Elio, eu gosto muito da arte Suiseki, procurando sempre orientação e esclarecimentos, seja através de sites específicos na net, seja através de publicações estrangeiras que tragam informações que desconheço e que procuro assimilar. Uma dessas indica que, para melhorar o aspecto da pedra, podemos usar recursos adicionais, como polimento com escova de aço, limpeza com escovas de nylon e deixar a peça imersa em soluções liquidas como querosene, thyner, e outros meios, todos visando limpar ao maximo a peça, para realçar algum aspecto mais interessante, oculto.
Na sequencia, a Daiza ou suiban onde a pedra fica apoiada deve ter dois aspectos: no primeiro, ela interage com a pedra, constituindo-se quase numa extensão de sua forma, complementando-a. Podemos usar como exemplo disso quando a pedra tem formato de animais ou aves, e a daiza é então esculpida de maneira a complementar alguma parte da ave ou do animal.
Na segunda, a Daiza ou suiban serve apenas como base de apoio, sem interagir totalmente com a peça. Nesse caso, ela não deve ser mais notada, ao primeiro olhar, subtraindo a atenção do observador, mas apenas ser vista como um segundo plano, uma quase "não-existencia", como salienta a filosofia chinesa. Essa colocação se presta a que, numa exibição da peça, a pedra tenha toda a atenção do observador, que pode analisá-la detidamente sem se desviar, atraído por uma Daiza que destoe do conjunto final.
Chamo a atenção aqui para a Daiza de sua peça. A peça é sem duvida nenhuma um excelente achado e merece algo melhor que a destaque, sem duvida nenhuma, evitando a atual subtração exercida pela base, que apresenta características que culminam nisso, como o excesso de "pés" e a cor clara, bem como o desenho dela, em total desacordo com a forma e posição ocupada pela peça.
Bem, na minha humilde opinião, contando com o parco conhecimento que venho tentando aprimorar nessa área, acredito que sua linda peça ficaria ainda mais bonita se exposta em uma base de cor escura, com linhas mais suaves e menos "pés" frontais, o que certamente iria então permitir a qualquer observador analisar a peça sob a ótica que ora voce busca, qual seja, a semelhança com os "Moais".
Elio, não estou "criticando" seu trabalho. Pelo contrário. Acredito que todo esforço que fazemos, no sentido de desenvolver um tipo de resultado que permita estarmos aprimorando certa atividade artistica, é mais que razoável. Entretanto, é preciso estar esclarecendo determinados pontos, dentro de um contexto artistico, que a maioria desconhece, e que se assimilado corretamente desde o inicio, permite ao final termos em mãos algo não só mais apresentável, mas digno de admiração mesmo da parte de outros artistas mais proeminentes no segmento.
Num dos encontros realizados pela nossa turma do BBC, contei com o prestimoso auxilio do bonsaista Glauco Felix, para a confecção de uma Daiza, visando finalizá-la para apoiar uma pedra de excepcional beleza e qualidade que adquiri numa viagem ao interior do estado de Goiás. Eis como ficou:
Repare que a daiza não apresenta linhas esculpidas, pois isso iria "descompensar" as linhas da pedra, ao invés de realçá-las. Os "pés" são mais largos, e a simetria da base envolve o minimo da base da pedra, permitindo que toda sua beleza seja suavizada e mostrada, sem subtrair. A sequencia da finalização não foi fotografada no dia, mas apliquei uma pátina de selador incolor na madeira, deixando-a com uma tonalidade leve, o que realçou a Daiza mas sem interferir na apresentação da peça principal.
Creio que vc ainda possa melhorar sua Daiza, escurecendo-a um pouco e subtraindo um dos "pés", para destacar ainda mais a peça principal. No mais, está de parabens pela ótima composição. Não deixe de mostrar outros trabalhos seus nessa area artistica, que a meu ver só tem a crescer e ser "descoberta" e desenvolvida por outros bonsaistas, como já ocorre com o Kusamono. 😉