O futuro do Bonsai no Brasil
Amigos,
Não sou nenhum mestre, expert ou mesmo experiente em bonsai. Sou e serei sempre um aprendiz na arte e muito aprendo todos os dias em livros, revistas, sites e, principalmente, em fóruns como este aqui. Não posso dizer qual é ou se existe um "melhor estilo" para o bonsai brasileiro ou quais seriam suas regras. Os que aprecio e o que me emociona na arte são referências pessoais baseados na minha historia de vida. Então porque estou aqui?
Porque quero trazer à discussão a necessidade de avançarmos. Minha profissão me fez ver que é preciso sempre inovar, sempre por em discussão as idéias já concebidas. Não devemos ficar presos a regras e padrões para sempre... É claro que precisamos conhecer as regras que tanto fizeram por nossa arte e que norteiam nosso aprendizado. Mas estou aqui para dizer sinceramente e em alto e bom som: o bonsai brasileiro é MEDÍOCRE!
Medíocre porque pouco respeita as nossas nativas. Medíocre porque sempre que qualquer discussão ou estudo que fuja dos chokkans, hokidashis (ou qualquer outro termo japonês, que mais acabam servindo para engessar do que realmente outra coisa), acaba em... NADA!
Recentemente um tópico neste fórum e/ou outros fóruns levou a alguma discussão acerca de um estilo: o naturalistic, que eu traduzo por naturalístico (uma palavra que existe já há muitos anos no vocabulário português e não é um neologismo). Legal! Discutimos bastante, mas quando se pede para por no papel os resultados, novamente... NADA. Senão que voltamos sempre aos cânones do bonsai japonês.
Eles (os japoneses) levaram para o bonsai a estética das árvores que crescem lá, onde tem terremoto, vulcões, maremotos, neve, nevascas, tufões, etc. Nós não temos nada disso! Então porque fazer tudo igual? O que eu luto não é para que se faça apenas o estilo naturalístico, mas para que se faça também esse estilo. E aqui no Brasil, podemos adaptar isso nas nossas nativas. Se alguns querem insistir em achar que naturalístico é deixar a planta crescer solta, então que fiquem com seus preconceitos ou, se aplicarem a idéia, com seus arbustos. E não é só o naturalístico. Isso serve para QUALQUER estilo. O que precisamos é criar uma possibilidade de ESTUDAR o bonsai. Nós apenas copiamos, não estudamos. Ou melhor, estudamos a técnica e os estilos dos outros. O Walter Pall ousou fazer a diferença na Europa e foi muito criticado no começo e ainda hoje.
Mas também não precisamos imitar o Walter Pall! Volto a repetir: precisamos estudar a arte. Desenvolver o estilo brasileiro. Esse terá como base a mesma matéria-prima que os japoneses, chineses ou europeus: nossa natureza. Aquilo que vemos crescer nas nossas matas e montanhas. Chineses primeiro encontraram em Huangshan (a montanha amarela) árvores que cresciam pouco, mas com a mesma idade e aparência geral daquelas outras que tinham liberdade para suas raízes.
Huangshan:

Japoneses receberam de braços abertos a cultura chinesa e a adaptaram. Criaram ao longo de séculos uma cultura própria, rica e hoje cultuada no ocidente (mesmo sem se compreendê-la realmente). Do penjing fizeram o bonsai. E observaram suas próprias montanhas.
Yakushima:


Porque não fazemos o mesmo? Porque nossos bonsai parecem em duas dimensões? Porque tantas jabuticabeiras em forma de pinheiro negro japonês?
Uns poucos têm um olhar mais distante e nos trazem as excessões: Sergivaldo, que nos brinda com um estudo de nativas de sua região que deveria ser aplicado por todos nós em nossas matas e montanhas. Cláudio Ratto, que pensa e estuda o desenvolvimento de técnicas e insumos para o nósso clima. Roberto Gerpe que tem a vivência com um dos maiores mestres e que daí tira a essência da arte e aplica em suas obras-primas. Existem outros, não vou listá-los todos. Alguns são reverenciados por seu conhecimento teórico, mas não vejo esse conhecimento adaptado à nossa realidade. Os livros são maravilhosos. Um Tomlinson realmente é capaz de encher os olhos com as técnicas japonesas e a didática que ele próprio tem. Mas não adianta nada ficar repetindo cegamente e surdamente o que está escritos nesses livros. Um livro não é um bonsai! Então não avança nada na arte decorar os termos japoneses (mesmo que lendo um dos principais livros do Harry Tomlinson percebi que ele não usou praticamente nenhuma palavra japonesa), nomes de estilos pouco conhecidos também ditos em japonês e mostrar todo o seu conhecimento em fóruns. Isso NÃO MUDA NADA! CONTINUAMOS MEDÍOCRES!
