Fórum — Atelier do Bonsaiarquivo estático

1º Passo no mundo do Bonsai

Capobianchi24/09/2012 13:46
1º Passo no mundo do Bonsai
Olá a todos, bom dia.

Antes de tudo um grande abraço aos participantes e gostaria de tecer um comentário se me permitem.

Após ter consumido durante vários meses as informações trocadas nesse fórum, posso afirmar categoricamente que é um dos poucos espaços que vi até hoje, onde a discussão do livre pensar e o debate em prol do benefícil real é verdadeiramente praticado.

E o que mais achei bacana é que os foristas desse ambiente parecem realmente se importar uns com os outros.

Bom passados os comentários talvez desnecessários vamos ao que interessa.

Já me decidi a começar a engatinhar nesse mundo mágico e química e psicologicamente viciante do Bonsai apesar de somente ter uma certa experiência de cultivo e condução de plantas no solo e principalmente orquídeas e bromeliaceas.

Posto a seguir algumas experiências que estou começando a consuzir com estacas principalmente.

Não sei se a coleta de cada uma dessas espécies para esse fim foram conduzidas no período correto, mas enfim lá vamos nós.

Uma frase que lí por aqui que na verdade é a assinatura de um dos foristas é " Planta, vai que pega!" que achei genial.

Bom esse material que apresento (estacas) basicamente foi coletado a aproximadamente uma semana e foi colocado nos seus respectivos locais ontem a noite em sua maioria.

Todas elas permaneceram numa solução de Biofert Raiz e Biogold Super diluído durante quase 72 hs imaginando eu que por um processo de osmose ou algo semelhante esses nutrientes possam ser absorvidos pelas estacas.

Volto a salientar que, não sei se o procedimento foi o correto mas o fiz dessa maneira pelo seguinte motivo: Há uns três anos cultivo tillandsias e orquídeas principalmente, e as plantas tratadas com Biogold tem uma massa de raizes muito maior do que as que são tratadas com outros fertilizantes, propagandas a parte mas já faz pelo menos uns três anos que só utilizo esse produto pela indicação de um grande amigo Ronaldo Sabino que possui um orquidário comercial aqui em São Paulo, e não sei se posso fazer esse comentário, mas na minho humilde opinião acho que o melhor orquidário comercial que há por aqui.

Mas enfim não desvirtuando muito a questão, as plantas foram colocadas em escorredores, ou comprados prontos ou produzidos, num substrato que consiste de 1/3 de areia média de construção, 1/3 seixos diminutos de até 5mm e 1/3 de caqueira de telha com diversas granulometrias, que também ficaram de molho na mesma solução de enraizamento por pelo menos 12 hs, com o objetivo de absorverem um pouco desses nutrientes e que consequentemente esses nutrientes mesmo que em pequena quantidade possam estar disponíveis as plantas no momento que essa massa radicular possa começar a aparecer e tomar corpo.

As estacas referidas são de resedás, que acredito ser uma vermelha e uma branca, goiabeira e duranta(que na verdade não é uma estaca e sim uma planta que estava praticamente seca em um canteiro, isso foi feito pois tenho experiências de recuperação de plantas que aparentavam estar mortas e ressecadas com o uso do biogold) e uma bougainvíllea vinho que já cultivo a uns três anos.

A maior estaca de resedá possui uma grande área de madeira morta que fiz uma limpeza parcial das áreas já apodrecidas mas que ainda não recebeu tratamento com calda. Futuramente postarei um draft do que pretendo fazer com a planta pois estou estudando uma propagação de raizes que na base do nebari passe a sensação de um uro, como se fosse uma caverna, ou seja o que vocês vêem em pé, futuramente será inclinado algo em torno de 60º.

As duas últimas fotos são de três ficus que achei numa caçamba, sendo que os dois estão em bacias com condicionadores de solo foram encontrados neste estado, e a terceira planta que apresenta uma parte aérea já desenvolvida, cometi o erro de fazer uma desfolha, não sei porque(idiotíce minha na verdade) e ao mesmo tempo fazer alporques com vasos plásticos em pontos que pareceram ser do meu interesse para futuros bonsai. Detalhe importante é que para tentar estressar o mínimo possível a planta não anilhei por completo os cortes do alporque, para que a planta pudesse de alguma maneira continuar com seus fluxo de seiva, e sei que caso funcionem os alporques provavelmente terei problemas de em relação aos seus respectivos nebari, mas arrisquei mesmo assim.

