Cores dos vasos 2
O Castro me enviou gentilmente a algum tempo atrás um artigo muito interessante que trata dentre outros aspectos das cores dos vasos. Tentarei incluir os aspectos me pareceram mais relevantes do artigo nesta segunda parte do tópico cores dos vasos.
Em primeiro lugar um princípio de ordem geral me chamou a atenção;
“O vaso deve ser um complemento e nunca ofuscar o bonsai. Deve haver uma harmonia entre a árvore e o vaso.”
Além desta princípio geral, uma das questões mais exaltadas pelo autor diz respeito aos contrastes entre vaso e planta como recurso de valorização de determinado aspecto da árvore.
Devemos portanto, tentar juntar as duas idéias, que aparentemente são contraditórias, buscando o que podemos chamar de um contraste harmônico. Assim a cor e a forma do vaso, devem permanecer harmônicas e integradas ao bonsai mesmo no caso de criarem certo contraste com a planta. Conceitualmente isto fica mais claro de ser visualizado se esclarecermos que a harmonia diz respeito ao conjunto como um todo enquanto o contraste é estabelecido entre as partes isoladas que, claro, compõe o conjunto.
Nada melhor para refletir sobre estas relações do que analisarmos agora os vasos vermelhos e Terra-de-Siena avermelhados (matiz típico de vasos de barro sem verniz).
Verde e vermelho são cores complementares. Isso significa que estas cores se exaltam uma em relação à outra criando uma tensão ou contraste. As cores complementares localizam-se em lados opostos do círculo cromático (a). Assim um verde ligeiramente amarelado se opõe a um vermelho ligeiramente avioletado (b) enquanto um verde ligeiramente azulado se opõe a um vermelho ligeiramente alaranjado (c).

Notem que se utilizarmos um vaso vermelho-vivo, isto é, saturado, em uma árvore que tenha folhas de um tom verde apagado, o peso do vaso será muito maior e o vaso acabará por chamar mais a atenção do que o próprio bonsai. É também o caso de um bonsai de folhas caducas. Quando este perde suas folhas a tensão entre as partes e o equilíbrio do conjunto acaba por se perder e o vaso acaba por chamar para si toda a atenção.

O ideal no uso desta cor é que o matiz de vermelho tenha uma intensidade de saturação próxima ou até um pouco mais apagada do que o matiz (cor) da folhagem do bonsai. É digno de nota também a relação de proporção existente entre o volume do vaso e o volume da copa. A vibração cromática dos verdes de uma grande copa pode ser equilibrada por uma pequena quantidade de vermelho intenso, ou seja, um vaso com um volume pequeno pede um grau de saturação maior para obter o mesmo efeito de tensão de um vaso maior.

Portanto, como princípio, podemos salientar que um vaso vermelho é uma escolha interessante quando se quer valorizar um bonsai que tenha como interesse principal o trabalho desenvolvido na copa.

Pode ser também o ideal quando um bonsai tem um tronco tão interessante que se torna necessário chamar um pouco mais de peso e atenção para a copa a fim de restabelecer o equilíbrio entre o tronco e a copa.

Vejamos agora como a luminosidade da cor escolhida interfere nesta relação.
Um vaso que tenha um tom muito escuro ou muito claro de vermelho perde também a intensidade de saturação cromática. Se misturamos, por exemplo, um vermelho com um preto obtemos um MARROM quente. Cromaticamente a tensão do vermelho com os verdes das folhas, apesar de presente, se apresenta menos intensa, mas por outro lado o escuro do vaso, sobretudo no caso dele ser mais escuro que as folhas, acaba por valorizar também a luminosidade dos verdes. No exemplo a seguir a escolha de um vermelho escuro foi também conveniente devido ao tom escuro de parte da madeira do tronco. Com isso a madeira morta ganhou extremo destaque.

O oposto também é verdadeiro. Se o vermelho for mais claro acaba por valorizar o tom escuro da folhagem. No belo caso abaixo o tom ligeiramente mais claro e alaranjado tenciona com o verde da copa e ao mesmo tempo valoriza os tons escuros verdes-azulados da folhagem. Com isso o tronco também mais escuro que o vaso se identifica com a copa criando um bloco coeso e separado do vaso. Note-se ainda que o musgo sobre a terra tem o mesmo tom de claro escuro do vaso, ajudando no efeito.
A separação “liberta” a árvore para seu movimento de queda mas a tensão das cores complementares não deixa que a relação se perca e a árvore “caia” ou se separe completamente do vaso estável.

Por fim o próximo exemplo é do tipo cenas do próximo capitulo.
O tom terra cota avermelhado do vaso é quase idêntico ao da madeira viva do tronco, criando uma unidade entre os dois ao mesmo tempo que se valoriza o verde da copa.

