Essa espécie provavelmente trata-se de uma Zelkova, uma planta de origem asiática, muito usada como bonsai em vários países atualmente, inclusive o nosso, particularmente nesse estilo. Não há mistério algum na formação estrutural de um bonsai como esse. A base reta e baixa, grossa, com uma conicidade razoável, e um nebari bem amplo e bem radial nos dizem muito a respeito dela: foi desenvolvida a partir de uma muda de alporquia, em que há uma técnica implicada na formação do nebari, vez que ao retirarmos uma muda de alporquia, temos grande chance de obter um volume de raízes bem radiais, isso é, que crescem em toda a volta da base do tronco, facilitando sobremaneira a formação de um nebari radial como o dessa planta.
A estrutura aérea, somada ao tronco e nebari apontam um bonsai formatado dentro do estilo Hokidachi. Esse estilo é bem amplo e permite ao menos tres variações possíveis em sua construção, sendo essa a mais comum: Galhos que brotam da parte superior do tronco e são "direcionados" via aramação quando a planta ainda é uma muda jovem. Esses galhos são os primários, então.
A medida em que avançam os anos de cultivo, vão sendo selecionados novos galhos que brotam nesses, os chamados galhos secundários e terciários. Claro que ocorrem brotações noutros pontos, e mesmo na base das raizes e do tronco, que são sumariamente eliminados, para evitar desgaste da energia da planta, que é toda canalizada na formação estrutural planejada.
Há três formações base para o estilo Hokidachi, e em todos o que sempre irá prevalecer é a saída, ou origem dos galhos primários. Todo o restante será então construído a partir deles. Como podemos ver, provavelmente um bonsai como esse deve ter provavelmente mais de 40 anos, desde a obtenção da muda até o estágio atual. Ou seja, é um bonsai antigo, bem velho e muito valioso.
A ramificação fina, construída sobre a base dos galhos terciários é muito pormenorizada e é a parte mais fácil, por assim dizer, na construção Hokidachi. Claro que o cultivador terá sempre que ficar atento a estar podando e podando, para manter essa estruturação fina, pois que as ramificações tendem a se propagar muito, por todos os lados de um galho terciário, brotando tanto na parte superior quanto inferior. Mas o interessante é que, passada a fase inicial de formação dos galhos primários, secundários e terciários, é possível formatar a planta sem quase usar arame, apenas na base da poda de manutenção e formação.
Eu costumo colocar uma imagem auto explicativa sobre a formação primária, secundária e terciária de um galho, quando se trata de demonstrar como se dá a construção de um galho. Essas imagens são válidas para qualquer formação estrutural, independente do estilo projetado. Então, basta seguir essa orientação para conseguir formatar um galho qualquer, incluso dentro do estilo construído no bonsai exemplar deste post:
Nada de muito dificultoso, na minha humilde opinião, em se tratando de formatar os galhos primários, secundários e terciários. Finalizada essa parte, segue então a busca pela ramificação fina:
É preciso ter em mente que esse trabalho requer paciência e dedicação por parte do cultivador, vez que isso leva tempo, muito tempo, para se conseguir um ótimo resultado. E, mais que tudo, deve se considerar que temos que realizar essa tarefa em todos os galhos da planta, pois somente assim é que atingiremos a perfeição de um trabalho como o desse bonsai.
Marco, voce sintetizou bem a idéia central do que eu escrevi acima. Importante sua colocação sobre o recipiente de cultivo e o aporte regular e moderado de adubação, bem como a insolação diária e rega, que são todos fatores controlados pelo cultivador que visa um resultado como esse e sua infinita manutenção.