Seriamente, qual árvore brasileira seria digna de participar de um kokufu-ten ou mesmo de um Ginkgo Awards? Me mostrem uma... Ou melhor, várias, porque uma seria a exceção...
Vejo nos fóruns que sempre que uma árvore ainda em projeto é mostrada, imediatamente se preconisa colocar no escorredor, podar drasticamente e manter sempre bem podada sem fugir do "desenho". A técnica do escorredor é realmente funcional, inspiradora e a aplico também. Mas precisa ser SEMPRE? E as projeções são sempre árvores japonesas! Eu mesmo faço isso, não vou negar. Conheço a minha mediocridade e tento mudar isso. Que atire a primeira pedra quem nunca fez uma projeção de um moyogi para uma jabuticabeira ou até mesmo um fícus, quando este era apenas um palitinho! Uma mudinha! Como descobrir o potencial de uma árvore se não a deixamos se revelar? E acho mais triste ainda quando isso ocorre com um yamadori... O sujeito pega uma árvore na natureza, que já começou a mostrar sua essência, como iria crescer... E aí poda até deixar um toquinho... Porque não quer um naturalístico, ou um duplo tronco, mas sim um moyogi, ou um han-kengai. É preciso respeitar a árvore! O bonsai não é uma arte do homem sobre a natureza, mas sim uma comunhão, uma simbiose. E nos esquecemos disso sempre. Daí vem a mediocridade. E fazemos bonsai com cara de foto de catálogo kokufu-ten ou de um livro do Tomlinson. Tudo 2D. Sem vida. Não são árvores.
E agora cheguei ao âmago da questão: cadê as árvores? Um grande bonsaísta brasileiro que se reconhecerá, disse que queria ver árvores. Uma árvore de verdade, com estrutura de árvore natural. Mas num vaso. Walter Pall faz isso. Shinji Suzuki faz isso. Malaios, filipinos e chineses fazem isso.
http://internetbonsaiclub.org/index.php?option=com_smf&Itemid=133&topic=22946.0
http://internetbonsaiclub.org/index.php?option=com_smf&Itemid=133&topic=22944.0
Não vejo árvores assim aqui no Brasil. Ou melhor... Até existem algumas parecidas com essas fotos; mas não com essas árvores. São planas, sem vida.
Quando vejo que uma revista como a "Como cultivar bonsai" vai acabar, acho muito natural. É a declaração de causa perdida... As galerias da revista eram de dar dó... Com certeza não poderiam ser as mais belas árvores do Brasil, pelo menos espero que não... Mas de qualquer maneira, chamar de REVISTA uma coleção de páginas com as mesmas pessoas, os mesmo encontros e apenas 3 números no ano, é realmente difícil. Quando se falava de técnica, mostrava-se um trabalho inacabado, não muito avançado, fraco... Interessante para os iniciantes, talvez... Mas é pouco para aquela que era a única publicação nacional sobre a arte. Precisamos de muito mais do que isso.
Nosso país é imenso. Nossa biodiversidade é a maior do planeta. Enquanto copiamos as idéias de uma ilha, essa mesma ilha e outros países enxergam as nossas possibilidades, botam um nome de Brazilian Rain Tree (o que diabos significa isso???) para uma árvore, Leopard Brazilian Tree para outra... E fazem obras maravilhosas!!! Muito acima do que vemos aqui. Com a rara exceção de um Marcelo Martins da vida...
