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Cores dos vasos 2

duprat02/09/2006 01:37
Cores dos vasos 2
O Castro me enviou gentilmente a algum tempo atrás um artigo muito interessante que trata dentre outros aspectos das cores dos vasos. Tentarei incluir os aspectos me pareceram mais relevantes do artigo nesta segunda parte do tópico cores dos vasos.
Em primeiro lugar um princípio de ordem geral me chamou a atenção;
“O vaso deve ser um complemento e nunca ofuscar o bonsai. Deve haver uma harmonia entre a árvore e o vaso.”
Além desta princípio geral, uma das questões mais exaltadas pelo autor diz respeito aos contrastes entre vaso e planta como recurso de valorização de determinado aspecto da árvore.
Devemos portanto, tentar juntar as duas idéias, que aparentemente são contraditórias, buscando o que podemos chamar de um contraste harmônico. Assim a cor e a forma do vaso, devem permanecer harmônicas e integradas ao bonsai mesmo no caso de criarem certo contraste com a planta. Conceitualmente isto fica mais claro de ser visualizado se esclarecermos que a harmonia diz respeito ao conjunto como um todo enquanto o contraste é estabelecido entre as partes isoladas que, claro, compõe o conjunto.
Nada melhor para refletir sobre estas relações do que analisarmos agora os vasos vermelhos e Terra-de-Siena avermelhados (matiz típico de vasos de barro sem verniz).
Verde e vermelho são cores complementares. Isso significa que estas cores se exaltam uma em relação à outra criando uma tensão ou contraste. As cores complementares localizam-se em lados opostos do círculo cromático (a). Assim um verde ligeiramente amarelado se opõe a um vermelho ligeiramente avioletado (b) enquanto um verde ligeiramente azulado se opõe a um vermelho ligeiramente alaranjado (c).



Notem que se utilizarmos um vaso vermelho-vivo, isto é, saturado, em uma árvore que tenha folhas de um tom verde apagado, o peso do vaso será muito maior e o vaso acabará por chamar mais a atenção do que o próprio bonsai. É também o caso de um bonsai de folhas caducas. Quando este perde suas folhas a tensão entre as partes e o equilíbrio do conjunto acaba por se perder e o vaso acaba por chamar para si toda a atenção.



O ideal no uso desta cor é que o matiz de vermelho tenha uma intensidade de saturação próxima ou até um pouco mais apagada do que o matiz (cor) da folhagem do bonsai. É digno de nota também a relação de proporção existente entre o volume do vaso e o volume da copa. A vibração cromática dos verdes de uma grande copa pode ser equilibrada por uma pequena quantidade de vermelho intenso, ou seja, um vaso com um volume pequeno pede um grau de saturação maior para obter o mesmo efeito de tensão de um vaso maior.



Portanto, como princípio, podemos salientar que um vaso vermelho é uma escolha interessante quando se quer valorizar um bonsai que tenha como interesse principal o trabalho desenvolvido na copa.

Pode ser também o ideal quando um bonsai tem um tronco tão interessante que se torna necessário chamar um pouco mais de peso e atenção para a copa a fim de restabelecer o equilíbrio entre o tronco e a copa.



Vejamos agora como a luminosidade da cor escolhida interfere nesta relação.
Um vaso que tenha um tom muito escuro ou muito claro de vermelho perde também a intensidade de saturação cromática. Se misturamos, por exemplo, um vermelho com um preto obtemos um MARROM quente. Cromaticamente a tensão do vermelho com os verdes das folhas, apesar de presente, se apresenta menos intensa, mas por outro lado o escuro do vaso, sobretudo no caso dele ser mais escuro que as folhas, acaba por valorizar também a luminosidade dos verdes. No exemplo a seguir a escolha de um vermelho escuro foi também conveniente devido ao tom escuro de parte da madeira do tronco. Com isso a madeira morta ganhou extremo destaque.



O oposto também é verdadeiro. Se o vermelho for mais claro acaba por valorizar o tom escuro da folhagem. No belo caso abaixo o tom ligeiramente mais claro e alaranjado tenciona com o verde da copa e ao mesmo tempo valoriza os tons escuros verdes-azulados da folhagem. Com isso o tronco também mais escuro que o vaso se identifica com a copa criando um bloco coeso e separado do vaso. Note-se ainda que o musgo sobre a terra tem o mesmo tom de claro escuro do vaso, ajudando no efeito.
A separação “liberta” a árvore para seu movimento de queda mas a tensão das cores complementares não deixa que a relação se perca e a árvore “caia” ou se separe completamente do vaso estável.

Por fim o próximo exemplo é do tipo cenas do próximo capitulo.
O tom terra cota avermelhado do vaso é quase idêntico ao da madeira viva do tronco, criando uma unidade entre os dois ao mesmo tempo que se valoriza o verde da copa.



