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Uma breve explicação sobre Estacas e Alporque ((ATUALIZADO))

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Marcelo Giovanelli14/10/2006 00:21
Uma breve explicação sobre Estacas e Alporque ((ATUALIZADO))
Resolvi postar este tópico aqui pois achei mais adequado.

Meu alvo principal será ajudar os amigos iniciantes. Quando começei no Bonsai era este tipo de leitura que eu procurava e talvez eu possa esclarecer algumas dúvidas dos amigos. Se não entenderem perguntem. Tentarei explicar com o maior prazer.

As vezes quando escrevemos em algum tópico, por mero descuido, não nos damos conta de que os amigos recém iniciados em nossa Arte não entendem alguns procedimentos os quais temos certa experiência. Tomei a liberdade hoje de trabalhar uma muda de Ligustrum e aproveitei a oportunidade e fotografei o passo a passo de alguns procedimentos - estaquia e alporquia.

Estaquia e Alporquia são métodos de propagação de espécies, assim como a sementia. Seus nomes em Japonês são respectivamente Sashiki, Toriki e Misho. Cada espécie tem um método de propagação mais apropriado, porém pode-se tentar qualquer um em qualquer espécie.

Aqui vemos a muda bruta, ainda em uma garrafa pet. Não sei quantos anos tem, mas garanto que está ai há pelo menos um ano. Confesso que tentei fazer uma cascata mas os galhos estavam duros e o Ligustrum racha fácil. Optei por alporcar o galho da esquerda e criar movimento no galho da direita. Dessa forma minha intenção é trabalhar um tronco à direita e obter uma muda nova apartir do galho esquerdo. Feito isso deixarei as plantas em escorredores e posterior mamadeira para desenvolverem-se de forma acelerada. A técnica da mamadeira é explicada com muitos detalhes em outros tópicos deste Fórum



Para aproveitar os galhos restantes das podas uma opção é a estaquia. Assim que retiro os galhos da planta inicial, começo a preparação dos mesmos. Primeiro preparo uma mini estufa. Ela irá garantir que as estacas não desidratem ao ar livre, aumentando a chance de pega. Uma alternativa que eu uso bastante são as garrafas plásticas tipo PET, pois podemos acoplar as partes determinando assim o tamanho adequado ao nosso trabalho. Corta-se a ponta e o fundo, fazemos furos de drenagem na porção inferior e acoplamos uma parte na outra, fazendo uma garrafa menor.



Colocamos o substrato na garrafa. Particularmente uso areia grossa com musgo. Isso promove boa drenagem, mantém a umidade e facilita a formação das raízes capilares.
Após colocado o substrato é hora de colocar as estacas. Estas, como disse anteriormente, necessitam de um trabalho de refino. Retiramos as folhas cortando-as pelos pecíolos (o cabinho da folha) mantendo um pequeno segmento dele. Depois cortamos a porção inferior da estaca em forma de bisel. Isso aumenta a área de contato com o solo, aumentando assim a chance de pega.
Feito isso, com o auxílio de uma vareta, fazemos pequeninas covas onde enterraremos as estacas. Evita-se dessa forma afundar a estaca no substrato causando lesão do bisel.







A última figura mostra as estacas já colocadas no substrato.
Promovemos então o fechamento da estufa.



Assim que observar a saída de brotos nas estacas é sinal de pega. Se murchar ou secar não desista... aprendemos muito mais com os erros do que com os acertos.
Uma dica que pode aumentar a chance de pega é manter as estacas antes do plantio mergulhadas por alguns minutos em solução enraízante e depois manter o substrato úmido com uma solução a 0,4% desta solução nos primeiros 5 dias e depois a cada 7 dias. Pode-se comprar ou fazer em casa. Nada mais é do que vitamina B6. Aqui não utilizei pois a minha havia acabado.


Um outro método de propagação é a Alporquia. O galho da esquerda não permitiu uma cascata pela sua firmeza. Optei por não desprezá-lo.
O alporque consiste na técnica de se obter uma planta apartir de um galho com uma taxa de sucesso maior do que a estaquia.
Consiste na formação de um anel ao redor do galho definido.