ABRAM OS OLHOS! Percebam o quão fraco está a arte aqui. Precisamos mudar este quadro. É claro que é muito bonitinho ficar falando, criticando e não propor nada de concreto, então vou sugerir um primeiro passo:
Prcisamos unir os clubes, organizações, sejam elas físicas, simples encontros ou virtuais. É preciso que uma discussão que se faz num fórum continue no clube ou numa demonstração. Uma pergunta feita num lugar, deve ter suas respostas expostas para todos. Proponho a criação de uma Federação Nacional do Bonsai. Talvez algo inspirado em um modelo estrangeiro mas adaptável a nossa realidade. Um exemplo: na França, uma federação nacional, criou um sistema de níveis para instrutores. São 3 níveis que se adquire ao passar uma espécie de exame, onde se testa a capacidade de ensinar, a empatia e o conhecimento do bonsaísta. Apenas 13 têm o diploma de nível 3, correspondente a um animador/formador nacional. O nível 2 corresponde a animadores de nível regional e o nível 1 aqueles de clubes e cidades. É muito burocrático? Claro que sim, mas está mudando a face do bonsai francês. AS discussões não fiam mais no vazio. São levadas até os "professores" com algum nível que põem em discussão nas esferas seguintes. O que leva a uma análise profunda por aqueles que tem experiência e conhecimento capazes de mudar o panorama.
Um Tramujas pode nos ensinar muito. Um Hidaka, idem. Mas se for de evento em evento, de encontro em encontro, nunca chegará a uma audiência maior. E nada mudará no bonsai brasileiro. As discussões recomeçarão sempre... É assim com o estilo naturalístico, por exemplo. A mesma discussão que se viu nos fóruns recentemente, é a mesma que já houve em outros momentos no passado. E, se não fizermos nada, se não conclírmos essa discussão, será a mesma no futuro... E o resultado o mesmo: NADA!
Faço um apelo para que ampliemos o nosso discurso. Que esqueçamos nossas diferenças, ou melhor, para que as tornemos nosso trunfo. O que é polêmico é bom porque leva ao questionamento. Um órgão um pouquinho centralizado que seja, poderá colher as diversas opiniões e levar aos melhores "professores" que temos para que daí saiam as futuras regras e padrões que norteiam e sintetizam uma arte. Nós já fizemos isso com a arte no Brasil, no que ficou conhecido com a Semana da Arte Moderna. Um movimento de jovem guarda fez isso com a música. Outros exemplos existem e em todos, a arte cresceu quando houve uma discussão e união para mudar para melhor, para avançar. Precisamos da nossa Semanda da Arte do Bonsai Moderno e Brasileiro! Somos elogiados no mundo da publicidade mundial por nossa criatividade, pela nossa música alegre... Nossas regiões, tão múltiplas e diferenciadas permitem uma riqueza na arte do bonsai que nenhum outro país pode ter igual. Sergivaldo lá em cima, Tramujas lá embaixo, Cláudio Ratto ou Hidaka aqui no meio... São tantas opções e possibilidades. Que seria realmente uma lástima deixar de aproveitar.
Escrevo muito e canso aqueles que leram até aqui. Fico sonhando com um concurso de bonsai com uma diversidade de espécies e estilos que faria salivar um Walter Pall, emocionar um Kimura. Vamos nos unir. Discutir sempre, mas avançar ao mesmo tempo. Vamos deixar para trás nossos preconceitos e julgamentos de valor. Não peço para esquecer os termos japoneses ou suas regras, mas desenvolver uma cara nossa, brasileira. Sou um iniciante, e sempre serei, eu acho... Mas quero me inspirar nos trabalhos maravilhosos daqueles que PODEM produzir obras fantásticas. Aqueles que desfilam seu conhecimento nos fóruns, podem contribuir adaptando seu discurso, criticando objetivamente, tendo em vista o que seria melhor para nós, brasileiros. Vamos apresentar árvores! Com copas cheias, muita ramificação e folhagem (um literati será sempre um literati, e não é disso que estou falando). Com cara de árvore em miniatura. E não um desenho num papel. Não um moyogi com curvas perfeitas. Esses podem continuar a serem criados, expostos, sem problemas, mas não são brasileiros!!! Pode até existir em algum lugar uma jabuticabeira han-kengai natural, mas não é normal. Então vamos pensar em como deve ser tratada uma jabuticabeira em bonsai... Pode ser um moyogi com "esses"? Pode!!! Mas não seria bonsai brasileiro...
Enfim, estou apenas jogando a bola. O jogo se fará, espero, com os craques em campo. Quero participar das jogadas e tenho minhas idéias, vou passá-las aqui, mas o objetivo principal é ESTUDAR E CRIAR UM BONSAI BRASILEIRO... E vamos largar a hipocrisia!!!
Obrigado pela atenção e pelas críticas.
Pedro.
P.S.: Sr. Moderador: se achar este tópico ofensivo, sem qualidade ou sem propósito, apague-o imediatamente, por favor.
