Marcelo, estudar a arte com maior profundidade é sempre algo que todos nós devemos estar sempre fazendo, pois apenas dessa maneira é que podemos estar de fato aprendendo a maneira correta de fazer um bonsai. Muito do que consegui até hoje se deve basicamente aos estudos que faço sempre, lendo e relendo artigos que julgo interessantes e importantes, estejam eles inseridos em livros, revistas ou mesmo apostilas e anotações de cursos de que tenho participado.
A net sem duvida nenhuma, atualmente, oferece um sem numero de adicionais que complementam esses estudos. Seja materias que colegas e amigos disponibilizam em seus sites, blogs ou mesmo através de email que enviam para mim, aos poucos vão somando mais e mais informação e conhecimento, que procuro sempre estar repassando para outros bonsaistas, pois é importante não retermos informações, mas sim compartilhar o que sabemos, para o engrandecimento da nossa arte bonsai nacional, principalmente.
Sua colocação sobre o direcionamento da poda é importantissimo, pois denota que vc é um ótimo observador e que está atento aos pontos importantes da correta construção da parte estrutural de uma planta. As podas de manutenção e desbaste, em determinadas espécies, devem ser implementadas e constantemente realizadas, para que possamos obter o melhor da planta com um minimo de esforço. Só que, às vezes, nosso trabalho só surte efeito depois de repetirmos diversas vezes a mesma tarefa, no transcorrer dos anos, sendo necessário por vezes reduzir bem, para reiniciar o galho de forma correta, sempre visando a amplitude das novas brotações, com a abertura de bifurcações ou trifurcações.
Na formação estrutural do galho citando por exemplo em espécies como no ulmus, jabu, pitangueira, caliandra, piracanta, dentre outras, cuidaremos de formar uma estrutura iniciada com os galhos primários, corretamente posicionados e com um sequencial visando uma planificação (o galho segue como se fosse uma mão aberta, com os dedos afastados), após abrirmos a primeira bifurcação, será mais fácil então encontrar o ponto correto para estabelecer as ramificações secundárias, terciárias e sobre estas, a ramificação fina.
Ocorre que para direcionar uma poda, há que estabelecer dois critérios: um, com o uso de aramação, e outro com a poda de direcionamento sendo que num aspecto e noutro sempre irá prevalecer a espécie trabalhada. As arvores de folhas caducas permitem o estabelecimento correto quanto a formação planificada ou ramificada de seus galhos através da poda direcionada:
A imagem acima é emblemática desse tipo de trabalho, exemplificando otimamente a maneira correta de se estar conduzindo o trabalho com essa finalidade. Lembrando que esse tipo de execução deve ser realizado sempre em todos os galhos, inclusive apice, pois sua aplicação conduz mais rapidamente ao melhor resultado possível de ser obtido. Na jabu, por exemplo, podemos estar preparando todos os galhos para serem conduzidos dessa forma, quase que dispensando o uso de aramação, a não ser claro nos casos em que é imprescindível seu aporte, como forma de educação e condução fixadora de posicionamento.
Ao ressaltar o correto posicionamento do galho, como sugeri no caso da jabu, horizontalizando o galho, há que se observar contundo que o galho, ainda que o tronco não apresente movimento, deve receber um movimento lateral, e não ser deixado totalmente reto ou crescendo voltado para cima. Isso se aplica para que o galho possa estar sendo reproduzido conforme ocorre na natureza, onde o crescimento é irregular e não há formas totalmente retas. Assim, o melhor exemplo desse formato é dado pela imagem abaixo:
Podemos ainda dizer que esse tipo de poda conduz a formação da conicidade correta dentro do galho. Todos sabemos que a conicidade, é importante tambem na estruturação aerea e não só no tronco, daí a importancia em executar esse trabalho de poda. Um galho começa grosso em seu ponto de partida, mas irá sempre se afunilando, abrindo-se em ramificações cada vez mais finas:
Dessa maneira temos então que há realmente uma maneira de prever o desenvolvimento do galho, ao implementar a correta execução da poda, usando-a não só para corrigir defeitos, mas principalmente para direcionar seu crescimento. A orientação das novas brotações, ao realizarmos cortes que preservem os pontos onde elas irão surgir, permitirão incluso dispensarmos o uso de aramação, facilitando sobremaneira o nosso trabalho.
Como costumo sempre dizer, fazer bonsai é fácil. Dificil mesmo é fazer bonsai com qualidade técnica superior. Ao adotarmos o processo correto de poda, usando técnicas e seguindo as regras, estaremos sempre um passo à frente no nosso objetivo, aprimorando cada vez mais nosso trabalho, e tornando-o igualmente fácil, ainda que com qualidade superior. A previsão disso nos permite então ter em nosso viveiro lindos bonsai, dignos de figurar em qualquer exposição e participar de qualquer concurso, virtual ou não.