Se for adquirir sementes de romanzeira, não compre as de frutos mini, pois essa espécie além de extremamente dificultosa quanto ao cultivo, demora uma eternidade para atingir uma altura razoável ou para produzir um bonsai que preste. Prefira plantas com frutos de tamanho médio, que são bem melhores nos quesitos acima.
Não é por que a planta é "bonitinha", cheia daqueles frutos pequeninos, que a variedade seja boa para um bonsai sério, de qualidade técnica superior. Quando muito, presta apenas para os "fabricantes" de bonsai de supermercado: vendem super bem, morrem super rápido e logo volta o comprador, querendo outro, acreditando que a culpa pelo secamento da planta tenha sido exclusivamente sua, quando na verdade teve inicio lá atrás, quando o cultivador depositou a semente da planta para germinar.
Aliás, a melhor variedade para bonsai tem um nome: PUNICA GRANATUM NEJIKAN. Punica granatum é o nome em latim da romanzeira, e Nejikan sua caracteristica principal, isto é, dessa variedade, que consiste no enrolamento do tronco, tipo um parafuso de rosca soberba, que se retorce sobre si mesmo à medida que a planta cresce e se desenvolve:
Os japoneses chamam a romanzeira de ZAKURÔ. Repare no exemplar abaixo, como o tamanho dos frutos médio combina bem melhor com a planta:
Os japoneses costumam cultivar a planta, tão logo as sementes germinem e as mudas tenham entre dois e tres anos, no chão, para desenvolver melhor o tronco e obter o movimento retorcido (nejikan) mais rapiamente, que se cultivada apenas no vaso:
Imagine como ficaria melhor ainda a planta acima se o japones que o cultivou tivesse usado a técnica que falei sobre o uso da tela metálica. Certamente, o tronco, além do movimento retorcido, ainda ganharia em maior sinuosidade. O desconhecimento da técnica não é só dos brasileiros, mas até mesmo dos cultivadores japoneses, mais antigos nessa arte do que nós, diga-se.
Bem, tenho em meu viveiro em desenvolvimento quatro mudas de grossura mediana de NEJIKAN, sendo tres no chão e uma envasada. Até agora, apenas a que está envasada (mais antiga) foi que produziu um unico fruto, do qual separei as sementes e logrei exito em reproduzir algumas mudinhas, que estão na primeira fase de cultivo (inferior a um ano). Por outro lado, tenho outras plantas obtidas via estaquia das nejikan que estão no chão, e essas estão indo bem tambem.
Há alguns anos ganhei de uma senhora uma romanzeira normal, de frutos grandes, que estava plantada na fazenda do pai dela. Munido de ferramentaria adequada, retirei a planta e a conservei num recipiente de cultivo, para facilitar e melhorar seu condicionamento. Atualmente está num vaso chinês, onde o cultivo está tão bom que até frutificou pela primeira vez, depois que a coletei (há mais de oito anos, creio eu):
Aqui, para ter noção do tamanho real do fruto:
Ela tem uma boa area de madeira exposta (shari extensivo), e mudei recentemente o formato de sua estrutura aerea, para tentar seguir um projeto elaborado para ela por um amigo bonsaista de Lisboa/Portugal, chamado Antonio Castro, que há até alguns anos participava ativamente do forum.
Bem, se adquiriu as sementes da mini, plante-as e as cultive então. Mas que as próximas sejam de frutos médios, para ter bonsai melhores a partir delas.
Quanto às manchas brancas nas nervuras das folhas de sua Tuia, são normais, não se preocupe. O que preocupa é quando a planta começa a queimar as folhas ou elas secam sem que contribuamos em nada para isso. Mas mesmo esse aspecto parece ser natural dessa espécie, então não há com o que se preocupar, exceto se isso ocorrer muito constantemente e muito intensamente, colocando toda a planta em risco.
Para voce ter uma idéia da complexidade dessa espécie, a planta abaixo foi capa de uma revista nacional de bonsai há anos atrás, e na ocasião pertencia ao grande mestre Hidaka, de Atibaia/SP. Atualmente faz parte da coleção do bonsaista brasiliense, meu grande amigo Junior. Essa planta tem a forma que tem por que, segundo mestre Hidaka, secou alguns galhos, o que o obrigou a converte-la ao estilo atual (literati), quando antes se tratava de um Moyogi:
Essa parte na frente da planta, totalmente seca, constituia o corpo principal da estrutura aerea da planta, antes que secasse inexplicavelmente, só não morrendo toda a planta por que alguns galhinhos, na parte traseira, sobreviveram, permitindo então que a formação estrutural fosse renovada com elas, mudando o estilo da planta:
A melhor dica de cultivo dessa espécie quem tem é meu amigo Elio, de Curitiba/PR (Bonsai Sul e Bonsai RS):
"Cultivá-la, não como coníferas, mas mais como uma myrtácea.
Solo rico em matéria orgânica, pouco adubo, pouco sol e evitar mexer (intervir) frequentemente. Transplantes, aramações, pinçagens, devem ser feitas em tempos bem espaçados".
Portanto, siga as dicas dele, que elas valem ouro, e talvez tenha sorte e não venha a perder a planta.