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REGRAS PARA UTILIZAÇÃO DA NOMENCLATURA CIENTÍFICA

Ferreira31/01/2007 21:00
REGRAS PARA UTILIZAÇÃO DA NOMENCLATURA CIENTÍFICA
REGRAS PARA UTILIZAÇÃO DA NOMENCLATURA CIENTÍFICA


A nomenclatura científica normalmente é considerada muito chata pelos estudantes de biologia. Para o público em geral pode parecer muito complicada e incompreensível. Mas o conhecimento das regras básicas da nomenclatura pode ser útil aos bonsaístas, principalmente para quem pretende ler e compreender a literatura internacional. Também é importante para quem tem por objetivo identificar plantas nativas para trabalhar como bonsai. Não é necessário decorar estas regras, apenas compreender seu significado e importância.

As principais regras são as seguintes:

1) Desde o naturalista Lineu, a denominação científica das espécies é sempre binomial, ou seja, composta por dois nomes, sendo o primeiro o gênero e o segundo a espécie;

2) Embora as espécies de um gênero sejam parentes (evolutivamente) e às vezes parecidas, o primeiro nome não é da família. A família é uma categoria ainda maior, normalmente englobando vários gêneros;

3) Mesmo que uma espécie tenha dezenas de nomes populares, ela terá um único nome científico como identidade;

4) O nome da espécie será utilizado internacionalmente, independentemente da língua do texto que a cita;

5) Todos os nomes são em Latim ou latinizados (pois a língua morta não está sujeita a alterações de grafia) e por isso nenhum nome científico deve ser acentuado;

6) Deve-se escrever o nome científico com destaque, por isso normalmente se utiliza o tipo itálico (Ficus retusa);

7) Quando usado sozinho, o nome do gênero se refere a todas as espécies incluídas nele (escreve-se Acer para se referir a todas as espécies descritas para o gênero);

😎 Para se referir a uma espécie em particular, o nome da espécie é sempre precedido do nome do gênero (Acer palmatum);

9) O nome do gênero deve ser escrito com letra maiúscula e o da espécie com letra minúscula, de maneira que seria igualmente incorreto escrever “acer palmatum” ou “Acer Palmatum”;

10) Quando já foi citado antes no mesmo trecho, o nome do gênero pode ser abreviado (A. palmatum), mas não omitido;

11) Uma espécie pode ter variedades ou subespécies (A. palmatum atropurpureum);

12) O nome da espécie não pode ser omitido nem deve ser abreviado (portanto, não seria correto escrever “A. p. atropurpureum”, nem muito menos “A. atropurpureum”);

13) Muitas vezes aparece escrito Eugenia sp., indicando que a espécie pertence a este gênero, mas sem indicar qual é a espécie. Isso pode acontecer por não terem sido procuradas as informações existentes sobre a espécie ou por ela ser uma espécie nova, ainda a ser descrita;

14) Uma vez atribuído, um nome de espécie não pode ser retirado, permanecendo como sinônimo. Muitas vezes, depois de novos estudos fica demonstrado que uma determinada espécie pertence a outro gênero. Por exemplo, Eugenia suaveolens foi o nome atribuído ao Cambuim-de-raposa, mas depois foi verificado que esta espécie, por suas características, deveria ser transferida para o gênero Blepharocalix. Portanto, o nome correto passou a ser Blepharocalix suaveolens, mas o nome antigo (Eugenia suaveolens syn) continua como sinônimo;

15) A primeira atribuição de nome de um gênero ou espécie tem prioridade. Se por equívoco um novo nome foi atribuído, ao ser percebido o erro, o nome antigo terá preferência de utilização;

16) Como toda regra, a anterior também tem exceção. Por exemplo, a espécie Ehretia buxifolia é mais conhecida internacionalmente como Carmona microphyla, que é o nome preferido pelos bonsaístas. Embora cientificamente o nome correto seja o primeiro, o segundo foi consagrado pelo uso. Assim, os bonsaístas continuarão cultivando Carmona microphyla, mas se um botânico descobrisse uma nova espécie do gênero, seria obrigado a usar o nome Ehretia (se ele fosse brasileiro, poderia nomear a nova espécie como Ehretia brasucae, por exemplo);

17) Às vezes aparecem algumas letras entre os nomes: Ficus retusa var. microcarpa, Juniperus x media, Myrcia cf guianensis, etc. Também são símbolos utilizados internacionalmente, sendo “var” a abreviatura de “variedade”, o “x” indica que se trata de uma espécie híbrida de junípero, e o “cf” significa que o nome da espécie necessita ser confirmado.

1a. versão (31/01/2007)

José Ferreira dos Santos,
Biólogo, mestre em Genética e doutor em Bioquímica,
Prof. Adjunto do Depto. de Genética, CCB,
Universidade Federal de Pernambuco.
Antonio Castro31/01/2007 21:30
Olá Ferreira

Excelente artigo 😄

Focou de uma forma bastante clara, aspectos que me eram de todo desconhecidos.
Penso que a maioria de nós, simplesmente nos limitávamos a ler os nomes cientificos, sem nos debruçarmos muito sobre a sua classifição ou mesmo entender, qual o significado das diversas abreviatuas.

Muito obrigado pela partilha 😉

Cptos,

Castro
Andre-Luiz31/01/2007 22:35
Obrigado Ferreira.

Fico feliz quando aprendo algo novo, é um ótimo texto, vou salvar para futuras consultas.



Mais uma vez parabéns !



Andre Luiz
SEKI - Elio Luis Secchi01/02/2007 10:20
Beleza de matéria, amigo Ferreira.

