Fórum — Atelier do Bonsaiarquivo estático

Serissa Han-Kengai Mame

12
vhobus10/01/2008 18:49
Serissa Han-Kengai Mame
Replantei minha serissa mame estilo Han-Kengai.
O vaso é Tokoname (japão).
Comprimento da planta é 12cm.
2007:


2008:
vhobus10/01/2008 18:54
Vista de cima:
nickyfury10/01/2008 18:54
bonsai
Em minha experiencia com essa variedade, percebi que ela preenche melhor e densifica mais rapidamente quando não está aramada. 😲

Ficou ótimo o vaso, embora ainda ache que o azul combinava melhor. 😄
ARQPATRIK10/01/2008 19:01
Nick, o vaso azul não está chamando muita a atenção para ele, e deixando a planta em segundo plano?
vhobus10/01/2008 19:17
Obrigado pela dica Nicky... Vou desaramar ela em breve, pois está a um bom tempo com os arames já.
Eu penso que o vaso preto é mais sóbrio, e por isso combina mais com o estilo, por ser o Han-Kengai um estilo mais marcante. Claro que com flores brancas, o azul ficaria bom tb. Mas As froles brancas vão contrastar bem com o preto do vaso...
Diego Santana10/01/2008 20:01
vhobus
Gostei muito do vaso escuro, acho que o azul esta tirando muito o foco da planta..........
Parabens.......
Antonio Castro10/01/2008 20:08
Olá a todos

Valdir antes de mais, parabéns pelo trabalho e pela partilha 😉

Quanto à questão da cor do vaso, ambas estão boas...depende é daquilo que se pretende evidenciar.
Se é um efeito cromático harmónico ou se é a opção dos complementares, criando tensões entre ambos, vaso e planta.

Pessoalmente acho a do vaso azul mais apelativa aos nossos olhos 😉 , também poderá ser induzido por causa da relação entre o conjunto e a cor de fundo.
Transmite-me/nos uma sensação de tranquilidade ainda que a sua tonalidade possa ser neste caso ser um pouco forte, potenciado talvez pela sua vitrificação.

No entanto castanho sendo a cor da "Terra", confere-lhe alguma maturidade, estabilidade (Yin&Yang) e uma posição mais confortável por se tratar de uma perene.
Indo mais fundo, talvez se veja o levantar do véu da "simplicidade" que tanto se pretende/pretendemos almejar na arte do Bonsai 😉 o "Bonsai de contemplação".

Gostei de ambas as hipoteses, se olhar sobre um ponto de vista de bonsai de revista/exposição optaria pelo azul, se pelo lado contemplativo sem dúvida alguma o castanho.

Existe um excelente tópico da autoria do Amigo Duprat, que se ainda não leram talvez possa ajudar um pouco.

http://www.atelierdobonsai.com.br/phpbb/viewtopic.php?t=3997&postdays=0&postorder=asc&start=0

Boa sorte.

Cptos.

Castro
Mauro Kugler Filho11/01/2008 10:46
Cara, parabéns, gostei muito do vaso novo, acho que depois de brotada irá impor mais respeito ainda. 😉 Hehe Abração Valdir!
Alexandre S. Coelho11/01/2008 11:54
Valdir,

Obrigado pela partilha deste belo trabalho ❗

Eu ia até comentar que os dois vasos/cores pra mim podiam ser usados, mas esta excente explicação, como sempre, do amigo Castro disse tudo ❗
Edmilson11/01/2008 23:17
Desculpa minha pergunta....
Caros amigos este estilo nãp seria o Kengai ???? Pelo que entendi o han-kengai seria semi cascata..

Abraço fraterno
duprat12/01/2008 01:16
Eu particularmente gostei mais do segundo, o de 2008.

No primeiro, a saturação do azul tem mais peso que toda a planta. e tudo permanece um tanto isolado. Talvez com uma planta cuja copa fosse maior ou um bonsai em flor funcionasse bem mas neste caso rouba muito a atenção.

