Para ilustrar, vou apresentar dois trabalhos realizados ontem, por mim, juntamente com a experiente participação e opinião de dois grandes bonsaistas: Francisco Lustosa e Glauco Felix. O primeiro trabalho consistiu em pegar um Pinheiro Negro, e prender suas raizes numa pedra, no estilo ishitsuki (raiz sobre rocha). Esse pinheiro estava sendo cultivado há dois anos por mim, que formatei seu tronco com arame, para dar a ele um movimento mais sinuoso:
A pedra escolhida foi retirada de um rio, há uns quatro anos, e estava aguardando "ansiosamente" o momento de ser devidamente acondicionada:
Primeiro, lavei bem as raízes do pinheiro, sem cortar nenhuma delas. Lavar é contraproducente a não ser nesse caso, em que é necessário termos maior visão delas, para poder selecionar e separar o raizame, de maneira a poder redistribuí-las por toda a volta da pedra:
Depois de lavar e separar as raízes, faço a disposição delas sobre a pedra, colocando musgo previamente umedecido em solução enraizadora (superthrive) sob e sobre as raizes, prendendo-as firmemente com barbante de algodão:
Na sequencia, foi usado um vaso plastico alto, para conter bem a pedra com as raízes amarradas nela, cobrindo tudo com substrato bem drenante: caco ceramico, terra granulada, pedrisco, casca e acículas de pinheiro devidamente secas:
Como explicado, não foi realizada nenhuma intervenção drastica, como podas e aramação nos galhos nem nas raízes. Ainda que as raízes tenha sido lavadas, procurou-se compensar a perda de micorrizas com a adição no substrato de casca e acículas secas, para enriquecer a mistura ao mesmo tempo que proporciona matéria organica. Nesse vaso a planta deverá ser cultivada pelos próximos 4 ou 5 anos, recebendo nesse período todas as intervenções necessárias: poda, aramação e adubação, além da rega diária. Findo esse prazo, poderá então ser conduzido seu replantio em um vaso de treinamento, para concluir sua formação estrutural.
O sistema radicular permanece intacto, ainda que amarrado e redistribuído.
O segundo trabalho foi realizado com outro kuromatsu, mesmo tempo de cultivo e de preparo que o primeiro:
Primeiro, retirei do escorredor e retirei todo o substrato antigo, mantendo um minimo dele nas raizes próximas da base, apenas para garantir o aporte de micorrizas antigo:
Pelo sistema radicular podemos ver o quanto a planta apresenta-se saudável e vigorosa:
Graças a isso, não houve nenhum perigo nem trabalho em acondicionar as raizes dentro de um vaso de cultivo menor que o escorredor, que irá condicionar o sistema radicular ao cultivo em area reduzida, de maneira que no inverno de 2013 eu possa então estar reduzindo seu volume e acondicionando a planta em um recipiente ainda menor:
O arame prende a planta, fixando-a ao vaso, para evitar que caia antes que suas raízes adquiram estabilidade:
Essa planta tem 56cm e destina-se, no futuro, a um bonsai estilo literati, em que será dado maior enfase à construção aerea em sua parte superior, sendo eliminados os galhos iniciais. Essas intervenções de poda podem ser implementadas no inverno do ano que vem, quando ela estará devidamente recuperada do reenvase atual, com uma saúde e vigor ainda maior, inclusive.
Bem, espero que todos possam estar devidamente esclarecidos sobre o procedimento de envasar ou reenvasar coníferas na primavera, considerando esses dois exemplos. O mais importante é seguir as orientações do nobre amigo Elio, sobre como fazer e o que não fazer, e observar a importancia de não se estar podando nem cortando ou aramando as plantas, nem reduzindo o sistema radicular delas, quando desse tipo de intervenção.
As duas plantas estão agora devidamente acomodadas numa das prateleiras de cultivo de que disponho em meu viveiro, onde receberão luz e calor solar o dia inteiro, com rega apenas no final da tarde.
Dentro de 90 dias darei inicio ao aporte de adubação organica, para que continuem seu crescimento/desenvolvimento vigoroso, que irá permitir, então, as intervenções mais drásticas em sua estrutura aerea, sem comprometer nada. Paciência e segurança, sempre. 😉