Fórum — Atelier do Bonsaiarquivo estático

Bonsai Brasileiro

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Julio Tijucano11/03/2011 19:53
Num pais desse tamanho!? com tantos referencias!? Nem culturalmente temos uma identidade una e coesa, ou sera que todos nós jogamos bola, gostamos de carnaval e sabemos fazer feijoada? só mesmo a rede globo, a publicidade ou o estado nacional pra tentar forjar uma identidade de massa com coisas do tipo: Sou brasileiro e nao desisto nunca, todo brasileiro é guerreiro é Brameiro e por ai vai.
Essa discussao é muito interessante, eu percebo que individualmente e com o tempo cada bonsaista apresenta um estilo de produção, uma determinada linguagem, tem gente que nao consegue produzir um bonsai de tronco ereto, ou o que dizer da predileçao, por vezes até inconsciente, pelos inclinados? a final de contas trabalhar com bonsai e com criaçao de um modo geral envolve uma dialetica constante entre subjetividade e objetividade, é um jogo que envolve projeçoes. Agora cravar termos de indentidade no bonsai brasileiro, acho mais facil com o fenomemo da interligaçao virtual do mundo pela internet, pensar em termos de bonsai mundial.
Viva o Bonsai e a Democracia dos Foruns, é bom estar aqui, poder ler e escrever sobre temas tao instigantes.
Chaddad13/03/2011 00:57
Caros colegas,

Respeito as idéias de cada um, principalmente no que se refere aos trabalhos com carcteristicas individuais, mas apreendidas de mestres orientais, chineses e japoneses. E a admiração da aplicação mais perfeita dessas técnicas em plantas nativas do Brasil.

Pensando na flora brasileira, mas claro que inserindo a num contexto tropical, adaptei o cultivo de mini epifítas aos bonsai, principalmente as mini-orquídeas. O que eu chamo de Estilo Epifíto. Não é um estilo de conformação como estamos acostumados, mas de aparência, da mesma forma como existe o estilo ramos pendentes, tronco ôco, madeira exposta, etc, poderiamos pensar no epifíto.



Uma paineira plantada em 1976, e um Dendrobium em 1986. Claro que ela foi deixada crescer demais, tirando a atenção da árvore, mas é como uma azaléia florida, tira a atenção naqueles dias apenas.


Tenho trabalhado tb na elaboração de um estilo árvore epifíta, ou mata pau, que seria um ficus sobre outra árvore.

Mais fotos sobre o epifíto com mini-orquídeas vejam:
http://chaddadbonsai.wordpress.com/mini-orquideas-em-bonsai/
Glauco Bastos14/03/2011 22:49
Estive ausente dos fóruns por algum tempo e quando volto me debato com um tema tão polêmico, e como sempre discutido democraticamente, dá gosto de ver tantos pensamentos diferentes expostos sem ofensas, creio que este seja o caminho.
Bom, vou dar minha opinião (como disse, "minha" opnião), concordo quando o amigo Castro falou que é preciso primeiro aprender a fazer bonsai para depois ter identidade própria, aqui no Brasil vejo muita gente trabalhando nossas nativas como se fossem coníferas ou juníperos, isso se torna até um desrespeito para com a árvore e o que é pior, lá fora os estrangeiros trabalham "nossas" nativas como nós deveríamos trabalhar e não o fazemos. O bonsai como é uma arte deveria ser aprendida em sala de aula, em uma escola, coisa que hj já está começando a acontecer no Brasil, vagarosamente mas está acontecendo. Temos ainda o costume de querer ver nosso bonsai pronto o mais rápido possível sem atentar realmente para regras básicas como proporção, conicidade, confecção de nebari, refinamento... por isso vemos tantas mudas plantadas em vasos que valem muito mais que a própria árvore nela contida. Já ví também muitos trabalhos feitos quebrando algumas destas regras citadas acima e que para não ter que refazer todo o serviço onde se perderia (na realidade ganharia) muito tempo prefere dizer que está direcionando para o natulalistic voltado para a nossa flora brasileira. Existe uma frase que aprendi a muito tempo atrás nas artes marciais que direciono sempre para o bonsai "há que se treinar exaustivamente a técnica para se libertar dela", e infelizmente no Brasil ainda não se treina exaustivamente (ou seja, domina) a técnica para se ter a pretensão de poder mudar e criar assim uma identidade própria. Um bebê jamais poderá correr como um velocista em uma pista de corrida, primeiro ele obrigatoriamente precisa aprender a engatinhar, depois andar com coordenação motora adequada, subsequentemente aprender a correr e finalmente treinar com afinco para se aprimorar e conseguir se destacar neste tipo de ambiente. Bom, em que estágio será que o Brasil está ? Na "minha" opnião, volto a frisar, devemos deixar de nos preocupar com identidade própria e devemos nos aprimorar na arte, quando chegar a época de amadurecimento necessário e conquistado a assinatura irá aparecer.
Grande abraço a todos e fico feliz de ver este espaço com tanta energia positiva.
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