Não sou nenhum mestre, expert ou mesmo experiente em bonsai. Sou e serei sempre um aprendiz na arte e muito aprendo todos os dias em livros, revistas, sites e, principalmente, em fóruns como este aqui. Não posso dizer qual é ou se existe um "melhor estilo" para o bonsai brasileiro ou quais seriam suas regras. Os que aprecio e o que me emociona na arte são referências pessoais baseados na minha historia de vida. Então porque estou aqui?
Porque quero trazer à discussão a necessidade de avançarmos. Minha profissão me fez ver que é preciso sempre inovar, sempre por em discussão as idéias já concebidas. Não devemos ficar presos a regras e padrões para sempre... É claro que precisamos conhecer as regras que tanto fizeram por nossa arte e que norteiam nosso aprendizado. Mas estou aqui para dizer sinceramente e em alto e bom som: o bonsai brasileiro é MEDÍOCRE!
Medíocre porque pouco respeita as nossas nativas. Medíocre porque sempre que qualquer discussão ou estudo que fuja dos chokkans, hokidashis (ou qualquer outro termo japonês, que mais acabam servindo para engessar do que realmente outra coisa), acaba em... NADA!
Recentemente um tópico neste fórum e/ou outros fóruns levou a alguma discussão acerca de um estilo: o naturalistic, que eu traduzo por naturalístico (uma palavra que existe já há muitos anos no vocabulário português e não é um neologismo). Legal! Discutimos bastante, mas quando se pede para por no papel os resultados, novamente... NADA. Senão que voltamos sempre aos cânones do bonsai japonês.
Eles (os japoneses) levaram para o bonsai a estética das árvores que crescem lá, onde tem terremoto, vulcões, maremotos, neve, nevascas, tufões, etc. Nós não temos nada disso! Então porque fazer tudo igual? O que eu luto não é para que se faça apenas o estilo naturalístico, mas para que se faça também esse estilo. E aqui no Brasil, podemos adaptar isso nas nossas nativas. Se alguns querem insistir em achar que naturalístico é deixar a planta crescer solta, então que fiquem com seus preconceitos ou, se aplicarem a idéia, com seus arbustos. E não é só o naturalístico. Isso serve para QUALQUER estilo. O que precisamos é criar uma possibilidade de ESTUDAR o bonsai. Nós apenas copiamos, não estudamos. Ou melhor, estudamos a técnica e os estilos dos outros. O Walter Pall ousou fazer a diferença na Europa e foi muito criticado no começo e ainda hoje.
Mas também não precisamos imitar o Walter Pall! Volto a repetir: precisamos estudar a arte. Desenvolver o estilo brasileiro. Esse terá como base a mesma matéria-prima que os japoneses, chineses ou europeus: nossa natureza. Aquilo que vemos crescer nas nossas matas e montanhas. Chineses primeiro encontraram em Huangshan (a montanha amarela) árvores que cresciam pouco, mas com a mesma idade e aparência geral daquelas outras que tinham liberdade para suas raízes.
Huangshan:

Japoneses receberam de braços abertos a cultura chinesa e a adaptaram. Criaram ao longo de séculos uma cultura própria, rica e hoje cultuada no ocidente (mesmo sem se compreendê-la realmente). Do penjing fizeram o bonsai. E observaram suas próprias montanhas.
Yakushima:


Porque não fazemos o mesmo? Porque nossos bonsai parecem em duas dimensões? Porque tantas jabuticabeiras em forma de pinheiro negro japonês?
Uns poucos têm um olhar mais distante e nos trazem as excessões: Sergivaldo, que nos brinda com um estudo de nativas de sua região que deveria ser aplicado por todos nós em nossas matas e montanhas. Cláudio Ratto, que pensa e estuda o desenvolvimento de técnicas e insumos para o nósso clima. Roberto Gerpe que tem a vivência com um dos maiores mestres e que daí tira a essência da arte e aplica em suas obras-primas. Existem outros, não vou listá-los todos. Alguns são reverenciados por seu conhecimento teórico, mas não vejo esse conhecimento adaptado à nossa realidade. Os livros são maravilhosos. Um Tomlinson realmente é capaz de encher os olhos com as técnicas japonesas e a didática que ele próprio tem. Mas não adianta nada ficar repetindo cegamente e surdamente o que está escritos nesses livros. Um livro não é um bonsai! Então não avança nada na arte decorar os termos japoneses (mesmo que lendo um dos principais livros do Harry Tomlinson percebi que ele não usou praticamente nenhuma palavra japonesa), nomes de estilos pouco conhecidos também ditos em japonês e mostrar todo o seu conhecimento em fóruns. Isso NÃO MUDA NADA! CONTINUAMOS MEDÍOCRES!
