Marcio, na minha opinião para um primeiro trabalho nesse estilo ficou ótimo. O vaso é um bom recipiente para o desenvolvimento do grupo, principalmente se considerarmos que essa espécie prefere recipientes um pouco mais profundos para o seu cultivo. Então foi uma escolha sábia.
Em relação ao termo, tanto faz dizer bosque bonsai quanto yose ue. Essa denominação, Yose ue, esteve muito em uso durante algum tempo, mas aos poucos vem perdendo espaço para o termo correto, que é bosque bonsai ou floresta bonsai (bonsai mori ou bonsai hayashi), mas nada impede que se continue a usar para designar esse tipo de trabalho.
O ideal, ao montar a composição, é elaborar um quadro de distribuição das plantas que permita criar uma boa perspectiva visual de bosque. No caso do seu trabalho, em que usou 7 plantas, o correto seria colocar as mais altas na frente, as médias no centro e os menores numa zona intermediária no fundo, porém proxima do centro e da zona da arvore da frente. Parece complexo, mas é bem simples.
Outro fator preponderante diz respeito à altura das arvores, vez que isso proporciona ao conjunto mais equilibrio visual. Assim, temos que a maior e mais grossa planta deve ser localizada próxima ao centro uma vez que a triangulação dos ramos com as extremidades do vaso continua. Importante salientar que as duas arvores maiores e mais grossas tanto podem ficar à frente das menores quanto atrás.
Antes do plantio costuma-se fazer um desenho no fundo do vaso, traçando inicialmente uma cruz, que divide o vaso em quatro areas (quadrantes) com medidas iguais. Dessa forma, seguiremos o estabelecimento das linhas para dispor corretamente as plantas, criando perspectiva e profundidade corretos, além dos espaços vazios, necessários para o equilibrio visual do conjunto. Veja na imagem abaixo um esquema de plantio, onde as arvores são numeradas conforme tamanho e grossura do tronco:
Outra perspectiva:
Vaso oval:
Floresta bonsai:
Essa dica de desenhar quadrantes, aliás, é ótima até mesmo para o plantio de duas ou tres arvores, de maneira que as posicionemos corretamente no vaso:
John Yoshio Naka, grande mestre do bonsai, em seu livro Técnicas de Bonsai, volume I, escreveu que os numeros nos desenhos indicam não só o tamanho, mas tambem as proporções entre as diversas alturas das arvores. Num grupo com cinco plantas, por exemplo, a arvore mais alta é chamada de SHINGI (leia xinguí) e seu numero é o 10. A segunda mais alta é a SOEGI, de numero 8. A terceira HANEDASHI GI é a de numero 7. Qualquer arvore adicional, chamada de ASHIRAIGI deverá ser menor que a de numero 7 então, algo como 5 ou 4.
Segundo ele, as arvores ASHIRAIGI são arvores de apoio para as arvores maiores.
Para finalizar, ao compormos um bonsai estilo bosque devemos atentar tambem para a modelagem dos galhos e ramas, vez que as ramas que ficam voltadas para fora são as que iremos modelar (podar, aramar), enquanto que as ramas e galhos que crescem para dentro do grupo são reduzidas ou totalmente eliminadas, para que não fiquem "espetando" umas às outras ou aos troncos das outras arvores do conjunto. Quanto mais arvores usarmos, menos galhos deverão ter.
Seguindo certa ordem, temos então que as arovres da frente conservam as ramas/galhos a frente. As arvores detrás mantem as ramas/galhos posteriores. As arvores que estão posicionadas à direita, manterão os galhos desse lado, e as da esquerda, os galhos da esquerda, cortando-se então os galhos que crescem para o interior do grupo. Com isso consegue-se formatar a triangulação mais corretamente, isto é, o bosque ficará com um perfil corretamente distribuído. Detalhe: essa redução tambem é feita nas raízes, para podermos estabilizar corretamente as plantas, principalmente as que ficarem mais próximas umas das outras.
Mas é como escrevi acima: parabens pelo ótimo primeiro trabalho nesse estilo, e espero que ele sirva de patamar para outros. É um dos meus estilos prediletos, aliás.