Bruno, como disse antes a outros colegas foristas, não há impedimento algum de minha parte quanto a divulgação da matéria. Apenas faça a devida informação sobre a autoria, e está tudo bem, ok?
RCasagrande, lamento informar que essa técnica não se aplica a uma jabuticabeira, que tem um sistema radicular completamente diferente do acer. A nativa pode até fundir tronco e algumas raízes, mas o resultado jamais será igual ao que conseguimos obter com o acer, ok?
A continuidade desse trabalho implica em que, tão logo ocorra a fusão das raízes no acer kaede ou palmatum, é importante cortar por baixo as raizes mais grossas, reduzindo o volume das raizes finas, preservando apenas as raizes finas que estiverem mais afeitas ao nebari na area superior. Com isso, estabeleceremos então um nebari radial mais perfeito, onde poderemos observar que as raizes continuarão a se fundir na superificie e um pouco abaixo dela. O centro, abaixo da base, no fundo, deverá ficar sem raizes grossas ou finas, que serão preservadas apenas nas laterais.
Graças a essa técnica, a planta poderá então ser envasada em recipientes de bordas extremamente baixas, sem nenhum risco ou problema de cultivo:
Com o corte das raízes grossas no fundo da base, preservando apenas as raizes finas laterais, fica-se com algo parecido a isso:
Ao cabo de alguns anos de cultivo, usando-se a técnica corretamente aplicada, podemos um belo dia chegar a ter um bonsai de qualidade como esse mostrado no link abaixo, que trata justamente de um acer burgerianum (kaede ou tridente), sendo reenvasado após passar por mais uma poda de raizes:
http://www.mundobonsai.net/t2180p15-trasplante-de-arce-burgeriano?highlight=arce
Aqui, o trabalho de reenvase é mostrado passo a passo, com ótimas imagens que possibilitam um bom esclarecimento sobre o uso dessa técnica:
http://www.portalbonsai.com/historico/categoria.asp?idcat=20636&counter=260
A imagem abaixo mostra um acer inicial, após passar pela poda de reparação de suas raízes, com a eliminação das raizes pivotantes e outras raízes grossas, preservando apenas o sistema radicular lateral:
Com a visão da parte inferior, podemos ver as marcas dos cortes das raizes grossas que foram eliminadas, bem como a preservação da parte que nos interessa, ou seja, as finas raizes capilares laterais, que irão dar ensejo a formação do nebari em forma de carapaça que destaquei no inicio dessa postagem:
Nesses cortes, obviamente iremos sempre usar uma pasta cicatrizante, antes de replantar o acer, protegendo essa area exposta dos agentes nocivos que porventura vierem.
Quando replantarmos, podemos usar uma base em madeira ou similar, para condicionar o sistema radicular na posição que desejarmos manter, fixando a planta com a amarração via arame, para manter a planta no lugar correto dentro do recipiente de cultivo:
Na sequencia, iremos então cobrir totalmente as raizes, mantendo apenas o tachiagari (primeiro terço do tronco) fora, cuidando então de com isso preservar o sistema radicular inicial até que ele atinja o ponto ideal, quando no próximo reenvase, cuidaremos de ao plantar, expo-lo normalmente:
Importante salientar que esse trabalho deverá ser repetido a cada dois ou tres anos, visando sempre aumentar a area da fusão do sistema radicular do nebari, bem como engrossar as raizes envolvidas no esquema. Ao procedermos a retirada, sempre iremos cortar as raizes grossas da base inferior, preservando apenas as externas do sistema superior, conforme descrito antes e visualizado. Fazendo isso a intervalos regulares, enquanto cuidamos da formação estrutural da planta, estaremos aos poucos dando ensejo a um resultado mais técnico e mais bonito ao final do processo, como a foto abaixo registra:
Claro que a imagem acima não mostra o sistema radicular lateral preservado, que fica sob o substrato, então eis uma imagem apresentando-o para que não reste duvida sobre como esse procedimento é realizado:
Nesse tipo de formação não adianta ter pressa: é algo impensável querermos ter um resultado de qualidade em tempo recorde! Há que se cuidar de formar o bonsai, construindo uma estrutura aerea condizente e harmonica com o nebari, enquanto vamos resolvendo esse procedimento em relação ao nebari tambem. Tudo a seu tempo, é claro, mas sempre realizando as tarefas necessárias, para ao cabo de alguns anos de cultivo, termos um resultado tão ou melhor que os mostrados pelas imagens aqui contidas.
Esse ano, por exemplo, agora na primavera, irei trabalhar com as plantas que mostrei no inicio da minha postagem, que foram fixadas nas tabuinhas de ipê vazadas. Terei que retirar uma a uma do substrato, cortar o excedente de raizes fora, selecionar o tronco que irei cultivar, cortando os demais fora, sem nem pensar muito nisso, pois que a finalidade deles terá sido consumada durante essa primeira fase. Agora, após realizar essa árdua tarefa, volterei ao replante de cada peça individualmente, passando a segunda fase de cultivo, dessa vez com o objetivo de formar planta e nebari. O tempo trabalha a nosso favor, então tenhamos a necessária paciência de aprender a lidar com ele, aguardando a melhor época para proceder com as nossas intervenções, sem que com isso coloquemos em risco todo o nosso dificultoso trabalho. 😉