De forma muito clara e objetiva foi abordado um tema que para a maioria é um bicho-de-sete-cabeças.

Abraços

Elio
Ferreira01/02/2007 21:21
Agradecimento
Castro, André-Luiz e Elio:

Muito obrigado pelos elogios. Ficarei grato também por críticas e sugestões de todos os colegas, para melhorar o texto de uma futura 2a. versão.
Ferreira01/03/2007 21:28
Matéria no site
Pessoal

O Mário Leal colocou hoje esta matéria no site do Atelier do Bonsai.
EBREO21/03/2007 20:27
esclarecedor
FERREIRA, Fenomenal esta materia!!!! Vou salvar para reler varias vezes ate aprender. ATT. LUCIANO.
nickyfury25/03/2007 00:54
bonsai
Consulta obrigatória a esse "breviário". Obrigado pelos ótimos esclarecimentos, Ferreira. Certamente, suas colocações serão úteis para todos nós. 😄
Angela Fernandes26/03/2007 12:43
Alô crainças !!!!!!! 😂 😂 😂

Excelente matéria !!!!!!!!!!!!!!

Valeu Ferreira !!!!!!!!!!!

Já salvei também a matéria para consulta....

Inté querendo aprender bonsai
Angela Fernandes
joaoporto27/03/2007 15:48
olá Ferreira,

Muito boa a materia, já salvei aqui para servir de guia para mim, parabém pela iniciativa.

um abraço
Alfamega28/03/2007 19:47
Ferreira obrigado pela matéria, realmente passarei a prestar mais atenção ao assunto e utilizar os nomes científicos.
Matéria ja salva nos meus arquivos.
Ferreira28/03/2007 21:52
Ebreo
Nickyfury
Ângela
João Porto
Alfamega

Tenho visto nas matérias das revistas de bonsai, incluindo algumas internacionais, erros de identificação que seriam facilmente evitados se o autor respeitasse as regras básicas de nomenclatura científica. É claro que eu não espero que neste Forum, que é um veículo muito rápido, todos tenham sempre o mesmo cuidado. Mas pelo interesse demonstrado por todos, já valeu a pena ter postado. Já agradeci ao Mário Leal por MP pelo interesse e gentileza de publicar no Site do Atelier. Realmente ficarei grato por sugestões que possam ajudar a clarear ou melhorar o texto. Obrigado pelas suas palavras gentis.
Um abraço,
joaoporto29/03/2007 09:21
É assim que a evolução de todos se dá, esta troca de informações é sem dúvida muito engrandecedora e indispensável, como estamos tão distantes geograficamente falando, conseguimos ter essa proximidade através do fórum e evoluir bastante
Sérgio Almeida01/04/2007 15:36
Olá, Ferreira.
Gostei das suas explicações. Você pode explicar sobre a pronúncia dos nomes científicos, especialmente em relação à sílaba tônica e ao som de certas letras ou grupos de letras como x, s, sc e outras próprias do latim?
Acho isso importante, pois quando há dois ou mais bonsaístas juntos seria interessante que eles se entendessem pronunciando corretamente as palavras, não é? Embora isto seja da área de lingüística, quem sabe você possa me ajudar?

Grato,

Sérgio

São Carlos - SP
Ferreira07/04/2007 20:45
Pronúncia do Latim
Sérgio

Eu ficaria muito honrado se soubesse Latim suficiente para ensinar a pronúncia. Acredito que as letras X e S sejam pronunciadas assim mesmo, como no português. Já as letras duplas, como ae ou sc, podem ser diferentes. A primeira se pronucia É (assim, se escreve Aedes aegyptii, e se pronuncia edes egípti). A segunda se pronuncia SQ (se escreve Escherichia coli e se pronuncia esqueríquia coli). Mas muita gente fala incorretamente "esxerixia coli".

Não se preocupe demais com a pronúncia, pois normalmente se pode falar como se fosse português, já que nossa língua é derivada do Latim. O problema é quanto à pronúncia internacional.

Uma historinha só para você, para não me envergonhar: Quando eu fazia doutorado, fui assistir uma palestra de um professor estrangeiro. Não era muito difícil entender no geral, mas ele ficava repetindo dezenas de vezes um som que me parecia como "iculái". Somente no meio da palestra ele escreveu no quadro "E. coli". Fiquei envergonhado por não entender que ele se referia à bactéria Escherichia coli (pronúncia esqueríquia coli). Ele falava a forma abreviada E. coli, que nós dizemos "é coli" e ele falava "iculái", como no inglês. Mas ele (e qualquer outro) deveria respeitar a pronúncia latina, ou seja, a nossa.

Espero ter ajudado. Qualquer dúvida específica, pode escrever.
Sérgio Almeida08/04/2007 09:06
Olá Ferreira:

Grato pela presteza da resposta. Achei interessante suas explicações. Acho que elas contribuem para uma correta e necessária uniformização na comunicação sobre aquilo que é o objeto do nosso fazer cotidiano. Concordo que essa comunicação não necessite ser excessivamente purista, principalmente para os que não são área, mas entendo que sempre que possível não podemos deixar passar a chance de aprender um pouco mais, como, por exemplo, através dessas dicas que você acabou de passar. Também vou pesquisar. Tão logo saiba de algo voltarei a me comunicar. Quem sabe, nesse meio tempo, possamos ter outros bonsaístas que possam acrescentar mais orientações sobre como é feita a pronúncia dos nomes latinos?

Grato,

Sérgio
Gustavo_Bonsai04/06/2007 21:05
esta semana estarei recebendo alguns livros que adquiri via internet e logo postarei as fichas das plantas de forma completa.