Além desses materiais que comentei posto tb outros testes realizados com:

buxus: creio ter me antecipado ao momento correto da ação e provavelmente perderei o material, mas enfim, é errando que se aprende, mesmo ficando muito chateado que é na verdade uma pequena vida que se perde por erro e afobação minha.

amoreira: esta comigo a aproximadamente 6 meses e resolvi mudar seu estilo partindo para um SEKIJOJU FUKINAGASHI ( se é que é correto ter dois estilos na mesma planta )

pitangueiras: são mishos provenientes de uma pitangueira que tenho em meu jardim, e hj encontram-se com aproximadamente 2 anos e no caso de uma delas quero tentar conduzi-la para um estilo KENGAI ou HAN-KENGAI

aroeira: essas ainda não sei pra onde vamos mas enfim.

Particularmente mesmo antes de começar a pensar em apreender as técnicas sempre fui um grande fã dos estilos mais dramáticos e de peijing, então creio que pelo menos nesse momento devo mesmo que inconscientemente me voltar para esses estilos.

Já lí alguns posts principalmente do amigo nickyfury, que é enfático na questão de se evoluir mediante a participação de cursos, principalmente presenciais e concordo em gênero número e grau, mas infelizmente o pataco ta mais que curto e nessa situação a gente apela pro auto-didatismo e empirismo mesmo, já consciente das perdas e atrasos que vamos enfrentar no caminho, e até mesmo na criação das ferramentas, transformando torques em alicates côncavos de corte .... hehehehehe.

Lí a um tempo atrás por aqui que o lixo não é fonte de material de qualidade e concordo mas acho uma grande fonte de material para aqueles que estão pensando em começar, bom posso estar redondamente enganado, mas hj se eu não estivesse utilizando esse avançado recurso, não teria material para começar.

Bom comentários e críticas ferrenhas são mais do que bem vindas, mesmo por que acredito realmente que só podemos crescer na vida se erramos, e somos criticados e claro aprendemos com nossos erros.

Tenho alguns outros materiais que tb estou começando a conduzir que postarei em breve.

Seguem as fotos.

Grande abraço e todos

Estacas Resedás





Estaca Goiabeira





Estaca Bougainvíllea


Ficus




Amoreira


Buxus



Pitangueiras




Duranta
A primeira foto é a do vaso marron



Bom, amigos por enquanto é isso, grande abraço a todos.
wlsjurai24/09/2012 15:20
Aqui pra mim as imagens não aparecem.
Capobianchi24/09/2012 16:45
Wlsjurai, editei o post amigo, já com as imagens aparecendo acredito eu.

Abs
Elio24/09/2012 18:05
Capobianchi!
Seja bem vindo!
Notei pelo teu texto que vc conseguiu assimilar muito do que já leu sobre a arte.
Muito bom, parabéns!

O Biogold é considerado um dos melhores, senão o melhor, adubo para bonsai, no mundo inteiro. Pena ser muito caro!

Posso dizer, de maneira geral, que os teus procedimentos foram corretos.
Quanto ao tempo de imersão em enraizador não precisa mais do que 2 horas. Na realidade o Biogold e o Biofert raiz não são hormônios e sim adubos. O ideal é imergir em hormônio: Superthrive ou Vitamina B1.

Quanto aos estilos, é permitido sim ter dois estilos numa mesma planta. Contudo um deve prevalecer sobre o outro. Ex.: sekijoju/fukinagashi. No Fukinagashi a raíz que fica do lado contrário ao vento, deve ser grossa, forte como que estivesse se agarrando para a árvore não cair. Se as raízes estão com o estilo sekijoju, deve atentar para a existência dessa raíz.

Quanto à pitanga no estilo cascata ou semi, não fica muito natural, mas, como diz meu amigo Nicky, gosto é que nem pescoço: Cada um tem o seu!


Quanto ao corte diagonal do Ficus ele deve ser invertido. Oposto à inclinação do tronco, para induzir uma brotação oposta.

