Lidia, certamente ao nos engajarmos na empresa de cultivar uma nativa, particularmente uma que ainda não há bonsai formado (um bonsai com tronco grosso, estruturação aerea definida e planificada), temos que ter em mente que haverá sempre maior dificuldade que se adotassemos outra planta qualquer, como uma pitangueira, por exemplo.
O cultivo dessa espécie então irá passar pelo velho sistema da "tentativa e erro", significando que voce irá aprender a lidar com ela na medida em que for fazendo seu cultivo. Como observou, trata-se de uma provável caducifólia, isto é, uma espécie caduca, que perde as folhas em determinado momento do ano. (Em botânica, caducifólia, caduca ou decídua é o nome dado às plantas que, numa certa estação do ano, perdem suas folhas, geralmente nos meses mais frios e com chuva (outono e inverno).
É a forma que as plantas encontram para não perder água pelo processo de evaporação, pelas folhas. Às vezes ficam só os galhos e o caule. Desta forma elas armazenam a água sem perder praticamente nada pela evaporação. Isso é muito importante, pois demonstra que voce é ótima observadora, e que sua planta apresenta uma singularidade que permite sua classificação e que, devido a isso, facilita sua lide no cultivo.
O primeiro passo para entendermos uma planta complexa é termos ou fazermos uma ficha técnica a respeito dela, onde analisaremos com critério as informações pertinentes à espécie, de forma a termos elementos que nos permitam lidar corretamente com seu manejo, obtendo com isso resultados mais satisfatórios, em termos de cultivo. Um primeiro ponto, que chama a atenção, é que ela floresce e frutifica, como podemos ver na imagem abaixo:
A floração é intensa e compõe um espetáculo à parte quando ocorre:
Família:Fabaceae ( Leguminosae-Caesalpinoideae )
Gênero: Copaifera
Espécie: officinalis, langsdorffii, reticulata
Sinônimos: Copaifera jacquinii, C. nitida, C. paupera, C. sellowii, officinalis Copaiva
Nomes comuns: copaíba, copaipera, cupayba, copauba, copal, bálsamo de copaíba, copaiva, copaíba-Verdadeira, bálsamo jesuíta, copaibeura-de-Minas, cobeni, Matidisguate, matisihuati, mal-dos-sete-dias, Aceite de palo, pau -de-oleo, básamo de copayba
A Fabacea é uma das maiores famílias botânicas, também conhecida como Leguminosae (leguminosas), de ampla distribuição geográfica. Uma característica típica dessa família é a ocorrência do fruto do tipo legume, também conhecido como vagem, exclusivo desse grupo. As Leguminosae ocorrem em quase todas as regiões do mundo, excetuando-se as árticas e antárticas e em algumas ilhas. A família é considerada como a de maior riqueza de espécies arbóreas nas florestas neotropicais, além de haver grande número de táxons endêmicos nesta região. Alguns ecossistemas brasileiros são centros de diversidade para o grupo e muitas das espécies são exclusivas destes ambientes. No Brasil ocorrem cerca de 220 genêros e 2736 espécies.
Pelo exposto acima, podemos ver que sua planta não é uma nativa qualquer, mas uma planta com um nome a zelar. Voltando a ficha, temos que suas caracteristicas principais são:
Árvore de grande porte, até 35 metros na mata, por volta de 15 m no paisagismo. Folhas compostas pinadas, oito folíolos de 6 cm. Flores pequenas, em cacho, brancas. Fruto pequeno, duro, marrom claro, abre-se quando maduro expondo uma a duas sementes 1 cm, pretas, cobertas por um arilo alaranjado.
Floresce durante os meses de dezembro a março.
Os frutos amadurecem em agosto-setembro, com a planta
quase totalmente despida de folhagem.
Uma dica importante diz respeito a ocorrência da arvore na natureza, quanto ao solo: cresce naturalmente tanto em solos férteis bem drenados, como terrenos úmidos de matas ciliares, como em solos pobres do Cerrado. Isso significa que podemos formar um substrato adequado ao cultivo, visando a facilidade para o desenvolvimento de suas raízes, ou seja, algo bem drenante, que permita o escoamento total da agua da rega diária, com retenção minima de umidade e facilidade na dispersão dos nutrientes aportados via adubação organica regular.[
Traduzindo: temos então um substrato dreanante: caco ceramico, terra granulada, pedrisco, casca de pinus e carvão. As proporções de cada elemento: 60%+20%+10%+5%+5% (na sequencia). O adubo organico pode ser a velha dobradinha torta de mamona+farinha de osso, sendo a massa preparada com o acréscimo de um adubo liquido diluido em agua, fazendo a colocação de bolotas em toda a volta do recipiente de cultivo, sempre próximo da borda, repetindo a colocação a cada 45 dias, exceto no inverno.
A rega pode ser diária, sempre ao final da tarde, com um cultivo a pleno sol, o dia inteiro. Sugiro aguardar o inverno para o replantio, cortando fora as raízes grossas (pivotantes) se houver, preservando a maioria das raizes capilares (raizes finas de alimentação). Após o reenvase, manter a planta em local ensolarado, reduzindo a rega se o solo se mantiver umido por mais tempo, suspendendo a adubação que só deverá ser retomada após 60 dias do reenvase.
O recipiente ideal para o cultivo até a formação do bonsai é uma bacia plastica com no minimo 15cm de altura, bem perfurada na lateral e no fundo, o que permite uma melhor aeração nas raízes, além do escoamento adequado da agua da rega diária. O vaso ideal deve ficar no máximo com 15 e no minimo com 12cm de altura.
Embora o formato regular dessa planta na natureza seja algo parecido com o estilo HOKIDASHI, creio que poderemos adotar outros, desde que não "fujam" em demasia (como um kengai ou han kengai, que nada tem a ver com a espécie), como por exemplo algo no estilo ISHITSUKI (raiz sobre pedra), FUKINAGASHI (varrido pelo vento), YOSE UE (bosque ou floresta), etc.
