Olá,
Concordo com aquilo que nosso grande colega Bonsérgio disse. Devemos conhecer a regra, para sabermos o melhor momento para quebrá-la.
No entanto, gostaria de ressaltar o porque das regras e estilos do bonsai:
O objetivo dessa arte não está em reproduzir uma árvore da natureza, meramente. É mais do que isso. Nós queremos repassar as características de uma árvore madura, forte, viva.
Observe a diferença entre esses dois jequitibás:
O primeiro é uma belíssima árvore que, provavelmente se destacaria em qualquer floresta comum, com uma altura impressionante e um tronco que necessitaria de várias pessoas para abraçar, mas que, isoladamente e sem um parâmetro, se torna retilíneo e sem graça. Não há dramaticidade em sua forma.
O segundo jequitibá tem sua própria copa como parâmetro para que nós, observadores, possamos visualizar toda a sua imponência, mesmo que não haja outra árvore por perto para comparar.
Para mim, a segunda árvore, mesmo sendo muito menor do que a primeira, aparenta muito mais imponência, quando observada individualmente.
É aí onde mora a problemática: como passar ao visualizador a sensação de estar observando uma árvore imponente, e não só uma mera muda, ou um graveto com raízes e folhas?
É verdade que não vemos muitas jabuticabeiras parecidas com os estilos orientais. Eu, pelo menos, nunca vi uma que se parecesse com um moyogi e, me desculpem dizer, mas também nunca vi uma que parecesse um hokidashi.
As jabuticabeiras que tenho visto por aí crescem em diversos troncos, tortuosos e compridos, em um formato quase arbustivo, lindas de se olhar - principalmente aquelas velhas e enrugadas -, mas com uma dramaticidade que chega próximo a ser impossível de se reproduzir em uma muda plantada em um vaso.
Na minha opinião, qualquer tentativa de se reproduzir o formato de uma jabuticabeira da natureza deve ser muito bem analisada, sob o risco de se tornar um retrato fiel a um arbusto.
Outras das nossas espécies, como a caliandra são, na natureza, lindas moitas floridas, passando bem longe de serem árvores imponentes e fortes e não chamariam a atenção do visualizador pela sua dramaticidade em um vaso:
É por essa falta de parâmetro que continuamos a seguir os ditames já consagrados da arte oriental, na busca por um visual mais chamativo.
Estou certo de que nossas observações da natureza podem ajudar o bonsai brasileiro a se distanciar um pouco do bonsai japonês, mas devemos manter na nossa memória o porque das regras.
As imagens acima são todas de árvores nativas brasileiras.
Abraços.