De todas as informações postadas, a única coisa aproveitável foi o fato de que, ao usar mudas novas e de caules finos, dificilmente voce poderá juntar mais de duas plantas de cada vez, sob o risco de que ao ficar uma parte da madeira muito exposta, pela retirada excessiva de casca, por menor que seja a area de contato, isso poderá acarretar a morte das plantas envolvidas.
Então, "colar" duas plantas uma na outra, é viável e com resultado possível. No entanto, se sua opção for tentar fundir mais de duas por vez, usando uma como base (chamamos planta-mãe) e as demais como acessórias (plantas-filhas), é grande o risco de que sua empreitada leve a perda material irreversível.
Um pequeno esclarecimento: não existem plantas frágeis ou plantas fortes, todas são plantas e requerem cuidados especiais para lidar com elas, em se tratando de azaleas. Dizer que uma variedade é robusta mais que outra, por essa outra ter sido originada em viveiro, seja em Holambra ou no Japão, é pura balela, não condiz em nada com a realidade.
De fato há inumeras variedades de azalea e rododendros, sendo que as ideais para o cultivo visando o bonsai apresentam folhas pequenas e flores de petálas individuais. No mercado há algumas variedades de folhas pequenas e flores chamadas de "dobradas", por apresentarem petalas em forma de rosa cheia, que tem uma aceitação bem maior que as de flores simples pela maioria dos paisagistas e arranjadores florais. Logo, essa variedade tem uma saída de venda muito maior, o que barateia seu custo, em relação a variedade de flores simples, que por terem uma saída menor no mercado, são mais caras.
Dentre as variedades de azaleas disponíveis no mercado, há uma que é muito usada em jardinagem e paisagismo, denominada "obtusa", que apresenta flores e folhas grandes, sendo que as flores podem ser simples ou compostas, a depender do gosto do fregues. A vantagem dessa variedade é seu crescimento mais rápido, sua resistencia ao clima tropical, vez que "aguentam" mais o tranco quando plantadas em jardins, sob exposição solar constante, que as outras variedades, que preferem locais mais sombreados para seu desenvolvimento.
Voltando então ao seu trabalho, devo salientar que é importante destacar essas diferenciações quanto às variedades de azaleas, pois ao escolher as plantas com que irá trabalhar, é de grande relevãncia determinar desde logo o tipo e tamanho de folhas e flores das plantas, pois dessa maneira, quando atingir o resultado buscado, terá ao menos garantido um pormenor interessante ao trabalho.
Minha sugestão, no caso, é que voce proceda a tentativa de fundir dois caules apenas, um contra o outro, aos pares. Isso significa fazer uns quatro ou oito pares, por exemplo. Dentro de uns dois ou tres anos, quando ocorrer a fusão, então poderá usar esse material para fundir com outro material, com garantias maiores de sucesso na empreitada.
Devo ressaltar que contrariamente ao que voce postulou, deverá sim reduzir parte do sistema radicular dessas mudas, pois que a parte a ser fixada contra o caule de outra planta não deve apresentar raiz, pois ela poderá atrapalhar a fusão quanto a fixação correta. Reduzir a massa aerea tambem é importante, pois que a planta estará perdendo seiva até que consiga estabelecer circulação ambígua, entre uma planta e outra, e se parte da seiva continua a alimentar uma massa muito grande de folhagem, galhos e novas brotações, seu trabalho poderá não resultar tão satisfatório quanto.
Ou seja: unindo pares agora, projeta-se que dentro de tres anos, ocorrendo fusão entre eles, possa usá-los então para fundir uns aos outros, aumentando dessa forma a quantidade de plantas unidas, sem que corra o risco de perda material. Em se tratando de azalea não me surpreende esse tipo de intervenção lenta, vez que trata-se de um arbusto extremamente complexo no que tange a intervenções do cultivador, como aramação, poda e desfolha, por exemplo.