O segundo está muito bem integrado. Sua neutralidade cromática destaca o verde das folhas, o que é bom, pois o tronco é o grande centro de atenção e, deixando, no todo, nada mais vemos além dele. Resaltar a copa cromaticamente ajuda a integrar tudo.
Além disso o segundo vaso é mais reto, valorizando por contraste as belas dinamicas em curva do tronco.

Independente disso tudo, não saberia dizer o porque, o segundo me dá a sensação de uma árvore pressa a um rochedo muito mais que o primeiro.

Parabéns pelo trabalho. De primeira.
duprat12/01/2008 01:20
Haaa ja ia esquecendo, o vazio entre a borda superior do vaso e a parte mais alta do tronco no segundo está divino. Adquiriu grande significado. Ele tem forma. Algo como um olho.
vhobus12/01/2008 09:47
Obrigado pelos comentários pessoal!
Edmilson, para ser kengai, a copa toda (ou quase toda) teria que estar abaixo da borda do vaso. Nesse vaso o peso maior está em linha com o vaso, e apenas um galho está mais baixo que o vaso.
Outra coisa que ajuda a classificar como Han-Kengai é o vaso. Kengai preferencialmente usa vasos mais longos, para dar equilibrio a uma copa mais "caída", e o Han-Kengai usa prefer. vasos médios, pois seu caimento é mais suave.
O Kengai e o Han-Kengai são separados por uma linha muito tênue, uma vez que o Han-kengai é apenas uma variação do primeiro, e não um estilo próprio.
Mas de fato, ela também poderia ser chamada de Kengai sem maiores problemas.

Duprat... Muito boa a explicação sobre o vaso! Vc e o Castro são feras no assunto, hein?

Sobre o espaço entre o vaso e o tronco: Realmente gosto muito de trabalhar com isso. Procuro sempre equilibrar os espaços em meus bonsai. Isso traz dinâmica para a planta. Um bonsai sem espaços pode parecer muito artificial as vezes.
Tem um livro muito bom sobre isso, mas eu tenho ele em francês (emprestado do Stumm): Esthétique et Bonsaï. Ele se preocupa especialmente em questões como Ritmo, assimetria, pespectiva equilibrio e dinâmica do bonsai. Tudo isso a partir de conseitos da arte. O autor é François Jeker (alguém já viu um francês não se chamar Françóis?? heuaheuhaue). Na Passion eu vi que tem ele em inglês pra vender.

Olha um exemplo do livro:
duprat12/01/2008 22:10
Amigo Valdir,
Devia ter imaginado, pois a casualidade só muito raramente encontra este tipo de harmonia.
Depois de sua recomendação, do resultado aplicado e de meu interesse pelo assunto, este livro muito me interessa. Não é de hoje que no estudo dos bonsais os vazios me interessam. Não somente assim no todo como também no desenho das copas eles me parecem de suma importancia.

Poderia me passar também a editora? Para mim o frances é mais fácil....
vhobus14/01/2008 12:01
Amigo Duprat!
A editora é: Jeker communication. Editado em 2000.
Tem Vol. 1 e 2 . Eu tenho aqui o vol. 1
veja: http://www.ciao.fr/Esthetique_et_Bonsai_Guide_pratique_Francois_Jeker__297728
O Vol. 2 : http://www.priceminister.com/offer/buy/16754052/Jeker-Francois-Esthetique-Et-Bonsai-Tome-2-Livre.html

Sobre minha serissa... pretendo compactar as copas ainda.
No mesmo livro tem um caítulo sobre ritmo. Ele fala sobre o ritmo do tronco, mas também (e especialemnte) o ritmo das "copinhas".
Segundo o autor, as copas com tamanhos e distâncias iguais tornam a planta monótona.
Para ter Ritmo é preciso ter pausa, quebra de sequencia, assimetria, etc.
Pensando nisso, tenho o seguinte projeto pra serissa:
pedrotv14/01/2008 13:18
Amigos, em relação à estética do bonsai, propus um artigo sobre a percepção da forma e gostaria de saber a opinião de vocês.
http://www.atelierdobonsai.com.br/phpbb/viewtopic.php?t=8327&highlight=

