Fórum — Atelier do Bonsaiarquivo estático

A teoria da Gestalt e o Bonsai

pedrotv13/01/2008 17:47
A teoria da Gestalt e o Bonsai
Amigos, como publicitário, diretor de arte, estudei e continuo estudando as técnicas e teorias que levam à apreciação de uma arte qualquer. A teoria da cor, por exemplo, permitiu um rápido crescimento nas misturas e tonalidades que surgiram na pintura do renascimento. E também na televisão, que sintetiza todas as cores visíveis pelo olho humano usando 3 apenas como base. São teorias científicas que tentam explicar a estética da mesma maneira que a música é uma função matemática (as notas são identificadas matematicamente e o encadeamento delas segue uma rigorosa estrutura matemática que se chamou de acordes, escalas, etc.). Não são teorias que explicam a subjetividade ou a emoção ressentida, mas apenas o porquê de ser uma grande obra ser harmônica ou não.
Uma das teorias mais estudadas em design, de arte ou industrial, é a teoria da Gestalt, ou estudo da forma. Sou adepto da escola gestaltista e procurei analisar alguns bonsai sob a ótica dessa teoria. Lembrando sempre que se trata de uma teoria apenas. Como acho legal e necessário dividir o conhecimento com todos de forma a crescermos com o debate e o estudo, escrevi um artigo ilustrado sobre a teoria da Gestalt aplicada à Arte do Bonsai. Está aqui para leitura em arquivo PDF. Para facilitar baixar, recomendo um clique com o botão direito e depois salvar link como...

Está disponível em três versões:

Baixa resolução (para quem não tem banda larga...):
http://www.pixelseartes.ppg.br/gestalt.pdf

Resolução média (para ser vista no monitor):
http://www.pixelseartes.ppg.br/gestalt3.pdf

Alta resolução (para imprimir):
http://www.pixelseartes.ppg.br/gestalt2.pdf

Espero poder contribuir com essa arte que me faz tão bem.
ARQPATRIK14/01/2008 10:46
Legal Pedro, muito bom vc dividir conhecimento com todos, baixei o arquivo e vou ler com calma.
Sergivaldo14/01/2008 12:29
Pedro,

Também baixei, li e imprimi o arquivo. O texto está muito bem organizado e seu conteúdo, à primeira vista, me pareceu um pouco complexo, como quase tudo que nos é desconhecido. Vou reler e estudar com mais afinco para poder dar minha opinião com mais fundamento.

Independente da minha compreensão, tudo que vem a somar sempre será bem vindo.

Parabéns pela iniciativa!!

