Rafael, em relação a variedade de suas azaleas, podemos dizer que a que apresenta folhas e flores maiores é uma variedade chamada de Obtusa. A segunda, parece ser Satsuki. O nome Satsuki engloba duas sub espécies, que são o rododendro e a azalea, sendo que satsuki é um nome japones para designar o período do ano em que as azaleas e rododendros florescem naquele país, que começa em principios de maio. Então, podemos dizer que SATSUKI significa "mês de maio".
As azaleas e os rododendros diferem quanto a grossura do caule, formato das folhas, diferença na floração e por aí vai. Por vezes, parece algo extremamente dificil identifcar quem é quem na briga. rss
Os japoneses que cultivam azalea como bonsai não costumam cultivar nenhuma outra espécie, apenas elas. Há competições anuais, semestrais, em que são apresentadas plantas com floração plena, isto é, quase nem se veem as folhas, de tão carregada fica com flores.
O genero Obtsusa, apesar de ser de origem hindu e chinesa, ou seja, oriental, foi mais difundido na europa, sendo trazido para o Brasil no inicio da colonização portuguesa. As folhas e flores são maiores, com o tronco mais grosso tambem. Quase não há variação na tonalidade das flores, como ocorre com a satsuki. Geralmente apresenta flores na cor dessa sua ou flores rosas ou brancas, sem mistura. As satsuki, por outro lado, apresentam uma profusão imensa de cores, formatos e tamanhos, criando um segmento que identifica inumeras variedades possiveis para a espécie.
Para ter uma idéia da dimensão que os japoneses dão a azalea, há uma revista de bonsai especializada nessa espécie (bem como em rododendro), editada mensalmente naquele país, chamada SATSUKI. Os festivais de floração da satsuki são tão famosos no Japão quanto o da cerejeira, como podemos ver pelo cartaz abaixo, onde é anunciado o SATSUKI MATSURI:
Veja algumas imagens da expo realizada em 12/06/2010:
http://endoh-kazuo.blog.ocn.ne.jp/kuma/2010/06/post_b00e.html
Mesmo quando acontecem festivais de flores, a azalea é figura obrigatória, sendo apresentados os mais lindos bonsai floridos:
http://4travel.jp/domestic/area/kanto/saitama/oomiya/oomiya/travelogue/10153342/
Veja algumas azaleas com diferentes cores de flores:
http://blogs.yahoo.co.jp/yokanisedon12/35147585.html
No link abaixo, a exposição apresenta rododendros e satsuki, sendo que estas ultimas são identificadas por seus troncos finos, trabalhados geralmente no estilo Neagari (raiz exposta) ou entrelaçados, de maneira a apresentarem uma "grossura" maior, harmonizando o conjunto, vez que a copa é bem densa, para aumentar a floração:
http://tomo2008.tea-nifty.com/blog/2011/05/post-cb3d.html
Embora muitos indiquem que devemos podar radicalmente para reiniciar a planta, não é recomendável adotar essa técnica com a azalea. É importante sempre tentar manter no minimo um par de folhas em cada galho, forçando com isso duas coisas: bifurcação na emissão das novas brotações que irão ocorrer na extremidade do galho, e novas brotações ao longo do galho, antes do par deixado. Com essas será possível então reduzir o comprimento do galho, aproximando as brotações do tronco, densificando a planta.
Com as novas brotações, tanto na extremidade do galho podado, quanto nas que brotarem na parte anterior, poderemos então estar formatando adequadamente a estrutura aerea da planta, sem risco de perda material, muito comum de ocorrer quando optamos pela poda radical e total, o que, como escrevi acima, não deve ser feito, mesmo quando um ou outro tem sucesso em sua aplicação. Veja as imagens abaixo que mostram como podar, corretamente, os galhos, preservando o par de folhas:
A planta é sensível e ao aramar, devemos primeiro forçar levemente o galho, com os dedos, até uma posição próxima da que realmente queremos atingir. Em seguida, enrolamos o arame, não muito apertado, e forçamos novamente, até atingir o ponto aproximado, sem forçar até o ponto final, que será atingindo na próxima aramação. Fazendo assim, evitamos rupturas no galho, ou mesmo a quebra, que irá favorecer a perda do galho.
Para saber a grossura do arame, use uma ponta para "empurrar" o galho a ser aramado. Se o arame conseguir "empurrar" o galho, então estará ótimo para ser usado nele. Se não, o galho é que irá "dobrar" o arame, que estará fino demais para esse galho em questão.
O volume de raízes capilares deve sempre ser aproximado e compatível com o volume de galhos e folhas. Se podamos a planta na parte aerea, poderemos podar as raizes, reduzindo seu volume, para igualar. O melhor substrato deve conter matéria organica e algum caco ce telha, sem excesso, apenas para permitir uma drenagem adequada. O solo deve permanecer levemente umido, sem encharcar, pois o excesso de umidade pode causar a asfixia das raízes, levando à morte da planta. O cultivo deve ser a meia sombra, durante o verão e outono, com exposição maior durante a primavera e inverno.
Ficar atento a retirar o arame antes de marcar, para evitar cicatrizes dificeis de serem cobertas. Plantas novas podem ficar aramadas por mais tempo que plantas mais antigas, o mesmo valendo para os galhos mais novos e mesmo o tronco. Novas mudas podem ser obtidas na primavera, inverno e outono a partir de estacas das ponteiras. Estacas a partir de ponteiras que tenham florido irão florir mais rapidamente. É possível fundir os troncos e caules da azalea, então é possível tambem enxertar, de maneira a ter uma planta produzindo flores de tonalidades diferentes, graças a esse recurso técnico.
Brotações nas raízes e na base do tronco, bem como fora do padrão estabelecido de estilo da planta, devem ser sempre podados rente, para evitar desgaste da planta, por subtração da energia necessária nos pontos importantes. Bem, essas são as informações básicas sobre o cultivo que espero poder nortear o nobre colega no trato com suas plantas. Boa sorte com elas.