fabianoscosta31/12/2011 13:46
O estilo Bunjin (literati)
Estilo no qual começou a se desenvolver por volta do ano de 1600, liderado por pintores de paisagem do grupo Nanga, jovens estes que também estudavam filosofia e arte na ânsia da busca por liberdade, então surge o bunjin.
Movimento forte de linha de tronco, as vezes com mudanças radicais em sua direção, assemelha-se muitas vezes a pinceladas numa tela ou a caligrafia oriental, no qual muitos dizem ter sido o motivo de sua origem.
http://fabiano.projetobonsai.com/2011/12/31/o-estilo-bunjin-literati/
Abraço,
Fabiano.
paulo.go02/01/2012 14:14
É um estilo muito bonito. Mas conversando com alguns colegas do fórum descobri que existem espécies próprias pra se trabalhar nesse estilo, como os juníperos e os pinheiros. As frutíferas, por exemplo, não são espécies boas pra esse estilo, não passam a naturalidade por ele exigida.
fabianoscosta02/01/2012 16:33
Caro Paulo, tem absoluta razão.
Por ter uma copa geralmente diminuta a folhagem miúda das coníferas, principalmente juníperos ficam muito bem em mamê e shohin, já alguns maiores podem passar a pinheiros e outras coníferas sem perder a graça do mesmo.
Não que seja própria, mas que realmente não passa a naturalidade por ele exigida! isso sim, daí a intervenção e a criatividade do artista pode fazer a diferença.
Veja só esse carvalho:
Grande abraço,
Fabiano.
paulo.go02/01/2012 23:05
É isso Fabiano,
esse carvalho é de uma beleza impressionante. Espero conseguir algum dia desenvolver algum bonsai nesse estilo. Por enquanto vou desenvolvendo minhas habilidades de principiante nas minhas frutíferas.
Anderson Neuhaus03/01/2012 00:21
fantastico!
Green_bsb03/01/2012 16:21
Por vezes pesquisei a respeito deste estilo, pois a principio achava que seria um estilo fácil de se seguir, pois sou principiante, no entanto por ser um estilo "abstrato" e de difícil sucesso no que diz respeito a naturalidade, mesmo antes de arriscar alguma coisa, acabei optando pelos estilos mais clássicos, que possuem regras mais estabelecidas.
Com perdão do trocadilho: este carvalho é do cara....rsrsrs
nickyfury05/01/2012 18:37
bonsai
Green, na verdade o estilo não é tão complexo nem tão dificultoso quanto a principio possa parecer. Vamos traçar algumas linhas exploratorias para dar a conhecer um pouco mais sobre ele, como se fosse uma "ficha técnica":
A palavra LITERATI é é usada por muitos bonsaistas e é um nome latino originalmente atribuído ao japonês Bunjin devido à falta de um equivalente exato em Inglês. Bunjin por sua vez é uma tradução do chinês Wenjen, a palavra usada em chinês para designar aqueles estudiosos que eram praticantes das artes, de uma maneira geral (não ligados a plantas ou bonsai).
Esses artistas eram escritores e pintores, pertencentes a uma classe de elite de estudiosos, que pelo modo como executavam sua expressão artistica, romperam com o tradicionalismo conservador, o que acabou por torná-los "proscritos", sendo que o estilo Literati da pintura foi muitas vezes referido como o "rabiscos de monges bêbados."
Voltando às plantas, de todos os termos usados para descrever um estilo Literati bonsai, a palavra "elegância" é a mais comum e utilizada. É praxe escrever sempre que o bonsai estilo Literati têm um ar de elegância refinada que empresta muito do termo para a beleza sutil do trabalho finalizado.
O QUE É UM BONSAI ESTILO LITERATI?
Tradicionalmente, o bonsai estilo Literati (ou bunjin, em japonês) têm troncos retorcidos (ou levemente sinuosos) com multiplas curvas muitas vezes dramáticas, geralmente têm troncos finos que não apresentam galhos na parte mais baixa e têm uma óbvia falta de nebari na maioria dos casos. Mais perto de uma posição vertical informal do que qualquer outro estilo, ela escapa de classificação como tal por causa da falta de nebari e galhos mais baixos.
Importante frisar que a folhagem de um Literati muitas vezes é propositadamente esparsa, apenas o suficiente para sustentar a árvore e mantê-la saudável. John Naka disse uma vez deste estilo: "É um sonho, um resumo. É um bonsai com um desenho extremamente avançado, uma criação significativa". Ao dizer isso, Naka capturou a essência do bonsai estilo Literati.
John Naka, grande estudioso da natureza, onde buscou subsidios para suas criações artisticas no bonsai, com forte inspiração nela, escreveu um artigo intitulado "Características do Bunjin Style" que foi publicado na Revista Demonstrações de Ouro (Março / Abril de 1993) e citado posteriormente por Eric Schrader na Sociedade Bonsai do site San Francisco web. Neste artigo sobre Literati, Naka fez algumas outras definições interessantes do estilo:
-Tem forma, mas não há um padrão definido.