Um grande abraço,

Sergivaldo
pedrotv14/01/2008 12:34
Valeu Sergivaldo. É verdade que precisa mesmo ler com bastante atenção. Espero que dê para compreender bem.
Um grande abraço!
suhzks14/01/2008 21:21
Re: A teoria da Gestalt e o Bonsai
Olá Pedrot!!
Na arte de design não entendo muita coisa, mas fiquei curiosa quando vc diz que "teoria da Gestalt, ou estudo da forma", para ler o seu artigo e ver como vc aplica a arte do Bonsai dentro da teoria da Gestalt, que tem como base o racionalismo e a crença na pré-formação das estruturas do conhecimento, onde acaba por negar a importância da experiência na formação de tais estruturas, pois a idéia essencial desta Teoria é a de que, ao nascer, o indivíduo já apresenta, virtualmente, as estruturas do conhecimento.
Vou Ler com bastante atenção seu artigo.
Abraços
Sueli
pedrotv14/01/2008 22:26
Sueli, a teoria é mais ou menso essa. Só que, no design, entende-se que as estruturas internas de auto-organização comandadas pelo sistema nervoso, o que permite o equilíbrio, o andar, a noção espacial, etc, são independentes de conhecimento prévio. Um bebê já possui um senso de equilíbrio que continua a se desenvolver até que começe a andar. O ser humano continua uma parte da sua gestação fora da barriga da mãe. Um bezerro, por exemplo, já sai da barriga da vaca sabendo andar e com muito mais noção de equilíbrio.
São estruturas ligadas ao sistema nervoso e independente de conhecimento, vontade ou negação. Não se consegue negar o equilíbrio. Pelo menos não sem uns bons goles de bebida... 😄
Nesse sentido, a teoria (e não uma crença... isso já dá a idéia de que é algo meio religioso...) da Gestalt entende então que a percepção da forma, está ligada às necessidades de auto-organização do sistema nervoso. Daí, percebemos as formas antes do cérebro analisá-las. Em relação ao bonsai, acredito que a teoria permite que, ao se pensar o design futuro da planta, se leve em consideração os princípios de auto-organização do sistema nervoso. No artigo, eles estão definidos e, espero, bem explicados.
A leitura é complexa, é verdade. Tentei facilitar ao máximo. A psocologia também lida com a Gestalt, mas é a Gestalt-terapia, que foge ao meu conhecimento. Espero que possa ajudar a todos e que permita um verdadeiro crescimento no estudo da arte. Quero dizer também que obtive uma excelente recepção deste artigo em fóruns europeus e americanos. No momento faço a tradução para o francês e inglês. Caso alguém queira participar e traduzir para qualquer outra língua, fique a vontade. Só peço para ser comunicado e que o arquivo me seja enviado para publicação em meu blog.
Em todas as minhas pesquisas pela internet, não encontrei nenhum artigo ou matéria claramente definida como o intuito de levar as pesquisas da Gestalt (principalmente como é usada no design industrial) à arte do bonsai.
Antonio Castro15/01/2008 22:20
Bom trabalho Pedro...
Gostei, é uma área que nestes termos confesso ainda estar em praticamente em branco, pelo menos da forma como foi exposta, pelo que uma vez ou outra quem estuda/estudou arte acaba por ver/serem-lhe ensinados alguns desses conceitos/formas de interpretação ainda que intuidos de forma inconsciente...eu sem querer, até em testes psicotécnicos já me calharam algumas situações destas 😉 😄

Sinceramente gostei, mas ao reflectir um pouco mais sobre o assunto ficaram-me algumas dúvidas...

É sabido que nem todas as pessoas percepcionam as coisas de igual forma...para além de muitos outros factores se o Amigo for dextro, verá as coisas de uma forma diferente da minha ( sou canhoto) pela diferença de lados do hemisfério cerebral que utilizamos.
Partindo de que inconscientemente tive/tivemos a capacidade de perceber/reconhecer as leis da forma, (de forma expontânea), ao tentarmos analisar sobre esse contexto, não será também uma forma de nos estarmos a pegar a conceitos/directrizes sócio-ideológicos, estando neste caso a substituir as outras por estas?

Qual a vantagem se ainda não compreendemos as da sua origem, para melhor poder ajustar outras, não seria mais sensato primeiro aprender as outras com profundidade, e não da forma superficial que todos verificamos acontecer.
Eu vejo/leio pessoas a perguntar como fazer um “alporque” quando ainda nem sequer sabem que tipo de adubo administrar no seu exemplar, a praticarem yamadori quando ainda nem fizeram um simples transplante nos seus Potensai...etc...etc.

Ao desassocia-la das suas origens, não se poderá estar a incorrer no erro de a transformar em algo simplesmente horticultural, com contornos de topiaria??

Eu conforme já referi anteriormente, estou em querer que Bonsai na verdadeira acepção da palavra, não se limita á análise objectiva do que se vê, como se vê...o melhor estará para além disso, posso estar errado mas é assim que o sinto...

A pregnância da forma que intuímos ao analisar determinada Obra, dificilmente carregará as diferenças culturais que estão cognitiva e afectivamente ligadas a outras imagens...o que no caso do Bonsai, pode ser a exposição de um, com uma planta de Ênfase/ num tokonoma/ um Hon Non Bo Chinês ou por exemplo, o Pithecolobium do Sr. Roberto Gerpe que poderia estar a evocar uma determinada região do globo...que não tem que ser exactamente a nossa, neste caso a vossa.

