A Lagerstroemia indica, conhecida popularmente por Resedá, chamada pelos japoneses de Sarusubere, é o tipo de espécie que me agrada muito e que na minha humilde opinião todo bonsaista que se preza deveria ter ao menos uma delas no viveiro. Não só pela beleza ímpar de sua floração, mas pela coloração outonal que suas folhas adquirem, pela textura de sua casca, que se solta de tempos em tempos, e por sua madeira dura, o que favorece a exploração de shari no tronco e jin em galhos.
Por outro lado, justamente por essa característica de dureza da madeira a espécie apresenta dificuldade de fechar cicatrização decorrente de cortes, sejam de que tamanho forem. Sua planta, como se pode observar pelas imagens, apresenta diversos cortes em posições alternadas, o que irá com o tempo subtrair um pouco, embora em contrapartida possam ser explorados shari a partir de algumas delas.
Outra característica peculiar dessa espécie, positiva, é o fato de que brota bem na base, nas raízes e ao longo do caule principal. Graças a isso, sugiro então reduzir o comprimento de todos os galhos existentes e buscar formatar novos galhos a partir de novas brotações, que irão advir após o corte redutor (no caso, deixe cada galho com apenas uns dois cm). As novas brotações irão permitir a escolha de galhos mais bem posicionados, e como serão novos, poderá então usar arame para configurar a estruturação aérea corretamente, evitando o posicionamento atual, onde todos os galhos estão voltados para cima.
Brotações de base e de raiz devem sempre ser eliminadas, pois que subtraem energia da planta onde ela irá necessitar, incluso dificultando novas brotações de galhos. Os novos galhos devem ter uma cor ligeiramente marrom para receberem carga de arame, que deve ficar um pouco solto, sem apertar em demasia, para evitar o estrangulamento e a marcação em sulcos nos galhos.
Os galhos, aramados, devem ficar ligeiramente voltados para baixo, na horizontal, com curvas leves lateralmente. Para favorecer a ramificação lateral dos galhos, costumamos cortar sempre os galhos um pouco próximo da emissão de folhas, deixando sempre um par de folhas na ponta. Nessa local, virão novas brotações, que deixamos crescer um pouco para logo em seguida, usando o mesmo tipo de corte, serem reduzidos os galhos, novamente mantendo um par de folhas na ponta e assim, sucessivamente, até formatar todos os galhos.
Até nesse aspecto o Resedá é mais fácil de ter sua estruturação aérea formatada corretamente. Resta sempre lembrar que na primavera é mais fácil aramar que no inverno, pois nesse período os galhos costumam ficar muito secos e quebradiços. Na primavera, também, podemos cortar bastante os galhos grossos como sugeri, reduzindo seu comprimento, pois isso irá favorecer a emissão de novos e vigorosos galhos, com os quais irá então construir toda a sua planta corretamente.
Em meu viveiro tenho diversos bonsai e prés em construção dessa espécie, incluso alguns com plena floração. Então, boa sorte com sua planta e não deixe de postar a evolução dela.
Para pesquisar no google imagens sobre possíveis modelos que possa seguir, sugiro digitar: sarusubere bonsai. Eis um link que mostra um mini bonsai florido dessa espécie:
http://www.mini-bonsai.com/indexe.html