O segundo Ficus deve ter o corte inclinado do tronco mais fino, em direção oposta à inclinação do corte do tronco mais grosso. Isso fará com que as brotações no ápice surjam pelo lado externo dos troncos.


Bom, por enquanto é isso aí, amigo!

abraço
Capobianchi24/09/2012 18:50
Elio,

Fico feliz pelos seus comentários, inclusive venho acompanhando vários posts seus e peço desculpas, mas fiquei com uma pontinha de inveja do seu viveiro..... hehehehehe tudo muito organizado e plantas muito bonitas.

Bom em relação ao Biogold concordo contigo em se tratando do preço praticado pela maioria das revendas mas acho que é viável adquiri-lo por valores mais acessíveis inclusive muito em breve deve chegar uma boa quantidade pra mim para ser vendido desmembrado ou mesmo em seus pacotes originais, mas enfim esse é outro assunto para outro tópico.

Você comentou algo que venho pesquisando a um certo tempo e sinceramente não consegui chegar a uma conclusão provavelmente por ainda não ter usado nem um e nem outro, mas pelo que lí. O superthrive apesar de já ter ouvido maravilhas a respeito também já li alguns estudos de efeito zero, e dai surge a dúvida de sua efetividade.

Temos ainda a Tiamina ou VB1 que tb não utilizei e o Ácido Indolbutírico apresentado em talco ou concentrado em pó para diluição. E pergunto qual deles é o mais eficaz? Funcionariam melhor associados ao Biogold ou esqueçamos essa combinação? E a concentração qual seria a ideal para termos uma geração intensa de uma robusta massa verde de raiz garantindo assim o maior grau de sucesso de estacas, alporquias ou até mesmo yamadoris?

Enfim meu amigo tenho muitas perguntas ainda que me incomodam e espero conseguir essas respostas.

Vc comenta a respeito do estilo das pitangueiras e eu já havia lido outros tópicos sobre isso tb, mas nesse ponto não sei se é uma questão de gosto ou não, mas de desafio, sou muito movido por esse tipo de situação, não para dizer que sou melhor ou pior que fulano ou beltrano, mas para minha própria curiosidade mesmo.

Segue uma imagem da pitangueira a qual estou pensando em testar previamente o estilo, na verdade essa planta foi coletada a umas três semanas e estava praticamente esturricada de seca pois estamos enfrentando uma estiagem brava aqui em São Paulo.


Já em relação aos ficus pensei nisso mesmo que vc comentou mas na verdade como as plantas estavam bem baleadas quando as encontrei acabei não mexendo em nada com medo de prejudicá-las ainda mais, mas se vc acha que nesse ponto ainda é viável proceder com esses cortes lá vamos nós meter o serrote nas danadas.

Bom me desculpe se me estendi demais na resposta.

Muito obrigado e um grande abraço.
Elio24/09/2012 19:05
Capobianchi!
Vamos por parte, como dizia Jack, O Estripador!!

Primeiro: Obrigado pq gostou do meu viveiro! Eu tbém gosto......rsrsrsrsrs!!!

Eu uso o Supertrhive em todos os meus transplantes. Esse ano (agosto) fiz 65. Não perdi nenhuma.

Tanto o AIB com a Tiamina (B1) eu não posso te afirmar nada porque nunca usei.

Quanto ao Biogold ou outro adubo, eu recomendo só usar nas estacas ou yamadory, quando estiverem bem enraizadas.

Nos transplantes, só uso adubo depois de 75/90 dias. Isto porque as raízes pre4cisam se refazer para começar a absorver nutrientes e, até lá, se começarem antes, meu substrato normalmente contém no mínimo 40% de matéria orgânica, daí a planta se servir naturalmente do que tem no substrato.

Quanto ao corte dos Ficus, pode fazer agora, antes de começarem a brotar. Com cuidado é claro porque o transplante foi recente.

É isso aí!

abraço

abraço
Capobianchi24/09/2012 19:16
Elio,

Quando vc fala de transplante vc quer dizer transferência de vasos ou outras ações tb?

abs
Capobianchi24/09/2012 19:27
Elio

Me desculpe mas outra pergunta, se me permite.

Sou um cara bastante curioso e interessado, sendo assim caso eu esteja sendo invasivo ou persistente demais por favor me avise.

Não tenho muito limite quAndo o assunto é adquirir conhecimento e por vezes posso me tornar " O CHATO".