Eu penso que uma das maiores virtudes do Bonsai, reside precisamente no facto de nos abstrairmos da sua forma (se perfeita ou não), e podermos construir novas imagens cada vez que os contemplamos...reside no tempo que estamos com eles, sem preocupação alguma...simplesmente estar.
Bonsai como o entendo, não se constitui apenas daquilo que se expõe e como o expõem, mas também de silêncios e ausências.

Bom para acabar, mais uma vez...muito obrigado pela partilha, é uma excelente matéria...abriu-se mais uma porta para o conhecimento e seguramente vou tentar ler mais sobre o assunto...

Cptos.

Castro
duprat15/01/2008 22:32
Amigo Pedro,
Nesta imensidão do forum as vezes perdemos um topico.
Por sorte o que é bom reaparece logo no topo da lista 😄
baixei o aquivo e vou ler também

Grande Castro,

"Eu penso que uma das maiores virtudes do Bonsai, reside precisamente no facto de nos abstrairmos da sua forma (se perfeita ou não), e podermos construir novas imagens cada vez que os contemplamos...reside no tempo que estamos com eles, sem preocupação alguma...simplesmente estar.
Bonsai como o entendo, não se constitui apenas daquilo que se expõe e como o expõem, mas também de silêncios e ausências."

Muito bonito isto que escreveu, muito profundo e verdadeiro.
grande abraço companheiro, suas plantas devem estar felizes de te-lo como amigo.
pedrotv15/01/2008 23:24
Amigos Castro e Duprat! O tópico está adquirindo suas cartas de nobreza!!!

Castro, quando falou de dextro e canhoto, sintetizou uma grande parte da teoria da gestalt. Existe até um teste feito na gestalt-terapia com imagens para estudar se usamos mais o lado esquerdo ou direito do corpo/cérebro (ás vezes é diferente, independente se dextro ou canhoto... eu mesmo sou assim. Sou dextro e meu corpo canhoto, doideira...). É exatamente do que a teoria trata. De maneiras com que o corpo e o sistema nervoso se ajusta a estímulos. E às vezes, uma grande força culturalfaz com que o próprio corpo se ajuste. Com certeza o amigo que mora na Europa tem estímulos devido às estações do ano, que alteram sua percepção! Assim, eu me lembro do inverno europeu, quando muitas vezes tudo parecia monocromático!
Espero que a teoria venha somar às nossa possibilidades de análise.

Duprat: você é O artista do fórum. Admiro e estudo a sua arte. E MUITO!!! Sua opinião acerca do texto é para mim, de suma importância. Qualquer sugestão, opinião e idéia é muitíssimo bem-vinda. Estou traduzindo para outras línguas e quero apresentar um artigo bem bacana. Essa foi apenas a primeira versão de um estudo. Quem sabe isso não vai muito mais longe?
Um grande abraço e muito obrigado!
duprat16/01/2008 14:46
Grande Pedro,
Gostei do texto e da iniciativa, mas como sabe sou suspeito.
Duas coisas só me vêem para comentar:
Aconselho a reduzir ao máximo a parte teórica ou intercalar com exemplos ligados a arte do bonsai. Não creio que o pessoal do bonsai tenha paciência de percorrer um estudo mais profundo das teorias para só depois verificar as implicações práticas ligadas a arte do bonsai. A tendência é eles saltarem. Assim se trata mais de um comentaria no que diz respeito a estrutura.

Outro aspecto é uma sugestão bibliográfica, que não sei se conhece mas é muito utilizada pelo pessoal da área de pintura. De fato é bem completo, abordando outras questões não citadas, como forma e fundo, imagem e conteúdo e etc. questões que parecem caber também muito adequadamente para a analise dos bonsai.
ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual (Uma Psicologia da Visão Criadora). São Paulo: Livraria Pioneira, 1991.