Seriamente, qual árvore brasileira seria digna de participar de um kokufu-ten ou mesmo de um Ginkgo Awards? Me mostrem uma... Ou melhor, várias, porque uma seria a exceção...
Vejo nos fóruns que sempre que uma árvore ainda em projeto é mostrada, imediatamente se preconisa colocar no escorredor, podar drasticamente e manter sempre bem podada sem fugir do "desenho". A técnica do escorredor é realmente funcional, inspiradora e a aplico também. Mas precisa ser SEMPRE? E as projeções são sempre árvores japonesas! Eu mesmo faço isso, não vou negar. Conheço a minha mediocridade e tento mudar isso. Que atire a primeira pedra quem nunca fez uma projeção de um moyogi para uma jabuticabeira ou até mesmo um fícus, quando este era apenas um palitinho! Uma mudinha! Como descobrir o potencial de uma árvore se não a deixamos se revelar? E acho mais triste ainda quando isso ocorre com um yamadori... O sujeito pega uma árvore na natureza, que já começou a mostrar sua essência, como iria crescer... E aí poda até deixar um toquinho... Porque não quer um naturalístico, ou um duplo tronco, mas sim um moyogi, ou um han-kengai. É preciso respeitar a árvore! O bonsai não é uma arte do homem sobre a natureza, mas sim uma comunhão, uma simbiose. E nos esquecemos disso sempre. Daí vem a mediocridade. E fazemos bonsai com cara de foto de catálogo kokufu-ten ou de um livro do Tomlinson. Tudo 2D. Sem vida. Não são árvores.
E agora cheguei ao âmago da questão: cadê as árvores? Um grande bonsaísta brasileiro que se reconhecerá, disse que queria ver árvores. Uma árvore de verdade, com estrutura de árvore natural. Mas num vaso. Walter Pall faz isso. Shinji Suzuki faz isso. Malaios, filipinos e chineses fazem isso.
http://internetbonsaiclub.org/index.php?option=com_smf&Itemid=133&topic=22946.0
http://internetbonsaiclub.org/index.php?option=com_smf&Itemid=133&topic=22944.0
Não vejo árvores assim aqui no Brasil. Ou melhor... Até existem algumas parecidas com essas fotos; mas não com essas árvores. São planas, sem vida.
Quando vejo que uma revista como a "Como cultivar bonsai" vai acabar, acho muito natural. É a declaração de causa perdida... As galerias da revista eram de dar dó... Com certeza não poderiam ser as mais belas árvores do Brasil, pelo menos espero que não... Mas de qualquer maneira, chamar de REVISTA uma coleção de páginas com as mesmas pessoas, os mesmo encontros e apenas 3 números no ano, é realmente difícil. Quando se falava de técnica, mostrava-se um trabalho inacabado, não muito avançado, fraco... Interessante para os iniciantes, talvez... Mas é pouco para aquela que era a única publicação nacional sobre a arte. Precisamos de muito mais do que isso.
Nosso país é imenso. Nossa biodiversidade é a maior do planeta. Enquanto copiamos as idéias de uma ilha, essa mesma ilha e outros países enxergam as nossas possibilidades, botam um nome de Brazilian Rain Tree (o que diabos significa isso???) para uma árvore, Leopard Brazilian Tree para outra... E fazem obras maravilhosas!!! Muito acima do que vemos aqui. Com a rara exceção de um Marcelo Martins da vida...