Esse anel é chamado de Anel de Malpigui em Botânica. Nossa intenção aqui é bloquear a descida da seiva para as raízes sem bloquear a passagem de água para o galho. Isso estimula a formação de raízes no local. Fazemos um anel na casca do galho em toda sua extensão. Aprofundamos o estilete na casca até sentirmos uma resistência maior: vc chegou no cerne da planta. A distância do anel deve ser maios ou menos semelhante a grossura do galho a ser alporcado. Retire a casca e raspe com o estilete no sentido do galho para retirar o tecido de cicatrização da planta.
Em seguida envolva o anel com musgo e envolva o anel+musgo com um pedaço de plástico, amarrando o conjunto para não cair.




Para garantir o sucesso do alporque deixe o musgo de molho de um dia para o outro em solução de hormônio enraizador diluído. Não se esqueça de regar o alporque diariamente. Assim que as raízes se formarem vc as vera pelo plástico transparente. Geralmente as raízes são vermelhas. Espere enraizar bem e corte na porção distal do alporque. Plante em vaso de forma que o alporque fique todo coberto pelo substrato. Evite de mexer no musgo com as raízes. Deixe a nova muda em sobra e com o solo sempre úmido por cerca de 15 dias até tratá-la normalmente. Assim terá nova muda para trabalhar.

O tempo para formação das raízes depende de espécie e pode variar muito, desde 3 meses a até 18 meses. Uma particularidade é a Pitanga que cicatriza mas não emite raízes mesmo que o corte seja profundo.

Aqui o aspecto final da muda: Alporque no galho esquerdo + movimento com arame no direito + replante em vaso maior com mudança de posição.




Amigos espero ter sido claro em minha simples explicação. Espero também que sirva de auxílio a todos.
Assim que puder posto a evolução desta muda bem como o passo a passo da retirada do alporque e da pega das estacas.

Um grande abraço a todos, Marcelo.
Felipe Frango Zappala14/10/2006 10:30
Marcelo, muito bom. Você disse aí uma coisa certa... quando a pessoa está iniciando, anseia por textos bem explicativos como esse! Acho que isso é o que um fórum necessita. Quando mais gente aprendendo, e de forma certa, será mais gente no futuro para trocar experiências, serão mais mudas, mais prés e bonsai.

Partabéns pelo texto e iniciativa.
darkaso14/10/2006 17:20
Marcelo,


boa matéria mesmo. Bem completinho amigo. Boas dicas para direcionar os nossos trabalhos melhorar nossas plantas. Com certeza será muito útil.


Valeu.
Marcelo Giovanelli14/10/2006 20:50
Amigos Felipe e Darkaso:

Muito obrigado pelas palavras. Elas são o meu maior incentivo.
Como disse, quando iniciamos temos uma ansiedade enorme que aprendemos a controlar com tempo.

Um outro fator que julgo muito imoprtante é a experiência no seu sentido, a curiosidade. Gostaria que este breve resumo despertasse nos amigos o interese pela prática, colocar a mão na massa e ver o resultado....

Espero que esta explicação sirva a todos e seja útil aos amigos, novatos ou não !!!

Um grande abraço, Marcelo.
luiz Fernando14/10/2006 21:15
.
Marcelo ta de Parabens, muito legal suas dicas, é assim que nossa arte o Bonsai vai expandir por todo nosso Brasil.

Um Abraço

Luiz Fernando
Marcelo Giovanelli14/10/2006 21:18
Amigo Luis....

Muito obrigado pelas suas palavras.... são elas o meu maior incentivos...
Kaloyo14/10/2006 21:26
Bom trabalho!
Foi boa a sua ideia de fotografar todos os passos complenmentando as suas palavras.
Parabéns e obrigado pela partilha de conhecimento!
Marquitus19/10/2006 08:32
Grande Marcelo, parabéns pela matéria!

Estou com uma dúvida, a vitamina é a B6 ou B1?

Pois utilizo a B1 como tinha lido em outras matérias.

Qual a diferença entre elas?

Um abraço!
Marcos
Cláudio José Teixeira19/10/2006 10:49
Marcelo,

Grande matéria! Muito boa esta sua iniciativa de nos mostrar tão detalhadamente este procedimento. Fiquei também na dúvida sobre a vitamina utilizada, normalmente se usa a B1, seria a vitamina B6 também útil neste caso?

Abraços,

Cláudio.
Marcelo Giovanelli19/10/2006 16:21
Amigos Cláudio e Marquitus, muito obrigado pelas palavras... como tenho dito são elas o meu incentivo.....

Em breve postarei mais tópicos assim esclarecendo a mamadeira, o tão controverso alporque em Jabuticabas entre outros...

Agora até eu fiquei na dúvida... vou confirmar qual B que é.