Voltando as variedades de azalea, é importante frisar que adotamos, na maioria das vezes, o cultivo de uma variedade denominada SATSUKI, que em japonês faz referencia ao período em que florescem naquele país (mes de maio). A azalea satsuki, por sua vez, apresenta sub variedades que podem chegar a umas 119 plantas diferentes, com flores em tonalidades as mais variadas, troncos robustos ou não, folhas pequenas ou médias, flores simples, compostas (dobradas), estriadas, estreladas, etc. Veja o nome das mais conhecidas e cultivadas no Japão:
http://satsukimania.net/index.php/variety.html
Dentre essas todas, umas poucas fazem parte do nosso repertório, graças ao empenho de cultivadores que trouxeram em sua bagagem, escondidas, mudas pequeninas, cultivando-as em solo nacional, e distribuindo-as, disseminando seu cultivo Brasil afora. No Japão o cultivo de azaleas e rododendros é coisa séria, sendo que a maioria dos bonsaistas que as cultivam não cultivam nenhuma outra espécie, apenas elas. Há torneios, exposições e campeonatos, onde apenas são apresentadas azaleas e rododendros:
Na imagem acima, por exemplo, as poucas plantas que não são azaleas fazem parte da apresentação apenas como plantas de acento ou acessórias, figurando em segundo plano e nem são relevadas ou apreciadas pelos entendidos japoneses que frequentam o local. rssss
E se voces acham caro as mudas comercializadas em nosso país, é por que não viram ainda os preços que elas valem lá fora:
http://www.sohjuensatsukibonsai.com/SohjuenSatsukiBonsai/large-satsuki-bonsai-variety-kozan-ff8081811ba38dc1011c38576ce01b65-p.html
Até o solo (substrato) em que são cultivadas é diferenciado. Enquanto na maioria das outras espécies usam o Akadama, para azaleas e rododendros usa-se um solo especial, chamado KANUMA, cujo preço tambem é cotado em dolar:
Dentre as 119 sub variedades de satsuki, a minha predileta é a KINSAI:
Recentemente, há coisa de uns dois anos, um senhor japonês, residente a uns 40km da minha casa, trouxe do Japão, escondida na mala, uma azalea dessa variedade. Aguardo ansioso por um contato com ele, a ser ainda agendado, para tentar negociar uns dois ou tres galhinhos dessa planta, e dessa forma dar inicio ao meu "plantel" de azalea satsuki kinsai. Vou levar para ele algumas plantas que certamente despertarão seu interesse pela permuta, sendo uma dessas de origem japonesa que sei que ele não possui, chamada HAZE (leia razé), cujo nome cientifico é Rhus sucedanea.
Finalizando, informações interessantes: no Japão é publicada uma revista mensal sobre bonsai de Satsuki, que ostenta na capa justamente esse nome mesmo. Tenho um exemplar, comprado em São Paulo, na livraria Fonomag, que fica na Liberdade e importa, a pedido, revistas, livros e outras publicações, inclusive midias, diretamente do Japão. Claro, tudo escrito em japonês, né? rssss Muito interessante essa revista, traz artigos e dicas sobre cultivo e trabalhos de bonsai com azalea e rododendros, então creio que se alguem resolver se dedicar apenas ao cultivo delas, eis um excelente veículo de leitura e aprendizado. Veja que lindeza uma expo de big azalea satsuki:
Um passo a passo interessante sobre o reenvase de uma satsuki estilizada Ishitsuki (estilo raiz sobre rocha):
http://satsukimania.net/index.php/tips/repot.html
Um video, para aqueles que preferem aprender com movimento:
http://satsukimania.net/index.php/tips/repot/repot-example2.html
Capa da revista SATSUKI, que mencionei. O nome, claro, está escrito no alfabeto Hiragana, em vermelho:
Me perdoem o excesso, mas o tema é realmente apaixonante, na minha humilde opinião....rssss