Vc utiliza então uma certa parte de matéria orgânica no substrato e não ele totalmente inerte como sugerem alguns bonsaistas?
Ricardo L C24/09/2012 21:47
Capobianchi blz?
então temos um grupo aqui na capital e fazemos encontros mensais, ta convidado.
abç
Elio24/09/2012 22:08
Capobianchi escreveu:
Elio,

Quando vc fala de transplante vc quer dizer transferência de vasos ou outras ações tb?

abs


Transplante: Quando vc substitui o substrato velho por novo, usando o mesmo vaso ou não e com poda parcial de raízes ou não. Tudo depende da situação e da época.

abraço
Elio24/09/2012 22:15
Capobianchi escreveu:
Elio

Me desculpe mas outra pergunta, se me permite.

Sou um cara bastante curioso e interessado, sendo assim caso eu esteja sendo invasivo ou persistente demais por favor me avise.

Não tenho muito limite quAndo o assunto é adquirir conhecimento e por vezes posso me tornar " O CHATO".

Vc utiliza então uma certa parte de matéria orgânica no substrato e não ele totalmente inerte como sugerem alguns bonsaistas?


Capobianchi, se é uma coisa que tenho maior prazer é passar minhas experiências a quem é avido por aprender. Fique tranquilo!

Substrato totalmente inerte depende de se conhecer profundamente as necessidades de cada espécie em relação aos macro e micronutrientes.
O que, diga-se de passagem, é muito raro quem conheça.

Assim, a presença de substrato orgânico vem suprir essas lacunas.

Além do mais, substrato inerte não contém microorganismos e bactérias úteis à planta, o que prejudica muito o uso de adubação orgânica já que esta necessita desses agentes para transformar o adubo em sais minerais.

É por aí, amigo!
Capobianchi24/09/2012 23:01
Ricardo, obrigado pelo convite, vamo que vamo, assim que tiver o próximo dá um toque que a gente se movimenta por aqui.

Elio em relação aos materiais que li até hj, essa éra uma dúvida grande que eu tinha justamente em relação ao porque utilizar um substrato totalmente inerte sendo que existe uma pré-dependência de propagação de micro e macronutrientes provenientes as plantas oriundos de processos que somente ocorrem no solo com o auxílio de micorrizas e afins.

Um comentário a parte é o seguinte, eu particularmente não gosto de fertilizantes químicos industriais ou por não saber usar ou por preconceito mesmo, na sei explicar ao certo, e nesse caso uma coisa que é bem visível em minhas experiências com orquídeas com o biogold super principalmente é que no caso das terrestres principalmente, no local onde existe a aplicação dos pellets existe um volume muito maior de um fungo natural que esses pellets produzem nessas condições, já diferente dos casos onde utilizamos substrato totalmente inerte onde é muito mais notórios os depósitos e concentrações salinas.

Inclusive quando essas estacas começarem a formar as massas de raizes vou pensar em voltar a usar uma composição que acabei chegando por conta p´ropria e faz uma diferença brutal nas plantas que é uma combinação de: torta de mamona, farinha de osso, cama de ave curtida, cinza de madeira, carvão para fixação de carbono, humus de minhoca e restos vegetais crus de cozinha decompostos.

Agora só não lembro de cabeça qual dessas fontes é a principal em nitrogênio para que seja um pouco reduzida com o objetivo de não termos um crescimento vertical tão grande.

abs
Elio25/09/2012 11:29
Capobianchi, a fonte principal de nitrogênio é a Torta de Mamoma. Farinha de osso é rica em fósforo e cinzas são ricas em potássio.

abraço
Capobianchi26/09/2012 21:31
Amigos,

Estou também a algum tempo estudando a questão da propagação e inoculação de micorrizas arbusculares, porém vem a dúvida, onde e de que forma posso conseguir as matrizes do fungo.

Digo isso pois depois de pesquisar materiais da embrapa e alguns estudos no exterior percebi que os benefícios reais da simbiose entre esses amiguinhos e as raizes das plantas permite uma série de benefícios e dentre eles principalmente uma maior absorção de fósforo zinco e cobre, principalmente em solos de baixa fertilidade, caso esse semelhante ao substrato normalmente indicado aos nossos bonsai, permitindo assim um crescimento mais rápido e uma resistência bem maior a ataques de patógenos e situações adversas.