Este recuso é muito utilizado sobretudo nos vaso de cores mais neutras como o Terra-de-Siena. Em verdade os tons quebrados são folgado os mais utilizados e serão os próximos a serem analisados.
Cláudio José Teixeira02/09/2006 10:20
Olá Duprat,

Eu estava ancioso pela continuação desse tema. Quero agradecer sua boa vontade em compartilhar esse conhecimento conosco. Aproveitando a cor referida, vermelha. Gostaria que os ceramistas que participam do fórum dessem suas opiniões, pois, parece que esta cor possui particularidades na hora da queima.

Ficaremos na espera.

Um grande abraço,

Cláudio.
flaviano storani02/09/2006 20:35
Duprat, muito bom cara!!!
Essa eu guardei na minha máquina. Ficou bastante elucidativa e bem didático. Qto ao q salientou o amigo Cláudio, o Sami comentou da dificuldade (não sei se foi este o termo utilizado por ele) em reproduzir tons de vermelho nos vasos, pelo q me lembro há uma reação diferente na hora da queima, q prejudica o processo final.
Mas de qualquer forma, fica aí o desafio a nossos ceramistas.
Parabéns Duprat.
Grande abraço.
Flaviano.
flaviano storani02/09/2006 20:57
Segue aí a explicação do Sami com relação a produção de vasos com tom de vermelho:

"Prá mim tbem foi uma honra conhece-lo. Os vermelhos, como os
partidos, tem dificuldade de manter a cor. O que produz o vermelho,
em alta temperatura é o oxido de cobre,junto com outros minerais
não ferrosos. Acontece que a partir de 1200°C o oxido de cobre
quer volatilizar, quer ir embora, e, é dificil segura-lo. Quer dizer,
em relação as outras cores, o vermelho não é estavel. "

Abraços.
Flaviano.
darkaso02/09/2006 22:36
Duprat,


valeu pela matéria. Novamente esclarecendo muito sobre essa peça de nossa arte que é tão importante para finalizá-la. Pode-se dizer que é a moldura de nossa arte.

Parabéns.
Antonio Castro08/09/2006 19:46
Olá Duprat,

Mais uma vez, uma excelente matéria 😉 .

Mto obrigado pela partilha, e pelo trabalho que teve para a disponibilizar a todos nós.

Abraço,

Castro
Antonio Castro12/10/2006 19:03
Olá a todos

Duprat,

Como me parecia, a questão do "ponto d´Ouro" tal como acontece na pintura, também é fundamental no Bonsai 😉.

Tradução básica feita pelo Google, mas dá para ficar com a noção.

http://translate.google.com/translate?u=http%3A%2F%2Fwww.bonsai4me.com%2FAdvTech%2FATGolden%2520Section.html&langpair=en%7Cpt&hl=pt-PT&ie=UTF-8&oe=UTF-8&prev=%2Flanguage_tools

Se preferirem sempre podem ler em inglês.
http://www.bonsai4me.com/AdvTech/ATGolden%20Section.html

[ ]s

Castro
darkaso12/10/2006 19:34
Antônio,


o que é esse ponto d'ouro não sei, mas a matéria está muito boa. Bem esclarecedora.

T+
Antonio Castro12/10/2006 20:50
Olá a todos 🙂


Darkaso

O ponto ou Secção de Ouro é difícil de explicar, Segundo Vitrúvio ( arquitecto Romano do tempo de Augusto), tudo o que existe na natureza tem um factor de 0,618...

Segundo ele
“Para que um espaço dividido em partes desiguais se torne estético, deverá haver entre a parte menor e maior, a mesma relação que maior e o todo.”

Por exemplo se tiver uma largura de 8cm e a dividir em duas partes desiguais, que podem ser 3 e 5cm, vê-se que de acordo com a norma de Vitrúvio, existe a mesma relação proporcional entre a menor (3) e maior (5) e esta (5) e o seu todo ou comprimento (😎 porque se fizermos as contas 8:5 = 5:3.
Se fizermos as contas obtém-se o mesmo resultado: 1:6...assim Vitrúvio, achou então um factor numérico desta divisão em razão média e máxima.

“ A expressão de aritmética da “Secção d`Ouro” é igual a 1.618.

Para se achar o ponto/Secção de Ouro, por ex: numa folha A4 deve-se multiplicar a Altura da folha por 0,618 e fazer a mesma conta para a Largura, podendo ser arredondada nas centésimas, na medida que lhe der é onde ele está...por estranho que nos possa parecer, para tudo que nós visualizamos é onde inconscientemente em primeiro lugar olhamos...dai esse lugar á uns tempos atrás por ex: em Publicidade numa revista era o lugar mais procurado e como tal o mais caro da pagina, agora não sei se ainda será assim.
Por saberem isso é que Leonardo da Vinci / Velázquez / Rembrandt e muitos outros depois deles, os utilizaram nas suas Obras, sendo esse lugar o ponto de eleição para colocar o elemento mais importante dos seus quadros.
No entanto a arte não pretende ser uma ciência exacta, e muitas das vezes o artista não se sente obrigado a utilizá-la, como regra para a sua composição podendo alterá-la ou compensar com outras formas de equilíbrio / criatividade.

