Vejam, nas imagens abaixo, o que o uso do arame pode produzir, em termos de qualidade material:
Os movimentos sinuosos de tronco e galho foram moldados na "infância" desse junipero, de maneira que agora está quase pronto para ser trabalhado, isto é, ter sua estrutura aerea definida, caracterizando um estilo:
Não se pode almejar contudo que a planta obtenha uma forma sinuosa em pouco tempo. Nem devemos nos apressar em relação a isso, bem como um shari, por mais profundo que seja, deve ser feito aos poucos, nunca de uma vez só. Aramar um junipero implica em adotar certos cuidados, para que não percamos galhos ou mesmo a planta inteira, apenas por pressa em obter resultados rápidos.
O shimpaku abaixo foi trabalhado dessa forma. Primeiro, o tronco foi aramado e "movimentado". Depois de que obteve o formato, o cultivador retirou a casca, formando um shari extenso, isto é, em toda a frente da planta, para destacar e realçar ainda mais a planta:
Entre a primeira intervenção (arame no tronco) e a segunda (shari) transcorreu pelo menos um ano e meio. Detalhe: esse shimpaku é um mini bonsai:
Esse outro exemplifica bem um trabalho de manutenção dos atuais galhos do shimpaku, no sentido de que, mais tarde, poderão ser convertidos em jin. Nesse caso, o cultivador priorizou o tronco, dando a ele um movimento bem sinuoso. Estabelecido isso, fez um shari extenso e agora trabalha na formação estrutural dos galhos selecionados:
A planta abaixo é um pinheiro negro (kuromatsu). Seu cultivador cuida de formar, primeiro, um tronco mais interessante. Por isso, arama e imprime movimentos sinuosos:
Outro pinheiro, dessa vez um vermelho (akamatsu), na sequencia:
Vejam na imagem abaixo que belo sacrificio de um galho, transformando-o em um jin, para melhor se adequar ao estilo trabalhado por seu cultivador. Poucos de nós teria a "coragem" de fazê-lo, não é mesmo? rss:
O trabalho abaixo mostra uma planta em duas fases: na primeira, vemos o belissimo tronco com shari e movimento sinuoso, mas com os galhos crescendo livres. No segundo, graças ao arame corretamente posicionado, a uma pinçagem regular, obtém-se uma estrutura aerea bem definida e estabilizada:
O shimpaku da imagem a seguir foi estilizado na forma varrido pelo vento (fukinagashi):
O principal atrativo, nessa planta, foi a exploração do tronco, com um lindo e extenso shari, bem como alguns galhos transformados em jin:
Este outro recebeu aramação no tronco, que foi bem movimentado antes. Em seguida, os galhos foram aramados e harmonizados ao tronco, recebendo, por ultimo, um shari que melhorou sua aparencia, resultando num trabalho mais técnico e de qualidade indiscutível: Frente:
Costas:
O que afere qualidade técnica a um junipero é a excelencia do trabalho com aramação que é realizada nele, bem como a exposição de sua madeira, seja num shari ou num jin, e, claro, todos esses fatores conjugados numa mesma planta:
Vejam as outras imagens da planta acima no link:
http://store.shopping.yahoo.co.jp/bonsaiartayumi/enlargedimage.html?code=dsc-6135a&img=http://item.shopping.c.yimg.jp/i/f/bonsaiartayumi_dsc-6135a_1
Um tronco com movimento sinuoso, cujo shari o deixa ainda mais sinuoso, vez que foi feito como uma volta de um parafuso:
As imagens acima servem como referencial para aprendermos sobre o junipero. Geralmente, não apresentam nebari, nem isso é explorado nessa espécie, aliás. Portanto, devemos então priorizar a formação de um bom tronco, com sinuosidade acentuada, que será o ponto de partida para a adição de outras intervenções, visando o aprimoramento técnico da planta, como shari e jin.
Plantas como um shimpaku adquirido em loja quase sempre vem bruto, isto é, sem ter recebido nenhum tipo de aramação. Por um lado, isso é ruim, pois o cultivador terá que realizar esse trabalho primeiro, visando ter em mãos um material de qualidade superior com que trabalhar numa futura estilização, mas, por outro lado, permite que o cultivador exerça sua criatividade em estabelecer e imprimir na planta algo que ele mesmo possa, mais tarde, se orgulhar de ter realizado.
A meta deve ser essa: a partir de um material bruto, obter um material de qualidade superior e, ao final, um lindo bonsai, com formas exóticas e diferentes do habitual, com troncos sinuosos e com shari e jin, além de uma estruturação aerea bem equilibrada e proporcional, harmonizando todo o conjunto. Não é um trabalho para ontem, devo ressaltar. É preciso paciência e realizar o trabalho em etapas, antes de mais nada, para preservar a planta e não correr o risco de, por pressa, por tudo a perder.