Meus sinceros parabéns - esta é uma grande empreitada
pedrotv16/01/2008 14:58
Duprat, conheço o livro. Na verdade é uma verdadeira bíblia!!! Queria esperar para ver as reações ao texto para depois aprofundar um pouco com conceitos mais psicológicos. O próprio livro que me baseei, tem muito mais, mas queria mesmo ver as respostas a esse primeiro texto... Na versão francesa, o texto está ficando mais complexo e completo pois uma grande parte dele é ensinado nas escolas...

Queria ter reduzido mais a parte teórica, mas precisava estabelecer os termos e nomenclatura antes... Sem deixar de colocar um pouco de teoria. Por isso também privilegiei o livro que usei, pois este usa muitos elementos de ilusão de ótica e figuras simples para tentar passar as idéias... Estou fazendo uma segunda versão, tentando simplificar um pouco mais...

É sempre difícil passar noções de psicologia... Principalmente quando se mistura com arte...

Valeu mesmo pela ajuda!!!
Antonio Castro17/01/2008 09:43
Olá Pedro

pedrotv escreveu:

Castro, quando falou de dextro e canhoto, sintetizou uma grande parte da teoria da gestalt. Existe até um teste feito na gestalt-terapia com imagens para estudar se usamos mais o lado esquerdo ou direito do corpo/cérebro (ás vezes é diferente, independente se dextro ou canhoto... eu mesmo sou assim. Sou dextro e meu corpo canhoto, doideira...). É exatamente do que a teoria trata.


Se ainda nunca viu o link, pode ver aqui um teste desse género.
Em tempos fiz o meu e bateu certo com o lado do cerebro previsto para os canhotos, as diferentes percepções e possiveis tendências p/ as artes.

Apenas como curiosidade, espero que gostem,...divirtam-se 😄 😄


Cptos.


Castro
pedrotv17/01/2008 13:37
Castro, o link não apareceu...
Antonio Castro17/01/2008 18:38
😲 😕 😮ops:

desculpem, então aqui vai
http://web.tickle.com/tests/brain/authorize/register.jsp?url=%2Ftests%2Fbrain%2Findex_main.jsp
É apenas um dos vários que existem na net

Noutro teste do género, deu-me o mesmo tipo de resultado...

“You are more right-brained The right side of your brain controls the left side of your body. In addition to being known as right-brained, you are also known as a creative thinker who uses feeling and intuition to gather information. You retain this information through the use of images and patterns. You are able to visualize the "whole" picture first, and then work backwards to put the pieces together to create the "whole" picture. Your thought process can appear quite illogical and meandering. The problem-solving techniques that you use involve free association, which is often very innovative and creative. The routes taken to arrive at your conclusions are completely opposite to what a left-brained person would be accustomed. You probably find it easy to express yourself using art, dance, or music. Some occupations usually held by “a right-brained person are forest ranger, athlete, beautician, actor/actress, craftsman, and artist.”

outro também bastante curioso e que deu alguns momentos de diversão ( descompressão) no trabalho foi este...

http://www.news.com.au/perthnow/story/0,21598,22492511-5005375,00.html
para que lado se move a figura? eu vejo-a no sentido horário, se me abster de a olhar objectivamente em determinados momentos vejo-a no sentido anti-horário e por vezes em semi-circulos alternadamente.
A maioria dos meus colegas viram-na no sentido anti-horário todo o momento...curioso hein! é a velha história, não se deve acreditar em tudo o que ouve e só em metada daquilo que se vê...e principalmente como uma verdade absoluta, porque será quanto muito uma simples "relativa "😉 e talvez nem seja até verdade alguma 🙂 😄

Apenas como curiosidade, as minhas desculpas se desviei o tema, Ok 😉

[ ]s

Castro
pedrotv17/01/2008 19:08
Castro, links interessantíssimos. Não se preocupe, pois não se desviou do tema. Esses links, correspondem a experiências realizadas pelos estudiosos da Gestalt há décadas. No primeiro link, apesar de alguns termos (tipo os pares de palavras) terem muito mais significado para um falante da língua inglesa (caso em que a cultura influencia, e muito), os testes são bastante interessantes. Veja o meu resultado:

Most left-brained people like you feel at ease in situations requiring verbal ability, attention to detail, and linear, analytical ability. Whether you know it or not, you are a much stronger written communicator than many, able to get your ideas across better than others.

