De duendes a São Tomé
Pessoal
Eu não acredito em duendes, posto que até hoje não tive qualquer mínima evidência de sua existência. No entanto, a qualquer momento, diante de uma evidência segura (para mim) de sua existência, estou bem disposto a aceitá-los em minha convivência com as plantas. Se este momento chegar, creio que eles (os duendes) certamente entenderão meus motivos e perdoarão minha atitude cética. Desde São Tomé esta atitude é criticada, mas é com os pés na realidade e a mente supostamente (tenho limitações) aberta que vivo a vida!
Claramente prefiro o bonsai japonês, tanto pelo apelo estético visual que me parece mais de acordo com minha idéia de natureza, quanto porque compreendo melhor as definições dos estilos e suas regras. Mas não critico o bonsai chinês ou de outra escola, que também guardam imensa beleza. Compreendo que seguir uma ou outra escola, fazer em um ou outro estilo, é questão de técnica e de preferência pessoais, de aproveitar o que a planta tem de melhor, para sentir a proximidade da natureza nas mãos.
No centro desta questão está a tendência natural de cada espécie ou variedade por um “estilo próprio”, definido pelo que está impresso em seu genoma através da combinação aleatória de diferentes genes particulares, que ocorreu em seu processo evolutivo. Um jambeiro vulgar, por exemplo, embora com folhas enormes, tem um “estilo próprio” inconfundível de vertical informal (ou quase formal). Já o pau-mulato apresenta comumente o “estilo próprio” tronco múltiplo. Mas sempre se pode tentar adequar este “estilo próprio” das espécies, com maior ou menor facilidade, ou com maior ou menor sucesso, ao próprio ideal de natureza. Não necessariamente um bonsai de jambo em estilo vertical parecerá mais natural que em estilo cascata, independentemente do tamanho de suas folhas.
Eu não me expressei bem quando na minha mensagem anterior citei ver dois “tipos” (entre aspas) de bonsai. Eu quis dizer que ambos os “tipos” eram japoneses, das mesmas exposições e dos mesmos concursos fabulosos, de beleza quase tão inacreditável quanto os duendes (não fossem as fotografias e o testemunho dos afortunados visitantes). Mas, mesmo assim, se observei bem, são “tipos” diferentes, como tentei explicar naquela mensagem. Pareceu-me que pelo menos o colega Duprat entendeu bem meu ponto de vista e até sugeriu que ao invés de chamar um dos “tipos” de “bonsai natural”, poderíamos chamar de “bonsai com a naturalidade da natureza”, para evitar uma possível má-vontade em aceitar a utilização da expressão “bonsai natural”. Achei a sugestão do colega uma atitude de extrema boa-vontade, utilizando inclusive um pleonasmo, plenamente justificado, para se fazer compreender melhor.
Mas depois de reler todo o tópico, pensando nesta expressão, cheguei à conclusão de que eu preferiria me referir a este “tipo” de bonsai como “bonsai com aspecto natural”, que me parece uma expressão mais direta, para contrapor ao outro “tipo”, cujo aspecto aparenta menor naturalidade. À primeira vista, por ser aparentemente menos idealmente estilizado, poderia parecer que seria necessário menor intervenção humana para conseguir um “bonsai com aspecto natural”. Mas ao contrário, para fazer um “bonsai com aspecto natural” certamente é necessária maior intervenção humana e, talvez, ainda melhor domínio técnico. Este raciocínio certamente não é original, e pode não ser aceito pelos colegas, que podem continuar a não aceitar a idéia de “bonsai natural” ou de “bonsai com a naturalidade da natureza” ou de “bonsai com aspecto natural”. Mas pelo menos serviu para arrumar a idéia na minha própria cabeça.
Um abraço a todos,
Eu não acredito em duendes, posto que até hoje não tive qualquer mínima evidência de sua existência. No entanto, a qualquer momento, diante de uma evidência segura (para mim) de sua existência, estou bem disposto a aceitá-los em minha convivência com as plantas. Se este momento chegar, creio que eles (os duendes) certamente entenderão meus motivos e perdoarão minha atitude cética. Desde São Tomé esta atitude é criticada, mas é com os pés na realidade e a mente supostamente (tenho limitações) aberta que vivo a vida!
Claramente prefiro o bonsai japonês, tanto pelo apelo estético visual que me parece mais de acordo com minha idéia de natureza, quanto porque compreendo melhor as definições dos estilos e suas regras. Mas não critico o bonsai chinês ou de outra escola, que também guardam imensa beleza. Compreendo que seguir uma ou outra escola, fazer em um ou outro estilo, é questão de técnica e de preferência pessoais, de aproveitar o que a planta tem de melhor, para sentir a proximidade da natureza nas mãos.
No centro desta questão está a tendência natural de cada espécie ou variedade por um “estilo próprio”, definido pelo que está impresso em seu genoma através da combinação aleatória de diferentes genes particulares, que ocorreu em seu processo evolutivo. Um jambeiro vulgar, por exemplo, embora com folhas enormes, tem um “estilo próprio” inconfundível de vertical informal (ou quase formal). Já o pau-mulato apresenta comumente o “estilo próprio” tronco múltiplo. Mas sempre se pode tentar adequar este “estilo próprio” das espécies, com maior ou menor facilidade, ou com maior ou menor sucesso, ao próprio ideal de natureza. Não necessariamente um bonsai de jambo em estilo vertical parecerá mais natural que em estilo cascata, independentemente do tamanho de suas folhas.
Eu não me expressei bem quando na minha mensagem anterior citei ver dois “tipos” (entre aspas) de bonsai. Eu quis dizer que ambos os “tipos” eram japoneses, das mesmas exposições e dos mesmos concursos fabulosos, de beleza quase tão inacreditável quanto os duendes (não fossem as fotografias e o testemunho dos afortunados visitantes). Mas, mesmo assim, se observei bem, são “tipos” diferentes, como tentei explicar naquela mensagem. Pareceu-me que pelo menos o colega Duprat entendeu bem meu ponto de vista e até sugeriu que ao invés de chamar um dos “tipos” de “bonsai natural”, poderíamos chamar de “bonsai com a naturalidade da natureza”, para evitar uma possível má-vontade em aceitar a utilização da expressão “bonsai natural”. Achei a sugestão do colega uma atitude de extrema boa-vontade, utilizando inclusive um pleonasmo, plenamente justificado, para se fazer compreender melhor.
Mas depois de reler todo o tópico, pensando nesta expressão, cheguei à conclusão de que eu preferiria me referir a este “tipo” de bonsai como “bonsai com aspecto natural”, que me parece uma expressão mais direta, para contrapor ao outro “tipo”, cujo aspecto aparenta menor naturalidade. À primeira vista, por ser aparentemente menos idealmente estilizado, poderia parecer que seria necessário menor intervenção humana para conseguir um “bonsai com aspecto natural”. Mas ao contrário, para fazer um “bonsai com aspecto natural” certamente é necessária maior intervenção humana e, talvez, ainda melhor domínio técnico. Este raciocínio certamente não é original, e pode não ser aceito pelos colegas, que podem continuar a não aceitar a idéia de “bonsai natural” ou de “bonsai com a naturalidade da natureza” ou de “bonsai com aspecto natural”. Mas pelo menos serviu para arrumar a idéia na minha própria cabeça.
Um abraço a todos,