A diferença entre as vitaminas B basicamente está na fórmula estrutural. A família ou o chamado complexo B é extenso e vital para os seres vivos. Vou dar uma checada nisso e passo a vocês depois.

Grande abraço, Marcelo.
Marcelo Giovanelli19/10/2006 16:44
Vejam só.... ainda não encontrei a resposta sobre a vitamina B. Tenho que encontrar onde lí isso.

Durante minha busca caí neste site e acho que devemos todos ler as matérias que aqui estão.

O tópico de nº14 mostra cada coisa: enxertos, alporquia, fala sobre as auxinas (hormônios vegetais de crescimento). Enfim, para quem não tem uma boa base de Botânica vale a pena !!!!

Na Medicina, a Fisiologia é um dos tripés que sustentam o curso. É a ciência que estuda como o corpo funciona e se integra em estado de NÃO doença, ou seja, estuda como as coisas funcionam no modo normal ! Creio que na Botânica não seja diferente.

Ainda não lí todos os tópicos. Se alguém encontrar a respost por favor divulguém !!!

Grande abraço, MArcelo.


http://www.cpa.unicamp.br/sbfv/internas.php?grad01
Marcelo Giovanelli21/10/2006 16:24
Pssoal, conversei com o Edu daqi de São José e peço desculpas pelo erro. Realmente é a B1.

Mandei e-mail para um instituto de Fisiologia vegetal e aguardo mais esclarecimentos sobre o sistema hormonal vegetal.

Gde abraço, Marcelo.
Marcelo Giovanelli01/12/2006 21:17
Para atualizar o tópico estarei postando na segunda próxima fotos dos resultados obtidos !!!!

Aguardem !!!!

Abração, Marcelo.
EBREO02/12/2006 12:59
MATERIAS
MARCELO E AMIGOS,estou dissecando esta parte do forum e me surpreendendo com quantidade de informacoes , que estao contidas aqui!!! Tenho mais de vinte anos de ligacoes a plantas e jardinagem. E estou aqui aprendendo de novo! FANTASTICO!!! PS. Estas nos devendo , junto com o RILDO, novas visitas a teus mestres! QUEM E SABIO? E AQUELE QUE APRENDE COM TUDO E TODOS ! RABBI BEN ZOMA.
Marquitus04/12/2006 10:02
Marcelo, obrigado por esclarecer a dúvida, eu estava preocupado pensando que estava errado, mas no final está ok.

Valeu!

Um abraço!
Marcos
😄 😄 😄
vetbonsai04/12/2006 21:36
😄 Fala Moçada 😄

Alguém aí já usou raspa de fibra de coco ao invés de musgo!?

Acho que ela não compete tanto pelos nutrientes...

Alguém?

Abração e até!

Adriano
darkaso04/12/2006 22:23
Adriano,


mas a fibra de côco não está morta? Não ficaria um pouco estranho uma fibra morta na superfície do vaso?



T+
vetbonsai05/12/2006 08:43
😄 Fala Darkaso ❗

Tô pensando em colocar a fibra de coco no alporque e passar filme pra segurar...

Vc não acha viável?

Abração!!!

Adriano
Marcelo Giovanelli06/12/2006 16:50
Amigos, para dar seguimento a essa explicação nada melhor do que revelar os resultados certo?!

Aí vão os resultados obtidos com o alporque e as estacas.

Os procedimentos foram realizados em 14 de Outubro, conforme mostra a primeira mensagem. O aparecimento de raízes se deu em 3 semanas para o alporque e 4 para as estacas, que foram, por sua vez, mantidas por mais 2 semanas na mini estufa; total de 7 semanas do início até hoje certo?!

O alporque. Vejam as raízes mais branquinhas em todas as fotos...





E o resultado das estacas...





No total perdi apenas uma estaca que estava enraizada porém secou quando retirei a tampa da estufa. Mesmo recolocando ela não resistiu.

É esse o momento ideal tanto para estaca quanto alporque iniciar os trabalhos. Muitas pessoas aguardam um certo tempo para começar a formar o nebari. Eu já os inicio agora, replantando tudo e direcionando as raízes. Uso para os dois casos bases de madeira obtidas em uma loja de som (utilizo umas sobras redondas de madeira que são frutos da abertura dos orifícios para alocar os auto-falantes maiores em caixas seladas). Até agora tem dado certo.

Assim que for replantar o material posto as fotos do procedimento dando seguimento ao tópico.