Curiosamente, estive ontem a ver um programa acerca deste assunto e segundo eles o numero 0,618 equivale a cada uma das sementes de um girasol / petalas de um malmequer ou os escudos de uma pinha que envolvem as sementes, se é verdade ou não não sei.

http://www.revista-temas.com/contacto/NewFiles/Contacto13.html

No bonsai para além de poder favorecer ainda mais uma parte boa da árvore, pode servir igualmente para não deixarmos lá uma "menos boa" já que seria o centro das atenções.

Espero que não tenha sido muito confuso 🙄 🙄 ...quem poderia dar uma mãozinha era o amigo Duprat, ou que possa corrigir caso este não esteja muito explicito ou mesmo incorrecto

[ ]s

Castro
darkaso13/10/2006 00:05
Antônio,


confuso o assunto, não sua explicação. Bem esclarecedor, nem precisava se dar esse trabalho, foi apenas um comentário, mas como colocou fico feliz em saber mais alguma coisa acerca de artes em geral.
Como isso ficaria para o bonsai? Se não for incômodo você ou o Duprat poderiam colocar algo com fotos para explicitar melhor este ponto.


T+
Antonio Castro13/10/2006 07:26
Ola a todos

Dark

é o que se vê naquele link anterior

http://www.bonsai4me.com/AdvTech/ATGolden%20Section.html

está lá os pontos seja na arte ou na localização num bonsai, onde a alteração de determinados ramos, influência de maneira significativamente o aspecto estético do Bonsai, parecendo-nos "menos bom" e de dificil explicação do seu porquê....já que é um instinto, comum a todos nós.

Reparei agora que lá tambem explica a sequência de Fibonacci, que tanto se fala do livro/filme "código da vinci" e do que citei acima acerca das pinhas.

Logo abaixo aprece representado uma pintura onde se vêem os referidos pontos ( são as Intercepções das linhas horizontais, com a verticais )

[ ]s

Castro
darkaso13/10/2006 19:07
Antônio,


agora entendi melhor. Bem interessante esse ponto, pois podemos ver como aplicar em nossas plantas. Vou pesquisar mais.


Obrigado.
Antonio Castro17/10/2006 16:26
darkaso17/10/2006 22:30
Antônio,


realmente é muito interessate esse número. Faz as coisas precerem simples e complexas ao memso tempo. Mas com certeza faz de Deus o maior matemático de todos os tempos. Vou estudar com calma estas páginas e tentar ver as coisas de outra maneira.


Valeu.
Antonio Castro05/07/2007 19:37
Olá a todos

Sem querer esbarrei com este site, e num dos vários artigos disponiveis, tem uma tentativa de explicação acerca das cores dos vasos, como muito bem fez acima o Amigo Duprat.

Este ( Espanhol ) no final tem a particularidade de ter um pequeno programa, onde se pode testar/fazer as experiências do que ali descrevem, podendo ser uma ferramenta bastante útil.
http://www.bonsaimenorca.com/color_maceta.html

Espero que gostem 😉

Cptos.

Castro
Alcides Junior06/07/2007 07:36
Duprat, Antonio Castro, obrigado por dividir o conhecimento conosco, meros aprendizes. Este tópico é de muito grande valia em nosso aprendizado. 😉
duprat08/07/2007 22:26
Grande Castro,
Bons ventos de além mar o tragam de volta ao nosso convívio.
Afinal a palavra saudade nasceu do ir e vir, do vir e ir, entre nossos países.
saudades
Antonio Castro11/07/2007 16:46
Olá amigo Duprat

duprat escreveu:
Grande Castro,
Bons ventos de além mar o tragam de volta ao nosso convívio.
Afinal a palavra saudade nasceu do ir e vir, do vir e ir, entre nossos países.
saudades

De facto assim é... 😄

Depois de tanto tempo por cá, a ausência dá Saudades...é um facto 😉

Após receber receber bastante "Mp´s" de Amigos...reflecti um pouco mais, e de facto seria uma enorme burrice, estar a privar-me do convivio com amigos, que tanto tempo levamos a ganhar, por um assunto sem importância nenhuma, apenas teve importância na minha cabeça, apenas porque o alimentei, naquele exacto momento...está ultrapassado.

O Amigo sim, é que tem andado meio ausente.

[ ]s

Castro

Bonsai não é o nome, mas sim o Despertar
ARQPATRIK11/07/2007 19:37
Vivendo e Aprendendo e depois reaprendendo, parece que estou de volta as aulas de história da arte na faculdade.
Beleza de matéria, e de discussão.
Parabens!!
duprat12/07/2007 02:03
Caro CASTRO, sumi mesmo. por sinal na mesma epoca, por sinal, alem de por falta de dinheiro, tempo e excesso de trabalho , por motivos parecidos com os seus. O clima geral culminando em sua saida desanimam qualquer um.
E estando com muitas obrigações pendentes então....
Mas agora estou de férias e tenho mais tempo.

caro ARQPATRIK desculpe o clima academico. Mesmo evitando ele transparece.
ARQPATRIK12/07/2007 09:36
Sem desculpas Duprat, é sempre bom acompanhar disculssões deste nivel, é um ótimo aprendizado.
flavio bonsai25/08/2007 14:50
cara que boa essa materia , assim vamos aprendendo cada dia mais .