Uma breve explicação sobre Estacas e Alporque ((ATUALIZADO))
Resolvi postar este tópico aqui pois achei mais adequado.
Meu alvo principal será ajudar os amigos iniciantes. Quando começei no Bonsai era este tipo de leitura que eu procurava e talvez eu possa esclarecer algumas dúvidas dos amigos. Se não entenderem perguntem. Tentarei explicar com o maior prazer.
As vezes quando escrevemos em algum tópico, por mero descuido, não nos damos conta de que os amigos recém iniciados em nossa Arte não entendem alguns procedimentos os quais temos certa experiência. Tomei a liberdade hoje de trabalhar uma muda de Ligustrum e aproveitei a oportunidade e fotografei o passo a passo de alguns procedimentos - estaquia e alporquia.
Estaquia e Alporquia são métodos de propagação de espécies, assim como a sementia. Seus nomes em Japonês são respectivamente Sashiki, Toriki e Misho. Cada espécie tem um método de propagação mais apropriado, porém pode-se tentar qualquer um em qualquer espécie.
Aqui vemos a muda bruta, ainda em uma garrafa pet. Não sei quantos anos tem, mas garanto que está ai há pelo menos um ano. Confesso que tentei fazer uma cascata mas os galhos estavam duros e o Ligustrum racha fácil. Optei por alporcar o galho da esquerda e criar movimento no galho da direita. Dessa forma minha intenção é trabalhar um tronco à direita e obter uma muda nova apartir do galho esquerdo. Feito isso deixarei as plantas em escorredores e posterior mamadeira para desenvolverem-se de forma acelerada. A técnica da mamadeira é explicada com muitos detalhes em outros tópicos deste Fórum

Para aproveitar os galhos restantes das podas uma opção é a estaquia. Assim que retiro os galhos da planta inicial, começo a preparação dos mesmos. Primeiro preparo uma mini estufa. Ela irá garantir que as estacas não desidratem ao ar livre, aumentando a chance de pega. Uma alternativa que eu uso bastante são as garrafas plásticas tipo PET, pois podemos acoplar as partes determinando assim o tamanho adequado ao nosso trabalho. Corta-se a ponta e o fundo, fazemos furos de drenagem na porção inferior e acoplamos uma parte na outra, fazendo uma garrafa menor.

Colocamos o substrato na garrafa. Particularmente uso areia grossa com musgo. Isso promove boa drenagem, mantém a umidade e facilita a formação das raízes capilares.
Após colocado o substrato é hora de colocar as estacas. Estas, como disse anteriormente, necessitam de um trabalho de refino. Retiramos as folhas cortando-as pelos pecíolos (o cabinho da folha) mantendo um pequeno segmento dele. Depois cortamos a porção inferior da estaca em forma de bisel. Isso aumenta a área de contato com o solo, aumentando assim a chance de pega.
Feito isso, com o auxílio de uma vareta, fazemos pequeninas covas onde enterraremos as estacas. Evita-se dessa forma afundar a estaca no substrato causando lesão do bisel.



A última figura mostra as estacas já colocadas no substrato.
Promovemos então o fechamento da estufa.

Assim que observar a saída de brotos nas estacas é sinal de pega. Se murchar ou secar não desista... aprendemos muito mais com os erros do que com os acertos.
Uma dica que pode aumentar a chance de pega é manter as estacas antes do plantio mergulhadas por alguns minutos em solução enraízante e depois manter o substrato úmido com uma solução a 0,4% desta solução nos primeiros 5 dias e depois a cada 7 dias. Pode-se comprar ou fazer em casa. Nada mais é do que vitamina B6. Aqui não utilizei pois a minha havia acabado.
Um outro método de propagação é a Alporquia. O galho da esquerda não permitiu uma cascata pela sua firmeza. Optei por não desprezá-lo.
O alporque consiste na técnica de se obter uma planta apartir de um galho com uma taxa de sucesso maior do que a estaquia.
Consiste na formação de um anel ao redor do galho definido.