Depois de alguns estudos pude perceber que os microorganismos inoculantes para plantas superiores e inferiores são basicamente distintos, ou seja será teoricamente eu não conseguiria em princípio inocular uma cultura de micorrizas provenientes de raízes de orquídeas em um resedá ou amoreira certo ou errado?

Sei também que por ser uma condição mutualística a propagação desses fungos só poderão acontecer mediante a simbiose com uma planta viva que possua raízes saudáveis. Agora a pergunta você ou algum outro colega aqui do fórum saberia me dizer qual seria o berço/planta/substrato ideal para começarmos a propagar esses carinhas e futuramente podermos inoculá-los em nossas outras plantas?

Posso produzir inicialmente um meio fértil de micorrizas provenientes de orquídeas e futuramente introduzí-las na base de um bonsai?

Existem alguns estudos inclusive que apontam a produção de mudas provenientes de estacas de pimenteira, cultivar Guajarina com o dobro ou quase o triplo do tamanho de mudas não micorrizadas, e mais, esses estudos demonstraram que as midas micorrizadas tiveram de 50% a 80% menos perdas por parte de patógenos causadores de podridão de raízes que seus mesmos cultivares não micorrizados.

Bom termos difíceis a parte, a ideia principal que me vem a cabeça nesse momento é a seguinte, nossos bonsai constantemente sofrem intervenções de moderadas a radicais correto? Porventura não poderíamos deixá-los sempre mais saudáveis para se recuperarem dessas intervenções através da micorrização constante de nossas plantas?

Abs
Elio27/09/2012 20:50
Capobianchi!
Sabemos que em torno de 85% as plantas são micorrizadas.
Na grande maioria por endomicorrizas e uma pequena parte por ectomicorrizas.
Em bonsai é corriqueiro e sabido que o Pinheiro Negro necessita da micorriza( ectomicorriza) Tanto que se pode ver no fundo dos vasos, por ocasião dos transplantes.
Assim, ao transplantar, usamos um pouco da micorriza e colocamos junto com o novo substrato.
Existe micorriza para vender mas, sou um pouco temeroso visto que uma agrônoma me disse que, como existem muitas espécies de fungos que fazem essa simbiose, podemos correr o risco de colocarmos uma micorriza que não seja compatível com o gênero da planta.
Isso é o pouco que conheço de ectomicorriza, já a manipulação de endomicorriza não é do meu conhecimento.
Contudo, sabemos sim que a micorriza favorece em muito (até 50%) na absorção de certos nutrientes.


abraço

PS.: Apenas para esclarecimento daqueles que não tem muito conhecimento sobre micorriza, esse nome se refere a um processo de simbiose entre um fungo e a raiz de uma planta, assim MICORRIZA não é um produto e sim um sistema. O produto é o fungo.
Capobianchi27/09/2012 22:28
Olá Helio,

Bom a título de ajudar na elucidação da descrição que você colocou a respeito das micorrizas gostaria de colocar algumas outras informações muito longe de serem explicações técnicas ou querer ensinar alguém já que a grande maioria dos colegas por aqui possuem uma enorme bagagem e conhecimento técnico sobre plantas.

Bom o texto a seguir é um compilado de trechos e fontes de outros autores com algumas conclusões minhas ok.

"wikipedia"

"Micorrizas

A maioria dos autores estabelece a ocorrência de sete tipos distintos de micorrizas, a saber:

1 - Endomicorrizas ou micorrizas arbusculares;
2 - Ectomicorrizas;
3 - Ectendomicorrizas;
4 - Micorrizas arbutóides;
5 - Micorrizas monotropóides;
6 - Micorrizas Ericóides
7 - Micorrizas orquidóides.

A seguir, são apresentadas as características dos principais tipos de micorrizas que ocorrem na natureza.São hifas de fungos que interagem com as raízes.

Endomicorrizas-Essas associações, também chamadas micorrizas arbusculares, são formadas por fungos da ordem Glomales, classe dos Zigomicetos.

São fungos com hifas asseptadas que colonizam as raízes de plantas de quase todos os gêneros das Gimnospermas e Angiospermas, além de alguns representantes das Briófitas e Pteridófitas.

O fungo coloniza as células do córtex radicular tanto internamente quanto extracelularmente, formando os chamados arbúsculos, estruturas altamente ramificadas, típicas das endomicorrizas.

Nessas micorrizas podem ser encontradas também, em algumas espécies de fungos, hifas com dilatações terminais denominadas vesículas, razão pela qual as endomicorrizas eram anteriormente denominadas micorrizas vesiculares-arbusculares.

Esta última terminologia caíu em desuso justamente porque nem todos os fungos que formam endomicorrizas apresentam vesículas.

Ectomicorrizas - Essas micorrizas são formadas na grande maioria dos casos, por fungos com hifas septadas da classe dos Basidiomicetos. As hifas penetram apenas intercelularmente no córtex das raízes, com formação de estrutura característica chamada Rede de Hartig nos espaços intercelulares, substituindo a lamela média e também ocorrendo a formação do manto fúngico ao redor das raízes.

Nas ectomicorrizas, as hifas formam um invólucro em torno das células das raízes, nunca as penetrando, mas aumentando grandemente a área de absorção, o que, aparentemente, as torna mais resistentes às rigorosas condições de seca e baixas temperaturas, e prolonga a vida das raízes. As ectomicorrizas desempenham o papel dos pelos radiculares, ausentes nestas circunstâncias.

São características de certos grupos específicos de árvores ou arbustos de zonas temperadas como por exemplo, os pinheiros. De acordo com Moreira e Siqueira (2002), esse tipo de micorriza caracteriza-se por promover intensas modificações morfológicas nas raízes colonizadas, sendo, juntamente com as endomicorrizas de maior frequência nos ecossistemas terrestres e, por isso, de maior importância.

Ectendomicorrizas - É um tipo intermediário entre as endomicorrizas e as ectomicorrizas. Essas associações possuem muitas das características das ectomicorrizas, apresentando rede de Hartig grossa e alto grau de penetração intracelular, especialmente nas partes mais velhas da raíz. Ocorrem principalmente em membros das coníferas como no gênero Pinus e o fungo da classe dos ascomicetos do gênero Tricharina.

As micorrizas arbusculares são utilizadas em várias áreas de pesquisa e no desenvolvimento de mudas em viveiros[1].

Em pesquisas recentes foi comprovado que elas são capazes de aumentar a solubilização de fosfato mineral no solo,cuja correção com este tipo de nutriente é extremamente problemática nos solos tropicais altamente intemperizados.

Hifas

As hifas são os filamentos que formam o micélio dos fungos e o micobionte dos líquenes. São longas células cilíndricas com vários núcleos (cenocíticas, nos Zygomycota) ou septadas, mas onde cada célula pode ter vários núcleos; podem ser simples ou ramificadas. [1]

Pseudo-hifas são adaptações de alguns fungos unicelulares (leveduras), os quais se multiplicam mas permanecem unidos, semelhante a hifas, com função de adaptação ao meio submetido.
[editar]Funções das hifas

Para além de fixação ao substrato, as hifas têm as funções de reprodução e digestão extracelular. Como os fungos são heterótrofos,ou seja, não produzem seu próprio alimento e se alimentam principalmente das substâncias orgânicas do substrato onde vivem, as hifas libertam através da sua parede celular os enzimas necessários à degradação dos carboidratos e absorvem os glícidos necessários ao seu metabolismo.

No caso das micorizas e dos fungos parasitas, as hifas invadem os tecidos das raizes ou dos hospedeiros cumprindo um papel semelhante.
Do ponto de vista da reprodução, as hifas atuam, tanto na reprodução assexuada, produzindo gomos ou brotos, ou ainda se ramificando, ou no caso de hifas aéreas, corpos reprodutivos como os conídios, que produzem conidiósporos, existindo vários tipos diferentes.

Na reprodução sexuada, observa-se o fenômeno da plasmogamia, em que células de duas hifas ou da mesma hifa se conjugam e, após cariogamia, produzem um zigoto, que é o único corpo diploide destes seres, onde após meiose se formam esporos haploides.

Normalmente, este processo se observa em estruturas especializadas, ou corpos reprodutivos, que têm diferente estrutura em cada uma das classes de fungos: zigosporângios, nos Zygomycota, basídio nos Basidiomycota, e ascos nos Ascomycota. [1]"

Por conclusão, se conseguirmos de alguma forma capturar um volume inicial de fungos viáveis a proliferação de determinada planta, poderíamos então pensar em inocular nossas plantas com esses carinhas.

Você ressalta da incompatibilidade inter-espécies e dai pergunto o fato de não haver a compatibilidade, poderíamos ter de alguma forma um revés nessa situação onde o fungo de alguma forma afetaria negativamente a planta, ou ele apenas não encontraria um terreno fértil para executar a simbiose?

Outro detalhe se é sabido que podemos gerar um acréscimo de 50% na absorção de nutrientes, podemos então também considerar que poderíamos então ter a aplicação de 50% a menos de nutrientes, o que geraria uma economia na aplicação dos fertilizantes, mesmo porque sabemos que independentemente do grau de retenção e saudabilidade do solo, seja ele qual for, a frequência de regas causa certa lixiviação havendo assim uma perda significativa de macro e micro nutrientes e consequentemente de organismos benéficos a planta.

Bom me desculpem se divaguei demais em relação ao assunto, mas realmente acredito ser esse um ponto que deveríamos ter uma grande atenção, principalmente pelo fato dos benefícios que poderíamos desfrutar.

Abs
Elio27/09/2012 22:51
Capobianchi, me referindo aos dois últimos parágrafos:

1. Não acredito que a incompatibilidade que possa fazer mal à planta, apenas não ocorrerá a simbiose. Porém isso é apenas minha opinião.

2. A questão da capacidade de absorção 50% a mais não resulta em economia de adubos, mas sim pelo fato de que, seja qual for a quantidade de adubo retidos pelo substrato pela CTC(Capacidade de troca de cátions) a planta conseguirá absorver 50% a mais, já que na maioria dos casos a planta não consegue absorver mais do que 5% do adubo que ministramos.
Seja por lixiviação ou incapacidade dos substrato reter (baixa CTC)

Bom, é isso aí!

abraço
Capobianchi28/09/2012 10:52
Peijing
Amigos, fugindo um pouco do assunto, recebi uma foto agora que muitos já devem ter visto, mas vamos divulgar.

Esse trabalho foi realizado pelo maior Mestre de todos os tempos.

Capobianchi29/09/2012 09:35
Praticamente um Yamadori
Amigos, bom dia.

Já ha alguns dias venho passando pela av. paulista aqui em são paulo e venho notando que nossa prefeitura vem a cada dia amontoando em pilhas e mais pilhas as azaleias das ilhas da av. que por não estarem recebendo água a um certo tempo vem secando e morrendo.

Sendo assim nossa prefeitura vem arrancando e amontoando em pilhas cada vez maior essas meninas que precisavam apenas de um pouco d'água mas enfim, época de eleição é aquela coisa, precisa-se mostrar trabalho não é mesmo(me desculpem o sarcasmo mas acho isso uma tremenda imbecilidade).

Enfim não resisti, lá estava eu na quarta de madrugada revirando as pilhas dos esqueletinhos para ver se encontrava algo que ainda tivesse um fiozinho de vida, e eis minha surpresa, um torrão com aproximadamente uns 80 quilos entre planta e terra.

Nos momentos seguintes (que foram divertidíssimos por sinal pois as expressões dos transeuntes e motoristas dos veículos dos carros que passavam eram hilários), a ação foi de arrastar a bixinha aos poucos até o porta-malas do carro.

Ainda não sei ao certo qual será o destino da moça, e se é que ela vai aguentar a intervenção que fiz, que foi grande, pois seus sistema radicular de sustentação era enorme com raízes de bitolas com mais de 8 cm todas emaranhadas, foram quase 4 hs só para a limpeza da mesma.

De brinde veio uma muda pequena que acredito eu ser de café pela característica das folhas, apesar que não sou botânico e posso estar errando longe.

Bom tudo indica que se ela sobreviver devo mante-la num estilo Moyogi.

Abaixo seguem as fotos:









Um detalhe inicialmente pensei em conduzi-la num estilo Sokan, mas como havia uma contraposição nos ângulos do caule principal e secundário, acabei decidindo por eliminá-los e após a intervenção ela ficou assim:





Por enquanto é isso. Abs a todos.