Este recuso é muito utilizado sobretudo nos vaso de cores mais neutras como o Terra-de-Siena. Em verdade os tons quebrados são folgado os mais utilizados e serão os próximos a serem analisados.
Em primeiro lugar um princípio de ordem geral me chamou a atenção;
“O vaso deve ser um complemento e nunca ofuscar o bonsai. Deve haver uma harmonia entre a árvore e o vaso.”
Além desta princípio geral, uma das questões mais exaltadas pelo autor diz respeito aos contrastes entre vaso e planta como recurso de valorização de determinado aspecto da árvore.
Devemos portanto, tentar juntar as duas idéias, que aparentemente são contraditórias, buscando o que podemos chamar de um contraste harmônico. Assim a cor e a forma do vaso, devem permanecer harmônicas e integradas ao bonsai mesmo no caso de criarem certo contraste com a planta. Conceitualmente isto fica mais claro de ser visualizado se esclarecermos que a harmonia diz respeito ao conjunto como um todo enquanto o contraste é estabelecido entre as partes isoladas que, claro, compõe o conjunto.
Nada melhor para refletir sobre estas relações do que analisarmos agora os vasos vermelhos e Terra-de-Siena avermelhados (matiz típico de vasos de barro sem verniz).
Verde e vermelho são cores complementares. Isso significa que estas cores se exaltam uma em relação à outra criando uma tensão ou contraste. As cores complementares localizam-se em lados opostos do círculo cromático (a). Assim um verde ligeiramente amarelado se opõe a um vermelho ligeiramente avioletado (b) enquanto um verde ligeiramente azulado se opõe a um vermelho ligeiramente alaranjado (c).

Notem que se utilizarmos um vaso vermelho-vivo, isto é, saturado, em uma árvore que tenha folhas de um tom verde apagado, o peso do vaso será muito maior e o vaso acabará por chamar mais a atenção do que o próprio bonsai. É também o caso de um bonsai de folhas caducas. Quando este perde suas folhas a tensão entre as partes e o equilíbrio do conjunto acaba por se perder e o vaso acaba por chamar para si toda a atenção.

O ideal no uso desta cor é que o matiz de vermelho tenha uma intensidade de saturação próxima ou até um pouco mais apagada do que o matiz (cor) da folhagem do bonsai. É digno de nota também a relação de proporção existente entre o volume do vaso e o volume da copa. A vibração cromática dos verdes de uma grande copa pode ser equilibrada por uma pequena quantidade de vermelho intenso, ou seja, um vaso com um volume pequeno pede um grau de saturação maior para obter o mesmo efeito de tensão de um vaso maior.

Portanto, como princípio, podemos salientar que um vaso vermelho é uma escolha interessante quando se quer valorizar um bonsai que tenha como interesse principal o trabalho desenvolvido na copa.

Pode ser também o ideal quando um bonsai tem um tronco tão interessante que se torna necessário chamar um pouco mais de peso e atenção para a copa a fim de restabelecer o equilíbrio entre o tronco e a copa.

Vejamos agora como a luminosidade da cor escolhida interfere nesta relação.
Um vaso que tenha um tom muito escuro ou muito claro de vermelho perde também a intensidade de saturação cromática. Se misturamos, por exemplo, um vermelho com um preto obtemos um MARROM quente. Cromaticamente a tensão do vermelho com os verdes das folhas, apesar de presente, se apresenta menos intensa, mas por outro lado o escuro do vaso, sobretudo no caso dele ser mais escuro que as folhas, acaba por valorizar também a luminosidade dos verdes. No exemplo a seguir a escolha de um vermelho escuro foi também conveniente devido ao tom escuro de parte da madeira do tronco. Com isso a madeira morta ganhou extremo destaque.

O oposto também é verdadeiro. Se o vermelho for mais claro acaba por valorizar o tom escuro da folhagem. No belo caso abaixo o tom ligeiramente mais claro e alaranjado tenciona com o verde da copa e ao mesmo tempo valoriza os tons escuros verdes-azulados da folhagem. Com isso o tronco também mais escuro que o vaso se identifica com a copa criando um bloco coeso e separado do vaso. Note-se ainda que o musgo sobre a terra tem o mesmo tom de claro escuro do vaso, ajudando no efeito.
A separação “liberta” a árvore para seu movimento de queda mas a tensão das cores complementares não deixa que a relação se perca e a árvore “caia” ou se separe completamente do vaso estável.

Por fim o próximo exemplo é do tipo cenas do próximo capitulo.
O tom terra cota avermelhado do vaso é quase idêntico ao da madeira viva do tronco, criando uma unidade entre os dois ao mesmo tempo que se valoriza o verde da copa.

Este recuso é muito utilizado sobretudo nos vaso de cores mais neutras como o Terra-de-Siena. Em verdade os tons quebrados são folgado os mais utilizados e serão os próximos a serem analisados.