Betokay, a época correta para pinçar e aramar essa espécie é agora, no inverno, e não no outono, como vc fez. Essa espécie é meio dificultosa, podendo vc plantar no chão, escorredor ou bacia, que o tronco, depois de uns 10 anos, terá engrossado um minimo quase imperceptível, de tão demorado que isso é. E não adianta adubar em excesso nem regar em demasia, continua dificil do mesmo jeito. 🙄 🙄
Aramar não é simplesmente "enrolar" o arame de qualquer maneira em volta do tronco ou dos galhos como vc fez, pois senão isso não irá surtir nenhum efeito formador ou "educacional" na estrutura. O arame deve ter uma das pontas firmemente presa a algo que não se mova quando vc for posicionar o galho aramado. Geralmente, usamos o tronco para isso. Esse ponto chama-se de "ancoragem", e é a partir dele que iremos prender firmemente o galho, com voltas de 45 graus, que devem ter o espaçamento correto e igual em todo o movimento, não ficando uma de um jeito e a outra volta de outro jeito. Tudo deve ser harmonizado, não por uma questão de estética, mas tambem por uma questão de força, pois assim o arame irá exercer a pressão e a tração corretas, necessárias para a reposição do galho.
No seu trabalho, os arames estão presos em volta do meio do tronco, onde não exercem fixação de ancoragem suficiente para travar. Melhor seria ter fixado as extremidades dos arames no solo, bem profundamente, em posições transversais contra as raizes, de maneira a voltear sobre o tronco, nos mesmos angulos de 45 graus, até chegar aos galhos superiores, onde um seguiria para um galho e outro para o outro galho.
Para verificar se um arame tem a grossura ideal para tracionar adequadamente, vc pega a ponta e "empurra" o galho com ela. Se o arame dobrar, é fino. Se o galho for "empurrado", o arame estará adequado. Faça isso sempre, com todos os galhos. O tamanho do arame a ser usado deverá ser o comprimento do galho mais um palmo e pouco. Com isso, vc garante um trabalho correto. Use primeiro os arames mais grossos, em seguida os mais finos, sempre em ordem decrescente quanto à grossura do fio.
A maneira correta de se usar o arame pode ser aprendida treinando com material descartado. Corte um galho de uma arvore qualquer, como uma goiabeira, por exemplo, que tem uma boa resistencia. Enrole o arame dentro das especificações que frisei, quanto a angulação correta. Faça isso várias vezes, segurando o galho do jeito que achar mais adequado. Se um galho tiver duas ou tres subramas, que são galhos menores, vc pode usar um arame grosso para o galho principal, enrolando-o até a extremidade do galho. Em seguida, usando um arame mais fino, mais comprido, digamos duas vezes e meia o arame mais grosso, dê uma volta no tronco, de maneira a ficar com duas extremidades do mesmo tamanho de arame. Enrole então em todo o galho, ao lado do arame mais grosso e no mesmo sentido de volta, até chegar a primeira subrama, que será aramada. A outra extremidade do arame virá em seguida, ao lado das outras, para fixar a segunda subrama.
Essa é a maneira correta de se usar arame. Ao efetuar o volteio, prenda a ponta firmemente, bem como o corpo do arame, para que não fique solto. No caso do Shimpaku, o arame poderá ficar até uns tres anos, para dar forma e fixar adequadamente. Se marcar muito, não há problema, pois com o tempo a marca do sulco profundo tende a desaparecer, ou então, vc poderá aproveitar para fazer um shari dentro dela.
Antes de aramar, devemos pinçar as acículas do shimpaku. Para fazer isso corretamente, vc segura um galhinho na posição o mais horizontal possível, independente de como o galhinho esteja. Na horizonta, retire então tudo que estiver crescendo por cima e por baixo no galhinho, liberando-o do excesso. Faça isso sempre da ponta para o centro, em todos os galhinhos e galhos maiores, sempre durante o mesmo trabalho, isto é, não comece se não puder terminar. É importante cuidar de fazer toda a pinçagem de uma unica vez.