No mais, O François Jeker também realiza estágios durante o ano muito interessantes. As fotos e outras informações sobre esses estágios estão no site Parlons Bonsai:
http://www.parlonsbonsai.com/

É só botar jeker no box "Recherche"

Valdir, excelente o projeto e a harmonia. Gostei muito da maneira como o galho inicia a queda para a cascata, com uma pequena elevação antes. Deu um movimento muito legal. Parabéns!
vhobus15/01/2008 08:06
Pedro, Obrigado pelo comentário.
Quanto ao teu texto, é interessante. Na verdade, é outra forma de falar sobre as regras existentes no bonsai. Elas tem o mesmo objetivo.
O que acontece é que muitas vezes não se busca saber porque existe determinada regra no bonsai, e passa-se a penasr que isso foi coisa inventada pelos japoneses e que não serve pro Brasil.
Questões estéticas na arte são universais.
Obrigado por postar teu texto! Tenho certeza que mutos vão passar a olhar com outros olhos para as regras agora.
pedrotv15/01/2008 10:46
Vhobus, entendo perfeitamente a importãncia das regras no bonsai. São elas que definem a arte de acordo com cada cultura, com cada pensamento estético, com os objetivos desejados dentro de cada estilo. Estéticas na arte são universais, sem dúvida. Apenas quero dizer que elas são feitas e decididas em relação à estética da ÁRVORE. A teoria da Gestalt, se refere ao nosso SISTEMA NERVOSO, e como tal não constitui regra de estilo ou estética. É muito usada em psicologia de forma a compreender os sistemas de auto-organização do corpo, como equilíbrio, fala, etc. As regras servem para TODOS os estilos, ANTIGOS e NOVOS. A qualquer idéia nova se aplicarão algumas das regras e se criarão outras (um exemplo disso ocorreu com os literati).
O que quero mostrar com o meu texto, é que tanto por trás das regras, mas mesmo antes de se apreciar ou analisar um bonsai, ou qualquer outra arte, existem fatores internos ao homem, regras próprias à sua fisiologia, que interferem antes do cérebro "captar a mensagem". Não são, assim, propriamente regras que definem uma arte, ou mesmo definí-la. Acredito que permitam analisar o bonsai como forma percebida pelo sistema nervoso, livre de julgamentos ou subjetividade ou, até mesmo, de senso artístico.
Quanto a regras servirem para uns e não para outros (japoneses ou brasileiros), isso é realmente falácia. Existem algumas variações de cunho culturais (por exemplo, os tais bonsai masculinos e femininos e o número 4, símbolo de morte para os japoneses, que não são os mesmos em todas as culturas), mas outras são universais, sem nenhuma dúvida.
vhobus15/01/2008 11:12
Pedro, Eu compreendi...
Apenas quis mostrar que as regras tem o mesmo objetivo: despertar e aprimorar aquilo que já existe dentro do ser humano: um senso estético.
As regras foram certamente criadas pensando nisso.
Por exemplo:
Regra do bonsai: Não deixar galhos na mesma altura.
Objetivo: Evitar a formação de padrões típicos do olho humano. Esses padrões (repetições) tornam o bonsai estático e simétrico, o que tira a naturalidade.
O problema é que pouco disso é analizado e muitas vezes temos uma repulsa por alguma regra por não sabermos seu objetivo.
Eu também faço ikebana (aranjos florais). Os três elementos principais são: Shin, Tai, Soe. Eles são representados por 3 elementos do arranjo:
O shin pode ser um galho seco bem no alto, o Tai pode ser uma flor ou grupo de flores na altura mediana do arranjo, e o Soé pode ser uma folha ou grupo de folhas na parte baixa do arranjo.
Depois de colocar esses elementos na ordem, passa-se a distribuir muitos outros, secundários (pequenas flores, folhas e ramos) para completar os espaços.
Um observador leigo não vê o Shin, Tai, Soé. Mas ele sente o equilibrio do conjunto (por causa de seu senso estético inerente). Se tirar um deles, o observador sentirá que está desequilibrado, mas não saberá porque.
Um ikebana só com os tres elementos ficará vazio e sem sentido. precisa dos complementos.