-Não tem padrão, é irregular e parece desfigurado.
- Ele é como o alimento que não tem gosto, no início, mas quanto mais você mastigar mais sabor sai. Quando você olhar para o estilo Bunjin não há nada de emocionante sobre isso, é tão fraquinha e solitária. Mas quanto mais você observá-lo mais a qualidade da árvore e características naturais descobrirá. Você vai sentir alguma coisa de dentro de sua mente, e não apenas através dos olhos (ou superficialmente).
- Parece que ele está lutando por sua sobrevivência, ou uma forma de agonia. A árvore em si não deve ser nesta condição, na realidade, deve ser saudável. A forma ou pode indicar luta, mas não a saúde. Parece ser um método muito cruel, mas é apenas conceito. Sua aparência não deve ser muito séria, nem fácil, ele deve ser livre, sem restrições, espirituoso, inteligente, bem-humorado e pouco convencional. Um bom exemplo para isso é um estudo de qualquer árvore da natureza que sobreviveu algum tipo de problema ou desastre.
-Para evitar a inutilidade, a última forma final ou forma é uma técnica muito importante.
-Deve retratar uma simples pintura abstrata, Senryu, Haiku, poema, música e canto.
- A Forma é dada mais pelo tempo, vento, não muito robusto, mas mais elegante.
Bem, a conceituação desse estilo pelo grande Naka é realmente interessante e muito construtiva, mas ele, como o grande mestre que foi, não deixaria que ficassemos apenas nisso e acrescentou no mesmo artigo:
- Remover a parte inútil e excessiva do ramo drasticamente. Deixar a menor quantidade e indicar ou exagerar sua beleza natural e traço característico.
- Não importa o quão casuais os métodos, a árvore ainda deve ser bem conformada.
- Bunjin estilo é a arte do espaço. Espaço significativo deve oferecer tremenda imaginação.
Há outras considerações ao criar uma Literati, tais como:
-Ápice. Costuma-se dizer que o ápice nesse estilo não é uma consideração importante, podendo ser relevado ou estar ausente, mas isto não é verdade na maioria dos casos. Tal como acontece com todas as árvores, o ápice desempenha um papel importante no efeito visual geral e em perspectiva.
- Nebari. Embora o nebari possa adicionar maior impacto visual a um Literati em alguns casos, o estilo poderá resultar bem sucedido sem nebari de qualquer espécie.
- Tronco. A maior enfase deve ser dada sempre no tronco, pois o espectador deverá ver o tronco e o tronco deve ser o centro do design.
- Feminino na natureza, o Literati deveria ter a aparência de um tronco fino e gracioso, mas ainda assim falar de idade refinada.
- Folhagem em um Literati deve ser escassa, falando de uma vida de condicionamento. a sobrevivência dificultosa contra os elementos adversos, principalmente os climáticos. Folhagem exuberante, abundante deve ser evitado. A folhagem deve ser suficiente para sustentar a árvore, mas com muito espaço vazio.
- Não há regras ou mesmo diretrizes para a forma geral, não há regras para a colocação ou distribuição dos galhos e não há uma fórmula sobre como torcer e dobrar o tronco. A imagem do Literati final deve falar de graça, elegância, equilíbrio e forma. É a imagem final que, por si só, irá dizer se o projeto foi bem sucedido.
- O desenho deve ser tridimensional, o bonsai Literati tem necessidade de profundidade em seu desenho. Os vasos (ou lajes) que usamos para Literati são geralmente pequenos, leves e quase sempre redondos ou com formato irregular similar (os chamados "orgânicos", manufaturados à mão, sem o uso do "torno"😉.
De tudo que foi escrito sobre esse estilo, podemos depreender então que se trata de um grande DESAFIO, pois:
Seja chamado Literati, Bunjin, Estilo Scholar, Wenjen, Nansoga, ou o estilo de pintura Southern Song, há pouca dúvida de que é um dos mais fascinantes de todos os estilos e também um dos mais difíceis de criar com êxito. Situado entre a natureza e o realismo, visão e impressionismo, sonho e realidade, ele captura a nossa imaginação e, assim, abrange tudo o que é bonsai e era para ser.
Não é um estilo para se criar com material descartado, que o cultivador considere que não serve para mais nada, então vamos fazer um literati. Não é assim que funciona, deve ser visto como um estilo que apela a uma árvore específica, uma árvore que tem enterrada nela a alma daqueles antigos estudiosos, aqueles que iam fora da norma tradicional e se esforçaram para liberar a beleza interior de uma árvore com o mínimo do minimo possível.
