Caro Castro,
Não sei se é o caso de se estabelecer a assimetria como vantajosa em relação ao seu oposto. Particularmente também prefiro formas assimétricas, mas não podemos esquecer, fazendo um paralelo suspeito com a pintura, que muita coisa boa e original foi feita com a simetria. A arte do renascimento, as esculturas arcaicas gregas, a arte árabe e, no nosso caso, as arvores do estilo ereto formal, são exemplos notáveis de como a simetria pode parecer “natural”.
Você escreveu “desequilíbrio/assimetria”. Deu para entender, mas, entretanto, são estes conceitos diferentes. Desequilíbrio é quando algo está na eminência de sair determinado lugar. Algo que parece instável no local em que se encontra.... o “desequilíbrio” me parece sim tem um sentido de erro. O exemplo montado pelo Sergivaldo é um belo exemplo disso – a árvore era mais simétrica mas aquele galho estava desequilibrado, querendo sair dali. No projeto alterado, mais assimétrico ficou muito mais estável e equilibrado. Não há ambigüidade.
O assunto é relevante e merece uma desdobrada pois se aplica as nossas árvores. Rudolf Harnhein, um teórico da percepção, dá um exemplo bacana.
Ele observa que a figura A é bem equilibrada, que há bastante vida na combinação de quadrados e retângulos de diversas proporções. Tudo permanece em seu lugar, nada está procurando mudar. Não figura B, por outro lado, aparentemente mais simétrica, as diferenças de proporção são tão pequenas que ficamos vacilantes de contemplar a simetria ou assimetria, a igualdade ou desigualdade, quadrado ou retângulo. A figura é ambígua. Claro ele faz a ressalva que pode ser este justamente o efeito que o arista pretende, mas estes são casos raros e na maioria das vezes procuramos evitar tal ambigüidade.
Hora nos bonsai em especial isto tem bastante importância como podemos ver nos exemplos todos citados até agora. Quando o galho dentro da curva é mesmo para ser um galho dentro da curva, ele funciona. Se voltarmos ao nosso fatídico exemplo do bonsai em flor (que o autor não nos ouça), percebemos que o galho dentro da curva está ali para fechar o triângulo da copa mais que por si mesmo. Ele por ele cai naquela ambigüidade, naquela estranheza, como se estivesse mesmo escondendo e prejudicando a dinâmica do tronco - assim sobrando.
Quando um bonsai está equilibrado a sua idéia plástica se fecha - nada fica ambíguo, nem sobra nem falta. O bonsai daí por diante “transformando-se, repousa!” (como citado por Heráclito no âmbito do pensamento filosófico)
O mágico disso é que necessariamente, a cada vez, o equilibro tem de se encontrar de forma diferente pois cada árvore é única e tem sua personalidade. E mesmo se conduzida desde muda, ela tem lá seu temperamento, sua vocação, – ?não é fantástico?