No que pese a excelencia da opinião dos demais colegas, considero a imagem mostrada na segunda foto como a melhor frente para essa planta. Na minha humilde opinião, interessante seria a escolha de um novo ápice, cortando o atual na linha vermelha que demarquei, de maneira a favorecer uma melhor conicidade nessa parte da planta. Uma boa intervenção a ser realizada agora seria uma desfolha completa (retirada de todas as folhas, novas e velhas), o que permitiria uma analise criteriosa da estrutura aérea, de maneira a selecionar então os galhos mais bem posicionados e cortar fora tudo o que não for aproveitável.
É bom lembrar que um galho se faz com ramificações laterais, que podem justapor-se em alguns pontos, de maneira a ter um perfil mais denso. Todavia, para que isso possa ser devidamente realizado, é importante cortar brotações que cresçam na parte superior e inferior do galho, deixando a estrutura de cada galho mais leve, o que irá facilitar bastante sua densificação futura.
Um galho qualquer, para estar bem formado, deve ser construído gradativamente, e a melhor forma de se conseguir isso, com essa espécie, é através de uma poda regular, a ser executada após a desfolha completa. Veja no modelo abaixo a construção das ramificações primárias, secuncárias e terciárias de um galho:
Como o tronco de sua planta tem um movimento bem sinuoso, é necessário ater-se a isso para a construção dos galhos. Isso significa que os galhos deverão receber aramação visando essa correção, deixando-os em harmonia visual com o tronco. Eis um exemplo, com dois desenhos, em que é marcado em verde o posicionamento corretamente executado:
Sempre é bom lembrar que uma arvore possui galhos em toda a volta do tronco, e não apenas nas laterais. Então, um ótimo modelo a ser usado como exemplo pode ser obtido na imagem abaixo:
Por ultimo, é sempre pontual que busquemos, após a construção inicial do galho (ramas primárias, secundárias e terciárias) sua finalização, conseguida agora apenas com podas regulares e continuadas, dando inicio ao que chamamos de ramificação fina, que é justamente a que vemos nas pontas terminais dos galhos de arvores na natureza. Tambem aqui um modelo desse tipo de trabalho:
Um ponto interessante, que voce tambem poderá trabalhar nessa planta, é a retirada de parte da casca do tronco, criando um shari extensivo nele. Isso agrega mais idade para a planta, além de deixar o bonsai mais atrativo e valioso num futuro não muito distante. Lembrando que a retirada da casca deve antes ser marcada. Isso quer dizer que pegamos um giz e fazemos as linhas delimitadoras sobre a casca, justificando a área a ser explorada. Após, com uma lâmina afiada, fazemos os cortes, profundos o bastante para retirar a casca com segurança e presteza.
Após a retirada da casca, é comum aplicar na borda do corte, ao longo da linha retirada, um pouco de pasta cicatrizante (apenas na borda da casca, jamais na madeira exposta). Essa madeira, transcorridos uns trinta ou mais dias, suficientes para que a madeira seque bem, deverá então receber uma carga de calda sulfocáucica, que tem por finalidade proteger a madeira contra a ação de agentes patogenos. Sempre é bom recordar que essa calda não protege a madeira contra o apodrecimento. Para isso, melhor aplicar um selador incolor ou algo similar.
Também aqui fiz linhas vermelhas para demarcar uma possível área exploratória, caso resolva realizar o shari que estou sugerindo:
Futuramente, voce poderá explorar melhor o shari, retirando mais madeira de dentro dele, de maneira a realizar entalhes que tornem o trabalho ainda mais elaborado, com um resultado superior ao inicial. Isso pode ser feito uns cinco ou seis anos após o shari inicial.
E para os que disserem que não se faz shari nessa espécie, mostre o link abaixo, que apresenta justamente isso num ulmus:
http://www.ausbonsai.com.au/blog/Watto/?p=462
Ter uma planta qualquer é fácil. Melhor trabalhar duro e ter um bonsai de qualidade técnica superior. Isso tambem é fácil: basta um pouco de paciência e dedicação. 😉