O espirito do Bonsai
Esse material é encontrado na net. por Kyuzo Murata
O espírito do Bonsai
Escrevi até agora sobre as concessões gerais sobre o mundo do Bonsai japonês e, estou certo, que estas ideias já vos são familiares. Procederei agora mais à frente e mais profundo no argumento.
A arte Bonsai desenvolveu-se no Japão, um país onde existem quatro estações, agua e ar limpo, um país com 1500 anos de história, de sólidas e antigas tradições e costumes. Entre estas coisas a arte do Bonsai se desenvolveu e cresceu até atingir o que é hoje. Não acredito que o Bonsai podesse ter seu desenvolvimento nas zonas tropicais, glaciares ou desérticas. A associação do Bonsai com as mudanças de estação, as montanhas, os vales, os rios, os lagos, as tempestades, a brisa, a chuva, a neve, o gelo e com outros fenómenos naturais, é mais importante do que se possa imaginar. O Japão é um dos poucos e afortunados países que têm tudo isto.
O Bonsai não deverá ser somente a fotocópia ou a imitação tridimensional de uma fotografia. Se é justo usar a natureza como modelo, o objectivo final deverá ser algo que foi estudado e refeito nas vossas mentes antes de iniciar a criar. Só neste caso se lhe pode chamar Arte.
No Japão, por exemplo, nós temos o teatro tradicional “Noh” ou a dança clássica japonesa que são a síntese tridimensional de musica e história. Vocês no ocidente têm o Ballet. Se o Ballet pode ser definido como uma fusão, como a união da sensibilidade humana e a arte, assim o Bonsai pode ser definido o homem da natureza com a arte. O teatro Noh e o Ballet se exprimem e se concluem num tempo relativamente breve. O crescimento e o desenvolvimento do Bonsai são coisas lentas que quase não se podem notar. O seu objectivo é o de simular o que acontece na natureza, e a natureza exprime a sua eternidade com lentas, lentíssimas mudanças. O Bonsai é o lento processo da natureza.
Quando chegardes a sentir isto, quando a vossa compreensão sobre o Bonsai chegar tão longe, então não podereis deixar de entrar no mundo do “Wabi” ou “Sabi”. É empresa árdua, quase impossível, tentar explicar o significado destes termos porque eles foram inventados para descrever sentimentos criados e actualmente sentidos só pelos japoneses, sentimentos amadurecidos num lento processo de gerações. Eles eram desconhecidos dos ocidentais até pouco tempo atrás.
Wabi é um estado da mente, um lugar, a atmosfera de uma cerimónia do chá ou um Haiku (breve pensamento poético tipicamente japonês). É um sentimento de simplicidade, de calma, de dignidade.
Sabi é um sentimento de paz interior e de simplicidade que provem de qualquer coisa antiga utilizada e reutilizada na qual é visível, junto ao passar do tempo, o toque dos homens que a criaram e possuíram.
Imaginem por um momento de estar sentados num ângulo do Ryoanji, o famoso jardim de pedra de Kyoto, é um anoitecer nebuloso dos finais do Outono, estais a olhar o jardim, depois fechais os olhos e esvaziais a mente. Nesse momento não existem pensamentos, estais vazios... mesmo assim o vosso coração e a mente se enchem de um sentimento de serenidade. Este é o Wabi.
Creio firmemente que o objectivo final de criar um Bonsai seja a procura do Wabi e do Sabi, essa deveria ser a ultima palavra na Arte Bonsai.
Não tenho suficientes conhecimentos para explicar a essência da filosofia que procura a verdade, a virtude e a beleza. Tudo coisas igualmente importantes também para o Bonsai.
O sentimento Wabi e Sabi é qualquer coisa de histórico que remonta ao Budismo Zen. Não são sentimentos fáceis, provêem de uma disciplina calma mas severa, estes sentimentos são comuns a pessoas muitos religiosas e entre aquelas que criam Bonsai. Creio poder explicar dizendo que estes sentimentos sejam fundamentalmente amor. Amor pelas plantas, amor pelos seres humanos
abraços
O espírito do Bonsai
Escrevi até agora sobre as concessões gerais sobre o mundo do Bonsai japonês e, estou certo, que estas ideias já vos são familiares. Procederei agora mais à frente e mais profundo no argumento.
