Flavio, para um primeiro trabalho de bosque bonsai devo dar-lhe os parabens: voce realizou um ótimo desenvolvimento com suas pitangueiras. 😄
Entretanto, é preciso esclarecer alguns pontos, surgidos principalmente nas opiniões dos demais colegas, e que acredito que a maioria desconhece ou não considerou na hora de opinar: Os diferentes posicionamentos na distribuição das plantas implica, necessáriamente, no formato que tem as plantas utilizadas na composição. Como se dá isso?
Explico: se usamos plantas com troncos retos, as plantas maiores e de troncos mais grossos deverão ficar o mais próximas possivel, e as de troncos médios, numa posição um pouco mais afastadas. As menores e mais finas, poderão ficar tanto à direita do grupo principal (ou seja, as maiores e mais grossas) e à esquerda do grupo secundário (ou seja, as de grossura e altura médios). Plantas ainda menores e mais finas poderão então ser dispostas por detrás à direita, à esquerda e ao fundo, para passar a noção de profundidade.
Lembrando sempre que ao fazermos a distribuição os troncos nunca deverão obstacularizar em demasia uns aos outros, de maneira que o observador, postado à frente, sempre consiga visualizar os caules de cada uma das plantas da composição. Nessa particularidade, aliás, reside a maior dificuldade na distribuição correta das plantas no bosque bonsai. Mas é muito importante sua consideração, para que o trabalho fique apresentavel e mostre a qualidade técnica correta.
Nos dois esquemas desenhados que vc mostrou, vemos duas linhas traçadas que se cruzam no centro do perímetro estabelecido: cada parte dessa divisão chama-se quadrante e usamos fazer o plantio, ou seja, a distribuição das plantas, dentro deles e não sobre as linhas demarcadas. Dessa forma, conseguimos realizar um posicionamento que se aproxima mais da forma correta, evitando dispersão e afastamento, principalmente das arvores do grupo principal.
Tomei a liberdade de fazer uma ligeira correção quanto à distribuição das plantas, no primeiro gráfico que vc mostrou. Repare que o correto é que as plantas fiquem distribuídas dentro dos dois quadrantes superiores, evitando sua disposição nos quadrantes inferiores. Com isso, o quadro ganha profundidade e dimensão, sem comprometer em nada o resultado final. Conquanto seja possível dispor uma ou duas arvores menores e mais finas na frente, isto é, dentro dos dois quadrantes inferiores, é incorreto fazer isso usando as arvores maiores e mais grossas, por uma questão estética. Essas devem, obrigatoriamente e sempre, ficarem dispostas nos quadrantes superiores:
Não enumerei os circulos, mas acredito que minhas especificações acima descritas possam permitir o estabelecimento correto quanto às distribuições corretas das plantas. As maiores e mais grossas sempre próximas umas das outras e no quadrante superior direito, mais próximas do centro, sem cruzar nem sobrepor a linha demarcatória. As demais, de tamanho e grossura media, sempre no centro ou próximo dele, no quadrante superior esquerdo. As mais finas, distribuídas próximas e a direita no quadrante superior direito e próximas e a esquerda, no quadrante superior esquerdo.
Agora, em relação às plantas usadas: bosques bonsai podem ser realizados de diversas maneiras e sobre as mais variadas bases, sejam elas suiban, vasos ou lajes de pedra. O importante é que arvores retas, pedem arvores complementares ou retas ou quase isso. Nesse caso, nenhuma arvore deve ficar inclinada nas extremidades dos quadrantes, como foi sugerido. A triangulação, importante nesse quadro tanto quanto em qualquer bonsai isolado, é buscada usando-se distribuir as arvores desde as maiores até as menores, isto é, do centro para as extremidades do recipiente, sem precisar inclinar nenhuma para lado nenhum.
Num bosque bonsai em que as arvores possuem movimento sinuoso, porém, o recurso de inclinarem-se as plantas postadas nas areas externas é comum, e visa um alongamento na triangulação, principalmente quando as espécies usadas possuem folhagem densa, compacta, de tamanho maior ou igual ao da pitangueira, como aceres, hayas, etc.
Por ultimo, mas igualmente importante, fiz algumas linhas de corte, em vermelho, que irão possibilitar um trabalho futuro na formação estrutural, vez que irão permitir que novas brotações surjam nos pontos de corte, o que irá facilitar esse trabalho de maneira corretamente executado:
Vale reforçar que a partir do momento em que juntamos arvores para formar um bosque ou uma floresta bonsai, as plantas deixam de serem vistas individualmente, devendo o cultivo ser realizado como se todas as plantas tratassem, na verdade, de um unico individuo. Isso se deve, principalmente, ao fato de que as raízes, com o tempo, irão se fundir, constituindo-se num emaranhado dificil de ser desfeito.
Espero que as informações que descrevi acima sirvam de orientação para a correta correção do seu excelente trabalho. Particularmente aprecio muito a composição nesse estilo (bosque bonsai) e tenho alguns em meu viveiro, incluso de pitangueiras. Ao longo dos anos em que venho praticando a arte bonsai, sempre busquei conhecimento diferenciado e maior sobre esse tipo de trabalho, e um pouco desse material é que agora disponho para voce, agora. Algumas das dicas foram retiradas de numeros antigos da revista espanhola Bonsai Actual, bem como de revistas japonesas (Bonsai Sekai e Kinbon), e de livros de bonsai importados, da minha coleção. 😄