O artista de hoje, trabalhando com árvores vivas em vez de papel, com cortadores e alicates em vez de escovas também deve libertar a alma dentro de uma árvore. Fazemos isso através da remoção de todos os elementos desnecessários, deixando apenas aqueles que podem ser moldadas no sonho: reportemo-nos a John Naka, que uma vez falou sobre o sonho, a visão abstrata que é o estilo Literati.
SEKI - Elio Luis Secchi05/01/2012 23:26
Otimo Nicky, bela explanação, copiei...
abraço
Green_bsb06/01/2012 09:22
Muito bacana Nicky. Acho que pelo fato de ser um estilo que exige uma imaginação maior do criador, torna-se um pouco mais complicado que os demais, especialmente para mim que sou principiante.
Mas com essa aula, já dá para ter uma noção básica de características que são necessárias ou não neste estilo.
Mas e quanto as espécies Nicky, qual seriam as mais indicadas para este estilo? Existe uma "regra"? As coníferas são as mais utilizadas?
Desde já agradeço.
nickyfury06/01/2012 09:29
bonsai
Não há uma espécie definida, nem são as coníferas as preferidas, apesar de vermos muitos BUNJIN dessa familia. Creio que ao optar pela espécie, devamos considerar o fator proporcionalidade, isto sendo visto pelo tamanho das folhas, vez que se a espécie apresentar folhas muito grandes, daquelas que não se reduzem nem com desfolha sucessiva (mais de quatro ao ano), então é conveniente descartar, ainda que seja possível usá-la no estilo.
Acho que o critério dosador estará calcado na perícia artistica do cultivador: quanto mais técnico e dotado artisticamente falando, ele for, melhor será o resultado, independentemente da espécie que ele escolher.
Green_bsb06/01/2012 11:32
Muito obrigado.
Elio06/01/2012 20:10
Velho amigo Nicky!
Excelente matéria! É para se ler e reler várias vezes.
Posso dizer sem medo de errar que, quem quer se aventurar a praticar esse estilo, deveria ler e "sentir" o conteúdo desse texto.
Copiei,imprimi e vai ficar na minha cabeceira por longo tempo pois, como vc sabe, Nicky, venho tentando fazer alguns trabalhos nesse estilo, que é meu preferido.
abraço
Felipe Lembi06/01/2012 20:18
Ler este artigo me fez abrir os olhos para este estilo.
Venho tentando fazer uma planta neste estilo, trata-se de uma serissa.
E agradeço ao amigo nick pela presteza em compartilhar de sua sabedoria.
Ctrl+C Ctrl+V Ctrl+P,kkkkkkkkkkkk, e não esqueci dos direitos autorais.hehheheheheheh
Abraço
RCasagrande06/01/2012 23:51
GRANDE NICK, BELISSIMA EXPLICASSAO SOBRE OS LITERATI.....
VOCE FALOU SOBRE TODAS AS PARTES DA PLANTA, FOLHAS, TRONCO, NEBARI, EXPLICANDO CADA UMA...
MAS E QUANTO AO LITERATIS QUE APRESENTAM SHARI E JIN???
VC TERIA ALGO A COMENTAR SOBRE ISSO, SOBRE O APARECIMENTO E ASPECTOS FINAIS NA PLANTA???
ABRACOS....
Angela Fernandes08/01/2012 00:05
Alôôô !!!!!
Amigo Nicky, só posso lhe dizer uma única coisa.........
OBRIGADA, mais nada.
nickyfury08/01/2012 09:01
bonsai
Fico imensamente feliz quando acerto com minhas colocações e esclarecimentos, e o resultado venha a ser de algum proveito para os nobres colegas e amigos bonsaistas/foristas.
RCasagrande, no tocante ao shari ou jin num bonsai LITERATI é válido dizer que funciona tão bem nesse estilo quanto em qualquer outro, sendo importante esclarecer que a finalidade principal desse recurso técnico, quase sempre, é agregar maior idade para a arvore, sugerindo que a arvore sofreu pressão climática (raio, ação de granizo, neve, gelo, areia, etc), resultando em uma particularidade que a torna ainda mais valiosa e dignificante, pois é uma sobrevivente.
Considere que a arvore LITERATI tem algo como 60 a 90% de seu tronco livre de galhos, então, por isso, é preciso que o jin seja relevante, uma ocorrencia "natural" dentro do contexto trabalhado, e seu resultado não poderá ficar "artificial", sob risco de condenar todo o trabalho restante. O mesmo vale para o shari, ao expor a madeira do tronco. Veja os exemplos abaixo:
Pode acontecer de que o jin esteja situado apenas na parte final do que antes era o ápice da arvore. O shari no tronco deve ser algo conveniente tambem, e não apenas um recurso para embelezar:
Há casos em que o shari é uma condição pré existente no tronco. Isso significa que ele ocorreu naturalmente, sem que o cultivador tenha feito nada para isso:
