Pelo visto minha fama no forum é maior que a realidade do meu pobre e reduzido plantel. O que eu tenho é varieade de plantas, mas não necessariamente quantidade de plantas. Em relação a essa espécie que voce menciona, aliás, tenho apenas uma para poder comparar e fornecer informações que possam auxiliar voce com a sua. Eu tenho o que chamam de Manacá de jardim, que possui a caracteristica: a flor do manacá tem o seguinte ciclo: nasce roxo escuro, depois adquire um tom lilás e termina com o branco, até secar e cair. Tem folhagem verde escura pequena, que dura o ano inteiro e um sistema radicular médio (não aumenta muito).
Para cultivar bem uma espécie, qualquer que seja ela, é importante fazermos uma pesquisa na net, com vistas a angariar informações pertinentes ao cultivo, pois apenas entendendo seu processo é que poderemos então ter sucesso na empresa de transformar uma planta qualquer num lindo bonsai. A respeito do Manacá de cheiro (ou de jardim), esse link tem ótimas informações que poderão ajudá-lo:
http://www.jardineiro.net/plantas/manaca-de-cheiro-brunfelsia-uniflora.html
Igualmente, no mesmo sentido, esse outro site tambem é de enorme valia, e sempre busco informações nele:
http://www.plantasonya.com.br/cercas-vivas-e-arbustos/manaca-de-cheiro-brunfelsia-uniflora-2.html
A título de exemplo, veja alguns bonsai dessa espécie:
Apesar de tratar-se de um arbusto, quando plantado no chão pode chegar até uns dois ou tres metros de altura, com um bom engrossamento de tronco. O ideal, caso faça opção por um cultivo inicial no solo para engrossar, é evitar as brotações de raiz e de base, cuidando de manter sempre apenas um tronco, e se for fino inicialmente, poderá aramar e dar a ele um leve movimento sinuoso, o que tornará a planta, no futuro, mais atrativa quando transformada em bonsai.
Por outro lado, se a opção for transformar em bonsai desde agora, é importante usar primeiro um vaso de treinamento, ou uma bacia plastica de tamanho médio, bem perfurada no fundo e na lateral. Como o sistema radicular é de crescimento lento, não vejo necessidade de plantar em escorredor para depois fazer uso de bacia, no caso de querer usar a técnica da famosa "mamadeira". Isso pq o sistema radicular lento irá demorar "séculos" para as raizes sairem pelos orificios no fundo do escorredor justificando o uso da bacia. Plantando na bacia, com um substrato bem drenante e rico em matéria organica (madeira seca, casca de pinheiro, folhas secas trituradas e carvão), a planta terá um desenvolvimento maior e melhor.
Se o caule for fino, poderá aramar e dar um leve movimento sinusos, mas evite forçar muito, pois ele se quebra facilmente. O mesmo vale para os galhos, então se usar arame para modelar os galhos, deixe o arame bem leve e solto, sem apertar, ficando atento a sua retirada tão logo perceba que começa a marcar, pois se isso ocorrer o galho irá secar e morrer, perdendo todo o trabalho que precisará ser reiniciado.
Bem, espero que as informações possam ser de alguma utilidade a voce.
Fermga, não existe planta que não possa ser aramada e receber movimento sinuoso, seja no tronco seja nos galhos. O que existe, na verdade, é que algumas espécies apresentam um grau de dificuldade maior que outras, e isso é que fará toda a diferença. Algumas espécies, como a azaléia por exemplo, pedem que deixemos o solo ficar seco, e jamais fazer uso de aramação no inverno, para termos sucesso. E, como seus galhos são muito frágeis e quebradiços, aconselha-se tambem que o processo de curvatura seja gradual, isto é, seja feito em várias etapas, com pelo menos uma semana ou mais de intervalo entre elas, para que então tenhamos sucesso na empreitada e o resultado seja o que foi inicialmente pretendido.
Carece então que no Manacá a resposta a aramação seja como especifiquei acima. Se for feita de maneira fora desse padrão, é grande a chance de não termos o exito pretendido e o trabalho ser perdido, com o secamento do galho, o que acaba por retardar o resultado e atrasar o trabalho de formatação aerea. Alguns bonsaistas chegam ao exagero de usar apenas arame encapado, ou ráfia para proteger o galho e evitar o estrangulamento dos canais de circulação de seiva.
Azaleas, manacás, romanzeiras, dentre outras espécies, estão entre as mais dificultosas no uso do arame, mas, como salientei, não são excludentes do uso dessa técnica, que pode ser usada em todas as espécies, sem exceção. O caso, então, é descobrir o segredo de cada espécie, e praticar bastante, até acertar o passo, para termos sucesso sempre. 😉