ABRAM OS OLHOS! Percebam o quão fraco está a arte aqui. Precisamos mudar este quadro. É claro que é muito bonitinho ficar falando, criticando e não propor nada de concreto, então vou sugerir um primeiro passo:
Prcisamos unir os clubes, organizações, sejam elas físicas, simples encontros ou virtuais. É preciso que uma discussão que se faz num fórum continue no clube ou numa demonstração. Uma pergunta feita num lugar, deve ter suas respostas expostas para todos. Proponho a criação de uma Federação Nacional do Bonsai. Talvez algo inspirado em um modelo estrangeiro mas adaptável a nossa realidade. Um exemplo: na França, uma federação nacional, criou um sistema de níveis para instrutores. São 3 níveis que se adquire ao passar uma espécie de exame, onde se testa a capacidade de ensinar, a empatia e o conhecimento do bonsaísta. Apenas 13 têm o diploma de nível 3, correspondente a um animador/formador nacional. O nível 2 corresponde a animadores de nível regional e o nível 1 aqueles de clubes e cidades. É muito burocrático? Claro que sim, mas está mudando a face do bonsai francês. AS discussões não fiam mais no vazio. São levadas até os "professores" com algum nível que põem em discussão nas esferas seguintes. O que leva a uma análise profunda por aqueles que tem experiência e conhecimento capazes de mudar o panorama.
Um Tramujas pode nos ensinar muito. Um Hidaka, idem. Mas se for de evento em evento, de encontro em encontro, nunca chegará a uma audiência maior. E nada mudará no bonsai brasileiro. As discussões recomeçarão sempre... É assim com o estilo naturalístico, por exemplo. A mesma discussão que se viu nos fóruns recentemente, é a mesma que já houve em outros momentos no passado. E, se não fizermos nada, se não conclírmos essa discussão, será a mesma no futuro... E o resultado o mesmo: NADA!
Faço um apelo para que ampliemos o nosso discurso. Que esqueçamos nossas diferenças, ou melhor, para que as tornemos nosso trunfo. O que é polêmico é bom porque leva ao questionamento. Um órgão um pouquinho centralizado que seja, poderá colher as diversas opiniões e levar aos melhores "professores" que temos para que daí saiam as futuras regras e padrões que norteiam e sintetizam uma arte. Nós já fizemos isso com a arte no Brasil, no que ficou conhecido com a Semana da Arte Moderna. Um movimento de jovem guarda fez isso com a música. Outros exemplos existem e em todos, a arte cresceu quando houve uma discussão e união para mudar para melhor, para avançar. Precisamos da nossa Semanda da Arte do Bonsai Moderno e Brasileiro! Somos elogiados no mundo da publicidade mundial por nossa criatividade, pela nossa música alegre... Nossas regiões, tão múltiplas e diferenciadas permitem uma riqueza na arte do bonsai que nenhum outro país pode ter igual. Sergivaldo lá em cima, Tramujas lá embaixo, Cláudio Ratto ou Hidaka aqui no meio... São tantas opções e possibilidades. Que seria realmente uma lástima deixar de aproveitar.
Escrevo muito e canso aqueles que leram até aqui. Fico sonhando com um concurso de bonsai com uma diversidade de espécies e estilos que faria salivar um Walter Pall, emocionar um Kimura. Vamos nos unir. Discutir sempre, mas avançar ao mesmo tempo. Vamos deixar para trás nossos preconceitos e julgamentos de valor. Não peço para esquecer os termos japoneses ou suas regras, mas desenvolver uma cara nossa, brasileira. Sou um iniciante, e sempre serei, eu acho... Mas quero me inspirar nos trabalhos maravilhosos daqueles que PODEM produzir obras fantásticas. Aqueles que desfilam seu conhecimento nos fóruns, podem contribuir adaptando seu discurso, criticando objetivamente, tendo em vista o que seria melhor para nós, brasileiros. Vamos apresentar árvores! Com copas cheias, muita ramificação e folhagem (um literati será sempre um literati, e não é disso que estou falando). Com cara de árvore em miniatura. E não um desenho num papel. Não um moyogi com curvas perfeitas. Esses podem continuar a serem criados, expostos, sem problemas, mas não são brasileiros!!! Pode até existir em algum lugar uma jabuticabeira han-kengai natural, mas não é normal. Então vamos pensar em como deve ser tratada uma jabuticabeira em bonsai... Pode ser um moyogi com "esses"? Pode!!! Mas não seria bonsai brasileiro...
Enfim, estou apenas jogando a bola. O jogo se fará, espero, com os craques em campo. Quero participar das jogadas e tenho minhas idéias, vou passá-las aqui, mas o objetivo principal é ESTUDAR E CRIAR UM BONSAI BRASILEIRO... E vamos largar a hipocrisia!!!
Obrigado pela atenção e pelas críticas.
Pedro.
P.S.: Sr. Moderador: se achar este tópico ofensivo, sem qualidade ou sem propósito, apague-o imediatamente, por favor.



