari, mas precisará de uma dobra no calo existente no meio do tronco, para o estilo Ishitsuki. Em ambos os estilos, o tronco deverá ser cortado um cm acima do segundo galho, para criar uma propositura mais interessante na formatação estrutural da planta, buscando então o engrossamento do tronco e a correta distribuição desses galhos. 😉