A arte Bonsai desenvolveu-se no Japão, um país onde existem quatro estações, agua e ar limpo, um país com 1500 anos de história, de sólidas e antigas tradições e costumes. Entre estas coisas a arte do Bonsai se desenvolveu e cresceu até atingir o que é hoje. Não acredito que o Bonsai podesse ter seu desenvolvimento nas zonas tropicais, glaciares ou desérticas. A associação do Bonsai com as mudanças de estação, as montanhas, os vales, os rios, os lagos, as tempestades, a brisa, a chuva, a neve, o gelo e com outros fenómenos naturais, é mais importante do que se possa imaginar. O Japão é um dos poucos e afortunados países que têm tudo isto.
O Bonsai não deverá ser somente a fotocópia ou a imitação tridimensional de uma fotografia. Se é justo usar a natureza como modelo, o objectivo final deverá ser algo que foi estudado e refeito nas vossas mentes antes de iniciar a criar. Só neste caso se lhe pode chamar Arte.
No Japão, por exemplo, nós temos o teatro tradicional “Noh” ou a dança clássica japonesa que são a síntese tridimensional de musica e história. Vocês no ocidente têm o Ballet. Se o Ballet pode ser definido como uma fusão, como a união da sensibilidade humana e a arte, assim o Bonsai pode ser definido o homem da natureza com a arte. O teatro Noh e o Ballet se exprimem e se concluem num tempo relativamente breve. O crescimento e o desenvolvimento do Bonsai são coisas lentas que quase não se podem notar. O seu objectivo é o de simular o que acontece na natureza, e a natureza exprime a sua eternidade com lentas, lentíssimas mudanças. O Bonsai é o lento processo da natureza.
Quando chegardes a sentir isto, quando a vossa compreensão sobre o Bonsai chegar tão longe, então não podereis deixar de entrar no mundo do “Wabi” ou “Sabi”. É empresa árdua, quase impossível, tentar explicar o significado destes termos porque eles foram inventados para descrever sentimentos criados e actualmente sentidos só pelos japoneses, sentimentos amadurecidos num lento processo de gerações. Eles eram desconhecidos dos ocidentais até pouco tempo atrás.
Wabi é um estado da mente, um lugar, a atmosfera de uma cerimónia do chá ou um Haiku (breve pensamento poético tipicamente japonês). É um sentimento de simplicidade, de calma, de dignidade.
Sabi é um sentimento de paz interior e de simplicidade que provem de qualquer coisa antiga utilizada e reutilizada na qual é visível, junto ao passar do tempo, o toque dos homens que a criaram e possuíram.
Imaginem por um momento de estar sentados num ângulo do Ryoanji, o famoso jardim de pedra de Kyoto, é um anoitecer nebuloso dos finais do Outono, estais a olhar o jardim, depois fechais os olhos e esvaziais a mente. Nesse momento não existem pensamentos, estais vazios... mesmo assim o vosso coração e a mente se enchem de um sentimento de serenidade. Este é o Wabi.
Creio firmemente que o objectivo final de criar um Bonsai seja a procura do Wabi e do Sabi, essa deveria ser a ultima palavra na Arte Bonsai.
Não tenho suficientes conhecimentos para explicar a essência da filosofia que procura a verdade, a virtude e a beleza. Tudo coisas igualmente importantes também para o Bonsai.
O sentimento Wabi e Sabi é qualquer coisa de histórico que remonta ao Budismo Zen. Não são sentimentos fáceis, provêem de uma disciplina calma mas severa, estes sentimentos são comuns a pessoas muitos religiosas e entre aquelas que criam Bonsai. Creio poder explicar dizendo que estes sentimentos sejam fundamentalmente amor. Amor pelas plantas, amor pelos seres humanos
abraços