Edson, é sempre um regalo para os olhos e um deleite para nossos sentidos podermos nos postar frente a um local como esse, onde os objetos expostos convidam à reflexão, a introspecção. Parabens por seu excelente trabalho, uma pequena mostra de sua grande habilidade nesse tipo de composição.
Apenas para auxiliar, prestando um esclarecimento a mais para os demais colegas foristas que pela primeira vez tomam conhecimento desse aspecto da cultura japonesa, temos que tokonoma e seu conteúdo são elementos essenciais da decoração interior tradicional japonesa. Definindo a palavra TOKONOMA, temos que "Toko" significa literalmente "piso" ou "cama"; 'ma' significa "espaço" ou "quarto".
Faz parte do tokonoma o fukurotodana (pequeno armário para guardar utensílios da cerimônia do chá). Este ambiente deve transmitir a integração de 3 elementos exatamente como é estudado no ikebana, de maneira mais profunda.
Quando sentar os convidados em uma sala em estilo japonês, a etiqueta correta é do lugar do convidado mais importante com a sua volta de frente para o tokonoma. Isto é devido à modéstia; o anfitrião não deve ser visto para mostrar o conteúdo do tokonoma ao hóspede, e, portanto, é necessário para não apontar o convidado para o tokonoma.
Pisar dentro dele é estritamente proibido, exceto para alterar a exibição ou os objetos expostos, mas há toda uma etiqueta estrita para faze-lo corretamente e ela deve ser seguida.
O pilar de um lado do tokonoma é geralmente feito de madeira, especialmente preparado para o efeito. Ela pode variar de um tronco aparentemente cru com a casca ainda ligada, a um pedaço quadrado de madeira muito reta.
É costume mudar a arte apresentada no Tokonoma, alternando-a conforme as estações do ano, ou para escolhê-la para um convidado específico. Um pouco da história dessa tradição: Como uma característica do Shoin-zukuri (Shoin estilo arquitectónico), no período Kamakura (1192-1333), o tokonoma foi desenvolvido a partir do Butsudan (o altar privado) no budismo. Durante o período Muromachi (1392-1573) e os períodos de Azuchi-Momoyama (1573-1603), tornou-se um recurso padrão com uma finalidade meramente decorativa, perdendo um pouco do seu carater mistico/religioso.
A idéia de que o tokonoma é um espaço sagrado foi iniciada por sacerdotes budistas, e até hoje é estritamente proibido entrar ou sentar-se no tokonoma. O assento mais próximo ao tokonoma é geralmente dado ao convidado mais importante.
Eu acho que o tokonoma é uma das belezas da arquitetura/cultura japonesa, e mostra o espírito japonês de wabi (sabor sutil) e sabi (simplicidade elegante). Infelizmente, atualmente, poucas casas modernas têm o tokonoma.
Os caracteres que definem o tokonoma (kanji) são:
Quem quiser, pode aprender a escrever o kanji acima, ou então usar outro dos alfabetos japoneses, chamado Hiragana, para escrever. É bem mais simples, e basta seguir a direção das setas para "desenhar" corretamente as letras que compõe o termo:
No link abaixo, uma residencia "ultra moderna" japonesa, com o tokonoma devidamente atualizado:
http://www.shozen.net/arai_futyu.html
Creio que poderíamos, a partir de agora, na próximas exposições a serem realizadas Brasil afora (e são cada vez mais a cada ano), dispormos de um local onde pudesse ser construído um Tokonoma tradicional, o que sem dúvida nenhuma constituiria num forte atrativo a mais para qualquer expo bonsai. Que tal vendermos a idéia? 😄