It's also likely that you are methodical and efficient at many things that you do. You could also be good at math, particularly algebra, which is based on very strict rules that make sense to your logical mind.


Na verdade me identifico muito com a descrição. Até mesmo a minha arte na publicidade ou na tv, tem um forte componente matemático e lógico. Isso ajuda muito quando preciso fazer alguma peça para um cliente, pois não importa o meu gosto pessoal, mas o do público-alvo. É a ele que preciso chegar e preciso poder analisar seu perfil, suas vontades, etc. Realmente muito interessante.

Mas no caso do segundo teste, por mais que eu olhe, a figura só roda no sentido horário!!

Muitlo legal os testes e com muita significância no estudo da percepção. Inclusive quando se usam termos culturais. Nosso sitema nervoso também é influenciado pelo meio em que vivemos. No Brasil, país de dimensões continentais, é possível perceber facilmente essas diferenças ao se encontrar com pessoas de Estados diferentes. Apesar de estarmos submetidos a uma imensa gama de elementos em comum (principalmente tv), temos visões muitas vezes completamente diferentes. Muito legal.

Em relação ao bonsai, podemos dizer, por exemplo, que nossa visão das árvores pode modificar em relação ao conjunto de elementos culturais, visuais, etc. a que fomos submetidos em nossa vivência. Em toda a minha vida até os 21 anos, fui morador de sítio, daqueles que acordam às 5 da manhã para tomar o leite quentinho saindo da vaca. As árvores do sítio são temas de sonhos até hoje e de muitas bricadeiras no passado, principalmente uma certa jabuticabeira e uma castanheira... Talvez por isso tenho um olhar mais voltado para o naturalístico. Questão de influência! E com certeza, o Sergivaldo, também terá uma visão diferente da minha... Essa é a riqueza da arte, de qualquer arte! Acrescentar, somar culturas para emocionar tanto aos outros como a si mesmo.

Castro, muito obrigado pela sua participação! Enriquecedora e oportuna!
suhzks28/01/2008 21:23
ÓLÁ PEDROTV!!!

Desculpe pela demora na resposta a sua citação, pois estava em férias no "interior do interior" 🙂 e claro, impossibilitada de contato virtual.
Com relação ao seu artigo, penso que para quem tem um certo conhecimento das diversas Teorias Psicológicas e principalmente as da Base Racionalista, pode compreender o seu artigo "A Gestalt e o Bonsai".
Parabéns pelo mesmo e pela boa receptividade obtida junto a fóruns europeus.
Entrando em seu Blog, pude observar seus trabalhos de alporquias com jabuticabeira, gostaria de mais detalhes sobre como fixar, o que me pareceu um vaso de plástico, junto aos galhos, pois gostei desta técnica.
Abraços.
Sueli
Antonio Castro03/02/2008 17:08
Olá Pedro

Gostei do tema...e para eliminar algumas “ervas daninhas” da (minha) mente, por vezes gosto de reflectir um pouco mais sobre alguns assuntos...quando arranjo tempo e me parecem importantes/interessantes 😉

E pela minha análise sobre o assunto, o tema é visto de duas formas, ainda que o objectivo possa ser um e o mesmo, se é que percebi...ou se existe mesmo algo para perceber.
Pelo que entendi e é conhecido, sendo o Bonsai na sua origem disso um óptimo exemplo, nós como ocidentais temos uma maior apetência para apreciar objectos simétricos e estes quando analisados desse ponto de vista, na maioria dos casos pelo seu próprio equilíbrio/simetria traduz-se por uma pregnância alta.

Não explica o porquê dos vazios ( físicos ou não), cuja existência aumenta significativamente o interesse num Bonsai...uma copa completamente compacta torna-se massuda e pouco interessante.

