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ESTÉTICA DO BONSAI - Estrutura de galhos

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Ferreira08/02/2008 18:41
Pessoal

Baseado nas sugestões acima, acho que podemos concluir que muitos bonsai apresentados na internet, mesmo alguns considerados "acabados" pelos autores, poderiam ser melhorados. Sempre podemos sugerir modificações menores, até nos mais perfeitos, por questões de preferências. Mas parece que alguns seriam realmente bastante beneficiados se algumas regras básicas tivessem sido aplicadas. Portanto, nem tudo pode ser considerado como bom exemplo de quebra de regras.
duprat08/02/2008 20:22
Caro ferreira com certeza você tem razão.
Aquela projeção do sergivaldo do bonsai em flor ficou a olhos vistos bem melhor. Mas não sei se é só uma questão de gosto não.... na projeção do serrgivaldo a dinâmica do tronco está bem mais exposta, e ele tem mais peso, equilibrando o interesse natural pelas copas floridas. Entre tronco e copas há mais harmonia e o belo tronco ganhou o mínimo de destaque que ele suscita. Poderíamos alegar que isso depende também do gosto, que as copas foram o foco de interesse e o tronco não merecia destaque para o autor. Claro tudo é possível dependendo do autor mas isso parece a alguém que questiona que 1 + 1 = 2. Não há como provar isso. E questionando tal princípio cai por terra toda a linguagem matemática. No nosso caso creio que a “grandiosidade” e a “harmonia” são nosso 1 + 1 = 2, e neste sentido dá para afirmar sim que a projeção alterada ficou melhor.
Note ainda que a segunda projeção também ficou melhor mais ainda carece de harmonia e equilíbrio entre as copas. A retirada do galho denunciou mais ainda isso. A copa do ápice tem um volume muito grande em relação as demais copas...
Antonio Castro08/02/2008 20:48
Olá a todos

Amigo Duprat
O que me parece nos exemplos do Amigo Sergivaldo, é que ao retirar-se aqueles ramos criou-se um desiquilibrio/assimetria ( o tal sai do conforto da simetria e Inova)...e com isso as árvores ganharam dramatismo/ mais interesse, deixam-nos mais viajar na contemplação... o acto sugerir.
Podem ter imensos pontos de vista, terão as suas histórias,...prendem-nos por isso.

Quando a simetria existe, obviamente tudo isso também acontecerá mas regra geral são sempre mais enfadonhas...não é à toa que o "ponto de ouro" se encontra em determinada parte de um espaço 😉...e um aspecto "menos bonito" nesse local não há artista que a safe.

A questão dos vasos também me parece ter sido bem levantada, com os exemplos já colocados (com e sem ramo) experiementem visualizá-los, mas mantendo o vaso em que se encontravam, dariam resultados bem diferentes 🙂 😄 .

Bom tópico 😉

[ ]s

Castro
Ferreira08/02/2008 21:03
Caro Duprat

Eu concordo inteiramente com sua observação de que não é apenas questão de gosto. Mas eu fui deliberadamente comedido em meu comentário anterior. Se eu fosse mais direto, poderia ter provocado uma discussão desnecessária que desviaria o foco da excelente discussão que você está conduzindo.

Acho que podemos concordar que muitos bonsai que "quebram" uma determinada "regra" poderiam ser ainda melhores se a aplicassem. No entanto, muitas vezes é difícil achar a solução para um problema de nossa própria planta e às vezes nem mesmo percebemos que ela tem o problema. É muito mais fácil visualizar e sugerir boas soluções para a planta dos outros. Isto não é um defeito de personalidade. Segundo o desenhista de bonsai Haguio Etsuji esta é a situação mais comum e natural, pois para ver as soluções é necessário "manter a distância e a objetividade de análise", que muitas vezes perdemos quando olhamos nossa própria planta. Portanto, é importante fazer isso que fazemos aqui no Atelier: mostrar a planta para que os colegas apresentem suas observações sobre as melhores soluções para ela, com a distância que é salutar. Esta prática, combinada com a leitura de tópicos e discussões como esta, nos levarão ao melhor caminho do desenvolvimento técnico e aperfeiçoamento dos nossos bonsai.
Alberto Alves09/02/2008 11:28
No entanto, muitas vezes é difícil achar a solução para um problema de nossa própria planta e às vezes nem mesmo percebemos que ela tem o problema. É muito mais fácil visualizar e sugerir boas soluções para a planta dos outros. Isto não é um defeito de personalidade.


Isso acontece demais comigo 😄
duprat10/02/2008 22:37
Caro Castro,
Não sei se é o caso de se estabelecer a assimetria como vantajosa em relação ao seu oposto. Particularmente também prefiro formas assimétricas, mas não podemos esquecer, fazendo um paralelo suspeito com a pintura, que muita coisa boa e original foi feita com a simetria. A arte do renascimento, as esculturas arcaicas gregas, a arte árabe e, no nosso caso, as arvores do estilo ereto formal, são exemplos notáveis de como a simetria pode parecer “natural”.

Você escreveu “desequilíbrio/assimetria”. Deu para entender, mas, entretanto, são estes conceitos diferentes. Desequilíbrio é quando algo está na eminência de sair determinado lugar. Algo que parece instável no local em que se encontra.... o “desequilíbrio” me parece sim tem um sentido de erro. O exemplo montado pelo Sergivaldo é um belo exemplo disso – a árvore era mais simétrica mas aquele galho estava desequilibrado, querendo sair dali. No projeto alterado, mais assimétrico ficou muito mais estável e equilibrado. Não há ambigüidade.

