Leonardo, parabens pelo excelente trabalho que voce vem desenvolvendo nesse ulmus. Particularmente aprecio bastante a espécie, e em meu viveiro tenho vários, incluso nesse estilo ISHITSUKI (raiz sobre rocha/pedra). A posição do galho que desce deve sempre seguir ao máximo possível a limitação imposta pela borda do vaso, o que se traduz em uma posição um pouco mais elevada que a atual.
Essa elevação, ajustada através da aramação, se realizada agora na primavera, irá permitir que a planta inicie vigorosa brotação nesse galho, pois ele estará numa posição mais favorável a isso (geralmente, os kengai pecam pela dificuldade nessa formação ramificada). O vaso para o han kengai é um pouco menos alto que o de kengai, óbvio, e o uso de uma borda para medir o grau de descida do galho, que pode ultrapassar essa medida apenas ligeiramente, é uma ótima referencia e voce pode então, desde já, ajustá-lo nesse sentido, mesmo não tendo ainda o vaso. Use um vaso plastico preto, de tamanho médio, para comparar e facilitar o trabalho.
Em relação ao comprimento do galho ou a quantidade de galhos que descem, importante salientar que voce pode manter todos, sem nenhum problema, desde que faça justaposições (uns sobre os outros), ou entrecruzamentos (cruzar ou mesclar os galhos para dar maior volume à estrutura aerea). Isso irá moldar o galho que desce, criando perspectivas e areas negativas mais interessantes que a manutenção/construção de apenas um galho principal.
Voltando ao comprimento, é possível ter um galho mais comprido sem nenhum problema. O risco, aqui, é que a base do tronco de onde parte esse galho irá paulatinamente engrossar mais que todo o resto, podendo causar o que chamamos de conicidade invertida, dificil de ser remodelada ou eliminada, a não ser através de cortes radicais, que retirem parte do tronco, o que sempre irá deixar cicatrizes grandes e mais dificeis ainda de serem eliminadas no correr do tempo. Por isso, reduzir o comprimento dos galhos é interessante, além de com isso favorecer o surgimento de brotações laterais dentro do galho, que irão ser devidamente aramadas e moldadas para formar uma estrutura aerea planificada (como se fosse a palma da mão aberta, com os dedos separados).
Por ultimo, mas não menos importante, o vaso final poderá não ser o tradicional. Geralmente, para definir esse estilo (han kengai) usaremos um vaso parecido com o da imagem abaixo:
Mas como a planta parte de uma altura mais alta, graças ao uso da pedra, então o recipiente final poderá ser outro, de bordas mais baixas, que irá permitir uma exibição melhor e maior dessa composição, independentemente do galho inferior descer, ou não. Isso funciona bem tanto para o estilo Han Kengai (ishitsuki) quanto para o estilo Kengai (ishitsuki), sendo que nesse caso a pedra será bem mais alta, para permitir a queda maior do galho que desce (um galho mais alongado, que chegue abaixo da base do vaso de bordas baixas (bandeja ou suiban).
O ulmus aceita bem trabalhos de madeira morta, seja na forma de shari ou de jin. Isso significa que o excedente de galhos que descem na sua planta poderão ser formados como o galho principal e mais tarde, daqui a alguns anos, convertidos em galhos jin, sem que com isso a planta perca sua beleza natural, pois receberá um acréscimo que irá enriquecer ainda mais seu visual arrojado e complexo. 😉
Por isso, minha sugestão é no sentido de não cortar nem eliminar nada, por enquanto. Arame todos os galhos que descem, dando a eles um leve movimento sinuoso, além de levantar sua posição para um patamar mais reto, isto é, em acordo com a base de um vaso imaginário, incentivando novas brotações e ramificações com o uso sistematico de adubo e rega, com um cultivo a meia sombra, evitando o sol forte da tarde. 😄