Ao término, os galhos devem estar livres do excesso de acículas. Não use tesoura, não corte nada, exceto galhinhos ou raminhas que estejam secas e ainda presas. As acículas não devem ficar apenas nas extremidades dos galhos, como mostra a sua planta. As brotações devem ser preservadas quando estiverem mais próximas do tronco, afinal, poderão ser convertidas em novos galhos. O galho do shimpaku é igual ao galho de qualquer outra arvore, precisa de brotações laterais, para formar uma ramificação mais interessante, com galhinhos de um lado e de outro do galho principal.
Alguns exemplos de aramação para voce treinar: ancoragem no solo:
Outra ancoragem de solo. O arame ficou levemente solto, pois trata-se de uma muda jovem e o cultivador quer evitar marcas no tronco principal:
Espaço corretamente aplicado entre as voltas do arame:
Esse exemplo acima vale tanto para o galho quanto para o tronco, lembre-se.
Um mesmo arame pode prender e travar galhos opostos:
Compare a maneira correta (em verde) contra a maneira incorreta de se fixar o arame:
Um arame preso ao tronco, para baixar um galho, deverá iniciar o volteio por sobre o galho a ser baixado. Se for para levantar, deverá vir por baixo do galho. É uma regrinha simples, porém básica, que deve sempre ser seguida, para se fazer bem feito. Veja na imagem abaixo, como aramar corretamente uma raminha de shimpaku devidamente pinçada:
Aramando o tronco, o arame deve ficar transversalmente preso nas raizes:
Sendo em seguida enrolado no tronco:
Observe na imagem abaixo um galho de junipero corretamente pinçado, onde foram preservados os galhinhos laterais, que irão proporcionar a ramificação correta no galho, que foi por fim corretamente aramado:
No caso acima, considere as pontas dos dedos que aparecem na imagem como sendo o tronco da planta. Viu como no caso da sua planta vc agiu incorretamente ao deixar as brotações apenas na extremidade dos galhos? É um erro comum, que deve ser sempre evitado no futuro. 😉
A imagem abaixo ilustra bem o uso concomitante, isto é, de arames de espessuras diversas num mesmo galho com subramas de uma planta. Repare na borracha preta: ela visa proteger a casca, para que não se solte, o que poderia danificar o galho, ensejando até mesmo sua perda total. Veja como independente da quantidade de arames usados, as voltas estão corretamente executadas, estando cada arame corretamente ao lado de outro, sem cruzar nem interferir, de maneira que cada um cumpra a sua finalidade:
Por ultimo: um arame não precisa estar "travado" no tronco sempre. Ele pode estar fixado num jin ou num outro galho, de onde irá dar suporte a todo o trabalho, se for uma ancoragem corretamente fixada. Veja a direção de um mesmo arame distribuído para dois galhos de uma rama principal:
Fixado e distribuído o primeiro arame, um novo arame é usado, sobrepondo-se corretamente ao primeiro. Para dar enfase ao trabalho e mostrar corretamente a aplicação, o primeiro arame aparece agora na cor branca:
Por ultimo, os dois ultimos galhinhos são finalmente aramados tambem:
Aramar é uma arte, tão ou quanto mais importante que saber fazer corretamente a aplicação de outras técnicas e intervenções, como podas de manutenção, de conservação, etc. E como tudo o mais que diz respeito a bonsai, requer um trabalho intenso, concentrado, em que nossa atenção não deve ser desviada, sob risco de não sair perfeito como deve.
Por isso, minha recomendação é que voce pegue um galho qualquer e treine bastante, antes de aplicar o que aprendeu na sua planta, de maneira que o resultado seja sempre superior ao que pensou inicialmente em fazer.
Pinçar corretamente o shimpaku é importante. Igualmente importante é cuidar de manter todos os galhos possiveis nos galhos principais, de maneira a construir um galho ramificado lateralmente. A maneira correta de fixar isso é com aramação corretamente aplicada, depois de toda a primeira parte do trabalho ter sido corretamente executada. Apenas assim é que sua planta terá uma boa resposta ao seu trabalho, apresentando-se ao final devidamente estilizada.
Minha sugestão: retire todos os arames, estude e pratique bem, depois volte a sua planta e refaça o trabalho, dessa vez corretamente. Acredite: até voce irá se surpreender com a diferença. 😉