O assunto é relevante e merece uma desdobrada pois se aplica as nossas árvores. Rudolf Harnhein, um teórico da percepção, dá um exemplo bacana.



Ele observa que a figura A é bem equilibrada, que há bastante vida na combinação de quadrados e retângulos de diversas proporções. Tudo permanece em seu lugar, nada está procurando mudar. Não figura B, por outro lado, aparentemente mais simétrica, as diferenças de proporção são tão pequenas que ficamos vacilantes de contemplar a simetria ou assimetria, a igualdade ou desigualdade, quadrado ou retângulo. A figura é ambígua. Claro ele faz a ressalva que pode ser este justamente o efeito que o arista pretende, mas estes são casos raros e na maioria das vezes procuramos evitar tal ambigüidade.

Hora nos bonsai em especial isto tem bastante importância como podemos ver nos exemplos todos citados até agora. Quando o galho dentro da curva é mesmo para ser um galho dentro da curva, ele funciona. Se voltarmos ao nosso fatídico exemplo do bonsai em flor (que o autor não nos ouça), percebemos que o galho dentro da curva está ali para fechar o triângulo da copa mais que por si mesmo. Ele por ele cai naquela ambigüidade, naquela estranheza, como se estivesse mesmo escondendo e prejudicando a dinâmica do tronco - assim sobrando.

Quando um bonsai está equilibrado a sua idéia plástica se fecha - nada fica ambíguo, nem sobra nem falta. O bonsai daí por diante “transformando-se, repousa!” (como citado por Heráclito no âmbito do pensamento filosófico)

O mágico disso é que necessariamente, a cada vez, o equilibro tem de se encontrar de forma diferente pois cada árvore é única e tem sua personalidade. E mesmo se conduzida desde muda, ela tem lá seu temperamento, sua vocação, – ?não é fantástico?
duprat10/02/2008 22:37
Deletado por Ferreira, a pedido do Duprat.
duprat10/02/2008 22:38
Deletado por Ferreira, a pedido do Duprat.
duprat10/02/2008 23:16
Obrigado Ferreira.
Paulo Roberto Marasca14/02/2008 00:13
Apenas para levantar hipóteses diferentes...

Pensando no motivo do autor deixar os galhos dentro da curva no pinheiro e no bonsai florido me ocorreram alguns detalhes que talvez sejam verdadeiros...

No pinheiro o dito galho parece ser um galho de fundo ( não há marca de saída do galho no tronco ) que na visão "in loco" pareça melhor que na fotografia ( sabemos como é difícil a foto fazer juz à planta )... Um rearranjo deste galho pode melhorar a foto e destacar a tridimensionalidade da planta.



No florido o ponto de partida do galho logo acima do nebari pode fazer dele um segundo tronco... E uma mudança de tamanho dos galhos pode adaptá-lo ao uso de um vaso alongado mais de acordo com o estilo.

duprat14/02/2008 03:16
Gostei da ideia ficou mlhor sim juntar com o grupo de cima usando o galho para criar um conjunto por trás do tronco.
Ainda assim continuaria mais a partir do projeto do Sergivaldo , retirando o galho. O grande apice me incomoda ainda por seu peso e volume. Sua ideia de profundidade caberia muito bem nele, caso claro haja um apice razoável nesta região, que não seja necessário esconder.



duprat14/02/2008 05:41
Em beneficio da ordem vale esclarece que estamos pensando os galhos principais da árvore, e em se tratando de galho dentro da curva, significa que o tronco tem curvas. Por isso a princípio estávamos mesmo que genericamente falando do estilo moyogi e de como é importante os ramos acompanharem o movimento do tronco principal, sendo como que naturalmente lançados para os lados pela dinâmica determinada pelo tronco.
Podem ser lançados para cima, na horizontal ou voltados para baixo. E, mais difícil, combinando as possibilidades.
Depois vimos que é importante haver um jogo de equilíbrio (simétrico ou assimétrico) entre os ramos principais (=copas principais). Vimos ainda que devemos em geral evitar a ambiguidade.



O comentário do tópico anterior sobre a profundidade que certos ramos e copas propiciam, nos dando a sensação de profundidade mesmo em uma foto bidimensional, fez-me lembrar de outro tópico onde eu chamava a atenção para o importância de se expor a estrutura da árvore. Parece que quando nos aproximamos de uma grande árvore vendo-a meio por baixo, temos acesso a sua estrutura e isso faz com que, nos bonsais, a árvore pareça maior ao se EXPOR SUA ESTRUTURA. Tinha feito uma serie em desenho para comparação.



Encontrei entretanto, dois exemplos muito melhores devido a juntar o que se trata agora com exemplos muito parecidos com os analisados inicialmente. O primeiro tem até explicitamente o fatídico galho dentro da curva. Vamos a eles.







Postei as três sequências, para puxar o estudo para um aspecto extremamente importante e freqüentemente pouco citado, que é o desenho das copas. RAMOS, COPAS e VAZIOS, e também PROFUNDIDADES, têm claro uma íntima relação, e no final é o jogo entre estes elementos, além claro da dinâmica principal do tronco, que determinam a idéia plástica do bonsai em seu todo.
O último exemplo acho que ilumina bastante o fato de uma aparente pequena alteração no desenho das copas, emprestar a árvore uma dimensão extraordinária.
duprat15/02/2008 01:57
Uma bela idéia relacionada ao desenho das copas;.....

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