É assim no bonsai. Os observadores leigos não sabem porque o bonsai está tão bonito e equilibrado, mas ele sente isso.
As regras ajudam o artista a despertar isso nos seus observadores.
Os elementos secundários (pequenos galhos, copas secundárias, boas curvas) preenchem esse esqueleto (regras) com carne (liberdade artistica). Assim ele cria um trabalho original e artisticamente bem elaborado, e consegue transmitir sua mensagem ao observador.

Creio que o Gestalt tem algo de semelhante, não?
vhobus15/01/2008 11:47
Mais...
Ao criar um bonsai, o artista tem em mente um objetivo. Algo que quer despertar no obserbador.
Muitos mestre dão nomes aos seus trabalhos, exatamente pra expressar o sentimento que lhes foi despertado.
Tenho em mãos o livro de Salvatore Liporace, onde ele apresenta diversos trabalhos desde o início até a finalização. Todos eles tem nomes.
Ele chega a criar poemas e histórias que lhe vem a mente ao observar e trabalhar a planta. É fascinante.
O nome do livro é: "Bonsai, Espiritu Y Esencia".
Esse bonsai de Liporace chama-se "La bailarina":
Creio que no início fica difícil pensar nessas coisas, e o objetivo principal é criar uma pequena arvore num vaso. Mas na medida em que desenvolvemos, passamos a nos tornar mais exigentes, aí entra essa questão de estética.


Agora, Uma atualização da serissa: Primeiros Brotos

pedrotv15/01/2008 12:51
Valdir, acho que eu não tinha compreendido o que queria dizer... Agora sim... Concordo com tudo o que disse. Gostaria muito de ver os seus trabalhos com ikebana. Apesar de não fazer e nem ter realmente a vontade pesoal de fazê-lo, porque total limitação de espaço, aprecio muito a arte. E agradeço o comentário do livro, vou procurá-lo, porque me interessou muito. Sabe onde posso encontrá-lo?
A propósito da serissa, muito boa sorte no Certre Award!
vhobus15/01/2008 12:55
Creio que na mistralbonsai vc encontra o livro.
Sobre a serissa... ainda não é a foto definitiva no certré. Apenas coloquei pra não ficar em branco. Nesse concurso é possivel substituir a foto da planta quantas vezes quiser. Por isso, ainda vou trocar de foto.
Obrigado pelos votos de sorte.
duprat15/01/2008 22:02
Perfeito Valdir, muito bom.
agradeço a bibliografia e sobretudo a indicação simples e verdadeira de um principio estético que na maioria das vezes, justo por ser simples, nem pensamos, ou nem falamos....

De fato é um princípio que me parece verdadeiro mas que para mim ainda permanecia inconsciente. Sabe como é... ignorado seria mais correto.
Pequenas coisas que por vezes nos fazem dar saltos na profundidade do olhar.

não deixe de dar-nos estas dicas.
duprat15/01/2008 22:08
Estava na pagina anterior, me referia a seu projeto. Bela foto da bailarina.
Bela foto da serissa.
E boa sorte no concurso,
vhobus16/01/2008 08:55
Pensando um pouco no que estamos discutindo no tópico "buscando o equilibrio de um bonsai", gosto muito dessa serissa pois ela é bem expressiva.
Na ultima foto ela literalmente faz uma reverência ao Suiseki. É como se ela estivesse agradecendo a montanha por ser seu lar.
12