Yamadori de salvamento
Caro amigos
Escrevi o texto abaixo em outro tópico:
http://www.atelierdobonsai.com.br/forum/viewtopic.php?t=5742
Mas resolvi, com a concordância do colega Fabiano, abrir este tópico para discutir o aspecto ecológico/legal do yamadori, para aplicação em áreas com exploração ambiental autorizada.
Escrevi o texto abaixo em outro tópico:
http://www.atelierdobonsai.com.br/forum/viewtopic.php?t=5742
Mas resolvi, com a concordância do colega Fabiano, abrir este tópico para discutir o aspecto ecológico/legal do yamadori, para aplicação em áreas com exploração ambiental autorizada.
Ferreira escreveu:Fabiano, Luciano
Eu também espero com ansiedade a volta do Sergivaldo ao nosso convívio. Este formidável bonsai dele, bem como outras plantas que não sabemos se são variedades diferentes da mesma espécie ou se são espécies diversas mas parecidas, são chamadas popularmente de araçá (araçá-de-jacú, araçá-piroca, araçá-negro, etc.), pelo fato de produzirem pequenos frutos. No entanto, a maioria não é do gênero do araçá comum (Psidium), mas do gênero Myrcia, também da família Myrtaceae. Na verdade, quando solicitamos a análise botânica, a maioria é identificada como Myrcia multiflora, apesar de serem um pouco diferentes entre elas. Esta identificação imprecisa não chega a ser um problema para nós bonsaístas, embora seja um grande problema para a pesquisa em botânica sistemática.
Na minha opinião, o grande problema, é o fato de todas elas estarem em rápido processo de extinção, não por causa da coleta para bonsai, mas pela degradação do ambiente litorâneo para a construção de condomínios próximos às praias, que é o ambiente natural destas espécies. Nas minhas férias, estive em uma praia paraíbana, onde o Sergivaldo, Rejane Liberal e eu pudemos constatar a queimada de uma grande área com dezenas de exemplares de um destes araçás, para a construção de um condomínio. Foi triste, de chorar, ver os belos troncos transformados em carvão e cinzas. Embora seja proíbido por lei, acredito que a coleta destes exemplares nestas áreas de queimadas seria uma maneira de tentar salvar as espécies, para que pelo menos na forma de bonsai elas possam um dia ser corretamente identificadas e estudadas pela botânica. Muitas destas espécies já devem ter desaparecido e outras desaparecerão, se a lei continuar impedindo a coleta e permitindo a queimada, sem obrigar à retirada dos exemplares das áreas em que as construções são autorizadas.
Se formos capazes de nos organizar, podemos propor ao IBAMA que, ao autorizar a limpeza de uma área, obrigue o proprietário a remover as plantas para ambiente similar ou a avisar às associações de bonsaístas para que possamos remover as plantas e tentar salvá-las da morte certa pelo fogo ou pelos tratores, com provável extinção de várias espécies, cujo único ambiente natural são os tabuleiros costeiros.
Desculpem a mudança repentina de foco, mas eu acho que podemos também pensar nas plantas que trabalhamos como parte importante do ambiente e fazer a nossa parte para preservá-lo, mesmo que seja como bonsai. Esta é a idéia do Museu do Bonsai de Pernambuco, mantido pela Rejane Liberal, no Espaço Ciência, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco.
Creio que nesta cruzada podemos contar também com a grande ajuda da experiência e conhecimento do Sergivaldo. Mas se considerarem adequada uma discussão neste sentido, posso transferir esta idéia para um novo tópico. De qualquer maneira, eu acho que o nobre amigo Sergivaldo não deixaria de participar desta discussão.
Um grande abraço,