AguiaR, se a enxertia fosse como voce pensa, não seria um recurso tão usado em bonsai. O ficus, na natureza, sofre essa ação naturalmente, quando várias sementes, carregadas por passaros principalmente, crescem juntas e se desenvolvem num reduzido espaço de confinamento inicial. Aos poucos seus caules deixam de competir entre si, ocorrendo uma fusão natural, em que a formação do tronco passa a ser unica, com o sistema radicular indo no mesmo sentido, isto é, fundindo-se tambem.
Foi copiando essa ação natural que algum bonsaista lá atrás teve a feliz idéia de tentar, por métodos técnicos, aplicar o processo em seu bonsai, visando principalmente encurtar o período de fusão, isto é, reduzindo o tempo de espera, longo no modo natural, mais curto no procedimento manejado.
O pinheiro branco, que os japoneses chamam de GOYOMATSU, é um pinus penthapilla. Há muitos anos que o governo japonês proibiu, terminantemente, sob risco de cadeia inclusive (lá isso funciona, não é como aqui) a recolha de plantas (yamadori) ou de sementes dela na natureza. Ora, como iriam ficar então as novas gerações de bonsaistas, principalmente os que dependiam comercialmente da extração e cultivo do pinheiro branco, sem poderem coletar ao menos as sementes e iniciarem com elas novas plantas?
O problema foi solucionado por um bonsaista que fez um enxerto num pinheiro branco, logrando exito após várias tentativas, em produzir um outro pinheiro branco. Para não ser enquadrado na lei rigida japonesa e puxar uma cadeia, ele deu o nome a essa variedade de ZUISHO. Hoje em dia, em todo o Japão, há poucos bonsai de pinheiro branco à venda ou sendo cultivados daquela leva antiga, retirada na natureza. A grande maioria, esmagadora maioria, que participa dos diversos concursos nacionais japoneses de bonsai, é de ZUISHO, o pinheiro branco enxertado. E seu preço, desde o inicio, tem subido assustadoramente, o que deixou os comerciantes, claro, satisfeitos com o investimento.
Aqui, sim, eu até poderia concordar com sua argumentação contra o enxerto. Mas temos que ser razoáveis: Por vezes, a unica boa opção que temos de agilizar determinadas plantas, particularmente o ficus, é usar desse recurso, que é assaz comum no bonsai, mais do que voce imagina. Quer outro exemplo: veja no site do Fernando Magalhaes, Bonsai Morro Velho, um trabalho executado num acer, com a fusão de inumeras mudas, apoiadas sobre uma armação de fios de ferro/arame grosso. O resultado é algo espantoso, e atualmente, passados tantos anos de sua trama, os que veem a planta dificilmente imaginam a origem inicial, e até mesmo duvidam quando a conhecem então:
Hoje em dia, aliás, os enxertos em acer ombreiam com os realizados em ficus, talvez não para engrossar o tronco, mas principalmente para criar novos galhos em posições onde antes não existiam, ou para corrigir o nebari e deixa-lo não apenas mais atraente, mas eliminando defeitos graves de estruturação.
Acredito que o que valide um trabalho realizado com base no enxerto é o resultado. Se este ficar parecidissimo com algo que ocorra na própria natureza, tão sua perfeição, em que não se note a ação humana, acredito que valerá a pena investir nele:
Tal resultado perfeito porém reside principalmente na perícia técnica e empenho do cultivador em buscar um resultado assim. Se não for dessa maneira, o resultado poderá ser desastroso, todavia:
"sutil" diferença entre uma coisa e outra, como podemos ver....rss