...tudo o que vemos está em plena transformação, tudo muda.
Abstraindo-nos da objectividade do bonsai...será que vendo sobre um ponto de vista mais profundo, talvez como o da Gestalt, ainda que não esse, o caro Amigo (se me permite tratá-lo assim) não consegue ver por ex: num Moyogi um desequilibro propositado ( dai o não entendimento objectivo deste estilo) quando esse mesmo desequilíbrio (pelo que entendo, e posso estar redondamente enganado) segundo seus padrões poderá querer dizer precisamente “Inova” sai do conforto do equilíbrio, desenvolve-te e cresce.

Tudo o que é belo parece estar em desequilibro, mas encontra-se sempre em perfeita harmonia na sua essência...o que difere é a nossa percepção.

Tal como a dita “Paciência” tantas vezes recomendado cultivarmos a par e par do Bonsai, vindo deles...também pode ser percepcionado como “não-aceitação” e nós resiganção.

Cptos.

Castro
pedrotv04/02/2008 17:39
Castro, já respondi lá no outro tópico, mas vou colocar corretamente aqui. Eu ia apagar de lá, mas estamos sem a opção de editar...

Os vazios fazem parte da forma. Por isso no texto da teoria, vemos que uma série de pequenas linhas podem formar um triângulo por fechamento, porque nosso sistema nervoso preenche os vazios com significado. Daí os vazios tão importantes no bonsai. A simetria se dá por massas de importância: o tronco, com sua imponência revelando maturidade, as massas foliares que mostram o rejuvenecimento e os vazios, que proporcionam, afinal de contas, as formas. Um moyogi atinge seu equilíbrio com uma bela continuidade, que lhe proporciona uma alta pregnância, e outros elementos "equilibrantes", como o ápice sobre a linha do nebari e as próprias massas foliares que forma tão bem explicadas pelo Duprat no tópico sobre galhos saindo da parte interna da curva. Outros estilos usam o próprio desequilíbrio para atrair o interesse, como as cascatas e semi cascatas.
Citação:
Tudo o que é belo parece estar em desequilibro, mas encontra-se sempre em perfeita harmonia na sua essência...o que difere é a nossa percepção.

É exatamente isso: o homem carece do equilíbrio INTERNO e enxerga o ambiente em volta dele buscando sempre esse equilíbrio. Daí o estudo da Gestalt para compreender a forma como organizamos a nossa percepção. Nós equilibramos a natureza procurando por significados e fechamentos!


E, por favor, é claro que pode me chamar de amigo. Como digo na minha assinatura, precisamos de amigos para avançar. Amigos nem sempre concordam em tudo, mas mesmo nas discordâncias, crescem juntos. Fico muito feliz com a sua intervenção neste tópico, que muito acrescentou ao tema. Você escreve de forma serena e aberta ao mesmo tempo. O homem é um ser racional, que por isso mesmo é capaz de interpretar os seus sentidos em sua busca por equilíbrio. É assim nas ilusões de ótica, que exploram isso e também nas amizades e coisas da vida, onde o equilíbrio é considerado não somente desejável, mas uma grande vitória!
Jonasborgia25/04/2010 09:58
Alguém que fez o download dos arquivos, poderia fazer o favor de enviá-los para mim por e-mail?
Adradeço
jonasborgia@bol.com.br
Jonasborgia25/04/2010 09:58
Alguém que fez o download dos arquivos, poderia fazer o favor de envia-los para mim por e-mail?
Agradeço
jonasborgia@bol.com.br
Bruno Gomes19/02/2011 23:41
Caros amigos,
Não há mais link disponível para acessar à leitura proposta.
Será que alguem que ainda o tem possa informa-lo ou mandar para meu email ?
bruno.gomes.silva@gmail.com
Grato
Donegá20/03/2011 15:03
Tb gostaria de ler o texto, se alguém puder enviar via e-mail ficarei mt grato.

m.don.master@hotmail.com
gustavomartins08/07/2011 14:41
tb gostaria de ler
gustavomartins@terra.com.br