Espero ter contribuido, um grande abraço, Marcelo.
Marcelo Giovanelli07/12/2006 11:55
Continuando....

Hoje estava um dia sem sol e resolvi retirar o alporque.

Escolhi a base onde vou apoiar o alporque para modelar o nebari. Não arrumei a base de madeira por isso fiz com plástico.



Preparei o substrato antes de retira o alporque. Sempre deixo tudo montado e preparado antes de retirar da planta mãe, diminuindo assim o tempo de exposição das raízes. Utilizei areia 20%, cacos de telha, carvão e pedriscos grandes 30% e terra preta de boa qualidade 50%. Ficou bem aerada e leve de modo a formar boas raízes. Sempre utilizo terra preta para promover oferta de material orgânico ao alporque.




Tudo pronto, coloco o substrato no vaso até a altura desejada. Costumo plantar o alporque de modo que a base fique bem enterrada; coloco terra até a altura do futuro tronco.

Faço a retirada do alporque, cortando e deixando um toquinho na planta mãe para acertar a ferida depois. É esse o resultado obtido.



Nunca se esqueça de proteger a cicatriz que ficou na base de suas raízes.... ali vai ficar bem úmido e a chance de contaminação por patógenos é alta. Passe pasta cicatrizante sempre.



Faço então o acerto do nebari posicionando as raízes de modo bem radial. Antes de manuseálas, desembaraço cuidadosamente o feixe radicular de modo a manipular sem risco de quebras. Faço o apoio da base no local onde passei a pasta, mas pode amarrar com barbante que não estrangula a raíz e com o tempo apodrece e se solta.



Depois apoie bem a base no vaso e amarre com arame para ficar firme e não balançar. Se balançar muito pode quebrar as coifas (pontinhas das raízes). Eu uso muito o apoio com estacas de bambú em dois planos. Fixa bem e não marca a planta. Não se esqueça de podar as folhas para evitar a desidratação. Lembre-se da regrinha do equilíbrio entre copa e sistema radicular !!!



Perceba um arame e um filete de bambú apoiando a planta.

Para garantir o sucesso do procedimento e contornar o problema da imaturidade e pequeno número de raízes coloco um saco plástico envolvendo todo o conjunto. Deixo assim até ver que há brotação. É o mesmo princípio da mini estufa usada nas estcas.



Feito tudo isso, volte a planta matriz e acerte a ferida resultante da retirada do alporque.





Eis o aspecto final da planta matriz....



Coloque o conjunto do alporque com o saquinho em um local sombreado e úmido, garantindo assim uma chance a mais de sucesso...



Assim que for retirar o saquinho posto as evoluções....

Gde abraço, Marcelo.
darkaso07/12/2006 20:36
Adriano,


entendi, mas a fibra de fica muito seca não? Talvez não fique com a umidade ideal.


Marcelo,


boa evolução. Com certeza este é um tópico para deixar de indicação a todos iniciantes como consulta.


T+
Marcelo Giovanelli08/12/2006 09:32
Darkaso, muito obrigado pela indicação.

Minha intenção é fazer deste tópico uma matéria contínua, mostrando o passo a passo para se chegar a um Bonsai. Só espero ter a experiência necessária para transformar essas mudas em Bonsai.... Seria algo bem interessante.

Quanto a fibra de coco, o Edu e eu vimos algumas vantagens: são higienizadores de substrato pois evitam a proliferação de patógenos, porém nunca utilizamos em alporque ou estaquia; não degradam o ambiente uma vex que vieram para substituir o xaxim, planta em extinção.

Gde abraço, Marcelo.
vetbonsai08/12/2006 21:20
😄 Fala Marcelo ❗

Putz... Fiz um alporque de uma laranjeira aqui em casa hoje de manhã com musgo (peguei no chão de casa... 😢 ) Espero que funcione!

Amanhã vou testar a fibra de coco. Pego outro lugar pra fazer outro alporque! Daqui um tempo falo pra vcs se ficou bom ou não! 😉 Pensei na fibra de coco pois é limpa (como vc falou) e não competiria com os nutrientes para o alporque! Vamos ver....

Abração a todos

Adriano
Marcelo Giovanelli08/12/2006 21:56
É isso aí Adriano!!

Poste as fotos se for possível!!!

Abração.
Marcelo Giovanelli18/12/2006 21:49
Amigos, atualizei o tópico sobre um pingo de ouro lá no minha planta e sua opinião que talvez ajude a entender a base em madeira que mencionei acima....

Abração, Marcelo.
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