Esse anel é chamado de Anel de Malpigui em Botânica. Nossa intenção aqui é bloquear a descida da seiva para as raízes sem bloquear a passagem de água para o galho. Isso estimula a formação de raízes no local. Fazemos um anel na casca do galho em toda sua extensão. Aprofundamos o estilete na casca até sentirmos uma resistência maior: vc chegou no cerne da planta. A distância do anel deve ser maios ou menos semelhante a grossura do galho a ser alporcado. Retire a casca e raspe com o estilete no sentido do galho para retirar o tecido de cicatrização da planta.
Em seguida envolva o anel com musgo e envolva o anel+musgo com um pedaço de plástico, amarrando o conjunto para não cair.

Para garantir o sucesso do alporque deixe o musgo de molho de um dia para o outro em solução de hormônio enraizador diluído. Não se esqueça de regar o alporque diariamente. Assim que as raízes se formarem vc as vera pelo plástico transparente. Geralmente as raízes são vermelhas. Espere enraizar bem e corte na porção distal do alporque. Plante em vaso de forma que o alporque fique todo coberto pelo substrato. Evite de mexer no musgo com as raízes. Deixe a nova muda em sobra e com o solo sempre úmido por cerca de 15 dias até tratá-la normalmente. Assim terá nova muda para trabalhar.
O tempo para formação das raízes depende de espécie e pode variar muito, desde 3 meses a até 18 meses. Uma particularidade é a Pitanga que cicatriza mas não emite raízes mesmo que o corte seja profundo.
Aqui o aspecto final da muda: Alporque no galho esquerdo + movimento com arame no direito + replante em vaso maior com mudança de posição.

Amigos espero ter sido claro em minha simples explicação. Espero também que sirva de auxílio a todos.
Assim que puder posto a evolução desta muda bem como o passo a passo da retirada do alporque e da pega das estacas.
Um grande abraço a todos, Marcelo.
Meu alvo principal será ajudar os amigos iniciantes. Quando começei no Bonsai era este tipo de leitura que eu procurava e talvez eu possa esclarecer algumas dúvidas dos amigos. Se não entenderem perguntem. Tentarei explicar com o maior prazer.
As vezes quando escrevemos em algum tópico, por mero descuido, não nos damos conta de que os amigos recém iniciados em nossa Arte não entendem alguns procedimentos os quais temos certa experiência. Tomei a liberdade hoje de trabalhar uma muda de Ligustrum e aproveitei a oportunidade e fotografei o passo a passo de alguns procedimentos - estaquia e alporquia.
Estaquia e Alporquia são métodos de propagação de espécies, assim como a sementia. Seus nomes em Japonês são respectivamente Sashiki, Toriki e Misho. Cada espécie tem um método de propagação mais apropriado, porém pode-se tentar qualquer um em qualquer espécie.
Aqui vemos a muda bruta, ainda em uma garrafa pet. Não sei quantos anos tem, mas garanto que está ai há pelo menos um ano. Confesso que tentei fazer uma cascata mas os galhos estavam duros e o Ligustrum racha fácil. Optei por alporcar o galho da esquerda e criar movimento no galho da direita. Dessa forma minha intenção é trabalhar um tronco à direita e obter uma muda nova apartir do galho esquerdo. Feito isso deixarei as plantas em escorredores e posterior mamadeira para desenvolverem-se de forma acelerada. A técnica da mamadeira é explicada com muitos detalhes em outros tópicos deste Fórum

Para aproveitar os galhos restantes das podas uma opção é a estaquia. Assim que retiro os galhos da planta inicial, começo a preparação dos mesmos. Primeiro preparo uma mini estufa. Ela irá garantir que as estacas não desidratem ao ar livre, aumentando a chance de pega. Uma alternativa que eu uso bastante são as garrafas plásticas tipo PET, pois podemos acoplar as partes determinando assim o tamanho adequado ao nosso trabalho. Corta-se a ponta e o fundo, fazemos furos de drenagem na porção inferior e acoplamos uma parte na outra, fazendo uma garrafa menor.

