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Poema sobre Bonsai

Elio07/11/2011 19:48
Poema sobre Bonsai
Sábado último, assistindo o programa Globo cidadania, vi uma reportagem sobre uma ação social, de nome Netinhas de Sinhá, onde uma das coordenadoras, de nome Valdete, compôs uma poema sobre bonsai.
Achei muito interesante e reproduzo aqui:

O Bonsai

O bonsai rompe a semente
Somente quer crescer e ser
Mas cresce apenas na mente
O bonsai é podado
Não deve ocupar espaço
Vigiado passo a passo
Eu bonsai sou podada a toda hora, todo dia
Vou brotando, enraizada
Cortam a minha alegria
Não devo crescer nem ir fundo
Tenho que me convencer do meu lugar neste mundo

Autoria: Valdete da Silva (Grupo de ação social: Netinhas de Sinhá)
Mcdonald07/11/2011 23:12
Elio..

Muito obrigado por compartilhar com a gente...

É incrível o poema, sempre faz vc sentir alguma coisa...

Abração
SEKI - Elio Luis Secchi08/11/2011 19:21
Beleza meu xará. Curto, mas profundo... Eu gosto de poemas assim. Apesar de minhas incursões pela área da poesia, nunca fiz poema sobre o bonsai. Quem sabe...
Obrigado por compartilhar.

abraço
Rodrigo Tavares08/11/2011 20:47
Olá Pessoal;
Ao ler este belo poema, me lembrei de um texto emocionante.
Encontrei-o no site da ANB - Associação Nordestina de Bonsai, escrito por Ocelo Rocha:

Memórias de um Bonsai

Nasci, nem me lembro bem onde,

somente lembro dos primeiros dias de regas.
Nasci em um saquinho fundo, com solo escuro e pouca areia.
Lembro dos primeiros raios de sol e da chuva ao longe,
lembro também de alguém me tirando folhinhas.

Cresci, aos poucos, mais devagar que os meus vizinhos,
Não entendia o porquê.
Alguém de repente me tirou de lá,
e veio com uma bandejinha, que depois descobri chamar-se “vaso”.

Vaso, e raso, nunca pensei em morar ali.

Além disto tinha uns araminhos brilhantes de alumínio.
Enrolaram em mim, no início reclamei, murchei.
Depois, até fui gostando, estava mais bonito.
A água era farta, mas o solo era pouco.

Também tinha adubo: comida regrada e medida.
Fui engordando, engrossando, quase não crescia.
Engraçado, agora mais feio me achava,
E todos diziam que bonito eu estava.
Ganhei até um “estilo”, nome esquisito,
Nem é português, talvez japonês,
Sei que quer dizer: Ereto formal.
Formal mesmo, pois, sou todo equilíbrio.

Muitos anos se passaram,
Alguém que conheci, e cuidou de mim no início,
Partiu com o tempo, não está mais aqui,
Ficou o pequenino, que havia crescido comigo,
E hoje também já não está nesta casa.

Hoje quem me cuida, fala comigo e me rega,
É a filha do filho, que tem outro filho, que gosta de mim.
Sou um velho moço, pois todo ano me renovo.
Assim como as lembranças e histórias,
Memórias de pessoas que conheci.
Alegrias, tristezas, saudade e felicidade.

Sou um bonsai, vivido bonsai.
Não me avalie pela minha idade,
e sim, pelo que passei e posso contar,
basta saber me ouvir,
mesmo que eu não saiba falar.
Alcides Junior09/11/2011 11:05
Show, muito bom.
Angela Fernandes22/11/2011 20:27
Belo !!!!!
Muito belo !!!!
Emocionante !!!!!!!!!!!!!!
AMEI !!!!!!!!!!!!
Green_bsb23/11/2011 17:19
Sensacional! Simples e comovente...
nickyfury28/11/2011 20:49
bonsai
O primeiro poema é muito deprimente, na minha opinião. A autora faz uma comparação entre um bonsai e ela mesma, mas como se se tratasse de algo extremamente penoso e dificultoso ser ou ter a forma de um bonsai. Sabemos que não é bem assim, apesar de existirem leigos que teimam em classificar como "tortura" a nossa arte em moldar e dar forma às arvores que cultivamos. Ela é tão "torta" em sua inexpressiva compreensão de nossa arte, que aponta um bonsai a partir de uma semente. Creio que sua crítica tem um certo "ranço", talvez calcada em seu desconhecimento do que seja, de fato, a arte do bonsai. Lamento por ela e por seu pensamento desvirtuado. Que feneça em sua vivencia enraizada.

Por outro lado, o alcance do segundo poema é deveras extraporaneo à nossa razão, atingindo em cheio nossas expectativas, numa avaliação positivada, pois quais de nós não almeja a eternidade, com nossas criações (nossos bonsai). Aliás, muitos de nós, particularmente os mais antigos e velhinhos (hein, grande Elio), sonham com isso: deixar ou relegar à posteridade algo que levamos uma vida para criar. Muitos dos bonsai que hoje cultivamos, aliás, irão ser cuidados por filhos dos filhos dos netos e bisnetos de alguem. Maravilhosas palavras, parabenizo a eloquencia delas, bem como a veia artistica do poeta que as soube reunir e sintetizar tão bem.

A arte bonsai é mesmo algo intrincado: nuns, causa assombro, deslumbramento, noutros, atrai apenas o lado negro da força, que vê nas "arvorezinhas" apenas a tortura que elas certamente sofrem em nossas rudes e grosseiras mãos. Há perspectiva interessante, em ambos os poemas, mas um é mais atraente, para nós que o outro, no meu pensar.
MarcoBonsaiPoa01/12/2011 09:18
Não vejo como uma crítica ao bonsai,vejo uma pessoa que através das adversidades da vida, soube crescer forte no seu espaço limitado no mundo!


Segue a imagem da autora:



Green_bsb01/12/2011 09:32
Não vejo como uma crítica ao bonsai,vejo uma pessoa que através das adversidades da vida, soube crescer forte no seu espaço limitado no mundo!

Compartilho do mesmo entendimento. Como disse antes, simples e comovente...