Por mais barato que seja o custo de aquisição de um material bruto como esse, custa algo aos nossos bolsos. Por isso, todo cuidado ao lidar com a planta é pouco. Além do mais, queremos ter um bonsai técnico, de qualidade, e isso implica justamente em pensarmos bem antes de realizar intervenções complexas ao mesmo tempo, isto é, todas de uma vez só. Num concurso de novos talentos ou numa demonstração em um curso de bonsai, isso é comum e ninguem contesta, pois o resultado final é esperado, embora, muitas vezes, a planta trabalhada dessa forma acaba por se perder, ou secar galhos.
Mas em se tratando de uma planta que não iremos apresentar nas condições acima e que temos todo o tempo disponível para realizarmos um ótimo trabalho com ela, então não há justificativa para pressa ou impaciência. O importante não é mostrar o resultado o mais rápido possível aos demais, mas sim, fazermos um ótimo trabalho e obtermos, ao final, um bonsai de qualidade técnica, esse sim um verdadeiro atestado de nossa capacidade, criatividade e cultivo como bonsaistas que somos. Pensem nisso, então, antes de mais nada. Paciência, calma e ponderação, ao comprarmos uma planta e analisarmos, detidamente e demoradamente, o que realmente queremos fazer na planta.
Recapitulando: os trabalhos de intervenção devem ser realizados por etapas: aramação do tronco, primeiro. Segundo, shari e jin. Terceiro, aramação dos galhos para a estilização. Entre uma etapa e outra as vezes é preciso esperar o transcurso de um ano ou mais. Um shari não deve ser feito todo de uma vez só. Mas aos poucos. Claro que isso deve ser considerado em relação ao tamanho da planta e grossura de seu tronco. Quanto maior e mais grosso, mais shari poderá ser feito. Quanto menor e mais fino, menos shari.
Um shari nejikan, em toda a volta do tronco, é feito por janelas: desenha-se no tronco uma janela pequena, com caneta porosa ou giz. Em seguida, com um estilete, marca-se o corte sobre a linha do desenho. Em seguida, com esse mesmo estilete, corta-se, retirando a "janela" na casca. Podemos fazer várias janelas, mas sem uni-las ainda. Depois de um ano ou dois, estando a planta saudável e devidamente recuperada, é que iremos então unir as "janelas". Na borda do corte, na ponta da casca, sempre aplicaremos uma pasta cicatrizante. Não é cola de madeira, não é cera de vela, nem pasta de dente. É pasta cicatrizante mesmo. Ou cera de abelha, seguindo a dica do velho amigo Bergson (detalhes desse material no site dele: oficina bonsai.
Bem, chega de imagens. Abaixo, alguns links para que vcs possam "pescar" as imagens que julgarem interessantes arquivar:
http://photo.xuite.net/yahyah99tw/2692035/2.jpg
Imagens pequenas, clique nelas para aumentar e visualizar melhor:
http://manbonsai.com/products/list.php?category_id=2
http://blogs.yahoo.co.jp/bonsaibunka2006/folder/1505630.html
http://www.ty.area.com.tw/is_cn.cgi?areacode=30020&ID=cn-j22-32&CatID=4
http://shop.plaza.rakuten.co.jp/yukei/diary/detail/201101090000/
http://flowers.hunternet.com.tw/showthread.php?t=132483
http://blogs.yahoo.co.jp/miura_baijuen/31612387.html
http://www.hm160.cn/html/2563571.htm
Um dos melhores sites que conheço, o Bonsai Shari Sidiao, deve constar em todos os favoritos, aliás. É um ótimo referencial de pesquisa e estudo. As paginas podem ser vertidas para o ingles, para facilitar a compreensão e o entendimento:
http://sidiao.cnpenjing.com/photo_c_5.htm
No link abaixo, clicando na data na relação em que aparece o ano 2011 em primeiro na sequencia, abre-se paginas e mais paginas mostrando lindos trabalhos. Vale a pena conferir todos, aliás:
http://ssbin.blog.shinobi.jp/Entry/548/
A maioria dos sites estão no idioma japones. Alguns em chines. Para copiar e colar no google tradutor é preciso que o PC reconheça os caracteres, para isso basta instalar as fontes orientais, que estão disponíveis no painel de controle ou no CD de instalação do windows. Sem as fontes, não será possível identificar o idioma e obter tradução, caso se queira informações adicionais sobre as imagens e o trabalho realizado. 😄