Colocamos o substrato na garrafa. Particularmente uso areia grossa com musgo. Isso promove boa drenagem, mantém a umidade e facilita a formação das raízes capilares.
Após colocado o substrato é hora de colocar as estacas. Estas, como disse anteriormente, necessitam de um trabalho de refino. Retiramos as folhas cortando-as pelos pecíolos (o cabinho da folha) mantendo um pequeno segmento dele. Depois cortamos a porção inferior da estaca em forma de bisel. Isso aumenta a área de contato com o solo, aumentando assim a chance de pega.
Feito isso, com o auxílio de uma vareta, fazemos pequeninas covas onde enterraremos as estacas. Evita-se dessa forma afundar a estaca no substrato causando lesão do bisel.



A última figura mostra as estacas já colocadas no substrato.
Promovemos então o fechamento da estufa.

Assim que observar a saída de brotos nas estacas é sinal de pega. Se murchar ou secar não desista... aprendemos muito mais com os erros do que com os acertos.
Uma dica que pode aumentar a chance de pega é manter as estacas antes do plantio mergulhadas por alguns minutos em solução enraízante e depois manter o substrato úmido com uma solução a 0,4% desta solução nos primeiros 5 dias e depois a cada 7 dias. Pode-se comprar ou fazer em casa. Nada mais é do que vitamina B6. Aqui não utilizei pois a minha havia acabado.
Um outro método de propagação é a Alporquia. O galho da esquerda não permitiu uma cascata pela sua firmeza. Optei por não desprezá-lo.
O alporque consiste na técnica de se obter uma planta apartir de um galho com uma taxa de sucesso maior do que a estaquia.
Consiste na formação de um anel ao redor do galho definido.


Esse anel é chamado de Anel de Malpigui em Botânica. Nossa intenção aqui é bloquear a descida da seiva para as raízes sem bloquear a passagem de água para o galho. Isso estimula a formação de raízes no local. Fazemos um anel na casca do galho em toda sua extensão. Aprofundamos o estilete na casca até sentirmos uma resistência maior: vc chegou no cerne da planta. A distância do anel deve ser maios ou menos semelhante a grossura do galho a ser alporcado. Retire a casca e raspe com o estilete no sentido do galho para retirar o tecido de cicatrização da planta.
Em seguida envolva o anel com musgo e envolva o anel+musgo com um pedaço de plástico, amarrando o conjunto para não cair.

Para garantir o sucesso do alporque deixe o musgo de molho de um dia para o outro em solução de hormônio enraizador diluído. Não se esqueça de regar o alporque diariamente. Assim que as raízes se formarem vc as vera pelo plástico transparente. Geralmente as raízes são vermelhas. Espere enraizar bem e corte na porção distal do alporque. Plante em vaso de forma que o alporque fique todo coberto pelo substrato. Evite de mexer no musgo com as raízes. Deixe a nova muda em sobra e com o solo sempre úmido por cerca de 15 dias até tratá-la normalmente. Assim terá nova muda para trabalhar.
O tempo para formação das raízes depende de espécie e pode variar muito, desde 3 meses a até 18 meses. Uma particularidade é a Pitanga que cicatriza mas não emite raízes mesmo que o corte seja profundo.
Aqui o aspecto final da muda: Alporque no galho esquerdo + movimento com arame no direito + replante em vaso maior com mudança de posição.

Amigos espero ter sido claro em minha simples explicação. Espero também que sirva de auxílio a todos.
Assim que puder posto a evolução desta muda bem como o passo a passo da retirada do alporque e da pega das estacas.
Um grande abraço a todos, Marcelo.














