O nome de sua planta é bem mais complexo que o cultivo dela: CHAMAECYPARIS GRACILIS NANA, ou cedro nana, ou ainda, cedro japones. Ela é uma das plantas mais exploradas no bonsai, sendo que há lindos bonsai formados com ela que sobrevivem bem há mais de trezentos anos, na Asia. O que favorece o cultivo, no seu caso, é a região do país em que reside: no sul ela tem uma boa aceitação climática e resiste melhor às intervenções.
No que consta quanto ao melhor estilo, a sugestão pelo CHOKKAN é a mais acertada: retorcer um tronco dessa grossura iria exigir de voce um conhecimento que, atualmente, não tem. Por isso, apenas para garantir que sua planta continue saudável e apresente ao final um resultado mais que satisfatório, acredito na exploração do melhor estilo, de acordo com as possibilidades da planta e mais em conformidade com sua perícia técnica para lidar com ela.
Cultivar uma planta como essa, dentro do recipiente em que se encontra é bem diferente de cultivá-la como bonsai, principalmente após realizar nela as intervenções necessárias para adequa-la, corretamente, a qualquer estilo proposto. Um dos maiores mestres do bonsai internacional, o americano JOHN YOSHIO NAKA, dizia que o estilo chokkan é o estilo primeiro, que todo candidato a bonsaista deveria formar, antes de tentar qualquer outro estilo.
Se Naka, que entendia muitissimo desse assunto (bonsai) apregoou isso, então é fazer valer essa colocação em relação a voce e a sua planta. O melhor caminho para atingir essa situação é proceder a uma aramação nos galhos. Nesse primeiro estágio, não deverá então transplantar a planta, mas sim estimular seu desenvolvimento e fortalece-la via aporte regular de nutrientes (adubação). Um ótimo adubo é o osmocote, de liberação lenta, que possa ser reposto a intervalo de seis a nove meses (busque na net granulação do tipo 15-09-12, e use duas colheres de sopa, distribuídas sobre o solo, mais proximo da borda do recipiente, afastado do tronco).
Para aramar corretamente, é preciso aprender a faze-lo primeiro. Pegue um arame de aluminio, de boa espessura, e um galho qualquer (pode ser de goiabeira, pitangueira, jabuticabeira, etc), para treinar. Prenda uma ponta firmemente em algum ponto fora da ação (no caso, no tronco) Essa ponta é chamada de ancora, e visa firmar o arame, para quando o galho receber o movimento, após a aramação, ficar firme, se voltar a posição anterior.
Presa a ponta de ancoragem, use o restante do arame para dar voltas perpendiculares sobre o galho, com volteios regulares, com um espaçamento constante e com uma ligeira inclinação (uns 45 graus, p.ex.). Faça isso em toda a extensão do galho de treinamento, até a ponta, sempre apertando ligeiramente o arame, mas sem forçar em demasia, para evitar que o arame "estrangule" o galho, dificultando a passagem da seiva. Treine bastante até compreender bem esse mecanismo e verificar que está apta, então, a fazer isso nos galhos da sua planta, sem causar danos.
Uma dica: um arame é adequado a um galho se, ao usar uma ponta do arame conseguir "empurrar" o galho. Se, ao invés disso, for o galho que dobrar o arame, então o arame estará fino ou muito maleável, e não surtirá o efeito buscado. O comprimento do arame em relação ao galho a ser aramado deverá sempre se em torno do comprimento total do galho desde a base (tronco) até sua ponta, mas um terço. Com isso, ao fazer os volteios adequadamente, o arame dará certinho para o trabalho, não sobrando ponta, nem faltando arame na ponta do galho.
Num primeiro momento, minha sugestão é que voce arame, cuidadosamente, todos os galhos de sua planta, sem cortar nem retirar nenhum. Ao aramar, afaste cuidadosamente as "escamas", que são a folhagem caracteristica dessa espécie com as pontas dos dedos, enquanto dá os volteios no arame. Lembre-se que o arame precisa ficar firme, mas não muito apertado, para não prejudicar o curso da seiva. Um mesmo arame pode ser usado para fixar dois galhos opostos, desde que eles não estejam na mesma altura. Comece com um volteio simples no tronco, para ancorar, em seguida use uma ponta para um galho e a outra ponta para outro galho. Isso garante maior estabilidade e permite uma educação mais duradoura, sem risco de volta ao status quo anterior.
Para facilitar sua vida, sugiro uma pesquisa por imagens no google, procurando informações sobre como proceder corretamente quanto ao estilo CHOKKAN, bem como sobre metodos e técnicas de aramação no bonsai:
http://www.bonsai.guiasites.net/armacao.html
Se voce dominar o idioma ingles, sugiro que pesquise nessa lingua, pois são melhores e em maior numero os sites que explicam detalhadamente essa matéria. Pesquise, por exemplo: wiring branches bonsai, wiring bonsai, wiring trunk bonsai, etc. Mesmo não dominando o idioma, pode-se conseguir ótimos resultados tambem, com o google tradutor.
Quanto ao reenvase: sugiro continuar a cultivar sua planta no recipiente atual pelos próximos dois ou tres anos, para firmar bem o estilo chokkan, garantindo um resultado mais promissor. Findo esse trabalho, com o resultado garantido adequadamente, será então o momento de escolher um ótimo vaso e realizar o transplante de maneira segura, sem prejuízo, nem risco de dano.
Qualquer duvida, é só perguntar.